Guerreiros da paz - textos - livro IV
MOBIPDF

Guerreiros da paz - textos - livro IV

Transcrição dos áudios do estudo Guerreiros da paz

Guerreiros da paz - textos - livro IV

Caminhando na corda bamba

Este tema também é muito importante.

O que é ter uma expectativa sobre alguma coisa? É ter uma esperança. Quem tem expectativa sobre algo está gerando uma esperança de que algo aconteça do jeito que quer. Aí me desculpem, mas acho que estão cansados de saber que a vida não é governada pelas suas expectativas. Não é governada pelas suas certezas, que dirá pelas expectativas.

A vida corre frouxa, solta, ou seja, a vida vive a vida. Ela cria as coisas de uma forma que não é presa a expectativa de ninguém. Nem poderia ser diferente.

Me lembro de uma vez que estávamos numa conversa que todos ficaram estupefatos. Eles ficaram incrédulos com relação ao que eu estava falando. Só que isso é real. O que disse foi: para alguém ganhar alguma coisa, alguém perdeu algo.

Não tem jeito, não tem como fazer todos ganharem, porque todos são seres humanos diferentes entre si e por isso possuem paixões, posses e desejos diferentes. Se a vida existisse apenas para suprir as expectativas de vocês, estaria sido injusta, porque não estaria dando a outros a oportunidade de receber.

Ter expectativas é gerar uma esperança, um desejo que pode não ser correspondido. Se não for, você sofre, perde a paz, acusa alguém ou alguma coisa de ser o responsável por não ter conseguido o que esperava.

Portanto, a expectativa por alguma coisa – e coloco neste grupo a esperança, porque é a mesma coisa – é uma das armas ou soldadinhos que são usados pelo individualismo, pela posse, pela paixão, pelo desejo e pelas quatro âncoras para que perca a sua paz.

Quem vive esperando alguma coisa está sempre caminhando numa corda bamba, prestes a cair, a sofrer. Este é o primeiro aspecto que queria abordar a respeito de expectativa.

Guerreiros da paz - textos - livro IV

Justiça, merecimento, direito

Só que a mente para que caia na dela, ou seja, para que viva a expectativa, usa de alguns argumentos que nós precisamos conversar.

Que argumentos são esses? É justo que o que espera aconteça. Você tem o direito de receber tal coisa. Você merece para receber tal coisa. Esses são três argumentos que a mente cria para que aceite as expectativas que ela cria. Não são realidades. Vamos tentar analisar uma por uma.

O que é ser justo? O que é ser justo você receber algo? É uma análise que a sua mente faz de determinada situação. Só que a ela, como eu disse, é egoísta por natureza. Sendo assim, nunca irá aplicar uma justiça que seja verdadeiramente justa. Tudo que ela for trabalhar para descobrir justiça e injustiça será falso, porque estará guiado pela intencionalidade de ganhar individualmente.

Agora pergunto uma coisa: quem governa este mundo? Deus. Qual um dos seus atributos? Ser a Justiça. Deus não é justo, não analisa e aplica a justiça. Ele é a própria justiça, ou seja tudo que Ele faz é justo.

Sendo assim se você cria uma expectativa e não consegue alcançar o que esperava, era justo que isso acontecesse. Se merecesse, com certeza Deus lhe daria.

Já que falamos em merecer, quem sabe o que cada um merece? Deus. Só Ele sabe, pois dá a cada um segundo suas obras, ou seja, o que merece. Por isso, se não conquistou, não mereceu. Porque a Justiça Suprema analisou que você não merecia receber.

Esses são argumentos que o espiritualista, aquele que guerreia pela sua paz, pois vive para o ser, usa para escapar das armas que a intencionalidade, a posse, a paixão, o desejo e as quatro âncoras lançam através do pensamento. Ele diz: ‘eu posso até achar justo receber algo, mas se não recebi é porque a Justiça que não era justo nem merecido. Que o justo era o outro ganhar e não eu’.

Essa deveria ser a reação daquele que conhece a máxima do dar de acordo com suas obras, mas não é isso que acontece. Sempre que a Justiça encontra outro merecedor que não você, existe o sofrimento. Porque isso? Por causa de algo que já falamos: o desejo de saber.

Sempre que não é você o premiado com a sorte, vocês querem saber porque não foi o escolhido, porque a Justiça lhe premiou com o que recebeu. Isso só leva ao sofrimento, pois além de não se conseguir respostas, a mente aproveita desta brecha e cria conjecturas. Nelas acaba denegrindo a imagem do outro ou falando mal de alguém.

