Bem aventurado - Mateus - conversa 03
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Bem aventurado - Mateus - conversa 03

Transcrição do áudio da terceira conversa do estudo 'Bem aventurado'

Bem aventurado - Mateus - conversa 03

Quem entre no reino do céu

Não é toda pessoa que me chama de “Senhor, Senhor” que entrará no Reino do Céu, mas somente quem faz a vontade do meu Pai, que está no céu. Quando aquele dia chegar, muitas pessoas vão me dizer: “Senhor, Senhor, pelo poder do seu nome anunciamos a mensagem de Deus e pelo seu nome expulsamos demônios e fizemos muitos milagres!” Então eu direi claramente a essas pessoas: “Eu nunca conheci vocês! Afastem-se de mim, vocês que só fazem o mal!” (Mateus. 7: 21-23)

Pode traduzir.

Participante. para mim esse trecho representa também os Fariseus que ...

Esquece isso é história!

Participante: é uma representação.

Pense nos dias de hoje. Para o ser humanizado se tornar um bem aventurado, para alcançar a felicidade, o que Cristo está dizendo?

Participante: para se entregar.

Não.

Está dizendo que não basta clamar “Senhor, Senhor”, ou seja, não basta apenas ficar rezando, orando, louvando a Deus ou a Cristo. Para ser feliz é preciso praticar o amor ao próximo.

É isso que o mestre está dizendo: o que conta para a bem aventurança não é a religiosidade, mas sim a pratica dos ensinamentos trazidos por Cristo. É isso que ele está dizendo.

Então veja: de nada adianta ir ao centro ou a igreja religiosamente uma vez por semana. Melhor ficar em casa assistindo novela. Não adianta ir a qualquer culto se não amar o próximo como a si mesmo dentro e fora dele.

O mestre fala ainda em anunciar o nome de Deus ou expulsar demônios em Seu nome (realizar trabalho mediúnico). De nada adianta exercer o papel de médium, fazer palestras ou até mesmo trabalhar, ajudar no centro ou na igreja sem que haja a prática dos ensinamentos trazidos pelo mestre.

Para ser feliz é preciso somente ser feliz. Para ter felicidade é preciso amar e não apenas frequentar ou participar dos cultos ou estudar os ensinamentos.

Participante: é preciso amar e não apenas dizer que ama.

Não é apenas não dizer que ama; é não colocar em prática o que foi ensinado. Não é apenas participar dos ritos, dos cultos, e achar que isso é solução para a elevação espiritual, para a felicidade. Não adianta nada! O que adianta mesmo é praticar, é viver no dia a dia no estado de amor ao próximo e amor a Deus sobre todas as coisas.

Participante: perfeito; não viver só de teoria.

Isso!

Só que falar em viver na teoria ainda é pouco. A nosso consciência precisa atingir um ponto ainda maior. O que realmente não adianta é viver em hipocrisia!

Não adianta ir ao centro, à igreja, ao templo e dizer que já fez a sua parte no sentido de espiritualizar-se e continuar vivendo como todo ser humano quando está fora do local de culto. É isso que não adianta.

É o que já disse outras vezes: a busca espiritual não pode ser vivida em momentos e nem em lugares específicos . Ela precisa ser vivenciada vinte quatro horas por dia em todos os lugares. Esse é o problema: os religiosos restringem a sua busca espiritual à participação nos cultos da religião.

Antes que vocês comecem a se deixar levar pela crítica, afirmo: não estou falando de evangélicos, católicos ou espiritas. Tem muitos espiritualistas que vivem o espiritualismo apenas na hora do culto, da atividade mediúnica, na hora de mandar mensagem. Não é isso: é preciso viver o espiritualismo isso vinte quatro horas por dia.

Compreendam uma coisa: a felicidade incondicional (bem-aventurança) é o resultado da vivencia dos ensinamentos. Se o ser vive a busca espiritual, a busca da felicidade, apenas em determinados momentos, só vai ter alguns momentos de felicidade. É isso que Cristo está dizendo.

Os que dizem “Senhor, Senhor” são os que vivem apenas louvando a Cristo, os que apenas vivem em oração. e isso não adianta nada.

Participante. No final Cristo diz: vocês que só fazem o mal ...

O que é fazer o mal?

Participante: não fazer o bem.

É fazer ao outro o que não quer para si. Isso é fazer o mal.

Se você quer ter razão, tem que dar ao outro o direito de ter razão. Isso é fazer o bem.

Participante: ou seja, não ser hipócrita.

Perfeito.

Bem aventurado - Mateus - conversa 03

Os dois alicerces

Quem ouve esses meus ensinamentos e vive de acordo com eles é como um homem sábio que construiu a sua casa na rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, e o vento soprou com força contra aquela casa. Porém ela não caiu porque havia sido construída na rocha.

Quem ouve esses meus ensinamentos e não vive de acordo com eles é como um homem sem juízo que construiu a sua casa na areia. Caiu a chuva, vieram as enchentes, e o vento soprou com força contra aquela casa. Ela caiu e ficou totalmente destruída.

Mateus 7. 24-27

O que ele quer dizer?

Participante: para mim a rocha aqui é a representação da verdade da bem aventurança.

Não. A rocha significa solidez para a construção. É usado para dizer que é sólido.

O que quer dizer é que quando o ser vive o ensinamento do mestre, o utiliza no dia a dia, solidifica a felicidade. Mas, quando não vive, ou seja, o vivencia apenas nos momentos ou lugares que quer, onde espera ganhar alguma coisa, a felicidade é perene. Da mesma forma, aqueles que usam o ensinamento apenas nos momentos do culto dizendo Senhor, Senhor, não possuem uma felicidade sólida.

Para aquele que possui uma felicidade perene, não sólida, qualquer intempere da vida faz ruir a felicidade. O que é uma intempere da vida nesse caso?

Participante. vicissitudes.

A contrariedade.

Aquele que não possui uma felicidade sólida, qualquer contrariedade, por mínima que seja o faz perder a felicidade. Por quê? Porque não vive o ensinamento diariamente. Porque só vive o que o mestre disse da boca para fora. Porque apenas fala, Senhor, Senhor, mas não cumpre o que ele ensinou.

É isso que ele está dizendo: quem vive os ensinamentos está protegido contra os sofrimentos; quem não vive, na primeira chuvinha põe tudo a perder.

Participante: posso falar que a rocha é o próprio ensinamento no seguinte sentido de que é uma estrutura solida. Dizer que é melhor se basear nessa estrutura solida para construir a sua casa do que em outras filosofias, politicas. Essas são uma falácia por assim dizer. Você jamais poderá construir uma coisa solida baseado nessas filosofias por que elas não representam um ensinamento verdadeiro?

Você não pode dizer isso porque esqueceu-se da palavra vivencia.

Dizendo que o ensinamento é a própria rocha, bastaria decorá-lo que já teria um chão de rocha. Mas, não adianta apenas conhecer tudo. S não vivenciar o ensinamento, não há rocha sob a sua construção. Ela não terá solidez.

Portanto, a vivencia é a rocha, não o ensinamento em si.

Participante: entendi.

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A autoridade de Jesus

Quando Jesus acabou de falar, as multidões estavam admiradas com sua maneira de ensinar. Ele não era como os mestres da Lei; pelo contrário, ensinavas com a autoridade dele mesmo. Mateus 7. 28-29

Aqui não há palavra de Jesus. Por isso não há necessidade de um estudo específico. Apenas quero falar uma coisa: aqui acaba o sermão do monte.

Participante: aqui?

Ele estava fazendo esse sermão desde o capitulo cinco, quando reuniu seus apóstolos e as pessoas que o seguia. Portanto, tudo o que estudamos desde lá faz parte do sermão do monte. Estou lembrando desse detalhe porque as pessoas acham que esse sermão do monte é composto apenas pelas bem aventuranças. Não é: tido o que vemos faz parte dele.

Porque é importante saber disso? Porque o sermão do monte é o caminho para tudo. Se dissemos que a base são as três tentações, o sermão do monte cria o caminho para não ceder a elas.

Depois do que já vimos, não precisaria ler mais nada. Apesar disso vamos continuar estudando.

Participante: queria comentar o que fala aqui da autoridade de Jesus. Sua autoridade ficou clara no batizado quando uma voz disse que aquele era o filho bem amado?

Sim. No batismo ele recebe o papel de procurador. Quando mostra o que aprendeu, demonstra autoridade que tem pra falar.

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Jesus cura um leproso

Jesus desceu do monte, e muitas multidões o seguiram. Então um leproso chegou perto dele, ajoelhou-se e disse: Senhor, eu sei que o Senhor pode me curar se quiser. Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: _ Sim, eu quero. Você está curado. No mesmo instante ele ficou curado da lepra. Então Jesus disse: Escute! Não conte isso para ninguém, mas vá pedir ao sacerdote que examine você. Depois, a fim de provar para todos que você está curado, vá oferecer o sacrifício que Moisés ordenou. Mateus 8. 1-4

E daí? O que podemos trazer do que está escrito para a nossa busca da felicidade?

Participante: aqui há um exemplo de fé.

Não. Na verdade está sendo dito que existem coisas que você não pode compreender.

Se aconteceu alguma coisa, o máximo que pode saber é que aconteceu alguma coisa. Jamais poderá saber porque, como quando, onde, etc.

Diz mais: se aconteceu algo, mesmo não sabendo nada do que ocorreu, agradeça. Vá ao templo e faça o sacrifício que foi ordenado para fazer, mesmo sem saber porque.

É a história que conversamos outro dia: existe alguma coisa; o que é, não sei. Mas existe algo.

