Guerreiro da paz - Textos - Livro I
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Guerreiro da paz - Textos - Livro I

Transcrição dos áudios do estudo Guerreiros da paz

Guerreiro da paz - Textos - Livro I

A paz

Iremos falar nesta conversa sobre o tornar-se um guerreiro da paz. Só que, como sempre digo, é importante definir o que se vai buscar em um trabalho. Este é o primeiro passo em qualquer estudo. Não há como se buscar compreensão sobre alguma coisa sem definir o que será buscado. Por isso, vamos começar definindo paz.

Paz é um estado de espírito, é uma forma de vivenciar acontecimentos. É uma forma interna, emocional, sentimental de vivenciar acontecimentos do mundo humano. Paz não tem nada a ver com situações de vida.

Quero deixar isso bem claro, porque, para vocês, a paz é uma situação de vida. A paz é, para vocês, uma série determinada de acontecimentos, mas isso não é real. Ao longo desta conversa entenderemos o por que não.

Paz é algo que existe internamente, dentro do ser, e não fora. Esta é a primeira coisa que o guerreiro da paz sabe. Ele sabe que estar em paz, ter a paz, é vivenciar acontecimentos do mundo dentro de um determinado estado de espírito. Mas, que estado de espírito é esse? Vamos falar disso agora.

A paz, ou seja, o estado de espírito de paz, existe quando há harmonia entre o mundo interno do ser e os acontecimentos externos que ele vivencia. Isso é paz: quando há uma harmonia entre o mundo externo e o interno, aquele ser está vivendo em paz.

Agora, reparem que falei em harmonia e não em igualdade, similitude. A paz não é vivenciada com igualdade entre o mundo interno e o externo, mas quando há harmonia entre as duas coisas. Ora, se isso é verdade, precisamos conversar um pouco sobre o que é harmonia, pois é deste entendimento que depende a paz.

A harmonia existe quando não há contrariedade. Viver em harmonia é, internamente, não estar em contrariedade com o que está acontecendo mundo externo. Sempre que houver uma diferença, uma contrariedade, entre o mundo externo e o interno, acaba a paz, pois para que ela exista é preciso que haja a harmonia entre os dois mundos.

Com esta compreensão começamos a descobrir uma coisa com relação ao trabalho do guerreiro da paz: ele se consiste em harmonizar o seu mundo interno, o seu mundo emocional, com a vida que ele vivencia, com os acontecimentos da vida. Não se trata de rebaixar-se, de passar a achar certo o que achava errado, de concordar com o que acontece externamente, mas sim de não ser contra ao que é vivenciado. Na verdade, o trabalho do guerreiro da paz é acabar com a desarmonia ou seja, acabar com a contrariedade entre o seu mundo interno e o acontecimento da vida.

Esse é o trabalho de um guerreiro da paz: ele luta para extinguir a desarmonia, ou seja, a contrariedade, que existe entre o mundo interno e o externo. Acho que isso deu para ficar bem claro, não?

Agora, se esse é o trabalho, pergunto: onde deve agir o guerreiro da paz? No mundo interno ou no externo?

Acho que vocês já viveram bastante tempo para saber que a vida não se sujeita aos seus desejos, às suas vontades, aos seu comando. A vida vive a vida, independente do que você quer. É por causa deste conhecimento que a única resposta possível à minha pergunta é ‘mundo interno’.

O guerreiro da paz é aquele que age dentro de si para harmonizar o seu mundo interno com o externo. Esse é o trabalho do guerreiro da paz. Ele age dentro de si mesmo e não fora; age no sentido de harmonizar o seu mundo interno com o externo.

Isso é muito diferente do que vocês estão acostumados. Para vocês a paz é uma resultante de uma ação no mundo externo, de uma ação junto ás coisas ou outras pessoas do mundo. Só que se age no mundo externo, se age sobre outras pessoas, o que se consegue não é paz, mas sim dominação.

Se para acabar com contrariedade é preciso mudar alguém, o que o outro é, sabe ou quer, é preciso mudar algum acontecimento, não é a paz que se busca, mas sim impor a sua verdade, a sua vontade. O que se consegue como resultado de uma ação desse tipo não é a paz, mas a dominação. Portanto, agir no mundo externo tentando mudar os outros ou as coisas, não é um trabalho de alguém que lute pela paz, mas daquele que quer dominar o mundo.

Esses são os primeiros detalhes deste estudo. A paz é um estado de espírito que existe quando há uma harmonia entre o mundo interno e o externo e o trabalho do guerreiro da paz é enfrentar o seu mundo interno, para que ele se harmonize com o externo.

Este é, em resumo, o trabalho que faz um guerreiro da paz: ele está sempre atento ao seu mundo interno, tentando localizar as contrariedades ou desarmonias que possam existir durante a vivência dos acontecimentos, para poder agir sobre elas eliminando-as e assim alcançar a harmonia com o mundo externo.

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Ninguém rouba a sua paz

Vamos falar dos inimigos do guerreiro da paz. Esta parte é a mais longa desta introdução. Também é a mais interessante e mais difícil de se compreender. Só que antes de entrarmos definitivamente neste assunto, há uma coisa que quero dizer.

Quando se fala em inimigo da paz, há uma pergunta que se deve fazer: quem no seu mundo interno gera a desarmonia? Tenho que perguntar assim, porque já definimos que a luta é no mundo interno. Por isso, é lá que tenho que procurar quem me causa desarmonia.

Neste aspecto há outro grande problema para aqueles que querem buscar a paz. Vocês estão acostumados a procurem o inimigo da sua paz fora de si. Estão acostumados a procurarem externamente aquilo que está causando a desavença, a desarmonia, entre o mundo interno e o externo. Por isso, acham, externamente, culpados da sua ausência de paz. Só que se a luta se trava no mundo interno, não podem existir externamente culpados da ausência de paz.

Quero aproveitar este momento para falar uma frase que gostaria que escrevessem e guardassem para sempre. Ninguém rouba a sua paz; é você que a perde.

É muito comum neste mudo se dizer que alguém ou algo roubou a paz. Alguém ou algo, com a sua ação, tirou a paz. Isso é impossível, porque o inimigo da paz não está no mundo externo. O que existe ali é apenas vida. Aquele que causa a desarmonia, que acaba com a harmonia, está no mundo interno e não fora dele.

Portanto, não há ninguém que possa lhe roubar a paz. Quando a paz não é alcançada, é porque você a perdeu na batalha contra os seus inimigos internos. A paz é perdida quando não se luta para harmonizar o mundo interno com o externo. Você a perde quando se deixa levar pelos inimigos e vive a desarmonia.

Portanto, não há como se roubar a sua paz. Não há como alguém ou alguma coisa tirar a sua paz. Se isso aconteceu, foi você quem perdeu uma batalha para os seus inimigos internos.

Eis aí o segundo aspecto interessante e importante dessa conversa: a paz é um estado de espírito que se caracteriza pela harmonia entre o mundo interno e externo e, quando ela não existe, não é o externo que é culpado pela sua não existência, mas foi o guerreiro, ou ser humano, humanizado, isso não importa, que não lutou dentro do seu mundo interno contra os seus inimigos para poder viver em paz, para viver em harmonia, para estar harmonizado com a vida.

Diante disso, acho que fica muito importante se falar dos inimigos, pois perder a paz é algo que acontece diariamente muitas vezes. Portanto, é importante se conhecer os inimigos.

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O alto comando dos inimigos da paz

Como estamos falando de batalhas, vou falar dos inimigos da paz utilizando-me da formação de um exército. Na verdade é assim mesmo. Assim como num exército, entre os inimigos da paz existem diversos níveis de combatentes. Como vocês só veem o primeiro, aquele que está mais próximo de vocês, não conhecem a ação dos demais. Vamos lá, então.

O general do exército dos inimigos da paz chama-se individualismo. Ele é a base de tudo. É o topo da pirâmide que acaba influenciando todo o resto.

Ao falar deste inimigo da paz, não vou falar em egoísmo, pois existem muitas pessoas que acreditam quando a mente lhes diz que não são egoístas. Por isso, essas pessoas não compreenderiam a ação do general do exército inimigo. Por isso, vou falar em individualismo.

Ser individualista é pensar a partir de um eu buscando que este obtenha uma vitória, uma vantagem. Isso é ser individualista.

Quando você está conversando com uma pessoa e essa fala que gosta do amarelo e você quer mostrar que o verde é mais bonito, está sendo individualista. Por que? Porque está pensando a partir do eu, da cor que gosta e querendo influenciar o outro para que goste da cor que você gosta.

Isso é ser individualista. Chamo ele de general porque está escondido no momento da vivência de um acontecimento. Ou seja, na hora que diz para o outro que o verde é a cor mais bonita, nunca pensa que está sendo individualista. Pelo contrário: a mente maquia e diz que está sendo bonzinho, que está amando o próximo, que quer trazer o bem.

Por isso o individualismo é o general: ele está escondido, não aparece, mas influencia toda a ação que consciente. Influencia toda a vida externa dos guerreiros, que é o que lhe é apresentado como vida.

Por exemplo: uma pessoa que reclama que o outro não lhe ama, não liga para ele. Esta cobrança parece algo amoroso, carinhoso, mas quem vive esta realidade não vê que está sendo egoísta, individualista. Não vê que está exigindo, cobrando coisas, para benefício próprio.