Saibam que no universo ninguém questiona Deus. Sabem porquê? Porque se tem fé Nele. Se tem confiança no Pai. Quando você aceita o desejo de ganhar, a expectativa de merecer receber e a crítica por não ter ganho, demonstra a sua falta de confiança Nele, a sua falta de fé.

Guerreiros da paz - textos - livro IV

Viver em paz

É o que já foi falado hoje: o que importa é onde está o norte da sua vida. Aquele que vive para o que era antes de ser não se preocupa em ganhar nesta vida. Por isso não cria expectativa nenhuma, porque sabe que tê-la acionará o desejo de ganhar. Ele se entrega à vida: ‘eu queria que isso acontecesse, mas se acontecer, bom, se não acontecer, bom também’.

Quem tem expectativas não consegue viver assim. Está sempre ansioso esperando receber aquilo que sonha. Será que alguém que tem ansiedade em receber alguma coisa consegue manter a paz durante a espera?

‘Eu vou ter uma casa própria, Deus vai me ajudar’. ‘Amanhã eu vou acordar bem cedo e fazer determinada coisa’. ‘Vou a casa de Fulano e tenho a certeza de que ele estará lá me esperando’. Esses pensamentos são ter expectativas.

‘Vou sair de viagem amanhã à tal hora, quando for x horas estarei em tal lugar e chego ao destino no final da tarde’. Quem nunca desenvolveu este simples pensamento? Acha que isso não tem nada demais, mas tem: gera expectativa. Quantas coisas podem acontecer ao longo desta viagem que pode lhe atrasar. Se isso acontecer, o que vem? A frustração. Ela é a filha da expectativa não alcançada.

Portanto, é preciso trabalhar em si muito a questão da expectativa porque ela é uma geradora de perda de paz. Como disse, ela às vezes aparece através de pensamentos simples, que parecem não trazer nenhuma ameaça à paz, mas não é bem assim que acontece, como vimos.

Ter expectativa é trabalhar pela perda da paz. Aceitar a expectativa que a vida cria para as coisas mais simples ou complexas é colocar a sua paz em segundo plano.

Só peço que se atentam para um detalhe. Não estou falando de evolução espiritual, de buscar o divino, mas em alcançar aquilo que vocês dizem sonhar: viver em paz. Para isso é preciso combater as expectativas que a mente gera, pois se não fizer isso, a angústia, ansiedade, preocupação é outras emoções que vocês conhecem tomam o lugar da paz.

Guerreiros da paz - textos - livro IV

Expectativas com o mundo espiritual

Participante: tenho a expectativa de ao final desta encarnação acordar no mundo espiritual me sentindo bem por saber que a missão foi cumprida. Isso é mais uma expectativa humana?

Sim.

Você ainda está projetando um destino e esperando que ele aconteça. No entanto, não pode ter certeza alguma do que acontecerá. Não sabe como é o mundo espiritual? Como já disse, tem muitos que buscam a reforma íntima para evoluírem e se chegarem ao seu destino podem não gostar do que encontrarão.

Por isso não crie expectativa. Até porque, em que ela influencia no seu destino? Em nada. Faça o seu melhor agora e deixe a hora da colheita para quando ela chegar.

Estou falando de fé: de entrega com confiança em alguma coisa. Quem tem fé no seu trabalho se entrega a ele com confiança e por isso não gera expectativas com relação ao futuro. A expectativa que você está me falando é a mesma daqueles que doam cestas básicas para os carentes para poder ter o seu terreninho reservado no céu.

Não importa o que seja, se há a projeção de algo para a outra vida, ainda se está preso ao egoísmo, ao individualismo. Deixe-me lhe dizer algo: a outra vida não é melhor nem pior do que essa. Ela é diferente. O atributo melhor ou pior das coisas é você quem determina. Portanto, se chegar lá e achar melhor, será, se achar pior, também será.

Se o futuro depende só de você, para que ter expectativas? Declare desde já que ela será melhor que com certeza viverá isso.

Participante: vivemos tentando fazer a elevação espiritual para termos acesso a um mundo melhor. Jesus, que já estava elevado, veio para o nosso mundo. Então, esta expectativa que temos é balela. Temos que viver e ponto. Sem expectativas de nada.