Para ser feliz é preciso entender há uma influência na sua vida que você não sabe de onde vem, não sabe o que é, mas que está presente.

Além disso, há outro detalhe embutido no texto: com essas palavras o mestre acaba com o culto a ele!

Participante: está embutido na fala ‘não conte isso para ninguém’.

Não conte para ninguém para que não haja adoração a mim: é isso que ele quer.

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Jesus cura o empregado de um oficial romano

Quando Jesus entrou na cidade de Cafarnaum, um oficial romano foi encontrar-se com ele e pediu que curasse o seu empregado. Ele disse: Senhor, o meu empregado está na minha casa, tão doente, que não pode nem se mexer na cama. Ele está sofrendo demais. Eu vou lá curá-lo! — disse Jesus.

O oficial romano respondeu: Não, senhor! Eu não mereço que o senhor entre na minha casa. Dê somente uma ordem, e o meu empregado ficará bom. Eu também estou debaixo da autoridade de oficiais superiores e tenho soldados que obedecem às minhas ordens. Digo para um: “Vá lá”, e ele vai. Digo para outro: “Venha cá”, e ele vem. E digo também para o meu empregado: “Faça isto”, e ele faz.

Quando Jesus ouviu isso, ficou muito admirado e disse aos que o seguiam: Eu afirmo a vocês que isto é verdade: nunca vi tanta fé, nem mesmo entre o povo de Israel! E digo a vocês que muita gente vai chegar do Leste e do Oeste e se sentar à mesa no Reino do Céu com Abraão, Isaque e Jacó. Mas as pessoas que deviam estar no Reino serão jogadas fora, na escuridão. Ali vão chorar e ranger os dentes de desespero.

E Jesus disse ao oficial: Vá para casa, pois será feito como você crê.

E naquele momento o empregado do oficial romano ficou curado. Mateus 8. 5-14

Só vamos lembrar que Jesus fala por parábolas. O que é uma parábola? Uma historinha que serve para passar um ensinamento. Tem uma história que nos ilustra a questão da parábola.

A verdade andava nua pelo mundo. Ninguém olhava para ela porque estava pelada. Aí a verdade colocou uma roupa bonita. Essa roupa, que ela chamou de parábola, é uma história fictícia que traz uma moral embutida. Vestida desse jeito as pessoas acharam a verdade bonita e passaram a observá-la.

Retirando a roupa da verdade nessa história, afirmo que não existiu nenhum oficial romano que chegou-se a Cristo para pedir por um empregado. Os oficiais, por causa de sua soberba, não pediriam pelos seus filhos, que dirá por um empregado. Empregados eram substituíveis, por isso não teria por que um oficial romano pedisse alguma coisa a Cristo por um. Além do mais, esse oficial seria condenado, pois dentro da visão daquele povo estaria traindo Roma.

Então, esquece a história desse texto. O importante para nós é ter acesso ao ensinamento e não sobre o que algum oficial romano tenha feito.

Por isso, pergunto: qual o ensinamento passado nessa história?

Participante: o reconhecimento da autoridade de Cristo?

Não.

Participante: a fé?

Não.

Leia de novo, por favor, a palavra do oficial romano.

Participante: ‘Eu também estou debaixo da autoridade de oficiais superiores e tenho soldados que obedecem às minhas ordens. Digo para um: “Vá lá”, e ele vai. Digo para outro: “Venha cá”, e ele vem. E digo também para o meu empregado: “Faça isto”, e ele faz’.

Perfeito. Qual é o ensinamento que está aí?

Participante: para mim é a autoridade de Cristo.

Não tem nada com autoridade de Cristo.

O oficial está falando dele mesmo. Diz: ‘eu tenho superiores e eu tenho inferiores. Quando digo para o meu inferior faça isso, ele faz. Quando o meu superior diz para mim faça alguma coisa, eu faço’. Onde está Cristo nessa história para que essa fala seja a respeito da autoridade do mestre?

Participante: Cristo seria uma autoridade superior.

Não! Cristo nem falou nada diretamente para o oficial. Qual a fala do mestre nesse texto? ‘Eu nunca vi tanta prova de fé’. Aí está o ensinamento.

Participante: para mim isso representa prova fé em Deus, autoridade superior.

Não!

Lembre-se que o romano não acreditava no mesmo Deus de Cristo nem dos judeus. Por isso, Cristo não poderia estar falando da fé a um deus específico.

Já que não acertaram, vamos lá. O ensinamento presente nessas palavras de Cristo é o saber que ninguém é absoluto. Saber que ninguém é absoluto é a maior prova de fé a Deus.

Cristo está ensinando que os seres humanizados precisam compreender que ninguém é o todo poderoso, que ninguém está sempre certo, que ninguém tem o poder para determinar o que tem que acontecer. Mais: que é preciso saber que todos têm inferiores, mas também têm superiores. A partir disso, compreender que se quer que o seu superior lhe respeite, é preciso respeitar o seu inferior. Isso também é prova de fé a Deus.

Porque isso é prova de fé? Porque na hora que o ser humanizado compreende o funcionamento da máquina humana e não confere a si o poder de todo poderoso, consegue viver em harmonia com tudo e com todos. Aceita quando alguém manda nele e manda no outro sem estar corrompido pelo poder.

Isso é o ensinamento dessa parábola. Essa é a prova de fé. Aqui não há nada a ver com o poder do Cristo ou com a fé em Deus como vocês imaginam. Tem a ver em como conviver com o mundo, pessoas, acontecimentos e objetos, quando se conhece o segredo da engrenagem da máquina humana: o palco das provas da encarnação de um espírito.

O ser humanizado precisa compreender que ninguém pode nada sozinho.

Participante: interdependência.

Isso! Uma interdependência que o tira do trono de rei e coloca como um ser humano comum, como uma peça da engrenagem da humanidade.

Na humanidade não existe um rei, não existe um dono, não existe um certo. Todos estão uma hora subordinados a uns e outra hora lidando com subordinados a si. É essa engrenagem que o ser humanizado precisa compreender para poder ser feliz e não se sentir o dono do mundo: ‘eu mando e todos têm que fazer; ninguém pode mandar em mim’.

Participante: esse é o ditador.

Sim. É prova de fé aceitar a existência de superiores e inferiores.

Sei que vocês dizem que essa aceitação é algo natural, normal, mas não é. É muito difícil o ser humanizado aceitar essa bipolaridade.

Na hora que estão conversando com outro, os seres humanizados nunca acham que estão em pé de igualdade. Consideram que eles estão certos, que sabem a verdade, e que o outro está errado, que não sabe. Quando agem assim, perdem a fé que Cristo elogiou através dessa parábola.

Esse é o ponto desse texto. Não é o poder sobrenatural de Cristo, pois como disse, a questão da cura é história, roupa da verdade. O ir ou não à casa do oficial também é história que não tem importância. O que realmente importa nesse texto é a palavra de Cristo: ‘nunca vi fé tão grande entre os judeus’.

Porque Cristo fala assim dos judeus? Porque eles se achavam superiores, povo escolhido por Deus, os melhores do mundo. O resto da humanidade, para eles era inferior. Mesmo naquela época, quando estavam dominados, os judeus pensavam que era eles que tinham que mandar nos romanos, pois eram o povo escolhido de Deus.

É por causa dessa soberba que a fala de Cristo diz: “Têm muitos estrangeiros do norte e do sul, do leste e do oeste, que vão se sentar à mesa junto com Moisés e Abraão, como os patriarcas do povo escolhido, sendo que muitos judeus não se sentarão lá”.

Porque esses judeus não se sentarão à mesa? Porque se acham melhor do que os outros.

Esse pedaço fala disso. Fala da aceitação da vida societária com seus altos e baixos. Fala em entender que não há um melhor que o outro nesse mundo, que todos são iguais. Todos têm momentos de superioridade e outros de inferioridade. Fala que ninguém é absoluto a ponto de determinar o que é certo, verdadeiro ou deva acontecer. Que tudo que quer tem que acontecer do jeito que quer.

Essa é a fé, a entrega que Cristo afirma necessária para alcançar a bem aventurança: a entrega à própria vida, pois Deus é a vida.

Participante: entrega aos ensinamentos.

Entrega a vida. Aceitar o seu momento com humildade, seja de superioridade e inferioridade.

A melhor frase a respeito desse ensinamento é: ninguém é absoluto. O que é absoluto? Eterno e igual pra todos. Alguém que seja absoluto é o que detém tudo, que é o dono de tudo para sempre.

Compreender isso faz parte do trabalho da felicidade. Isso porque se você não aceitar que nesse mundo não é o absoluto, vai querer mudar o mundo para o que você acha que tem que ser. E aí vai sofrer. Vai ter posses, paixões e desejos, e por isso vai sofrer.

As pessoas acham que é preciso se agir certo. Está bem, mas que certo: o seu, o meu ou o de outra pessoa? Se você se acha absoluto, vai dizer que é o seu certo, pois o dele está errado.

É disso que trata essa passagem. A perfeita compreensão dela é importante para que as pessoas deixem de imaginar que são o sol do mundo, o centro do universo. Não, ninguém é, pois a vida não gira em torno de ninguém.

Participante: você me lembrou o Apocalipse falando que o judeu se julga o melhor. Em que momento foi posto isso para aquela raça? Não foi no êxodo, não é mesmo? Antes já se falava disso, não?

Essa ideia vem desde o tempo de Abraão. Quando Deus o coloca como pai do povo judeu diz que aquele povo é o escolhido de Deus.

O trato que Deus fez com Abraão dizia que ele seria o patriarca da raça judaica que era a escolhida por Deus. Os filhos de Deus. Desde então e até hoje eles acham que são a raça escolhida por Deus. Por isso continuam não se se sentando à mesa como está dito nesse trecho que vimos.