A cobrança por algo tira a paz. Ela é um dos soldados utilizados pelo exército dos inimigos. Digamos que o guerreiro saiba disso e a combata. Só que mesmo que o guerreiro da paz a derrote nesta vivência, não vai ter paz. Por que? Porque o individualismo, que está por trás dela, vai agir em outro assunto, em outro aspecto da vida. Como o guerreiro não descobriu a presença do individualismo neste momento e não o combateu, a paz será perdida em outras oportunidades onde ele agirá.

Portanto, este é o general do exército inimigo. É ele que distribui os soldados do exército e os influencia.

Abaixo do general encontramos os tenentes, ou seja, aqueles que também não aparecem na hora da formação do pensamento, do causar a desarmonia entre o mundo interno e o externo, mas que influenciam nas desavenças.

O primeiro tenente que vamos estudar é a intencionalidade. Se individualismo é pensar a partir do eu e querer para si, o que é querido é conhecido através da intencionalidade. É a intenção que determina o que é querido para si.

Veja o que está acontecendo na hora inimiga: o individualismo age por trás gerando um querer para si e a intencionalidade, que muitas vezes não aparece no pensamento, ou quando o faz, está maquiada, florida, criando algo para usar como instrumento da vitória. É essa ação que você que quer viver em paz não consegue enxergar e por isso é derrotado diversas vezes ao longo do dia.

Para poder lhe enganar, a intencionalidade muitas vezes é maquiada, floreada, como disse. ‘Não, a minha intencionalidade é a melhor possível. O que quero é protege-lo’. Protegê-lo do que: do que não quer para você? Quem disse que ele não quer isso? Protegê-lo do que: do que você acha ruim? Mas, será que isso não é bom para o outro?

É essa ação da intencionalidade, do querer para si, do querer viver o que é querido para si, que acaba com a harmonia e por isso com a paz.

O segundo tenente é a posse. Possessão não é ter, mas querer administrar a vida do outro. É querer determinar o que o outro vai fazer, o que será ou como estará. É isso que é possessão. Possessão não é ter uma televisão, mas exigir que cada vez que aperte o botão ela funcione.

A possessão é necessária ao individualismo. Isso porque se o individualismo é querer a ganhar para si, a possibilidade do ganhar vem através da direção da vida, dos acontecimentos, do que o outro é ou faz. Se você não direciona o outro, não diz o que ele tem que ser, como ganhará?

Só que o outro também tem uma intencionalidade, uma individualidade, e quando quer que ele seja diferente do que quer ser, o que surge? A desarmonia, a desavença, ou seja, o fim da paz.

Então, fica bem claro que a posse é um tenente do exército dos inimigos da paz. Só que ela muitas vezes não é pressentida como inimiga. Isso acontece porque a realidade da possessão é maquiada, é florida pelo pensamento para que a sua presença como inimiga da paz não seja sentida.

Isso acontece, por exemplo com aqueles que dizem assim: ‘eu lhe perdoo, mas nunca mais faça isso’. Esse tipo de pensamento é exatamente o instrumento dos seus inimigos lhe roubando a paz.

Acreditando neles, viverá com a expectativa de que o outro vai atender o seu pedido, mas isso muitas vezes não acontece, não é mesmo? Ele pode até se subordinar por algum tempo, mas em algum momento a insurgência reaparecerá.

Primeiro tenente: intencionalidade. Segundo tenente: posse. Terceiro tenente: paixão.

Paixão é gostar, só que não se trata apenas de um gostar positivo, de um querer. Não querer algo é um paixão. Não achar algo bom, não achar algo certo, é uma paixão.

Portanto, ser apaixonado é ter opiniões individuais sobre qualquer coisa. Ter opinião sobre as coisas, é ter, dentro de si, um inimigo que vai lhe roubar a paz. Isso porque não existem dois seres humanos que, em gênero, número e grau, tenham a mesma paixão.

Por isso, o choque será inevitável. Um gostará do amarelo, outro do verde, um gostará de maçã e o outro de manga. Sempre, haverá desarmonia com o mundo externo que será causada pelo que você gosta ou desgosta.

Só que esta paixão não é real: ela é apenas um tenente do exército dos inimigos da paz. Já repararam que existem pessoas que gostam muito de uma coisa, mas, de repente, quando aparece alguém igual, já começa a gostar de outra?

Porque isso acontece? Porque a paixão está a serviço do individualismo, a serviço da vontade de satisfazer o próprio eu. Ela não é real. É por isso que o ser humano é tão volúvel.

A paixão é apenas um inimigo que está aí para gerar desarmonia entre o mundo interno de um ser e o externo. Ela existe para servir ao individualismo e não para ser lógica, para ter algum nexo. Ela está aí só para causar desavenças, porque serve ao individualismo e não ao próprio ser. Como todos são individualistas, querem ganhar, a paixão serve como instrumento desta pretensão de ganhar e não ao que realmente se gosta ou se quer.

Este é o terceiro tenente: a paixão. Ela existe para que o individualismo possa ser contemplado, para que a satisfação pessoal seja buscada.

Fazendo um parênteses, deixe-me falar uma coisa: os três tenentes que falamos até agora estão presentes em todos os pensamentos humanos. O exército dos inimigos da paz não luta só com soldados. O soldado é o que você vê, mas a força do general e dos tenentes estão presentes em todo processo mental.

Não há um pensamento que não esteja fundamentado no individualismo, que não seja construído com uma intencionalidade, uma posse e uma paixão. Não existe. Esses elementos sempre estarão presentes.

Isso é algo que o guerreiro da paz precisa saber. Porque? Porque na hora que não procurar estes inimigos, perde a paz. Na hora que não tentar descobrir a verdadeira intenção a verdadeira busca de satisfação do eu, não tentar descobrir como está querendo comandar a vida e qual a paixão que está dirigindo aquele pensamento, o fim da paz será inevitável.

Mas, existem mais tenentes e quem já me ouviu antes está vendo que não estamos falando nada novo. Por isso, sabem que depois da posse e da paixão sempre falamos do desejo. Esse talvez seja o tenente mais forte, mais presente. Não há pensamento que não contenha um desejo. Mesmo que não seja explícito, ele está presente.

Desejo é vontade e tudo que é pensado é expresso através de uma vontade. Vocês não fazem nada sem que haja uma vontade, sem que haja um resultado esperado.

Isso é vontade, isso é desejo: ter um resultado esperado. Não se prega prego sem estopa, diz o ditado popular, vocês não conseguem viver sem ter um raciocínio, um pensamento, sem que haja embutido nele uma vontade. Por isso, a atenção à presença desse tenente e a localização da sua ação, é fundamental para o guerreiro da paz. Deixando-se levar pelo soldado à disposição desse tenente, terá uma vontade, mas a vida terá outra, os outros terão outras, e aí o fim da harmonia é líquido e certo.

Mas, há mais tenentes: as famosas quatro âncoras. A vontade de vencer, o medo de perder; a vontade de ter o prazer, ou seja, de ser contentado, e o medo do desprazer; a vontade da fama, que como digo sempre que não é aparecer na capa da revista, mas o reconhecimento, e o medo da infâmia; a vontade de ser elogiado e o medo de ser criticado.

Aí está todo o comando o estado maior do exército dos inimigos da paz. São esses que trabalhando, apresentando soldados através do pensamento buscam para si e com isso acabam lhe fazendo perder a paz. Aquele que se submete a esses tenentes e ao general não conseguem a paz. Vivem a perdendo.

Sempre, sistematicamente perdendo a paz.

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Os soldados dos inimigos da paz

Agora, vamos falar dos soldados. Eles são os pontos de desavença nas situações. Portanto, são múltiplos, são muitos.

Por exemplo, alguém me pediu para falar de relações familiares. Vamos conversar sobre esse assunto da próxima vez, mas quando falamos em perder a paz por conta de uma relação familiar, falamos em esperar que haja alguma coisa nesta relação que não está havendo. Isso que é esperado – por exemplo respeito, amor, solidariedade, carinho, atenção – não importa o que, são os soldados usados pelos tenentes e pelo general para trazer o fim da paz.

Quando perde a paz porque o dinheiro não deu no final do mês, o fato de faltar dinheiro não é razão da sua perda de paz. Na verdade, isso é um soldado que está sendo usado pelos tenentes e pelo general para atacar a sua paz, para acabar com o estado de harmonia com a vida. Se você não tivesse individualismo, intencionalidade, posse, paixão, desejo e vivesse as quatro âncoras, não perderia a sua paz.

Portanto, falar de soldados neste momento é difícil, pois eles são muitos. Toda situação de vida que lhe contraria é um soldado a serviços dos tenentes e do general do exército contra a paz. A única coisa que podemos falar agora, é que eles não são a verdadeira causa de você não ter paz. Isso quero deixar bem claro.

Não é porque o dinheiro não deu, porque sua mãe não lhe ama, porque ela não lhe dá carinho ou porque é possessiva, que você vai perder a paz. Não, a perderá porque cedeu a intencionalidade, a posse, a paixão, ao desejo, a vontade ganhar e ao medo de perder e a todos os outros tenentes. Cedeu, principalmente, ao individualismo, ao querer ser satisfeito, ao achar que o que quer todos tem que querer. Cedeu ao pensar a partir do eu e, por isso, exigir que o mundo supra o que quer.

É isso que quero deixar bem claro neste momento.