Perfeito. Mesmo a expectativa que a outra vida seja melhor do que essa pode existir.

Já falei diversas vezes que quem está apegado a coisas deste mundo (a natureza, uma bebida, uma música, etc.) sofre quando chega no mundo espiritual, pois lá não tem nada disso. Por isso, quando há a expectativa de uma vida melhor no outro mundo é porque se coloca nela tudo o que se gosta daqui, principalmente as coisas que não consegue ter aqui.

Já repararam que pessoas querem morrer para poder encontrar a paz? Porque têm esta esperança? Porque não a possuem aqui. Mas, encontra-la lá, neste caso, é impossível. Se como determinamos no início deste trabalho a paz é o resultado do trabalho por ela, não trabalhando aqui, não a encontrará lá.

De nada adianta ter esperanças de encontrar algo melhor no outro mundo. Como já disse, o motor que move a existência eterna, encarnado ou não, é o carma. Por isso, quem ainda não aprendeu a viver o que tem aqui hoje como o melhor para si mesmo, dificilmente encontrará o melhor lá.

Participante: então lá não é melhor?

Não. É diferente daqui. Não é bom porque não contém aquilo que você espera encontrar, aquilo pelo qual anseia.

Poderá ser bom para você quando estiver adaptado ao que lá existe, mas isso só acontecerá depois da frustração de não encontrar o que esperava. Além do mais, se a boa vida depende da adaptação ao que se tem, esta também pode: basta aprender a conviver com a existência humana como ela se apresenta.

Participante: desde que nasci sinto que vim para uma missão específica. Fico esperando os acontecimentos que desencadearão o início dessa missão. Essa expectativa é a mesma que estamos falando, mais uma viagem da encarnação que vivo?

Exatamente. É a mesma expectativa que estávamos falando quando usamos o exemplo de comprar uma casa ou um carro.

Lembro de uma pessoa que disse que tinha feito um retrocesso à vidas passadas. Lá descobriu que ela e alguém que conhecia tinham vivido muito e se amavam profundamente. Como essa pessoa era profundamente simpática, ela imaginou que o amava nesta vida e que era correspondida. Por isso começou a trabalhar para ter essa relação. Criou um monte de expectativas, mas nada deu certo. Acabou se decepcionando ...

Não acredite em nada que seja criado pela mente, seja sobre esta vida, outras ou sobre a existência eterna. São apenas histórias que servem como provações para esta vida.

Missão, todos têm. Sendo assim, pode já estar exercendo a sua missão sem ter conhecimento deste fato. Nesse caso, essa expectativa que vive é vã.

O problema é que pensam que executar uma missão é ter um grupo de seguidores aos quais você orientará. Missão não é só isso. Dizer a outra pessoa que não deve entregar-se a expectativa para não sofrer já é cumprir uma pessoa. Orientar uma pessoa em qualquer sentido já é cumprir uma missão.

Não espere que sua missão comece. Não tenha esta expectativa. Viva tudo o que tem como parte da sua missão.

Guerreiros da paz - textos - livro IV

Conversando sobre as expectativas

Participante: ter expectativa é ser infantil?

Com certeza. Quem tem expectativa com acontecimentos deste mundo é como a criança que espera o retorno do pai à casa com bala, é como a espera pelo presente de aniversário ou natal.

Aliás, a forma de viver do ser humano maduro, se visto pelo prisma de conseguir felicidade e paz, é bem infantil. Ele troca aquilo que diz que mais quer por qualquer novidade ou coisas sem valor real para a existência.

Participante: a expectativa no caso é deixar de viver o hoje e viver no futuro?

Também, pois vive a expectativa de alcançar o que quer.

Sim estará vivendo um futuro, mas não nele. Estará vivendo num presente futuro. Falo assim porque ninguém pode viver no futuro, pois ele não existe. O que você chama de futuro é a expectativa de agora com relações a coisas por vir. Sendo assim, está vivendo num presente futuro.

Participante: como podemos tirar esta expectativa da nossa mente? A mente sempre criará expectativa? Essa é a função dela, ou pode ser programada ou educada para não ser assim?

A mente é programada para gerar expectativas. Ela não pode ser diferente, pois é o diabo, o tentador. Ela precisa lhe propor expectativas e você, que diz que preza a paz, não pode aceita-las. Por isso, ela não pode ser programada ou educada para ser diferente.