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Jesus cura muita gente

Jesus foi à casa de Pedro e viu a sogra dele de cama, com febre. Jesus tocou na mão dela, e a febre saiu dela. Então ela se levantou e começou a cuidar dele.

Depois do pôr do sol, o povo levou até Jesus muitas pessoas que estavam dominadas por demônios. E ele, apenas com uma palavra, expulsava os espíritos maus e curava todas as pessoas que estavam doentes. Jesus fez isso para cumprir o que o profeta Isaías tinha dito: “Ele levou as nossas doenças e carregou as nossas enfermidades. (Mateus 8. 14 a 17)

Aí sim há uma comprovação da autoridade de Cristo, pois estava escrito que quem fizesse isso seria o Messias, seria aquele que viria trazer a boa nova. Pode continuar...

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Conforto e proteção

Jesus viu a multidão em volta dele e mandou os discípulos irem para o lado leste do lago. Um mestre da Lei chegou perto dele e disse: Mestre, estou pronto a seguir o senhor para qualquer lugar aonde o senhor for!

Jesus respondeu: As raposas têm as suas covas, e os pássaros, os seus ninhos. Mas o Filho do Homem não tem onde descansar.

E outro, que era seguidor de Jesus, disse: Senhor, primeiro deixe que eu volte e sepulte o meu pai.

Jesus respondeu: Venha comigo e deixe que os mortos sepultem os seus mortos. (Mateus 8. 18 a 22)

O homem diz: ‘mestre eu estou pronto para lhe seguir’. Cristo responde: ‘as raposas têm as suas covas, e os pássaros, os seus ninhos. Mas o Filho do Homem não tem onde descansar’.

E aí?

Participante. Ficar atento vinte quatro horas por dia.

Não.

Quando vocês vão procurar um mestre (Cristo, Krishna, Buda, Maomé), um guru ou um espírito incorporado, o que esperam receber?

Participante: conforto.

Perfeito: conforto. Mesmo que não seja conforto físico, esperam receber conforto espiritual.

O conforto a que estou me referindo é estar protegido do sofrimento. Esperam que a vida aconteça certinho dentro das suas expectativas para não mais sofrerem. .

Mas, o filho do homem não tem onde descansar sua cabeça, segundo Cristo. Ou seja, não há proteção especial para eles. Não há lugar que proteja o ser humanizado no sentido de libertá-lo de vivenciar acontecimentos onde sofram.

Os passarinhos têm seus ninhos: encontram nos ninhos o conforto, o amparo, a proteção. A raposa tem sua cova e lá dentro encontra essas coisas. Mas, o homem não tem onde descansar sua cabeça: não possui nenhum lugar onde encontro conforto, amparo e proteção das coisas que não gosta. .

Esse é um ensinamento importante. Já tínhamos falado dele quando dissemos que ninguém acende uma lamparina para esconder dentro do armário.

Não pense você que por colocar em pratica os ensinamentos da bem aventurança sua vida vai ser um mar de rosas. Não vai ser. Tudo o que tiver que acontecer, mesmo que contrarie suas expetativas e desejos, vai acontecer. Pela prática dos ensinamentos você pode estar mais preparado para passar, mas esses momentos acontecerão.

O que está escrito aí é exatamente o seguinte: ‘sei que você está pronto para me seguir, mas isso não quer dizer que por esse motivo sua vida será uma mar de rosas’.

Participante: posso dar uma outra interpretação?

Pode. Interpretação cada um tem a sua.

Participante: os animais, por serem irracionais, não se preocupam. Por isso não perdem a sua paz? O homem vive preocupado e por isso perde a paz?

Não é isso que está escrito.

Para o animal a toca é um local seguro onde protege a sua criação daqueles que querem comer os filhos dele. É dessa conclusão que tiro o sentido da palavra de Cristo: ‘eles podem se proteger em locais, mas você, humano, não tem onde se proteger das desgraças do mundo’.

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Deixe os mortos enterrarem os mortos

E outro, que era seguidor de Jesus, disse: Senhor, primeiro deixe que eu volte e sepulte o meu pai.

Jesus respondeu: Venha comigo e deixe que os mortos sepultem os seus mortos. (Mateus 8. 21 e 22)

E aí?

Participante: essa passagem me lembrou de outra que estudamos onde era comentada as necessidades básicas. Não é preciso nem as necessidades básicas para o ser cumprir os ensinamentos. Nem as necessidades básicas são garantidas no cumprimento dos ensinamentos. A pessoa aqui está interessada primeiro na necessidade básica para depois seguir Jesus, digamos assim.

Sim, essa interpretação pode ser usada, mas há algo importante: deixe que os mortos enterrem seus mortos. O que isso quer dizer?

Participante: morto é aquele que não está vivo. O vivo é aquele que segue o evangelho. O que não segue o evangelho é aquele que está morto na passagem.

E quem é o que não segue o evangelho?

Participante. os hipócritas.

Não: o ser humano!

Aquele que vive para a humanidade, que serve a humanidade, está morto. Está morto para o reino dos céus. Eles está vivo para o reino da Terra.

Sabendo o que é estar morto, volto a perguntas: o que é ‘deixe que os mortos enterrem seus mortos’?

Participante: aqueles que se preocupam com a humanidade, com o reino da Terra, que se ocupem com ela. Aqueles que não se ocupam com ela, que sigam os ensinamentos.

Isso...

Deixe as coisas humanas para aqueles que se consideram humanos. É isso que Cristo está ensinando.

Me dê um exemplo de uma coisa humana que deve ser entregue aos humanos?

Participante: política..

Também.

Só que política, vamos dizer assim, já é resultado de alguma outra coisa do mundo humano. Resulta da preocupação em ter saúde para todos, comida para todos, casa para todos. Essa preocupação com a qualidade de vida sua e do povo em geral é algo ligado ao reino da Terra.

Participante: isso...

Então, para ser bem aventurado não se preocupe com a qualidade de vida porque isso é material. Deixe os humanos se preocuparem com essa questão. Deixe os humanos se preocuparem em matar a fome, buscar saúde e casa para todos.

Participante: ou seja, aquela coisa do ‘bom humano’, não é?

Reconhecidamente como um humano bom.

Participante: que traz as glórias, as famas.

Deixe os mortos enterrarem os mortos. Querer dar um prato de comida a alguém é enterrar o morto. Por quê?

Participante: porque está atendendo a necessidade humana dele.

Porque está afundando mais aquele ser no lado humano. Compreendeu? É isso que está sendo dito aí mais uma vez: ou se serve a Deus ou a matéria.

Quem serve a Deus deve deixar os humanos cuidarem do lado humano. Devemos sempre nos lembrar do que ensina Paulo: a natureza humana é contraria a natureza de Deus. Por isso, quem serve a natureza humana, não serve a de Deus.

Participante: Joaquim, estava pensando na educação de um filho dentro dessa questão.

Veja, Cristo não está falando em não educar o filho. O pai pode educar. Agora, não deixe de seguir Cristo para poder educar seu filho. Não deixe de seguir Cristo, cumprir os ensinamentos deixados pelo mestre, para poder dar uma boa escola pro seu filho.

O que está sendo falado aqui é que o ser humanizado não deve deixar de seguir Cristo para cumprir os objetivos humanos. Mas, o que é seguir Cristo?

Participante: dar prioridade.

Dar prioridade a quê? A Amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo.

Quantos em nome de uma boa educação do filho ofendem o próximo? Esse é o que está pedindo um tempo para poder enterrar o morto.

Compreendeu? Portanto, pode dar a educação que quiser ao seu filho, mas para isso não deixe de seguir Cristo, não deixe de cumprir os ensinamentos do mestre.

Aliás, essa questão é o ponto primordial para se construir uma felicidade: o que é mais importante para você? O que é mais importante na sua vida?

Acho que vocês já vieram aqui conversar comigo diversas vezes em particular para pedir uma ajuda no sentido de buscar a felicidade. Quando atendo alguém sempre começo com essa pergunta: o que é mais importante para você: resolver o seu problema ou ser feliz?

Aliás, deixe dizer uma coisa que quero que guardem: aquilo que para você é mais importante que a sua felicidade é a causa do seu sofrimento.

Participante: é obvio.

Não é tão obvio assim. Muita gente acha que se dedicar ao ensino do filho vai trazer felicidade. Aí o filho cresce, dá um chute na bunda do pai e da mãe e eles ficam chorando.

Participante: porque foi a escolha dela, por isso acho que é obvio.

Mas, quantas vezes você esquece isso por dia? Diuturnamente, quantas vezes esquece que a coisa mais importante é ser feliz? Esquece disso e preocupa-se com outras coisas que imagina que precisa ser feita.

Participante: a gente acha que a felicidade é fruto da solução do problema.

Exatamente. Só que a existência de um problema já acaba com a possibilidade de ser feliz.

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Jesus acalma a tempestade

Jesus subiu num barco, e os seus discípulos foram com ele. De repente, uma grande tempestade agitou o lago, de tal maneira que as ondas começaram a cobrir o barco. E Jesus estava dormindo. Os discípulos chegaram perto dele e o acordaram, dizendo: Socorro, Senhor! Nós vamos morrer!

Por que é que vocês são assim tão medrosos? — respondeu Jesus. — Como é pequena a fé que vocês têm!

Ele se levantou, falou duro com o vento e com as ondas, e tudo ficou calmo. Então todos ficaram admirados e disseram: Que homem é este que manda até no vento e nas ondas?! (Mateus 8. 23 a 27)

Não nos esqueçamos da existência da parábola. Como João ensina, Cristo falava por parábolas. Por isso, toda a questão do barco e da tempestade, são fictícios.