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O estudo das batalhas

Agora, depois de vermos tudo isso, fica fácil de entendermos o trabalho. O trabalho ‘Guerreiros da paz’ consiste em enfrentar os soldados e descobrir a expressão dos tenentes e do general que estão, não no mundo externo, mas dentro de você. Consiste em descobrir o que eles estão querendo para aí libertar-se da ação desses inimigos. Com isso se consegue viver a vida em harmonia, se ter paz.

O trabalho do guerreiro da paz, no caso de querer que a mãe seja mais carinhosa, é entender que ela não é a mesma mãe dos outros. Compreender que, por isso, pode ser mais ou menos carinhosa. Entender que ela sempre terá que ser aquilo que acha que deve ser e não o que você espera que ela seja.

A partir desta compreensões, o guerreiro da paz deve entender que o problema não está na sua mãe ser diferente, mas sim nele viver o desejo de querer ter mais carinho, ter mais amor. Deve alcançar à consciência de que é esse desejo que acaba com a paz e não a forma como a mãe é.

O problema está naquele que quer governar as ações da sua mãe, naquele que é apaixonado por receber carinho. O problema está naquele que, por ceder ao que é pensado, busca impor ao outro o que quer para que seja satisfeito. É essa busca e o fato de não conseguir que lhe tira a paz, que lhe rouba a paz.

O fim da paz acontece quedo você cede aos seus inimigos, quando não guerreia pela paz, quando não reconhece a presença do seu inimigo dentro de si para poder se libertar da influência deles.

Esse será o trabalho que faremos. Por isso pedi que me tragam exemplos de vida. O que queremos é, através dos soldados inimigos que vocês apresentarem, mostrar a ação que está por trás.

Queremos fala das ações dos tenentes e do general. Queremos aprender a combater não o soldado, mas sim o comando deste exército. Isso porque os seres humanos vivem a vida inteira tentando lutar contra soldados.

Nessa luta, quando ganham uma batalha, acham que ganharam a guerra. Com isso, não continuam a luta contra o alto comando do exército inimigo e por isso, perderão a paz mais na frente.

Em outras ocasiões, perdem batalhas. Quando isso acontece, ao invés de combater os verdadeiros inimigos, se entregam de vez, não a um soldado, mas ao general e aos tenentes. Por não verem esta entrega, continuarão sendo individualista em todas as situações e pouca paz encontrarão.

Por isso é importante que repassem essas situações. O que estou pedindo é que relatem o que vivem, o que passam, os soldados que combatem todo dia na busca de viver em paz. Essa é uma oportunidade de juntos enfrentarmos cara a cara o alto comando do exército inimigo que lhe ataca diariamente. É uma oportunidade de olharmos o soldado e acharmos além deles a influência dos verdadeiros inimigos da sua paz.

Acho que deu para ficar bem claro qual o trabalho que queremos fazer e o que iremos estudar. Portanto, se quiserem, coloquem as questões para continuarmos a conversa.

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A convivência com os inimigos

Participante: Como conviver com estes inimigos dentro de nós, se o ego está sempre criando verdades?

Não aceitando as verdades que ele cria. Para isso, é preciso que você identifique o que está por trás das verdades que ele cria.

Se o seu ego, por exemplo, afirma que comer feijão com arroz é bom, não acredite nisso. Saiba que ele está apenas gerando um elementos, um soldado, para posteriormente usá-lo para lhe tirar a paz. Isso acontecerá no dia em que não houver feijão com arroz disponível para comer.

Este é o trabalho. Deixe a mente criar o que ela quiser à vontade, mas não deixe os inimigos usarem estas verdades como soldados para lhe tirar a paz, para lhe trazer desarmonia. É isso que precisa ser feito. Já disse por diversas vezes que ninguém vence a mente silenciando-a. Isso é impossível.

A luta pela paz ou pela felicidade não está fundamentada em uma mudança do que é pensado ou do funcionamento da mente. Ela está fundamentada na libertação dos inimigos da paz.

Tem uma pergunta se não sei se ainda foi feita, mas tenho certeza que quem já me ouve à algum tempo gostaria de fazer: ‘tudo o que o senhor falou é basicamente a mesa coisa que falou no em busca da felicidade. Então, paz e felicidade é a mesma coisa’? Não posso dizer que seja, mas para vocês que têm consciências através de uma mente humana, é. Até porque, quando conversamos sobre felicidade, definimos que ela é o estado de espírito onde existe paz e harmonia. Ora, se paz está dentro da felicidade, ela é o caminho para ser feliz.

Portanto, não estamos falando nada novo. O que estamos fazendo neste estudo é trabalhar o ter paz para poder ser feliz. Esse processo é oriundo da segunda missão que venho dizendo que recebemos há pouco tempo.

Até bem pouco tempo atrás, nossa missão era passar os ensinamentos para que cada um fizesse a sua reforma. Isso foi feito. Com o início do novo mundo, que começou no dia 21 de dezembro de 2012, recebemos a missão adicional de ajudar as pessoas nesta realização.

O que estamos fazendo hoje, além de servir como instrumento para que você faça a sua reforma, serve, também, para que ajude o próximo à fazer a dele. Não quando ele discute alguma coisa com você, mas quando ele chega e diz: ‘estou sofrendo tanto, perdi minha paz por este motivo’. Neste momento, ao invés de viver como um humano – lamentando-se, sofrendo o sofrimento do outro, querendo resolver o problema material – você tem a condição de ajuda-lo de verdade. Para isso, deve mostrar à quem está sofrendo que ele não perdeu a paz por aquele motivo que imagina, mas sim pela ação do seu individualismo, da sua vontade de possuir, da paixão e dos demais tenentes.

Esse é o resultado esperado deste trabalho. É por isso que o estamos realizando. Ele está sendo realizado principalmente para aqueles que convivem com as comunidades que chamamos de sangha.

Outro dia conversei com uma pessoa e disse que vocês estão completamente perdidos com relação à ação destas comunidades. Um dos pontos que toquei com esta pessoa foi exatamente este: o de querer ajudar os outros resolvendo os problemas deles.

Não, não se ajuda ninguém ensinando-o a resolver fisicamente seus problemas. A única ajuda que você pode dar a qualquer um é ensiná-lo a combater os inimigos da paz dentro de si mesmo.

Essa pessoa veio me procurar para conversarmos especificamente sobre um problema que ela vivencia na vida humana. Depois que ele me relatou o problema, passamos mais de quatro horas conversando e em nenhum momento eu voltei a falar do problema pelo seu lado humano. Apenas conversei sobre a ação dos seus inimigos internos na prática.

Não é preciso se conversar com alguém à respeito da história que compõe o problema que ele vivencia. O auxílio que pode ser dado não passa pela solução deste problema. A orientação que realmente pode ajudar o próximo é ensiná-lo a não ter mais problemas na vida.

Uma coisa que até agora vocês não entenderam, é que ter problemas durante a vivência dos acontecimentos, é estar em desarmonia com a vida. Todo e qualquer problema que tenha, é uma desarmonia: é o querer uma coisa e não tê-la. Se não quisesse nada, não teria problemas.

Na verdade você tem um problema porque quer ter alguma coisa que não tem. Mas, quem diz que quer ter? O seu individualismo. Agindo através da posse, da paixão e do desejo, da intencionalidade e das quatro âncoras, o individualismo quer ter o que não tem. Colocando soldados de chumbo, ou seja, de baixo valor, como o precisar ter uma televisão, um celular, a presença da pessoa amada ou um prato de comida, o general do exército inimigo da paz lhe leva à perda da felicidade.

Usando estes soldados rasos o individualismo joga à sua frente os problemas e você fica cego tentado resolver o problema, mas não consegue resolvê-lo. Com isso, não consegue resolver um problema e está sempre colecionando outros que os inimigos da sua paz vão estar criando. Com isso estão criando as suas contrariedades, os seus problemas.

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Combatendo o desejo

Participante: como se libertar do desejo que a mente sugere?

Sabendo que ele é um desejo. Sabendo que ele está sendo usado por um individualismo, por uma vontade de querer ganhar individualmente. Sabendo que você não está desejando, mas que isso é um soldado que os inimigos da sua paz estão lançando contra.

Com relação aos soldados, além do desejo específico por alguma coisa existem outros que precisaremos conversar fortemente ao longo de nossas conversas. Por exemplo: critérios de justiça e injustiça, o bem e o mal, certo e errado, bonito e feio, limpo e sujo. Esses critérios, que você pensa que é opinião sua, são lhe dados e servem para justificar a presença do general e dos tenentes.

Por exemplo: um desejo que esteja justificado por você achar que merece receber alguma coisa. A presença desse soldado junto ao desejo lhe faz entender que ter aquele desejo é certo, é bom. Lhe faz imaginar que deve ter aquele desejo porque merecer ter aquilo. Merecimento e não merecimento são soldados usados pelos inimigos da paz.

Esses critérios são usados pelo auto comando do exército inimigo para justificar que você tenha o desejo, para justificar o desejar. Por exemplo: o auto comando diz que todo mundo tem o direito de ter sua casa própria. Mais: diz que cada um ter a sua casa própria é um algo justo. Você já parou para pensar que se todos tivessem sua casa própria, aquele que vive de receber aluguéis, que construiu a casa com o seu suor e agora vive de receber os rendimentos deste trabalho, vai morrer de fome. Você acha isso justo?

Portanto, será justo com essas pessoas que todos tenham a sua casa própria? Claro que não. Só que para você é. Por que? Porque você está usando o seu critério de justiça: um critério que lhe beneficie individualmente.