A melhor forma de lidar com a mente para não se viver a expectativa gerada pela mente é concentrar-se em viver o hoje. Libertar-se da expectativa acontece quando a mente propõe a possibilidade de trocar o carro por um mais novo e você não se deixa levar por isso e anda calmamente no seu velho. É quando se está desempregado e depois de uma entrevista há a possibilidade de ser chamado, não ficar o dia inteiro olhando para o telefone. Ao invés disso, leve a sua vida normal e se ele tocar, tocou.

O problema é que a pessoa que está desempregada ou com o seu carro velho, quando tem expectativas, vive a certeza de que poderá conseguir o que sonha. Quantas vezes algum negócio ou a oportunidade de um emprego já não deram para trás? Depois que a expectativa se instala e isso acontece, a perda da paz é inevitável.

Essa, então, é a forma para se lidar com a expectativa. É dizendo a si mesmo que o desejo que a gera é só uma criação da sua mente e não uma realidade. A oportunidade que está sendo antevista pela mente é apenas uma interpretação que ela está fazendo para lhe levar aos píncaros, mas que a vida pode pôr tudo por água baixa num piscar de olhos.

É por causa da consciência de que isso pode acontecer é que você deve viver o seu agora, o que tem neste momento. Aliás, isso é a única coisa que você tem certeza que terá para viver.

Participante está havendo um mal estar no centro em que frequento e já estão pedindo para eu maneirar e outras coisas mais. Entretanto, uma entidade diz que estou criando expectativas dentro do centro quando falo de um mundo que eles não conhecem e que não existe. Como proceder: ficar calado? Essa expectativa é medo?

Sim, você está gerando expectativa porque está exigindo que eles ajam da forma que imagina que se deve agir.

O que pode fazer sobre isso? Dizer a eles que essa expectativa pode fazê-los sofrer. Só isso. A partir do momento que disser isso e as pessoas continuarem a ter, não é mais problema seu. Elas gostam de sofrer, querem sofrer.

Você deve transmitir a elas que a expectativa leva ao sofrimento, mas não deve cobrar dos outros que eles não as tenham. Vivendo esta ideia, você também terá uma expectativa.

Participante: obrigado pela instrução Joaquim. Deixar os outros se virarem é tudo o que precisava ouvir.

Agora, precisava eu falar isso?

Me diga uma coisa: quantas pessoas você já´ salvou neste mundo? Nenhuma. Talvez possa ter ajudado aquele que quis ser ajudado. Mas, quem não quer ser, já conseguiu ajudar algum?

Se você continua insistindo, é porque é cabeça dura. Brincadeira: é porque sua mente quer a vitória. Só que o único que sofre com este processo é você mesmo.

Só que você faz tudo isso em nome do que? Em nome de um amor humano. Insiste em ajudar os outros porque acha que amá-los e ensinar o que é certo e bom para eles, aquilo que acha que ele deve aprender. Desculpe, mas isso não é amor, mas sim egoísmo.

Amor é respeitar o outro e isso passa pelo direito dele se ferrar, se quiser. Me lembro que numa conversa uma pessoa me perguntou o que eu faria se visse uma pessoa com um revolver apontando para si mesmo. Minha resposta: vá em paz, boa morte.

Claro que este ser humano, ligado às coisas materiais, se chocou. Ele imaginou que eu iria querer salvar esta pessoa. Mas, se ele quer morrer, quem sou eu para dizer que não tem que morrer naquela hora? Quem sou para dizer a alguém que ele tem que continuar vivo?

Vou fazer isso para uma pessoa que não quer permanecer viva? Em nome do que? De amor? Isso não é amor, mas ditadura, é querer comandar o destino do outro. Se ele quer morrer, que se mate.

O bom de ter muitos anos de trabalho é que temos muitos exemplos do que já foi falado.

Participante: o senhor disse que a Justiça é um dos atributos de Deus e que por isso, Ele não pode ser justo ou injusto. Para que não se torne um jogo de palavras, pode esclarecer se Ele é a injustiça também?

Ele não é a injustiça, porque isso não existe. O universo é único, uno e estável. Ele não é bipolar. Não possui dois lados.

Por isso não existe justiça e injustiça. Seria a mesma coisa que você acreditar que existe Deus e o Diabo.