Participante: acho importante frisar isso. Pelo menos do meu ponto de vista anterior, as parábolas eram só aquelas onde Jesus não estava envolvido. O resto eram fatos históricos. .

Não, tudo é parábola. O importante é a palavra de Cristo. Nesse texto, qual é?

Por que é que vocês são assim tão medrosos? — respondeu Jesus. — Como é pequena a fé que vocês têm!

Esse ensinamento fica bem claro e nem precisa que faça comentários: fé e medo são coisas antagônicas. Quem não tem fé tem medo; quem tem medo não tem fé.

Isso é o que Cristo está ensinando, mas a parábola pode nos levar a tirar mais algumas conclusões. Olhando a história fantasiosa, o que será que podemos compreender?

Participante: as ondas são as vicissitudes que vamos passar?

Sim.

Participante: temos que enfrentá-las e acalmá-las.

Sim.

Participante: para isso ele fala duro com o vento e com as ondas. .

Fala duro; sim ele faz isso. Vamos ver essa questão, então.

O que é falar duro? Ser positivo. Fale duro com o vento e com as ondas da sua vida: seja positivo com as vicissitudes que acontecem na sua vida. Você faz isso?

Participante: sim. Quando percebo, sim.

Você vai contra as ondas e os ventos, as necessidades, que a sua vida traz?

Participante: não. Eu lamento, me sinto incomodado, mas não enfrento positivamente minhas vicissitudes.

Mas, precisa Ir contra.

Ir contra as vicissitudes e falar duro com relação a elas: ‘eu não aceito o vento nem a onda que a vida está me colocando. Não aceito o que esse vento e essa onda vai fazer na minha vida no tocante as emoções. Não aceito a ideia de desgraça que a vida está me propondo’.

Ir contra não é tentar resolver o problema, mas acalmá-lo: não deixar a proposição emocional que segue a vicissitude ser o seu estado de espírito.

Participante: quando percebo eu faço.

Veja, você me ouve algum tempo. Por isso percebe a onda e tenta acalmá-la. Mas, a maioria quando percebe o que faz?

Participante: fica com raiva, se lamenta, não aceita.

Não, não é isso. O que os seres humanos fazem quando surgem as vicissitudes na sua existência? Entregam-se ao medo! Aliás, foi o que fizeram as pessoas que estavam no barco: entregaram-se ao medo ao desespero: ‘e agora? Eu vou morrer, eu vou morrer’!

Participante: igual o Chico Xavier no caso do avião.

O participante refere-se a um caso contado por Chico Xavier. Ele dizia que esta em um avião quando ele começou a sacudir muito. As pessoas começaram a gritar e chorar muito alto pelo medo. O médium mineiro, então, começou a chorar e gritar também. Nesse momento, segundo ele, Emanuel entrou na aeronave e perguntou o que estava acontecendo. Chico falou: ‘o avião vai cair’. O mentor perguntou: ‘e daí?’ Chico falou de novo: ‘e daí que nós vamos morrer’. O mentor, então, deu o ensinamento: ‘está certo, você vai morrer. Mas, pelo menos morra com dignidade: pare de gritar no meu ouvido’.

Sim, é isso que está escrito aí. Mas, quero aproveitar a oportunidade e deixar uma coisa bem clara: o resultado exercício da fé não é salvar a vida. Qual é?

Participante. o resultado da fé?

Sim. O resultado de falar duro contra as ondas e ventos.

Participante: falar duro contra elas é negá-las.

Não, não falei em negar nada; disse: não aceitar.

Não se trata de negar a situação ou o próprio perigo que ela traz. ‘Eu sei que essa onda vai trazer um estrago grande para minha vida, mas não aceito que esse estrago seja algo sofrível’.

Ser bem aventurado não é negar. Pelo contrário: é ter plena consciência de que aquela situação vai causar um grande problema na sua vida, mas ainda assim aceitar o problema sem aceitar a ideia que se deve sofrer por conta da presença dele.

Não é negar a onda ou o vento: é falar duro com ela: ‘você vai causar estrago, mas não vai me derrubar, não vai me matar, não vai acabar comigo, não vai me tirar da trilha da felicidade’. É isso que é ser duro. Não é negar que exista uma onda. ‘Sim ela existe, está ali e estou bem consciente do que pode causar, mas não vou aceitar que ela seja capaz de ferir a minha confiança em Deus, que é o que traz a felicidade’.

É isso que está ensinando e por isso diz:: ‘que fé que vocês têm? A primeira ondinha se entregam e morrem de medo? Ficam com pavor, caem no sofrimento? Fale forte com ela. Enfrente-a’!

Sabe, é preciso falar duro com as ondas. Fazer isso é não fazer firula, racionalizar uma saída, mas enfrenta-las com autoridade. Essa autoridade surge quando se segue o ensinamento. Porque Cristo tinha autoridade com as ondas? Porque pratica o ensinamento. Se você praticar, também terá. Compreendeu?

Participante. não é escapar das ondas, é vivencia-las com fé.

Com autoridade sobre ela. Isso é a fé.

Me fale de uma situação da sua vida onde se borra de medo.

Participante: medo numa batida de carro.

Não estou falando de medo de morrer. Isso deixe para depois porque ainda não tem autoridade suficiente para enfrentar.

Digamos, medo de alguém descobrir uma coisa que você fez e ameace falar com outras pessoas. Aí você vem aqui para falar comigo e pedir ajuda. O que eu respondo? ‘se falar falou, se não falar, não falou.

Enfrente com autoridade a situação (o medo de alguém colocar em público algo que fez e não queria que outros soubessem). Diga a si mesmo: ‘eu fiz aquela droga, aquela besteira. Na hora achei que era o melhor, mas acabou não sendo. Pronto, acabou! Se aquela pessoa descobriu, se vai tornar público, não tenho como evitar isso. Tenho que enfrentar essa situação com autoridade e não deixar a onda me encobrir’.

Bem aventurado - Mateus - conversa 03

Enfrentando as tempestades da vida

Participante. vamos trazer para uma situação real. Recebi a missão de fazer algo, mas não fiz. Tenho tempo, tenho os instrumentos para isso, mas não consigo fazer.

Certo, não consegue. E daí?

Participante: isso me incomoda. Fico brigando comigo mesmo: você sabe que tem que fazer e não vai. Tenho que ter uma atitude positiva com relação a esse incômodo?

Sim: ‘eu não aceito o sofrimento por não fazer o que deveria fazer’.

Fale duro consigo mesmo: ‘eu não aceito. Não vou deixar o fato de não estar fazendo acabar com a minha paz. Vou continuar lutando para fazer, mas quando fizer, fiz’.

Entenda uma coisa: o problema não está no fato em si, mas no valor que você dá ao fato.

Falar com autoridade é: ‘não estou, acabou’! De nada ficar floreando a situação: ‘não estou fazendo porque Deus não quer, porque estou sendo assediado para não fazer’, etc. Você não sabe porque não está fazendo; apenas sabe que não está. Por isso precisa assumir o não estar fazendo ao invés de ficar inventando motivos para não fazer.

Há outro exemplo seu que fica muito mais fácil compreendermos. Se me permite usar ...

Participante: sim.

 Uma vez você veio aqui conversar dizendo que estava preocupado. Havia pego um dinheiro emprestado com sua mãe para comprar um carro e não tinha contado para ninguém. Aí sua irmã descobriu. Você estava com medo do que ia acontecer, o que ela ia falar, o que ia fazer.

Lembra o que disse? Assuma!

Você pegou o dinheiro. Naquela hora achava que estava certo fazer, mas agora passou a achar que foi uma coisa errada. Por isso assuma.

Assuma. Se sua irmã vier e perguntar se pegou, responda: ‘peguei, Na hora achei que era certo, achei que poderia pagar. Não deu certo, mas não fiz querendo desfalcar a mãe’.

Eu disse: assuma com humildade. Dê a sua irmã o direito de achar que você fez errado. Pouco importa se você achava que era certo: ela tem o direito de achar que está errado.

É disso que eu estou falando. É esse assumir que deve fazer com o que está passando agora: ‘se não estou fazendo, não estou. Ponto final. Não sei qual o motivo para isso, apesar de achar que podem ser muitos. Só sei que não estou’. A partir do momento que assume que não está, ganha autoridade para poder enfrentar a onda gerada pela mente porque não está fazendo.

Pouco importa se está ou não cumprindo a missão que recebeu. O que precisa ter é o controle sobre você mesmo. Esse só existirá quando assumir o que é e o que está a cada momento. É isso que dá autoridade para poder enfrentar a onda gerada pela mente e não o quer descobrir o motivo pelo qual não está fazendo.

Também não se preocupe com o futuro. A mente diz: ‘um dia, uma hora, vai acontecer; você vai conseguir fazer’. Responda: ‘não sei se vai. Só sei que agora não estou. Por isso tenho que assumir os reflexos de não estar’.

Quando você assume o reflexo de não estar, o incômodo por não fazer já não existe mais. Apenas não está. Se o incômodo ataca é porque você não enfrentou com autoridade, ou seja, não se colocou na sua posição.

É essa questão que precisa ser colocada: assumir o que está acontecendo ao invés de achar que se não está fazendo é porque Deus não quis. Não estou dizendo que você especificamente faça isso, mas muitas pessoas usam essa pílula.

Participante: a mente dá um monte de motivos e você vai refutando, mas acaba cedendo. Aliás, essa questão é a que mais me incomoda: a mente não contar o motivo pelo qual não estou fazendo.