É isso que precisa ser pensado na hora que vem o desejo. Será que ele é realmente tão inocente? Será que não está apenas buscando a minha própria satisfação sem me importar o que ele resultará para os outros? Será que o meu desejo realmente é justo, é legítimo?

Lembro uma vez que uma pessoa me disse: ‘ah, Joaquim! Trabalhei muito numa empresa, mas na hora da promoção outra pessoa foi promovida no meu lugar. Isso é injustiça’. Eu respondi que realmente no critério individual dessa pessoa aquilo era uma injustiça, mas no de quem promoveu, promover outra pessoa foi algo justo.

Sei que quando se fala isso vocês vão logo buscar elementos para acabar com a justiça que o outro fez. Não importa qual seja o motivo que o chefe tenha para promover uma ou outra pessoa – pode até ser o fato do promovido ser um puxa-saco – para ele aquilo era motivo justo para a promoção daquela pessoa. Portanto, mesmo que você não ache que o acontecimento tenha sido justo, ele foi, porque quem o praticou estava fundamentado no seu próprio critério de justiça.

É através dessa análise dos acontecimentos da vida que se liberta do desejo. É avaliando, estudando, se dentro do que é desejado não está uma intencionalidade, não está um individualismo. Descobrindo isso, é necessário se combater essa ação.

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Convivendo com um usuário de drogas

Participante: o usuário de droga acaba desarmonizando a família inteira. Como proceder na vivência com ele?

Você diz que o usuário de droga desarmoniza uma família, mas no início desta conversa disse que o que desarmoniza alguma pessoa não é o mundo externo, mas o interno. Então, não há nenhum usuário de droga que desarmoniza família, mas famílias que se desarmonizam por ter um usuário de droga em seu seio.

Este é o primeiro aspecto e ele é importante de se prestar atenção, pois se não assumir que foi você que se desarmonizou com o mundo, ou seja, que foi você que perdeu sua paz por conta de seus inimigos internos, ficará chorando e dizendo que não tem jeito, que você é uma pobre coitada, que terá que sofrer a vida inteira. Esse é o problema.

Esqueça o outro, esqueça o mundo, esqueça as coisas e comece a se voltar para dentro e veja no seu interior o que está lhe causando a desarmonia. Neste caso, é não querer que o outro seja viciado. Mas, ele é, não tem jeito. Tem que aprender a conviver com ele do jeito que é.

Não estou falando de atos, mas de mundo interno. Interiormente tem que saber se harmonizar com o fato de na sua família haver alguém viciado em drogas.

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Ter depressão sem perder a paz

Participante: e, quando simplesmente vem o sofrimento, por exemplo uma crise depressiva sem nenhuma motivo aparente. Como ficar em paz dentro dessa dor?

Deixe lhe dizer algo. A depressão causa dor? Eu diria que não. Sabe o que causa dor? Não querer ter depressão.

Tendo este estado de espírito e se harmonizando com ela, você dirá: ‘estou depressiva? Estou. E daí? Estou chorando? Estou. E daí? Não queria ter depressão, mas tenho. E daí?’ Fazendo isso, você, mesmo em estado de depressão, não sentirá dor.

O problema não está na depressão, mesmo que aparentemente ela não tenha uma causa. É o que já falei antes: os inimigos está sempre escondido. Quem sofre por estar com uma depressão ou quem se contraria por estar em depressão é aquele que não queria estar, que acha melhor não tê-la, que quer controlar como está, que tem paixão por não estar e que deseja não estar. Compreendeu?

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Sapato apertado

Participante: como não acreditar nas sensações que a mente nos sugere? Hoje meu sapato machucava muito meu pé. Pensei nos seus ensinamentos e tentei imaginar que não era o corpo e que só sentia a dor porque tinha o desejo de não senti-la. Só que continuou doendo e eu continuei incomodada. Como é ter paz nestas situações?

Como você esperava obter a paz se estava trabalhando para não ter mais dor?

Esse é que é o problema. Você não trabalhou junto a sua mente para alcançar a paz, mas sim para não se sentir incomodada e para não ter mais dor. Melhor: trabalhou para ter uma dor sem sofrer. Não é disso que estou falando.

O que estou dizendo para ser feito é a busca da harmonização com o mundo interno, ou seja, se harmonizar com a própria dor. ‘Meu sapato está apertando, está doendo meu calo. Isso está acontecendo. Aqui não tenho outro sapato para colocar. Portanto, tenho que continuar usando este sapato e sentindo a dor’.

É o que já disse: a ação dos comandantes está sempre escondida. A ação deles neste caso é através da intenção de não sentir dor ou de sentir dor, sem sentir dor. Só que para você, naquele momento, isso era impossível.

Você só tinha aquele sapato disponível, porque estava na rua. Uma opção que seria possível era entrar numa loja e comprar outro sapato. Porque não fez isso? Isso acabaria com a dor.

‘Eu não tinha dinheiro’, você poderia me responder. Então, não tem jeito: o único caminho teria sido aprender a se harmonizar com a dor e não realizar qualquer trabalho que extinguisse a dor.

Deixe tonar algo bem claro: o trabalho do guerreiro da paz só traz paz, harmonia com a vida. Ele não muda a vida. Não muda de ‘a’ para ‘b’, ou de ‘c’ para ‘d’. Não se trata do desempregado arrumar um emprego ou de eliminar uma dor que está acontecendo. O trabalho se consiste em viver o que se tem e não em mudar o que está se vivendo.

Lembro que durante muito tempo falei assim: se a vida lhe der um limão... Ao ouvir isso as pessoas completavam: ‘faz uma limonada’. Durante muito tempo aceitei este complemento calado, mas um dia reagi. Eu disse: ‘para, não falei que a vida lhe deu água e açúcar. Disse que ela lhe deu apenas limão. Como você vai fazer uma limonada se não tem água e açúcar’?

Se a vida lhe dá só um limão, não como fazer limonada. Por isso, a única coisa que pode fazer quando isso acontecer é aprender a chupar um limão, com todo o seu gosto ruim, com toda a sua ardência, sem reclamar do gosto, sem fazer cara feia. Este é o trabalho do guerreiro da paz: ele aprende a chupar os limões que a vida lhe dá.

Guerreiro da paz - Textos - Livro I

Situação política do Brasil

Participante: o que você diz cabe perfeitamente nas questões recentes do cenário brasileiro, nas manifestações recentes contra a corrupção. Poderia fazer algum comentário à respeito? Como podemos conviver com a mente que insiste em criticar quem tem uma determinada e que propõe medo de alguns acontecimentos.

Quem tem medo de algum acontecimento futuro? Aquele que não quer o acontecimento, ou seja, que tem uma intencionalidade.

Como lidar com as desavenças que estão acontecendo neste momento? Sabendo que há desavenças, que elas não poderão deixar de existir e se harmonizar com elas. Ponto.

O problema não é haver desavenças, mas você querer que não aja. O problema querer um sistema político, outro presidente ou outro regime. O problema não é esse: é querer que qualquer um exista, é achar que o que existe agora está errado. Isso porque quando quer outro diferente ou acha que o que existe está errado, está desarmonizado com a realidade que vive.

Agora, com relação a isso, quero aproveitar a sua pergunta – e agradeço por ela – para dizer uma coisa. Harmonizo-me com todos os que acham que o governo atual é bom ou mal. Dou a cada um o direito de ter a sua opinião. Agora, por favor, depois não venham dizer que o que eu falo é muito bonito. Depois não venham falar de amar ou de busca de Deus e que estão colocando em prática os ensinamentos de qualquer mestre em prática.

Agir dessa forma é ser hipócrita. Até hoje nunca defendi nenhum ponto de vista de ninguém ou de qualquer assunto. Como, então, você pode dizer que está buscando colocar em prática o que ensino? Pior: ainda usam o que falo para defender um determinado ponto de vista.

Será que não dá para reparar que estão usando o amor universal como um instrumento do seu egoísmo? Aqueles que dizem que estão defendendo esta ou aquela posição por ser o melhor para o futuro, não veem que estão pensando apenas no seu próprio umbigo?

Sei que tem muita gente que vai se chocar com o que estou dizendo e pode até me abandonar. Isso não tem problema, mas não posso me silenciar frente às coisas que estão acontecendo. Tem muita gente acendendo uma vela para Deus e outra para o diabo.

Respeito a opinião de cada um, mas se você se diz buscador, se acha que é importante aprender a amar, ainda cai nesta armadilha da vida? Ainda é derrotado por este pequeno soldado dos seus inimigos? Sim, são derrotados pelo exército contrário à paz, porque essas situações todas que estão vivendo (inflação, desemprego, corrupção), nada mais é do que soldados usados pelo seu individualismo, pelo egoísmo.

É a esses que estão perdendo esta batalha que quero me dirigir. Não para criticá-los, mas para alertá-los. Vocês acham que estão fazendo algo maravilhoso, amoroso, do bem, mas não reparam que estão sendo conduzidos como bois para o matadouro. Não porque esse ou aquele regime será matador, não é isso que estou me referindo. Estão sendo conduzidos para o matadouro da paz, da felicidade, do amor e, consequentemente, da elevação espiritual.

É isso que quero dizer: o custo pela sua participação dentro da atual situação política do Brasil, seja de um lado ou do outro, é o afastamento de Deus, a perda da sua oportunidade de elevação espiritual.