Então, no universo, só existe Justiça. Agora, para você, existe o justo e o injusto. Ou seja, estes valores tratam-se apenas de uma interpretação humana da Justiça. Tudo que você chama de justo e injusto é a Justiça acontecendo e a mente humana gerando uma qualificação para ela a partir do seu egoísmo. Justo, para você, é a Justiça que lhe agrada; injusto, o que lhe desagrada, que lhe traz algum prejuízo.

Portanto, Deus é a Justiça. É você que O chama de injusto quando o que está acontecendo não lhe agrada, não lhe leva a ganhar algo.

Participante: tenho que manter uma guerra com a mente cinte e quatro horas por dia para alcançar a harmonia e a paz com Deus?

Você nasceu para isso. Não há outro motivo para estar encarnado. Ou será que imagina que Deus lhe mandou aqui para comer bem, para tomar banho de sol, ouvir os cantos dos pássaros, para fazer ato sexual, para ganhar dinheiro ...

Nada disso faz parte do objetivo do espírito ao encarnar. A única coisa que ele almeja quando encarna é vivenciar provas e responder a ela mantendo-se em unidade com Deus.

Agora, a questão da guerra na sua pergunta denota algo desagradável, forçado, que traz a necessidade de despender muito esforço. Sim, isso pode acontecer agora, porque você não está acostumado a essa vivência. No entanto, quando se tornar um hábito, nada mais terá de desagradável.

Participante: sem esperanças não nos faltaria vontade para colocar os ensinamentos em prática?

Olha o seu lado humano, o egoísta, se pronunciando ... Quer dizer que você só coloca o ensinamento em prática se houver a certeza de algum ganho futuro?

Esse é o grande problema. Como já me disseram inúmeras vezes, vocês ouvem tantas vezes o que eu e outros emissários ensinam, mas não conseguem praticar, não conseguem dedicar-se à prática. Sabe porque isso acontece? Porque ainda não anteviram na prática deles alguma vantagem individual.

Vocês julgam todo ensinamento que recebem pelo seu próprio interesse. Se o que alguém diz mostra uma luz no fim do túnel, mostra a possibilidade de ganhar algo, vocês se entregam a ele. Agora, se esse ganho não estiver bem claro, falta vontade para entregar-se à prática daquilo que se diz acreditar.

Como me disseram hoje, a pessoa coloca os ensinamentos em prática com a esperança de acordar do outro lado em paz. Veja a presença da esperança, a vontade de ganhar alguma coisa regendo esta busca e não a verdadeira busca de evolução.

Por isso, saiba que se tiver alguma esperança com relação ao resultado do trabalho, você nunca estará colocando em prática realmente os ensinamentos, pois tudo que os mestres ensinaram é para aprender a conviver com o aqui e agora sem querer ganhar nada hoje nem no futuro. Eles existem para que aprendam a aceitar a vontade de Deus, para conseguir uma união amorosa com o Pai. Quando esta busca ainda é realizada na esperança de um retorno por esta união, o que move não é o amor a Ele, mas sim a busca do lucro individual.

Então, veja, retire qualquer esperança e pode ser que você faça alguma coisa.

Participante: eu vivo sem criar expectativas. Vou decidindo minhas coisas como elas se apresentam. As outras pessoas ainda assim esperam que eu tenha expectativas. Isso é bastante chato porque acho entediante e repetitivo, mas pelo que ouvi você falar hoje, imagino que estou criando um tipo de expectativa. Estou pensando certo?

Sim, você está vivendo a expectativa que eles não sejam do jeito que são. Ainda tem a esperança que eles parem de cobrar que você não tenha expectativas.

Sempre a mente humana trabalha com expectativas, porque essa é a forma dela existir. Não há outro jeito. Se ao me ouvir você não quiser ter expectativas, pode ter certeza de que manete gerará a esperança disso acontecer, porque ela não sabe viver de outra forma.

Portanto, com esses ensinamentos você não de se concentrar em acabar com elas, mas buscar dentro de si as expectativas que existem e aprender a conviver com elas. A sua, por exemplo, é a de que os outros mudem. Só que eles nunca mudarão.

Deixar de ter esta expectativa, como disse, você não pode deixar de ter, mas não precisa vive-la. Para isso, ao invés de cobrar mudanças nos outros, aprenda a conviver com eles como são.

Tem uma frase de para-choque de caminhão que diz assim: Deus deu a vida a cada um, para cada um cuidar da sua. Por isso lhe digo para esquecer os outros e tomar conta da sua vida, da vivência das expectativas que a sua mente possui para que não sofra. Deixe o resto viver a vida deles.