Isso. Também com relação a isso assuma: ‘posso imaginar diversos motivos, mas nunca terei certeza absoluta do porquê. Por isso vou parar de me preocupar com essa coisa. Vou apenas saber que não faço’. Na hora que fizer isso, não saberá, como aliás já não sabe hoje, mas pelo menos não viverá mais nenhum incômodo.

Participante: a imagem que me veio à cabeça ao ver vocês dois conversando é que, entre aspas, a humanidade é ameaçadora. Nós sofremos ameaças do ego o tempo todo. A autoridade que estamos falando é contra a ameaça que nos coloca uma culpa na cabeça.

A culpa, medo, angustia, preocupação.

Essas emoções estão à segunda tentação de Cristo que já falamos: ser escravo do sistema humano de vida. O ser humanizado se torna escravo do sistema porque cede àquilo que a mente cria.

Participante: exatamente.

A mente ameaça o ser humanizado o tempo inteiro. ‘Olha se você não fizer isso, sabe o que vai acontecer? Você vai perder aqui e ali, vai perder o não sei o que. Vai acontecer isso com você, vai acontecer aquilo com alguém que lhe é caro’. Ela vive ameaçando.

Participante: exatamente o que aconteceu na história que Joaquim acabou de falar. Minha mãe disse que não ia contar, mas acabou contando. Eu pensava que minha irmã ia achar que eu me aproveitei da idade da minha mãe. Estava com medo dela me acusar. Sabe o que aconteceu? Nada!

Foi exatamente o que disse: enfrente a situação. Diga a ela: ‘peguei sim. Precisava, achei que era certo, que não haveria problemas. Agora, se você acha que foi errado, lhe dou o direito de achar’. Ponto.

Participante: mas, nem isso aconteceu. É o que ele falou agora: a ameaça do que pode acontecer fica rodando na nossa cabeça.

O sistema humano de vida só trabalha em cima de ameaça: ‘se não me servir, vai acontecer isso com você’.

Bem aventurado - Mateus - conversa 03

Jesus cura dois homens dominados por demônios

Quando Jesus chegou à região de Gadara, no lado leste do lago da Galileia, foram se encontrar com ele dois homens que estavam dominados por demônios. Eles vinham do cemitério, onde estavam morando. Eram tão violentos e perigosos, que ninguém se arriscava a passar por aquele caminho. Eles começaram a gritar: Filho de Deus, o que o senhor quer de nós? O senhor veio aqui para nos castigar antes do tempo?

Acontece que perto dali estavam muitos porcos comendo. E os demônios pediram a Jesus com insistência: Se o senhor vai nos expulsar, nos mande entrar naqueles porcos!

Pois vão! disse Jesus. Os demônios foram e entraram nos porcos, e estes se atiraram morro abaixo, para dentro do lago, e se afogaram.

Os homens que tomavam conta dos porcos fugiram e chegaram até a cidade. Lá contaram tudo isso e também o que havia acontecido com os dois homens que estavam dominados por demônios. Então todos os moradores daquela cidade saíram para se encontrar com Jesus; e, quando o encontraram, pediram com insistência que fosse embora da terra deles. (Mateus 8. 28 a 34)

Tão simples!

Participante: não acho.

Dois homens que moravam no cemitério e que eram maus saem e vão atrás de Jesus. Dizem a ele: ‘se vai nos expulsar, que nos mande para aqueles porcos’. O que representa o porco nessa história?

Participante: um animal irracional.

Não estamos numa aula de biologia.

O que é um porco na cultura judaica?

Participante: um animal sujo.

Impuro! O porco é um animal impuro.

Sendo assim, os homens maus dizem: ‘se o Senhor vai nos expulsar, nos coloque naquele animal impuro’. E Cristo diz: ‘então vá’.

Quem é o impuro para o mundo de vocês? Não estou falando a nível espiritual. Nesse nível todo ser humano é impuro. O que quero saber é no mundo de vocês, quem são os considerados impuros?

O assassino, o estuprador, o ladrão, etc.

Participante. os que vão contra as leis.

Os que vão contra as leis humanas.

Quem que manda esses seres irem para essa impureza?

Participante: Cristo.

Por quê? Porque eles já vivem na maldade.

Então, entenderam? Mas, está tão claro!

É você que determina o que viverá e faz essa determinação através daquilo que gosta. Gosta de maldade, gosta da humanidade, gosta de viver humanamente? Cristo lhe colocará dentro da humanidade para viver dessa forma.

Empatia ... No universo os espíritos se unem por afinidade, lembram? Por isso, cada um terá aquilo com o qual tem afinidade.

‘Ah, Joaquim, e a questão da elevação espiritual? Não foi para isso que nascemos’? Essa é uma pergunta que certamente está surgindo dentro de vocês. Respondo: como diz O Livro dos Espíritos, não tem o menor problema. Se o ser não quer fazer o seu trabalho, não tem problema. Deus não vai obrigar ninguém a fazer. Esse ser irá encarnar, encarnar, encarnar até que um dia acordará.

Essa é a explicação para o texto. Mas, tem um detalhe que precisamos ainda conversar.

Bem aventurado - Mateus - conversa 03

O mal é preciso

Então todos os moradores daquela cidade saíram para se encontrar com Jesus; e, quando o encontraram, pediram com insistência que fosse embora da terra deles.

Os moradores da cidade deveriam agradecer, pois Cristo os libertou, tirou os dois homens que viviam aterrorizando a cidade. Mas o que acontece? Em vez de agradecer, pedem para o mestre ir embora. Por quê?

Porque nenhum ser humanizado quer realmente acabar com o que vocês chamam de maldade. Nenhum ser humano quer acabar com a bandidagem, extinguir com as ameaças. Por mais que diga que quer a paz, o ser humanizado não quer extinguir o lado podre da humanidade.

Por que isso? Porque se não houver o bandido, como o ser vai ser o santinho? Se não houver o bandido como ele poderá enaltecer a sua santidade?

Participante: ou seja, o prazer.

Não, não é o prazer; é a superioridade.

O ser humanizado quer que exista gente ‘pior’, pior entre aspas, para que possa se enaltecer.

Esse texto na íntegra, então, tem dois ensinamentos. O primeiro: só assume alguma coisa nesse mundo quem tem afinidade com aquilo. Essa afinidade é comanda pelo mundo espiritual, pela espiritualidade, por Deus.

Segundo: a humanidade, apesar de dizer que não quer a coisa ‘má’, se revolta contra aquele que acaba com a maldade. Por quê? Porque senão ela não tem como se enaltecer.

Há mais um detalhe que queria conversar sobre esse assunto: para que havia porco entre aquela gente? Porque alguns cuidavam de porcos, se a carne desse animal não podia ser comida?

Essa revolta contra quem acabou com os porcos é sinal de que aquele povo comia a carne deles escondido, não?

Participante: isso está interessante. Fala de novo desde o início.

Como existia gente que cuidava de porcos se o judeu não podia comer essa carne? Para quê?

Compreenda isso. A população deveria agradecer a Cristo porque ele a libertou dos homens maus. Mais: acabou com toda comida impura. Ela não agradece, pelo contrário, pede para ele ir embora e que pare com aquilo.

Isso leva à compreensão que é preciso que a humanidade seja mesclada por aqueles que fazem o ‘bem’ e aqueles que fazem o ‘mal’. Para quê? Para ver se você vai enaltecer o seu certo e criticar o errado dos outros.

Isso que está sendo ensinado aí. E está bem claro. É só isso. Esse texto, como muitos querem, não tem nada a ver com desobsessão.

O que o mestre está ensinando é que o ser humanizado precisa entender que por mais que diga que quer um mundo de paz, isso não é real. O que ele quer é um mundo onde a paz que acha certa exista.

O ser humanizado não quer um mudo de paz incondicional, onde cada um respeita o que o outro é e quer, porque isso faria com que todos estivessem certos, fossem iguais nos seus direitos. O ser humanizado não quer ser igual aos outros: quer ser melhor que eles. Por isso, apesar de dizer que quer, precisa que exista alguém ‘errado’ para jogar a culpa da inexistência da paz nele.

Você já imaginou se nesse mundo não houvesse bandido? O que aconteceria? Não ia ter emprego para todo mundo! E a polícia ia fazer o quê?

 Se a polícia acaba com a bandidagem, todos da força policial estão desempregados! Essa é a lógica que está sendo exposta nesse texto. E se você quer a felicidade plena, a bem aventurança, precisa entender que essa é a lógica do mundo. Ou seja, que sempre houve e sempre haverá a necessidade de haver o que vocês chamam de bandido.

Lembram de Paulo? A lei cria o pecado. Ou seja, é preciso que haja a lei para se criar o pecador e comprovar que você é o santo. Só que a lei é individual, existe apenas para cada um, pois é formada por posses, paixões e desejos do ser humanizado.

Ninguém segue a lei (as posses, paixões e desejos) dos outros: só a sua. Isso pode, aquilo não pode; isso é certo, aquilo é errado: tudo fundamentado no que cada um acha certo e quer para si.

É isso que diz essa passagem dos porcos e que algumas pessoas não entendem. Não sei por que não entendem, pois está tão claro! É só pensar no que é o porco. É só pensar nos detalhes.

Participante: eu poderia dizer, também, que o fato das pessoas expulsarem Jesus da terra tem a ver com a possiblidade dele revelar o que está oculto, ou seja, as maldades delas, como revelou?

Você não pode tirar essa conclusão dizer isso porque não tem o menor indicio disso no texto. O que há no texto é a informação que ele está fazendo algo que eles não querem. Daí podemos dizer que não querem se livrar dos pecados ou dos pecadores.