Em nome do que vocês estão agindo? Em nome de uma satisfação pessoal, de um prazer? Em nome de conquistar mais benefícios? Me desculpe, mas não vi ninguém que recebesse benefícios deste governo e que falasse mal dele.

Já reparam nisso? Só os que não ganharam nada deste governo é que estão reclamando. Aqueles que ganharam, o estão apoiando. Agora, se será que estão reclamando porque o governo é ruim ou estão apoiando porque ele é bom? Claro que não. Os que estão reclamando estão agindo deste jeito porque não ganharam nada e os que estão apoiando fazem isso porque tiveram um lucro individual.

É essa reflexão que aquele que quer aprender a ser feliz, que quer ter paz, precisa fazer. Agora, se você escreve, fala, participa de manifestações e grita contra o governo, isso é vida, é ato. Por isso não posso lhe criticar pelo que faz. O que estou falando é do mundo interior. O que estou falando é sobre nutrir por dentro o sentimento de ódio, de rancor, de mágoa ou de satisfação.

Você não vê que a pior coisa que poderia lhe acontecer e que é muito pior do que a inflação, a corrupção ou o desemprego, está lhe acontecendo neste momento. O pior não é ter um governo um governo corrupto, que não ligue para a educação ou para a saúde, mas você perder a sua paz, a sua felicidade e por conta disso afastar-se de Deus.

Tudo o que hoje acusa o governo de não lhe dar, pode ser que amanhã, com este ou com outro governo, possa ter, mas a paz e a felicidade que perdeu neste momento, essa foi perdida definitiva, já que o momento presente não volta.

Este país já teve tudo o que vocês hoje reivindicam. Neste país já houve uma época onde o hospital público funcionava, já teve escola que ensinavam bem aos alunos. Em um passado não muito distante, estudar em escola pública era o sonho de todos. Isso mudou, mas isso aconteceu antes do atual governante assumir.

Portanto, tudo pode voltar, com este ou com outro governo, mas a paz que não viveu agora jamais será vivida, pois o agora vai embora para o passado e leva com ele a paz. O agora acaba e enquanto ele esteve presente você não viveu a paz. Em troca do que fez isso? De encher sua barriga, de ter um carro, de ter mais móveis ou eletrodomésticos em sua casa?

Parem e pensem: o que está acontecendo por aqueles que reclamam ou apoiam o governo é uma ação egoísta que se utiliza de um soldado do exército inimigo da paz, que é fundamentado em critérios de justiça e merecimento que atendem apenas o seu egoísmo e não o bem coletivo. Você não param para raciocinar e compreender que estão pensando apenas do seu eu e querendo que esse eu ganhe. Isso é egoísmo, é individualismo.

Se você não está interessado na paz, na felicidade e na vida depois da vida, não tenho nada contra viver isso. Agora, se está interessado pare e pense que não há governo que possa lhe trazer a paz. Isso porque o mesmo governo que estão querendo colocar no lugar desse que está, foi escorraçado há alguns anos atrás pelo mesmo motivo.

Portanto, lutem pela sua paz acima de qualquer coisa e deixem o mundo, aqueles que não estão preocupados com a paz se digladiarem entre si.

Obrigado mais uma vez, moça, por ter me dado esta oportunidade de abordar este tema. Aliás, já tinha falado sobre isso, mas parece que as paixões dominam as pessoas e elas esquecem o que já ouviram.

Guerreiro da paz - Textos - Livro I

Sobre a harmonia

Participante: quem causa a desarmonia? É a mente, como prova?

Não, quem causa desarmonia são os inimigos que falamos: o individualismo e os tenentes. São eles que causam a desarmonia. A mente é apenas o transporte da ação do inimigo.

A história do pensamento não causa desarmonia. O que vai causar é o seu individualismo. É ele que vai causar a desarmonia, pois você poderia ter o mesmo pensamento, mas se não cedesse ao individualismo, ou seja, se não cedesse a pensar à partir do eu e querendo que este eu sempre ganhe, não haveria desarmonia.

Participante: querer e desejar são coisas semelhantes?

Sim, são.

Participante: se afastar do que nos tira harmonia é errado?

Não é errado, mas vida. Sendo assim, você, por experiências de situações já vividas, sabe que ao se afastar de alguma coisa, logo aparece outra situação que lhe desarmoniza.

Portanto, afastar-se do que lhe causa desarmonia não é um outro que certamente lhe dará certeza de vitória. O único que pode garantir isso é a agir dentro de si mesmo. Quando fizer isso silenciando a ação dos inimigos da paz, sabe o que acontecerá, estará harmonizado, esteja onde estiver, vivendo a ação que estiver vivendo.

Participante: a desarmonia seria uma ferramenta para nos mostrar que a paz que tanto buscamos está relacionada ao estado espiritual?

A desarmonia só serve para lhe mostrar uma coisa: você não está amando a Deus acima de todas as coisas e nem ao próximo como a si mesmo. Amando a todos e a tudo, está em harmonia com qualquer coisa. Portanto, é um instrumento para lhe mostrar que apesar de dizer que ama, você não ama.

Já reparou nas pessoas que dizem que ensinam os outros a seres a ser, estar e fazer as coisas de alguma forma e dizem que agem desta forma por amor? Esses vivem em desarmonia, porque estão sempre tentando mudar o outro. Que amor é esse que provoca desarmonia? Que amor é esse que cobra alguma coisa dos outros? Que amor é esse que exige mudanças?

A desarmonia ou a perda da paz só lhe faz entender que apesar de dizer que está participando com amor, amando, está apenas sendo egoísta, individualista.

Participante: incesto na família causando desarmonia. Como lidar com isso usando as armas para adquirir a paz?

Libertando-se da ideia de que não pode haver incesto.

Houve, aconteceu? Aconteceu. O que você pode fazer? Já passou, aconteceu ou está acontecendo e você não pode fazer nada para evitar.

Desculpe, mas falei errado: você pode fazer alguma coisa sim. O que? Pode ir à polícia, pode denunciar os incestuosos, pode quebrar os dois de pancada, pode expulsá-los de casa, se morar sob a sua tutela, etc. Tudo isso você pode fazer, mas o que faz? Apenas sofre.

‘Ah, Joaquim, é meu parente, não posso denunciá-los’, você diria. Está certo, eles são seus parentes, mas não estão infringindo a lei e você não se diz justa? Então, tem que denunciá-los.

Repare: o problema nunca está no lado de fora, mas sim dentro de cada um. Sempre será você aprender a se harmonizar com o que ocorre do lado de fora e nunca ao contrário.

Participante: como podemos saber que estamos harmonizados se nem sabemos o que é isso, se tudo o que pensamos sobre harmonia são ideias que a mente cria.

Você está harmonizado quando não há contrariedade com o que está acontecendo no mundo. Quando não ache estranho uma pessoa decapitar outra, um político roubar, um hospital não curar ninguém.

A paz advém de estar em harmonia com os acontecimentos do mundo. Cada pergunta dessas que me fizeram sobre as coisas deste mundo, mostrou uma desarmonia. Não ache essas coisas erradas ou estranhas que conseguirá alcançar a harmonia com o mundo.

Quando me perguntaram sobre ter um drogado na família dando a conotação que isso acontecer é algo ruim, a pessoa que me questionou mostrou a sua desarmonia com a vida. Quando me perguntaram sobre o incesto na família, mostrou a desarmonia com a vida. Digo isso porque drogado e incestuoso sempre existiu e vai continuar existindo enquanto houver vida neste planeta.

Se não houvesse o radical islâmico, o político corrupto, o hospital que não atende com dignidade e presteza, o drogado e o incestuoso, como você poderia vencer o seu individualismo para poder conquistar a sua elevação?

Participante: muitas vezes procuro me harmonizar com as situações buscando sentir a presença de Deus na minha vida, mas muitas vezes me sinto distante dele, muito provavelmente por minha causa. O que fazer nessas situações?

A distância entre você e Deus existe quando se desarmoniza com Ele, com o tudo que existe.

É esta a distância entre você e Deus: a sua desarmonia com as coisas deste mundo. Quando está harmonizado com elas, está ao lado dele; quando não está, está longe.

Participante: é impressão minha ou a nossa desarmonia está se tornando mais frequente, ou seja, hoje em dia existem mais coisas que me fazem me desarmonizar do que no passado.

Veja a palestra intitulada 21 de dezembro de 2012. Nela falei exatamente disso: afirmei que a desarmonia iria aumentar.

Guerreiro da paz - Textos - Livro I

Sobre a paz

Participante: apertar o botão do controle remoto sem a expectativa que ele mude o canal da TV. Isso é automático? Como estar atento minuto a minuto para não cair nesta armadilha? É complicado.

Não, este trabalho não é automático. Ele não vai acontecer vinte e quatro horas por dia, pode até chegar a isso, mas no início não. Neste momento você precisa caminhar passo a passo.

Deve usar este trabalho nos momentos em que sente que perdeu a paz. Na hora que sente que desarmonizou-se com o mundo, pare e faça a reflexão. Pare e pense no que, dentro de você, causou a desarmonia e tente se libertar daquilo.

Então, pode ser que um dia alcance o piloto automático e coloque tudo o que estamos conversando em prática vinte e quatro horas por dia, mas, neste momento, o importante é você perceber que se desarmonizou e falar para si mesmo da sua disposição de viver em paz. Para isso, perceba dentro de si mesmo o que está causando a desarmonia para libertar-se daquilo.