Não existe como mudar os outros.

Participante: a única chance de escapar das expectativas que a mente propõe é observá-la. Ver seus vícios e seus costumes. Essa vigilância constante é o preço a se pagar pela paz?

Perfeitamente. É o preço que você tem que pagar. Aliás, foi o que já disse: tudo tem um preço. O preço da paz é a vigilância constante do que é criado pela mente para a sua vida e não deixar estas criações serem usadas para acabar com a sua paz.

Essa vigilância é constante e precisa ser feita vinte e quatro horas por dia. Quando não estiver, também não perca a paz porque não fez.

Participante: certa vez uma entidade, um preto velho, me disse que sou muito auto destrutiva. Pode falar algo a respeito? Será que isso sugere criar expectativas negativas da vida?

Expectativas não falamos, mas é o mesmo processo. Quando você não quer que aconteça alguma coisa, o processo é o mesmo de querer que algo aconteça. Porque isso? Porque tanto o querer como o não são desejos.

O desejo não se consiste apenas em querer ganhar. Ele às vezes é o querer ganhar a derrota.

Viver dessa forma realmente é algo auto destrutivo, mas é algo que para você é a felicidade. Sei que estou complicando, mas vou tentar explicar.

Já ouviu falar de pessoas pessimistas? Quem são? São aquelas que possuem expectativas negativas para o futuro. O que acontece quando a previsão deles dá certo? Eles têm o prazer. ‘Viu, como eu tinha previsto, isso não ia dar certo’ ...

Portanto, pouco importa se tem expectativas quanto à realização ou quanto à destruição, você está tendo uma expectativa. Mesmo que o que deseja que não aconteça realmente não ocorra, existirá a expectativa antes, a espera pelo acontecimento e o prazer quando tudo sair como previsto.

Aliás, falei um apalavra agora que precisamos trazer para est conversa. Quem tem expectativas é aquele que quer prever o futuro, positiva ou negativamente. Aquele que se imagina capaz de saber o que acontecerá no futuro. Como não existe ninguém que consiga fazer esta previsão, o sofrimento pela expectativa é vão.

Participante: quando nos dizem que é para termos esperança, é o mesmo que criar e ter expectativas?

Sim, é a mesma coisa. Mas, deixe-me aproveitar a sua pergunta e falar sobre uma coisa.

Você me fala que as pessoas dizem que deve ter esperanças. Eu pergunto: esperança do que? Do que é bom para você? De que se realize aquilo que quer, ou seja, que ganhe algo? Sim, toda esperança de coisas futuras é fundamentada no querer ganhar.

Repare: sempre que se cria uma esperança, ela é fundamentada naquilo que se quer. Ninguém tem esperanças de ocorrer o que não quer. Mesmo os pessimistas, como provei agora pouco, querem que a previsão negativa para o futuro dê certo.

Portanto, só não tenha esperanças de nada. Se viver estará preso ao egoísmo, ao querer ganhar. Quem vive assim está preso ao prazer e a dor e nunca consegue paz.

Agora, quem diz para que você tenha esperanças? Um mentor, uma entidade, o padre, um determinado autor. Quem são todos eles? Instrumento de Deus para a obra geral. Por isso, quando eles lhe falam para manter a esperança, não fazem isso para indicar um caminho, mas sim porque são espíritos que vestiram um corpo de acordo com este mundo e aqui, sob as ordens de Deus, contribuam para a obra geral, ou seja, fazem isso para que tenha a sua prova.

Eles não estão certos nem errados; estão perfeitos. É o que eles precisam fazer. Por isso sempre digo: quando falo destes temas, não estou dizendo para não tê-los, mas sim para que aprendam a conviver com essas coisas.

Não estou falando que não deve ter esperanças, mas sim que não crie a que é criada pela mente.

Participante: maior do que o preço da vigilância constante, também não seria o preço da renúncia da vida humana, a troca da lógica humana pela espiritual? Podemos estar vigilantes, mas isso não significa que implantaremos mudanças no nosso modo de vivenciar os acontecimentos da vida do ponto de vista sentimental.

Sim, isso também já falamos.

A paz tem um preço, ou melhor, alguns. A primeira coisa que precisa fazer para tê-la é a libertação das coisas humanas, que você chamou de renúncia. É preciso se libertar delas.

Este custo é alto, mas só para aquele que quer ser humano. Para aquele que quer viver as coisas humanas, ter o prazer da conquista, o custo de se transformar num espírito é alto.