Bem aventurado - Mateus - conversa 03

Jesus cura um paralítico

Jesus entrou num barco, voltou para o lado oeste do lago e chegou à sua cidade. Então algumas pessoas trouxeram um paralítico deitado numa cama. Jesus viu que eles tinham fé e disse ao paralítico: Coragem, meu filho! Os seus pecados estão perdoados.

Aí alguns mestres da Lei começaram a pensar: Este homem está blasfemando contra Deus.

Porém Jesus sabia o que eles estavam pensando e disse: Por que é que vocês estão pensando essas coisas más? O que é mais fácil dizer ao paralítico: “Os seus pecados estão perdoados” ou “Levante-se e ande”? Pois vou mostrar a vocês que eu, o Filho do Homem, tenho poder na terra para perdoar pecados.

Então disse ao paralítico: Levante-se, pegue a sua cama e vá para casa. O homem se levantou e foi para casa.

Quando o povo viu isso, ficou com medo e louvou a Deus por dar esse poder a seres humanos. (Mateus 9. 1 a 7)

Vamos começar do princípio. Jesus viu o paralitico e observou que ele tinha o quê?

Participante: pecado.

Não! Viu que tinha fé.

É preciso começar por aqui para se entender que o mestre não está narrando a cura de qualquer paralitico. Está falando daquele que merecia ser curado porque havia se entregue a Deus com confiança no Pai.

Então, o mestre não cura qualquer um: cura aquele que ele sabe que merece ser curado. Ou seja, faz apenas a parte dele na historinha. Falo assim porque se alguém merece ser curado, pouco importa quem será o agente da cura; ela acontecerá.

Isso é que vocês esquecem quando se dizem médiuns de cura. Querem curar todo mundo. Isso é impossível. É preciso entender que se alguém quer a cura tem que ter a fé necessária para que isso aconteça. Sendo assim, é a fé que cura e não o médium.

Participante: e o caso do bebê que não sabe o que é fé?

O espírito sabe. Todo bebê é espirito velho que já desenvolveu a fé ou não.

Esse é o primeiro detalhe do texto. Segundo. Cristo diz: ‘seus pecados foram curados’. O que quer dizer isso?

Participante: que ali terminava uma reação do pecado.

Não. Fala da cura espiritual.

A cura espiritual não acontece quando se cura o corpo. Essa cura se faz curando o que causou aquilo no corpo: o mal espiritual. Ou seja, quando se muda o merecimento do espírito.

No caso dessa parábola, então, posso dizer que o mestre serviu de instrumento para uma cura espiritual porque aquele ser já tinha o merecimento da cura. Esse é o primeiro ponto, mas tem outro.

Segundo: as pessoas estavam pensando que o que Cristo disse era uma blasfêmia contra Deus. O que é uma blasfêmia contra Deus? Uma ofensa. Por que seria uma ofensa Cristo perdoar os pecados daquele ser?

Participante: porque só Deus podia fazer isso.

Extado. Seria uma blasfêmia porque ninguém pode agir em nome de Deus. Seria isso?

Participante: sim.

Posso, então, entender que o que não estão aceitando é que Deus aja através dos humanos. Para aquele povo, o Pai tinha que vir pessoalmente para poder dar o perdão, acabar com os pecados de alguém encarnado. É isso?

Participante: sim.

Deus é a Causa Primária de todas as coisas, ou seja, tudo começa Nele. Mas, Ele não vem pessoalmente fazer as coisas acontecerem: ele se utiliza de intermediários.

Estou certo? Acredita nisso?

Participante: sim.

Então, tenho a dizer que quem bateu no seu carro não é um motorista inconsequente, mas um instrumento de Deus. Ele é a Causa Primária da batida, mas não faz isso pessoalmente: utiliza um instrumento. Por isso, na hora que baterem no seu carro, não fique com raiva aquele que aparentemente estava dirigindo.

Esse é o ensinamento de Cristo. Ele fala da relação do ser humanizado com os acontecimentos da vida de uma forma geral Apesar dele estar disponível há mais de dois mil anos, até hoje vocês ainda acham blasfêmia dizer que Deus é que faz o estuprador estuprar. Consideram como blasfêmia ver Deus por trás da ação do ser humano.

Participante: em tudo.

Bem aventurado - Mateus - conversa 03

A ação

Por que é que vocês estão pensando essas coisas más? O que é mais fácil dizer ao paralítico: “Os seus pecados estão perdoados” ou “Levante-se e ande”? Pois vou mostrar a vocês que eu, o Filho do Homem, tenho poder na terra para perdoar pecados.

Continuamos no mesmo tema. Agora Cristo responde perguntando: o que é mais fácil dizer; que os seus pecados estão perdoados ou levante-se e ande? Que a sua cura espiritual foi alcançada ou a física?

Participante: a física é mais fácil. A espiritual ninguém vai ver e por isso o médium não terá crédito.

Pergunto, quem está blasfemando: quem dá a cura espiritual, o perdão dos pecados, ou quem afirma que curou a matéria?

Participante: aquele que diz que curou a matéria.

Exato. Aquele que une coisas materiais a questões espirituais está blasfemando.

Lembro de uma vez quando alguém me disse que determinada descoberta científica recente comprovaria o que os mestres ensinaram. Respondi a essa pessoa: ‘se você precisar que uma descoberta material comprove o que um mestre disse, você é um humano. Com isso, jamais conseguirá a elevação espiritual’.

Quem não vê Deus em tudo não é espiritual. Quem acredita que as coisas materiais possam existir independente de uma Causa Primária, é humano. Aquele que é espiritual, espiritualista, não precisa que a matéria comprove nada que um mestre tenha ensinado, porque sabe que Deus age e quando faz isso não se subordina a leis humanas. Por isso dá crédito sempre a Deus e não pede comprovações de nada.

É isso que Cristo abordou nesse trecho. Ele fala: é mais fácil dizer que uma pessoa está curada por causa do merecimento individual ou que sua matéria foi curada por um remédio, mesmo que esse não seja material.

É por conta dessa consciência do mestre que ele fala: quem são vocês para dizerem que eu estou blasfemando, quando na verdade são vocês que estão? Blasfemam porque estão conferindo a uma ação humana, nesse caso a cura, a uma ação material.

Aquele que busca a felicidade, bem aventurança, precisa encontrar a ação de Deus. Para isso precisa extrapolar a ação humana. Aceitar que mesmo que aparentemente seja um ser humano que agindo, há uma ação divina atrás daquela ação.

Participante: usando o seu ensinamento, também posso dizer que é Deus Causa Primária que está falando e não os homens.

Sim, você está certo: atrás da ação dos seres humanos dizerem que Cristo está blasfemando existe uma ação divina. No entanto, como tudo isso é apenas uma parábola para transmitir um ensinamento, não se atente nesse detalhe.

É claro que o mestre tinha ciência de que aquilo era uma ação de Deus, mas para fazer o ensinamento foi preciso inventar essa história. Ficou claro?

Participante: ficou, mas isso não ficou claro aí. Essa é sua interpretação que nós aceitamos porque não temos mais nenhuma.

Pois é: toda leitura de um texto é uma interpretação. Se quiser outra diferente, converse com um padre. Se quiser outra mais, converse com um pastor. Cada um terá sua interpretação, sua visão do ensinamento.

Bem aventurado - Mateus - conversa 03

Jesus e Mateus

Jesus saiu dali e, no caminho, viu um cobrador de impostos, chamado Mateus, sentado no lugar onde os impostos eram pagos. Jesus lhe disse: Venha comigo.

Mateus se levantou e foi com ele. Mais tarde, enquanto Jesus estava jantando na casa de Mateus, muitos cobradores de impostos e outras pessoas de má fama chegaram e sentaram-se à mesa com Jesus e os seus discípulos. Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos: Por que é que o mestre de vocês come com os cobradores de impostos e com outras pessoas de má fama?

Jesus ouviu a pergunta e respondeu: Os que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. Vão e procurem entender o que quer dizer este trecho das Escrituras Sagradas: “Eu quero que as pessoas sejam bondosas e não que me ofereçam sacrifícios de animais.” Porque eu vim para chamar os pecadores e não os bons. (Mateus 9. 9 a 13)

O que acham que está ensinado aí? Olha que está muito claro.

Participante: estou tentando pôr em palavras.

Pensei que vocês trabalhavam melhor com as palavras.

Participante: difícil!

Há um ditado no mundo humano que diz: diga com quem andas que te direi quem és. Por causa dele, se afastam de pessoas doentes.

A que doentes estou me referindo? Quem são os doentes que imaginam que devem se afastar para não se conspurcarem com a doença deles?

Participante. os maus falados?

Não!

Participante: os contagiosos?

Não! Aqueles que pensam diferente!

Lembro de alguém que justificou o seu afastamento de um grupo com a seguinte frase: ‘tive que me afastar porque aqui existem muitos grupinhos. Eu não vou ficar em um lugar que é assim’.

Esse não é um exemplo da forma como vocês agem? Sempre que encontram alguma desavença com aquilo que querem ou acham certo (posse e paixão) se afastam.

Como esse caso foi público e já o citei outras vezes, acho que devem se lembrar do que respondi: você perdeu uma grande oportunidade de viver com os diferentes e assim poder encontrar a sua felicidade incondicional.

É isso que Cristo está ensinando aí: aquele que é feliz, alcança essa felicidade como resultado de uma ação. Que ação é essa?

Participante: o amor.

Não: enfrentar a adversidade. Enfrentar aqueles que pensam contra aquilo que você acredita, aqueles que são diferentes, tudo o que é oriundo do relacionamento com pessoas diferentes. Enfrentar no sentido de expor-se a essas coisas sem deixar a contrariedade tomar conta do seu mundo emocional.