Participante: vejo muitos casos de pessoas que se dizem apaixonada por outras e, por isso, não conseguem esquecê-las e nem relacionar-se com outras pessoas. Elas dizem que tentam esquecer as outras pessoas, mas não conseguem e vivem sempre presos à elas. O que pode ser feito para a libertação à prisão ao outro?

Saber que está sofrendo não porque a outra pessoa foi embora, mas porque queria que ela continuasse junto de si.

Mostrar a ela que amor vai e vem, que saudade dá e passa. Levar esta pessoa à viver, convidá-la para sair, para passear, para se divertir. Você me diria: ‘mas, é muito difícil conseguir fazer isso quando se está sofrendo’. Sim, é muito difícil, mas com certeza a vida será muito mais difícil enquanto esta pessoa estiver cedendo ao inimigo dela, o individualismo, que está lhe cegando. Que está lhe levando a achar que somente aquela determinada pessoa é importante, que pode leva-la à viver a felicidade.

Este é um tema que podermos tratar com mais profundidade ao longo deste estudo.

Participante: quando cedo aos meus inimigos, quero impor minha vontade aos outros. Estou amando egoisticamente. Por favor, explique mais.

Sim, quando você quer obrigar à sua mãe a arrumar do seu jeito a cozinha que é dela, está sendo egoísta.

Aí vem o que eu falei. São aqueles inimigos agindo dentro de um pensamento que é considerado como bom. Isso acontece porque eles floreiam os pensamentos. Você acredita que está pensando no que é melhor para ela: ‘se ela guardar o copo neste lugar, será melhor para ela’.

Veja, é no momento que você quer que ela guarde o copo num lugar e ela não guarda, que tem uma desarmonia que tem que parar e pensar dentro de si mesmo o que realmente está causando esta desarmonia, ao invés de ficar lutando contra o mundo externo para estabelecer a paz. Desculpe, mas até hoje tenha conseguido mudar o mundo externo para ter a sua paz. Conseguiram sim, dominação, mas como sempre, isso leva a uma revolta que fica no dominado e mais cedo ou mais tarde explodirá. Quando esta revolta explodir, você perderá a paz.

Portanto, mudar o mundo não é garantia de paz para ninguém.

Participante: essa batalha só pode ser realizada comigo mesmo ou pode ser feita pelos outros?

A batalha não é realizada contra você mesmo, mas contra o seu inimigo. É você contra o seu individualismo, sua posse, paixão e desejo, sua intencionalidade, contra suas quatro âncoras.

Estou dizendo que a batalha é contra si mesmo porque os seus inimigos estão dentro, mas não são você. Eles são coisas que estão dentro, no seu íntimo, mas não são você. Reconhecer isso, é o primeiro passo para se libertar.

Achando que você é individualista, que tem que pensar à partir do eu e para favorecer este eu, não conseguirá vencer nada. Por isso, o primeiro passo é dizer a si mesmo que existe algo no seu íntimo que gera pensamentos e lhe faz ser individualista, querer ter posses, paixões e desejos. É contra esse outro algo que tem que lutar; não contra você.

O problema para realizar este trabalho é que vocês imaginam que pensam, mas os pensamentos lhe são dados. Por isso, é preciso saber que aquilo que é conscientizado não foi gerado por você mesmo, mas lhe foi dado por alguma coisa. Esta alguma coisa são os seus inimigos internos contra os quais precisa lutar. Aliás, isso está de acordo com algo que sempre disse: a mente não é egoísta. Ela propõe egoísmo e você se torna um quando aceita o que ela propõe.

Portanto, não lute contra você mesmo, mas contra esse algo que está no seu íntimo, mas que não é você.

Participante: querer obter a paz não é egoísmo?

Querer obter a paz é egoísmo. Quando? Quando a paz alcançada causa desarmonia ao outro.

O egoísmo se caracteriza pelo desequilíbrio. Quando você quer ter a paz, mas não leva esse ensejo para a vida, ou seja, não afeta outros com a sua paz, que dano causou? Nenhum. Não havendo dano ao outro, não desavença, não há desarmonia.

Então, sim, a busca da paz pode ser classificada como um ato egoísta, mas diria que é um egoísmo do bem, vamos dizer assim.

Participante: como lidar com as diferenças na vida permanecendo em paz?

Sabendo que tudo nesta vida é diferente entre si. Respeitando as diferenças. Dando a cada um o direito de ser, estar e fazer o que quiser. É assim que se lida com as diferenças.

Dentro do mundo humano, vocês estão vivendo um processo forte de acabar com o preconceito com relação à cor da pele, contra a opção sexual de cada um. Como está sendo feita esta luta? Com respeito às diferenças entre as pessoas.

Para acabar com o preconceito contra os que são diferentes, é preciso que cada um tenha a sua própria opção, mas que respeite a opção do outro. É preciso que aqueles que gostam de ter relações sexuais com pessoas do sexo diferente tenham respeito por aqueles que gostam de ter com as pessoas do mesmo sexo. É assim que se lida com as diferenças.

Mas, para poder lutar eficazmente contra as diferenças, é preciso entender que as opiniões que tem sobre o assunto não são suas. As ideias sobre as diferenças que aparecem no seu íntimo, são os soldados que os inimigos da paz usam.

Gostando do amarelo, tenha a certeza que não é você que tem este gosto. Essa ideia é apenas um soldado que é usado pelo alto comando dos inimigos da paz. Esta separação é imprescindível, pois enquanto imaginar que é você que gosta, defenderá este ponto de vista e não atacará o seu preconceito.

É assim que se vence as diferenças entre as pessoas.

Participante: a minha dificuldade é que ao deixar de ter verdades e crenças, vou viver as daqueles com quem estou. Não me vem agora nenhum evento para servir de exemplo, mas esta situação tem sido uma constante na minha vida quando estou com outras pessoas. Hoje vou vivendo uma vida tentando estar com as pessoas por conta disso. Poderia falar algo sobre isso?

Posso.

Já falei muito de verdades e sempre disse que é preciso libertar-se delas. Nunca disse que não deve tê-las. Você deve se libertar à força de verdade que é dada às declarações geradas pela mente. Esse é o primeiro ponto.

Segundo: ter verdades não é problema algum para o guerreiro da paz. Isso porque a verdade surge na mente. Não é você que cria ou tem, ela surge na sua mente. Por isso, ter verdade não é problema algum. O problema é querer que os outros tenham a sua verdade.

O problema é querer que o outro abandone a verdade dele e aceite a sua. Esse é o problema, porque nesta forma de proceder está presente o individualismo, a posse, a intenção, a paixão, e com tudo isso presente, você perde a paz.

Portanto, se tem verdades, continue com elas, caminhe com elas, mas retire delas a ação dos inimigos da paz. Fazendo isso, você será uma pessoa com verdades, mas em paz.

Participante: se a própria mente é o exército contrário à paz, quem age pela paz?

Eu não disse que a mente é o exército inimigo da paz. Ela é gerada com essências dos inimigos.

Não é o pensamento – falo assim porque sempre digo que a mente é o próprio pensamento, já que não há uma mente que pense – que é individualista. Ele contém o individualismo embutido nas ideias que expões. Todo pensamento tem uma intencionalidade individualista embutida.

Portanto, a luta pela paz não tem nada a ver com mente, com raciocínio, mas sim com a libertação da intencionalidade individualista que está embutida nas ideias apresentadas pelos pensamentos. Isso porque quando se liberta desta intenção, você tem um pensamento que traz esta intencionalidade embutida, mas você não a usa, porque o pensamento não mais lhe comanda.

É a mesma história que tenho falado sobre egoísmo: a mente não é egoísta, mas propõe egoísmo através de um pensamento e você aceita o egoísmo e o pensamento, a história da ideia. Neste momento, você se torna egoísta e perde a paz.

Por isso, volto a falar: o problema não é o que é pensado, criado, mas sim o individualismo que está embutido junto com o que é criado. Tirando o individualismo, a posse, as paixões e os desejos do que é pensado, sobra apenas o pensamento e ele sem estes elementos não têm força alguma.

Participante: diante do exército inimigo da paz, quais as armas que podemos usar contra eles?

Será isso que estudaremos durante todo esse tempo. Através de cada soldado falaremos das armas para combater.

O guerreiro da paz não tem uma única arma, mas milhares. Praticamente ele tem uma arma para cada soldado que enfrenta.

Participante: nós seres humanos sempre aprendemos a ganhar desde pequeno. Sempre foi essa a nossa educação. É necessário nos reeducarmos?

Em O Livro dos Espíritos, tem uma pergunta sobre infância, muito interessante. Kardec pergunta se em outros mundos existe infância. O Espírito da Verdade responde que sim, mas só que os infantes dos outros mundos não são tão obtusos quanto os da Terra.

Quando comentei essa afirmação, acho que é a pergunta 184, disse que estava se falando de obtuso no sentido da elevação espiritual, no sentido de amar o próximo como a si mesmo, de amar a Deus acima de todas as coisas. É neste sentido que a criança humana pode ser considerada obtusa, porque no resto, não é.

Uma criança de quatro anos neste planeta, já é uma mãe. Ela brinca de casinha com suas bonecas coo se fosse mãe. Já possui responsabilidades de adultos como educar e fazer comida para as suas bonecas. Isso prova que elas não são obtusas.

Agora, isso vocês humanos sabem ensinar às crianças, mas tirá-la da obtusidade espiritual, ou seja, inclui-la em assuntos como amor ao próximo como a si mesmo e a Deus acima de todas as coisas, vocês não fazem. Arrumam a menina e o menino como adultos para irem passear no shopping, mas não arrumam eles interiormente para enfrenta a vida. Para enfrenta a desarmonia que certamente acontecerá ao longo da vida. É por isso que há muito tempo venho propondo uma faculdade de vida.

Essa faculdade tem algumas cadeiras muito importantes. Por exemplo: o aprendizado de perder sem desarmonia. Outras? Ensinar a ter o desprazer, a viver a infâmia e a crítica, sem que isso provoque desarmonia. Enfim, ensinar ao ser humano a libertar-se do seu individualismo que quer sempre ganhar.

Voltando ao que você afirmou na pergunta, digo que vocês foram criados da forma que foram, porque este é o nível evolutivo do planeta. Só que agora está na hora de fazer a sua reforma íntima, a sua mudança interior. Isso acontece em um aspecto: passar a aprender a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Quando aprender a não ter mais desarmonia com o mundo, você estará praticando estes dois aspectos, pode ter certeza.

Participante: todo ensinamento tem que ser praticado. Devemos dar atenção ao que nos dá prazer e não no que nos dá dor?

Você deve ter atenção no que lhe dá prazer e no que lhe dá dor. Deve ter atenção a tudo. Agora, atenção como? Esse é que é o problema.

Deve ter atenção no seu prazer para descobrir o quanto ele lhe desarmoniza com o mundo. Digo isso, porque para que você tenha prazer, alguém está sofrendo. Não existe alguém que tenha tido um prazer sem que outra pessoa tenha sofrido dentro do mesmo processo. Tudo que acontece neste mundo, ocorre de uma forma dual. Por isso quando alguém está num lado da moeda, há sempre alguém vivendo o outro lado. É isso que você precisa pensar.

Por isso lhe digo: tenha atenção no seu prazer, mas veja que ele está causando uma desarmonia. Aí lute para não se deixar levar pelo prazer, pois assim se harmonizará com o não ter.

Participante: como estar atento para não se deixar surpreender pelos inimigos da paz?

Praticando o que já falei. Cada vez que tiver uma contrariedade, saiba que foi atingido por um inimigo.

Comece o trabalho prestando atenção a esta questão nos momentos de contrariedade que conseguirá fazer alguma coisa.

Participante: a técnica básica da busca da felicidade é dizer à mente que não sabe de nada, ou seja, não acreditando nas histórias propostas. Agora parece que a busca da paz é um pouco diferente. Parece que agora o não sei não se aplica muito bem, ou seja, temos que investigar, perguntar, para saber onde estão os soldados, tenentes e o general que estão nos tirando a paz, achar a raiz do problema. Existe mesmo esta diferença entre a busca da paz e da felicidade, ou entendi errado?

Existe e por isso disse que a paz parece com a felicidade, mas não é.

Encontrar a paz é cum caminho para se viver a felicidade. Isso porque o caminho da paz leva o ser a aprender a viver com harmonia e quando isso é alcançado, a soma deste fator mais a paz leva à felicidade.

Portanto, a felicidade não depende somente de dizer não sei, mas também de se libertar da influência que está junto do pensamento. Aí consegue a paz. Com ela vem a harmonia e aí pode dizer não sei.

Hoje o não sei que vocês usam ainda contém um saber alguma coisa. Por isso estamos completando com este estudo.

Participante: percebo esse algo que me faz querer ganhar. Como combate-lo?

Praticando tudo isso que estamos conversando. Se quiser casos específicos, é só pedir que a partir da próxima semana começaremos a conversar a partir da próxima conversa.

Só mais um detalhe: por favor, sejam mais específicos ao propor os temas. É preciso reconhecer a verdadeira desarmonia. Por exemplo, alguém me pediu para falar sobre problemas com familiares. Desculpe, mas existem milhares de problemas com familiares, diversos tipos, ou seja, diversos soldados que se encaixam neste tema.

É preciso, na hora que pedir para abordar um tema, ser muito específico para que possamos identificar o soldado e após isso falarmos da arma para podermos ataca-lo.

Participante: é possível lutar por outros?

Jamais. Se a paz é algo íntimo, só existe dentro de cada um, você só pode lutar pela sua. Quem quer lutar pela paz do outro, perderá a sua paz, pois entrará em desarmonia quando o outro não estiver em paz.

Aliás, só o fato de achar que o outro não está em harmonia, já se caracteriza numa desarmonia sua.

Participante: exemplo prático: um pessoa entende que você falou com grosseria, mas quem falou não teve esta intenção. Acontece que esta pessoa para de falar com você. Neste caso, simplesmente não liga pelo outro sumir ou tenta uma conversa?

Repare que está falando de atos, ações. Meu problema não é se você vai voltar a procurar esta pessoa ou não, mas sim como vive o fato dela não lhe procurar.

Como está vivendo isso? Está harmonizado com esta situação, está achando ruim, queria que ela falasse, quer mudar a situação? É nestas intencionalidades que estão o problema e não no conversar ou não com ela.

Falar ou não falar é vida e por isso acontecerá como acontecer. Por isso, não se preocupe com estas coisas. Volte para dentro, esqueça o outro. Veja como você está vivenciando o fato do outro falar ou não.

Participante: viver em paz quer dizer viver indiferente com relação às coisas?

Viver em paz é viver em harmonia com as coisas. Se chama esta harmonia como indiferença, essa é a sua forma individual de se referir à ela. Agora, se acha que é estar indiferente, ainda terá uma situação certa, ser indiferente, e com isso não conseguirá harmonizar quando não for indiferente.

Então, cuidado, estar em paz é estar harmonizado com a sua indiferença ou estar harmonizado quando não for indiferente.

Participante: acho que o suposto mal que nos fazem pode nos auxiliar no sentido de não querer repetir com o outro o que nos fizeram, já que entendi que aquilo pode causar dor. Isso é individualismo?

Não, não seria individualismo, pois está pensando no outro. Agora, será que você tem esse pensamento? Será que se preocupa com a dor que pode causar ao outro quando alguém faz você sentir dor? Mais: será que terá esta mesma preocupação com todos, inclusive com aqueles que não gosta?

Desculpa, mas não. A primeira coisa que você se preocupa é em acusar, em criticar, ou em colocar em prática apenas com quem você tem carinho. Aí está egoísmo. Além disso, só por você dizer que alguém lhe fez sentir dor, já está sendo egoísta.

O que você falou parece um ato sublime, mas o que não vê é que por trás deste pensamento não vê que a sua mente está escondendo o egoísmo, o individualismo, um desejo, um querer para o outro, que na verdade é um amor a si mesmo. Sabe porquê? Se não fizer ao outro o mesmo que lhe fizeram, a sua mente vai dizer que você é boazinha. Apareceu a vitória, pois acabou de ser elogiado por si mesmo.

Então, esqueça, olhe apenas para o que a sua mente está falando. Repare apenas no que é dito pelo pensamento e liberte-se de ter aquilo que ele está propondo, pois seja o que for, terá a intencionalidade de alcançar um ganho individual.

 Participante: os inimigos da paz atuam somente quando você está vivendo uma encarnação ou também após o desencarne?

Os inimigos da paz comandados pelo individualismo existe enquanto houver um mundo de provas e expiações.

Por que? Porque esse mundo existe para vencer o individualismo.

Participante: mas, você não respondeu minha pergunta.

Quando o espírito que está vivendo neste plano de encarnações desencarnar acabará o mundo de provas e expiações? Não. Isso só acabará quando este ser conseguir a elevação.

Sendo assim, continua existindo.

Participante: como lidar emocionalmente com a ação dos radicais islâmicos que praticam coisas como decapitação daqueles que não seguem a sua religião, ou pelo menos que não seguem a suas ideias, já que os valores essenciais do islamismo foram distorcidos.

Os valores essências do islamismo foram distorcidos por estes radicais? Não sei. Você sabe? Por causa disso vai sofrer.

Como lidar com eles? Sabendo que eles são assim, que você não pode fazer nada. Melhor, pode sim: se engaje num exército que luta contra eles. Vá lutar no campo de batalha, vá colocar seu corpo no campo de batalha.

Vai fazer isso? Claro que não. No entanto, quer falar contra eles, fazer discursos contrários. Em que o seu discurso vai servir para acabar com estes atos? Em nada. A sua fala contra eles só serve para uma pessoa: você mesmo. Só serve para que os outros lhe elogie, diga que você é uma pessoa engajada na luta pelo bem. Ou seja, só serve para sustentar o seu individualismo.

O que não vê é que você está preso à ideia de que eles precisam deixar de ser como são, mas nenhum discurso de quem quer que seja no mundo inteiro será incapaz de mudar o que eles pensam ou fazem. Aliás, muitos que estão engajados neste radicalismo são seres missionários para gerar a prova dos espíritos encarnados neste planeta.

Participante: dá para dar uma aula sobre hospital espiritual aqui na Terra?

Não. Por que? Porque não existe hospital espiritual aqui na Terra que vocês conheçam que não seja movido pela intencionalidade de curar. Portanto, são hospitais onde o individualismo é muito grande.

Participante: se a minha paz e harmonia incomoda outra pessoa, devo ficar indiferente. Sendo mais específico. Minha harmonia frente aos problemas do dia a dia incomoda pessoas próximas a mim que passam a me julgar como irresponsável e diferente.