A felicidade incondicional aflora quando o ser enfrenta a contrariedade que a mente cria por estar junto àqueles que pensam diferente. Ela é fruto da ação de estar junto desse outro sem deixar a contrariedade dominar o seu mundo emocional.

A salvação que fala nesse texto não é para os que estão perdidos, mas para aquele que se imagina achado: você! Isso porque se você não se expõe as contrariedades, não as enfrenta, vai precisar viver em uma bolha de plástico para não sofrer.

Compreendam isso. A felicidade não será conseguida isolando-se das causas da infelicidade. Ela é resultado de um trabalho de enfrentamento do que lhe traz infelicidade. Por isso, de nada adianta fugir daqueles que não pensam da mesma forma. É muito mais rendoso conviver com esses, porque é convivendo com eles que será feliz.

Como vocês dizem, é melhor deixar a criança brincar no chão para criar anticorpos. Brincar na sujeira representa expor-se àquilo que é contrário ao que o ser pensa. Vivendo junto com a sujeira, você cria anticorpos para evitar a doença, a infelicidade.

Bem aventurado - Mateus - conversa 03

É preciso conviver com os pecadores

Vão e procurem entender o que quer dizer este trecho das Escrituras Sagradas: “Eu quero que as pessoas sejam bondosas e não que me ofereçam sacrifícios de animais.”

Usando o ensinamento de outra parte da Bíblia onde Deus fala que ‘não quero que me ofereçam sacrifício, mas que seja bom’, está dizendo: o que adianta conviver só com aqueles que fazem exatamente o que você quer? Isso não traz nada novo, essa vivencia não acrescenta nada na sua espiritualidade, não lhe enriquece de modo algum.

Porque isso? Porque o ser não testou a sua capacidade de enfrentar chuvas, a sua capacidade de enfrentar os ventos: as contrariedades. Ele simplesmente fugiu o tempo inteiro da reforma individual. ‘Ah, hoje o tempo está ruim, por isso nem vou embarcar’.

É isso que o mestre está dizendo: você não pode querer viver somente entre aqueles que considera certo, bom, porque isso não tem a menor valia para a sua encarnação.

Participante: não quer passar pelas suas provas.

Há uma frase em O Livro dos Espíritos que diz assim: ‘se você não fez o mal, mas também não fez o bem, nada fez’. Mais do que não conseguir vencer a prova, nem se expôs a ela. Por isso nada fez.

Portanto, o que está sendo abordado nesse texto é que o ser humanizado precisa conviver com todos, mas principalmente com aqueles que são contrários. Isso é necessário pois quando vive com as pessoas que são contrárias, que não pensam igual, não está fazendo nada por si mesmo nem pelos outros. Na hora que se convive com uma pessoa diferente em harmonia e paz, o ser está ajudando a si mesmo e a essa pessoa também.

Se pegar uma enxada para trabalhar, sabe o que vai acontecer com sua mão?

Participante: vai estourar.

Por que vai estourar?

Participante: porque não está acostumada.

Porque não está calejada.

É preciso calejar a mão para pegar na enxada: é isso que está sendo dito aí. Quando foge do convívio com as pessoas de má fama, o ser não está calejando a sua mão.

Um detalhe: não estou dizendo para você procurar as pessoas diferentes; estou dizendo para não fugir delas.

Participante: é isso que eu ia falar Joaquim. Uma coisa são os encontros fortuitos; outra coisa é questão de afinidade. Uma imagem: porque vou ficar andando só com bandido se não tenho a intenção de roubar?

Sim, porque ficaria andando com bandido se não tem intenção de roubar? Não precisa ficar andando com ele, mas não deve fugir dele. Por quê? Para testar se realmente não tem intenção de roubar.

Olha, você pode ter essa intenção e nem sabe. Pode não ser roubar o que eles roubam, mas outras coisas. Roubar, por exemplo, a verdade, a razão de alguém.

Participante. O que estou dizendo é que não vou procurar. Se o bandido apareceu, convivo com ele.

Até porque ninguém comanda seus atos.

Lembre-se sempre: não falo de atos, mas de mundo interno. O que estou me referindo é a existência no mundo interno da seguinte disposição: não ando com pessoas de má fama porque são bandidos. É isso que precisa calar dentro de você.

Bem aventurado - Mateus - conversa 03

Jesus e o jejum

Então os discípulos de João Batista chegaram perto de Jesus e perguntaram: Por que é que nós e os fariseus jejuamos muitas vezes, mas os discípulos do senhor não jejuam?

Jesus respondeu: Vocês acham que os convidados de um casamento podem estar tristes enquanto o noivo está com eles? Claro que não! Mas chegará o tempo em que o noivo será tirado do meio deles; então sim eles vão jejuar!

Ninguém usa um retalho de pano novo para remendar uma roupa velha; pois o remendo novo encolhe e rasga a roupa velha, aumentando o buraco. Ninguém põe vinho novo em odres velhos. Se alguém fizer isso, os odres rebentam, o vinho se perde, e os odres ficam estragados. Pelo contrário, o vinho novo é posto em odres novos, e assim não se perdem nem os odres nem o vinho. (Mateus 9. 14 a 17)

Primeiro detalhe: quem fala com ele?

Participante: os discípulos de João Batista.

Perfeito. Quem era João Batista?

Participante: um profeta.

Já estudamos isso na primeira conversa. Quem foi João Batista? O precursor de Cristo.

Sendo seguidor de um precursor, isso quer dizer que aquelas pessoas estavam no mesmo caminho que os seguidores de Cristo. Aí é justo eles perguntarem: se vocês não fazem jejum porque nós temos que fazer? É essa pergunta que está sendo feita no início do texto.

Veja bem. Não é um fariseu, não são professores da lei que fazem a pergunta; são os seguidores de João Batista. Sendo assim, a pergunta carrega consigo essa conotação: seguimos o mesmo caminho (arrependei-vos que o reino do céu está próximo), mas eu preciso fazer jejum e vocês não. Por quê?

Me respondam, por favor.

Participante: há uma diferença. Os discípulos seguem o precursor João Batista. Os discípulos de Jesus seguem o Messias.

Isso não importa: os dois seguem o mesmo caminho. A diferença é que um, vamos dizer assim, começou a caminhada no quilômetro zero e o outro no dez.

Por que um precisa fazer e outro não? Porque uns fazem por obrigação, outros por querer fazer.

O que é o jejum dentro das diversas correntes religiosas? Um rito obrigatório. Por isso, aqueles que seguem as correntes que possuem o rito do jejum fazem por obrigação.

Os discípulos de João Batista achavam que precisavam fazer (obrigação) por isso deviam fazer. Já os seguidores de Cristo, aqueles que vivem com o amor incondicional, não precisam fazer, pois sentem-se livres para fazer ou não.

Trazendo isso para nosso dia a dia geral, afirmo: existem aqueles que seguem o caminho de Cristo e João Batista (o desapego das coisas materiais) como obrigação e os que seguem por amor. Os primeiros sofrem, os que fazem por amor, não. Essa é a diferença.

Aquele que quer buscar a sua felicidade não pode sentir-se obrigado a nada. Sentindo-se, a sua caminhada será vivida com sofrimento.

Então o que o Cristo fala? Que a felicidade não é resultado da vivência de qualquer coisa por obrigação, mas da entrega ao próprio caminho. É o que já conversamos: aquele que quer ganhar a elevação espiritual, que acha que precisa buscar isso, não vai conseguir nada. O que ganhará é apenas a sua própria satisfação de cumprir uma obrigação.

Participante: é a realização de um desejo. O egoísmo.

Nem pode se levar para esse lado. Na verdade é o se submeter obrigatoriamente versus uma entrega com amor.

Não adianta nada se entregar a obrigação. Fazer qualquer coisa por obrigação não leva a lugar nenhum; só ao sofrimento.

Bem aventurado - Mateus - conversa 03

Retalho novo em roupa velha

Ninguém usa um retalho de pano novo para remendar uma roupa velha; pois o remendo novo encolhe e rasga a roupa velha, aumentando o buraco. Ninguém põe vinho novo em odres velhos. Se alguém fizer isso, os odres rebentam, o vinho se perde, e os odres ficam estragados. Pelo contrário, o vinho novo é posto em odres novos, e assim não se perdem nem os odres nem o vinho.

Participante: queria comentar o que já ouvi no passado sobre essa passagem do retalho de pano novo em roupa velha, o vinho novo em odres velhos. Seria a mistura de ensinamentos. O ensinamento de Cristo, que é a Boa Nova, seria uma coisa totalmente nova e não um remendo para um ensinamento antigo, ou seja, não se deve misturar as duas coisas.

Sim, essa é uma visão, mas há algo mais profundo que precisamos conversar.

A entrega não pode ser em partes, tem que ser total. É preciso nascer de novo e não apenas mudar pequenos detalhes. Não adianta querer manter alguns aspectos da sua humanidade e reformar outros: ou reforma tudo ou não faz nada.

Participante: por isso que tem o termo nascer de novo. É morrer para as coisas velhas e nascer para as novas.

Essa é à base do espiritismo: m atar o homem velho para nascer o novo. É o renascimento em vida e não a reencarnação.

Para isso o ser precisa o quê? Enfrentar e renegar tudo o que é, quer ou faz hoje. TUDO! Senão renegar a tudo estará colocando remendo de pano velho em pano novo.

Participante: tudo, inclusive a interpretação desses ensinamentos.

Inclusive a sua interpretação de tudo isso.

A sua interpretação dos ensinamentos dos mestres está fundamentada no homem velho e tudo que você é hoje. Por isso é preciso renascer.