Qual a sua contrariedade? Querer que pessoas próximas a você não fossem do jeito que são. Qual a sua desarmonia? Querer que elas fossem diferentes.

Se você diz que busca a harmonia, veja que neste caso específico ainda não está harmonizado. Você, ao invés de se preocupar com a forma como elas recebem a sua vivência, deveria harmonizar-se com elas, ou seja, não querer nem se preocupar com que elas sejam diferentes.

Se a sua harmonia faz com que outras pessoas se desarmonizem, eu preciso me harmonizar com isso. Deixe elas se desarmonizarem-se e nem se preocupe com isso.

Portanto, repare que a sua aparente harmonia ainda contém uma desarmonia: o querer que os outros não se desarmonizem com ela.

Participante: já que concorda que existe uma diferença entre a técnica da busca da felicidade e da paz, será que o que vou propor agora é um bom caminho? Exemplo: começo a perguntar a minha o que gerou aquele conflito que tirou minha paz. Vamos supor que a mente chegou à conclusão que foi uma determinada paixão. Minha mente jura que o problema de ter me desarmonizado foi esse, ou seja, encontrei os malditos militares. A partir de agora tenho que me desapegar dessa ideia de tê-los encontrado?

Não, não tem que se desapegar da ideia de ter encontrado eles. Tem que se desapegar da ação deles.

Participante: Aí não entraria, então, a fala ‘não sei mente’. Você está me propondo que o motivo de eu ter perdido minha paz foi por causa disso, mas eu não sei se isso é real.

Não. Não misture os dois trabalhos.

Liberte-se da desarmonia. Qual é ela? É achar que o mulçumano decapitar o outro está errado. Liberte-se dessa desarmonia, ou seja, desse errado. Decapitar alguém não é certo nem errado. É não sei.

O não sei que já indiquei como caminho para a felicidade anteriormente não deve ser dito ao que é pensado, mas para o soldado que o pensamento está trazendo. Não sei se é certo ou errado; não é não sei se eles fazem isso ou não.

Você sabe que eles decapitam as pessoas. Você viu o filme. Disso não pode duvidar. Agora, precisa não saber se aquele acontecimento é certo ou errado, bonito ou feio, bom ou mal. É esse o trabalho.

O trabalho não é não saber se eles fizeram ou não alguma coisa. Nunca disse que era para mudar a mente.

Participante: esses soldados também são usados para a desconstrução do velho mundo, ou seja, ainda assim eles têm uma função?

Sim, muito do que você descontrói do velho mundo aqui, o mesmo mundo é novamente construído ali na frente. Isso porque o seu mundo sempre está sob a influência do general e dos tenentes do exército inimigo da paz.

Participante: infelizmente esquecemos a fé em Deus e na estrita justiça divina, que são armas poderosas para nossa paz e harmonia interna. Você poderia comentar esse nosso esquecimento?

Posso, não é você que esquece, mas a sua mente que não lhe lembra. Você, como não é lembrado e só exerce a fé quando é lembrado, e, neste caso, não é a verdadeira fé, acaba adquirindo o que o alto comando propõe.

Participante: uma coisa que me faz perder a paz é quando combino algo com alguém ou um grupo de pessoas e a seguir acontece de se abandonar a combinação. A pessoa que faz isso simplesmente dá uma de desentendida, de ignorância com relação a tudo que tínhamos acertado. No fim das contas, o que pega mesmo é a pessoa se fingir de besta com fatos que acontecem no serviço. Pode comentar?

Pois é, isso lhe desarmoniza, mas faz parte da vida. Portanto, não está desarmonizado com isso especificamente, mas com a vida como um todo.

O que precisa é saber que existe gente que marca e depois desmarca e que se faz de desentendida com relação a isso. Isso faz parte da vida, do mundo. Isso é realidade. Você não é o único que passa por esta situação.

Porque alguns que também vivem isso e se harmonizam, ou melhor, essas coisas não afetam tão profundamente, e você não consegue, se desarmoniza sempre? Porque você quer que os outros cumpram as suas palavras. Em linguagem que estamos usando neste estudo, repare que ainda quer ditar o que eles têm que fazer. Você está sendo um déspota, alguém que quer comandar a vida.

É esse o trabalho: buscar dentro de você o que lhe faz cobrar dos outros. O que não vê é que quando cobra dos outros que mantenham o que foi compromissado, não lembra que também está esquecendo o que se comprometeu: o amor a todos e a tudo.

 Participante: se estiver errado, gostaria da sua correção. Em todos os ensinamentos seus que tive acesso, o senhor nos fala simplesmente em amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Se nos universalizarmos veremos a vida inteira como uma teia e em cada acontecimento um ponto dessa teia. Tudo funcionando como um relógio que não atrasa e nem adianta. Nesta teia não há pontas soltas e nossa dificuldade está em encontrar estas pontas.

O problema é exatamente esse. A vida é do jeito que você descreveu, mas como vocês não veem ela dessa forma, vivem em desarmonia.

Tudo é harmonizado no universo. Tudo está na perfeita ordem. O mulçumano não decapitou ninguém que não precisava e merecia essa morte. Quem faz o incesto em família, não o fez com ninguém que precisava e merecia esse ato.

A desarmonia que vivem é exatamente porque não veem o universo organizado, harmonizado, dentro da lei da justiça de Deus, a Causa Primária de todas as coisas.

Participante: uma vez ouvi do senhor que a prática dos ensinamentos não permitirá o fim do sofrimento por causa das vicissitudes. Se fosse possível, gostaria de ouvir do senhor como passar por este sofrimento com maior dignidade.

Diga a si mesmo: ‘estou sofrendo, e daí? O que posso fazer? Chorar, me descabelar, fazer pirraça? De que vai adiantar isso? Eu tenho que passar por isso de qualquer maneira. Pelo menos vou passar com dignidade’. Só isso.

Participante: provar que amamos a Deus acima de todas as coisas; explique isso, por gentileza.

Quem ama Deus acima de todas as coisas ama tudo, pois Deus é tudo e tudo é Ele. Quando você ama as coisas dependendo do que você quer, entre em desarmonia com o mundo, que é o próprio Deus. Como pode amar, se está desarmonizado.

Portanto, a harmonia com a vida, com o mundo, é a prova de que está amando a Deus.

Participante: se alcançasse a paz por não achar certo ou errado o que acontece, não estaria sendo omissa? Devemos sempre nos omitir?

Não, não deve se omitir. Ao contrário, deve ter sempre uma posição sobre as coisas: a de harmonia com o que está acontecendo, pouco importando se você gosta ou acha certo. Para isso é preciso abandonar o que acha certo e errado.

Certo e errado são soldados que vamos estar falando neste trabalho.

Participante: abandonei tantos rótulos, mas eles ainda rondam a minha vida me perturbando.

Porque na verdade não abandonou nenhum: trocou por outros.

Na verdade, ainda hoje você vive a vida a partir de rótulos. Por exemplo, se abanou o rótulo de que é bonito rezar, entrou numa de que não é preciso rezar. Com isso criou um novo rótulo para a oração.

A harmonia não está no rezar ou não, mas em harmonizar-se com a sua reza, quando ela acontecer, e com a não reza, quando esse for o seu agora.

Participante: no fim das contas, qual a diferença entre sofrer sem sofrer e sofrer se descabelando? De qualquer maneira não estaremos sofrendo?

Não, o sofrer se descabelando tem embutido em si uma intencionalidade: a de não sofrer.

Sempre que há uma intencionalidade, há um individualismo, um egoísmo, uma vontade individual. Por causa desta intencionalidade há um afastamento de Deus. Por isso não há evolução espiritual.

Quando você se harmoniza com as coisas ou diz que está sofrendo mesmo, mas que se dane o mundo, está em harmonia com a vontade universal. Neste caso, não é individualista e por isso pode ser considerada perto de Deus.

Participante: como poderia estar certo decapitar outro ser humano? Um dos mandamentos não é não matarás?

Sim, mas Cristo veio não para mudar a lei, mas para dar a ela um novo sentido. Este sentido é o amar. Portanto, a lei existe e diz que não deve se matar, mas Cristo complementou com um novo sentido o que nos leva a amar aquele que ama.

Este é o ensinamento de Cristo. O problema é que há os que servem a lei ao pé da letra e acabam não seguindo o mandamento de Cristo. Digo isso porque amam quem não mata, mas não amam quem matam. Quando vivem assim, quebraram o primeiro e o maior mandamento ao qual devem se entregar de corpo, alma e espírito, segundo o mestre.

 Participante: se a mediunidade não traz a elevação nem a paz, devemos exercê-la mesmo assim?

Quem disse que a mediunidade não traz a elevação nem a paz? O que acaba com a sua paz e a elevação é o desejo de ter ou não atividade mediúnica e não ela própria.

Por isso não sei se você deve exercê-la ou não. Se achar que deve, quando não tiver, se desarmonizará; quando fizer, estará desarmonizado também, porque estará em glória individual. Portanto, mesmo achando que a mediunidade não traz, faça, quando fizer a atividade. Harmonize-se com a mediunidade que tem quando usá-la e da mesma forma harmonize-se com ela quando não usar.

Por isso afirmo que não sou eu que devo responder se deve utilizá-la ou não. Só digo que sim ou não, sofrerá e perderá a paz em algum momento.