Participante: esse morrer é momentâneo, não é? Preciso morrer totalmente num momento e não na vida inteira, não é?

Quanto tempo dura uma vida?

Participante: cada presente?

Sim. Por isso digo: em cada presente você precisa morrer e renascer. Renascer sabendo que no próximo presente não estará morto, mas que terá que morrer novamente para renascer.

Participante: isso eternamente enquanto estiver aqui?

Enquanto estiver aqui.

Participante. Então, não é um momento em toda a encarnação; é a cada passo?

A cada passo é preciso matar o homem velho que ali estiver e renascer. Tudo no mesmo passo.

O problema é que vocês acham que quando renasceu em um momento já estão renascido na totalidade. Não, isso é irreal. No próximo momento vão ter que morrer e renascer novamente.

Renascer de onde? Ainda não chegamos a esse ensinamento na Bíblia, mas vou adiantar o assunto: da água e do espirito. A água é a pureza; o espirito é as coisas espirituais.

Esse texto é importante porque é passado aos seres encarnados que a iluminação é um momento na vida e que depois que ele passa, o ser está iluminado para sempre. ‘Estou salvo’! Se ferrou; acabou de se perder.

Participante: o processo continua a cada momento.

A cada momento, a cada vida é preciso morrer e renascer. Fazer isso com a única certeza que ainda terá que fazer até o fim da encarnação. Mais: com a consciência que haverá momentos que não conseguirá se matar. Por isso, quando não conseguir, no próximo momento, se mate.

Participante: sem falar da sucessão de presentes. O homem novo de hoje já é o velho de amanhã. É por isso que ele precisa morrer?

Perfeito.

Cada homem que renasce durante a vida humana ainda não é da agua e do espírito. Renasce do próprio homem, ou seja, da compreensão racional. Por isso renasce da água poluída pelo sistema humano de vida.

Participante: mas, mesmo aquele que nascer da água e do espírito também continua no processo.

Nessa vida ninguém renasce da água e do espírito. Se renasce da compreensão racional que teve em um determinado momento. Por isso é um renascer humano.

Participante: portanto, é preciso matar toda compreensão que surgir.

Perfeito.

Participante: é viver o nada, o dane-se, não sei.

E mesmo que saiba, não saber.

Cada compreensão traz novas verdades que constituem o homem velho. Por isso é preciso matar essas verdades em um novo momento. Por isso digo sempre: não acredite em nada que sua mente crie.

É melhor, ao invés de ficar acumulando informações, ir matando cada uma delas a cada passo, a cada momento que surgirem. Vá matando cada uma delas até que não deixe nada novo surgir. É a ideia do martelinho para quebrar tijolos que já conversamos.

Não, não deixe nada nascer. Esteja atento, pois a mente vai querer sempre construir uma verdade. Você já viu um campo cheio de pragas?

Participante: já!

Você vai lá e arranca uma por uma. O que acontece?

Participante: nasce tudo novamente.

Acabar com a praga nunca irá conseguir.

Participante: essa limpeza é constante,

É isso que faz o homem do campo. Ele vai matando as pragas conforme vão aparecendo, sabendo que outras irão surgir e que precisará matar todas até a hora da colheita.

Participante: esse é o vigiai ensinado?

Sim, esse é o orai e vigiai.

Participante: se eu dormir no ponto o negócio vai aparecer e...

Se disser que está indisposto e por isso não vai tirar as pragas do jardim, quando for tirar não terá mais jardim; só pragas.

Participante: mas, você falou que vai ter hora que não conseguirá matar.

Sim. Algum momento não vai conseguir e ela crescerá. Por isso, não se demore em voltar a trabalhar.

Bem aventurado - Mateus - conversa 03

Jesus cura uma mulher e uma menina

Enquanto Jesus estava falando ao povo, um chefe religioso chegou perto dele, ajoelhou-se e disse: A minha filha morreu agora mesmo! Venha e ponha as mãos sobre ela para que viva de novo. Então Jesus foi com ele, e os seus discípulos também foram.

Certa mulher, que fazia doze anos que estava com uma hemorragia, veio por trás de Jesus e tocou na barra da capa dele. Pois ela pensava assim: “Se eu apenas tocar na capa dele, ficarei curada.”

Jesus virou, viu a mulher e disse: Coragem, minha filha! Você sarou porque teve fé. E naquele momento a mulher ficou curada. (Mateus 9. 18 a 22)

Outra vez Cristo falando que o ato humano, o acontecimento material, é resultado da fé, da entrega. Ou seja, que o gerador do carma é a fé.

Depois Jesus foi para a casa do chefe religioso. Quando viu os que tocavam música fúnebre e viu a multidão numa confusão geral, disse: Saiam todos daqui! A menina não morreu; ela está dormindo!

Então começaram a caçoar dele. Logo que a multidão saiu, Jesus entrou no quarto em que a menina estava, pegou-a pela mão, e ela se levantou. E a notícia a respeito disso se espalhou por toda aquela região. (Mateus 9. 23 a 26)

A história é parábola. Qual é a mensagem que está por trás?

Participante: eles acreditavam em algo que não era verdadeiro.

Sim, ele fala da cultura da morte com que os humanizados vivem.

Ele toca nesse aspecto quando afirma que as pessoas estavam tocando músicas fúnebres. Que músicas eram essas? O lamento. ‘É o fim, tudo acabou, minha filha morreu’!

 Vocês não tocam essa música fúnebre quando alguém morre? Não se lamentam como se aquela pessoa tivesse acabado? Mas, ela não está morta; está só dormindo. Vai renascer no outro mundo: é isso que Cristo ensina.

Vocês choram quando alguém morre, mas se dizem espiritas. Sabem que a verdadeira pátria do espírito é a espiritual. Não seria presumível, então que a morte fosse hora de fazer festa? Não deveria viver com a compreensão de que ninguém morre? Aquele pelo qual se lamenta e acredita estar morto vai renascer em outro mundo.

Essa parábola diz respeito ao ato funerário humano, principalmente daqueles que se dizem espiritualistas. Fala do choro por alguém que supostamente tenha morrido, do lamento pela morte. A música fúnebre nada mais é que um lamento pela morte.

Bem aventurado - Mateus - conversa 03

Jesus crua dois cegos

Jesus saiu daquele lugar, e no caminho dois cegos começaram a segui-lo, gritando: Filho de Davi, tenha pena de nós!

Assim que Jesus entrou em casa, os cegos chegaram perto dele. Então ele perguntou: Vocês creem que eu posso curar vocês?

— Sim, senhor! Nós cremos! — responderam eles.

Jesus tocou nos olhos deles e disse: Então que seja feito como vocês creem!

E os olhos deles ficaram curados. Aí Jesus ordenou com severidade: Não contem isso a ninguém!

Porém eles foram embora e espalharam as notícias a respeito de Jesus por toda aquela região. (Mateus 9. 27 a 31)

Não contem a ninguém. Ou seja, não deixe a sua mão esquerda saber o que fez a direita. Já falamos sobre isso.

Participante: a cura, a fé.

Também.

Participante: a gente consegue fazer a caridade sem ninguém saber? Pergunto isso porque as pessoas saem falando.

Na verdade está falando aí do você quer que a pessoa saiba da caridade que fez por ela. Ou seja, aquela caridade que quando faz espera algo em troca, nem que seja um muito obrigado. Nesse momento está querendo que a própria pessoa saiba.

Bem aventurado - Mateus - conversa 03

A crua de um mudo

Quando eles foram embora, algumas pessoas levaram a Jesus um homem que não podia falar porque estava dominado por um demônio. Logo que o demônio foi expulso, o homem começou a falar. Todos ficaram admirados e afirmavam: Nunca vimos em Israel uma coisa assim!

Mas os fariseus diziam: O chefe dos demônios é quem dá a esse homem poder para expulsar demônios. (Mateus 9. 32 a 34)

Não há fala de Cristo nesse trecho. Por isso, continue a leitura.

Bem aventurado - Mateus - conversa 03

Jesus tem pena do povo

Jesus andava visitando todas as cidades e povoados. Ele ensinava nas sinagogas, anunciava a boa notícia sobre o Reino e curava todo tipo de enfermidades e doenças graves das pessoas. Quando Jesus viu a multidão, ficou com muita pena daquela gente porque eles estavam aflitos e abandonados, como ovelhas sem pastor. Então disse aos discípulos: A colheita é grande mesmo, mas os trabalhadores são poucos. Peçam ao dono da plantação que mande mais trabalhadores para fazerem a colheita. (Mateus 9. 35 a 38)

Isso já conversamos há muito tempo.

É preciso cada vez mais que vocês entendam que existe muita gente que precisa, mas existem poucos que podem ajudar. Por isso, vocês precisam se predispor a ajudar.

O que é se predispor a ajudar?

Participante: motivar-se para isso.

É simplesmente dizer ao outro quando afirma que você está errado: ‘então tá, você está certo’.

Ajudar o outro não é dizer a verdade, ensinar o certo: é ajudar o outro. É tirá-lo do sofrimento. Isso só conseguirá quando você não sofrer.

O problema é que querem ensinar o outro. Pior: não o que é melhor para ele, mas o que vocês acham que é certo. Não é isso. Ajudar é se colocar à disposição dos outros.

Bem aventurado - Mateus - conversa 03

Encerramento

Vamos parar por aqui essa conversa.

Acabamos hoje a parte das curas, graças a Deus! Falo assim porque esse assunto é complicado, pois vocês ficam presos na questão do ato de curar. Com isso não se atentam a essência das parábolas.

É a parte mais complicada desse estudo. Agora vai ser mais fácil.