Participante: a depressão que certas pessoas têm pode ser excesso de expectativas?

Normalmente é.

Depressivo é aquele quer as coisas de determinado jeito e que não consegue que isso aconteça. Por isso entra numa tristeza profunda.

Só entra numa tristeza profunda aqueles que têm muita expectativa sobre as coisas deste mundo, pois aí sofrem mais.

Participante: eu noto que durante o trabalho a mente fica mais ocupada com as tarefas e sugerindo menos coisas. Isso é um ponto positivo do trabalho ou negativo, porque me tira o tempo de aprender a educar a mente?

Isso é simplesmente a forma como ela trabalha. Nem melhor nem pior.

 Participante: você tem alguma dica para não se enredar nas historinhas da mente e assim não criar expectativa, ou pelo menos minimizá-la?

Sabendo que nada depende de você. Essa é a dica.

Saiba que nada depende de você neste mundo. Quando a sua mente lhe disser que seria muito bom se tivesse um carro do ano, ao invés de viver a expectativa e ansiedade de arrumar condições para ter, lembre-se de que depende de dinheiro para isso. Com esta lembrança, tente fazer tudo o que foi possível para arrumá-lo sem a expectativa de conseguir. Desse jeito você não sobre a ansiedade e nem uma possível decepção por não conseguir.

Você só consegue vencer as expectativas quando cede o controle da vida para ela. Cede o seu suposto controle de realizar as coisas à vida.

Aliás, disse uma vez: você só será capaz de viver esta vida quando se declarar incapaz de vive-la.

Participante: a fé é oposta à expectativa?

Não. A fé não é oposta, porque é entrega. Tendo uma expectativa, ou seja vivendo uma esperança criada pela mente, tem fé. Mas, fé em quem? Em você mesmo, na sua mente.

A fé em Deus é o oposto da expectativa, mas, mesmo assim, é exercício de fé. Isso porque é exercida através de uma entrega com confiança, mas a si mesmo.

Participante: a crença em um eu que age na matéria, no mundo, é a causa original da expectativa? Na prática, como seria ter ciência de que não se tem controle sobre nada? Pergunto isso porque as religiões institucionalizadas pregam que você pode e deve agir materialmente.

Vamos uma por vez.

‘A crença em um eu que age na matéria, no mundo, é a causa original da expectativa’?

Sim, porque esse eu é individualista, ou seja, ainda quer para si mesmo. Por isso a crença de que existe um eu que age leva à expectativa de conseguir ganhar.

‘Na prática, como seria ter ciência de que não se tem controle sobre nada’?

Como pode saber que não pode ter controle na vida? Observando-a. Me responda: tudo que você quer acontece? Tudo que age para ir para um lugar vai para lá? Tudo que faz é recebido como imaginou que seria? Claro que não. Então, não tem controle de nada.

O problema não é agir, mas sim achar que tem controle, ou seja, achar que vai conseguir chegar ao destino que quer. Isso é a expectativa.

‘As religiões institucionalizadas pregam que você pode e deve agir materialmente’.

Então haja, mas faça isso sem se deixar levar pelas expectativas que a mente cria, ou seja sem imaginar que a sua ação gerará determinado resultado. Se fizer só isso, já estará em paz.

Participante: a ignorância é melhor do que a busca? Tem pessoas que não tem a menor ideia de nada disso, mas vivem em paz.

Sim, não tem a menor ideia de nada disso, mas não aceitam a expectativa que a mente cria. Não nos ouve nunca, mas ouve o próximo sem criticar, sem acusar. Como diria Cristo: eles são simples de coração.

Participante: sobreviver sem expectativa. Sinto que a vida é como se fosse uma onda do mar e eu uma prancha deslizando sobre ela e apenas observando os acontecimentos. É mais ou menos dessa forma que devemos viver?

É maios ou menos assim que precisam viver para ter paz. Viver sabendo que a onda lhes leva e traz a hora que quiser.

Participante: libertar-se da expectativa é o mesmo que viver como planta sem questionarmos porque não somos um peixe?

Não. Fico com a figura da prancha deslizando no mar. Libertar-se da expectativa é deixar a vida lhe levar para frente e para trás sem que tenha objetivo a chegar ou medo do retrocesso.

Guerreiros da paz - textos - livro IV

Dependência

Participante: como podemos amar de verdade, sem apego, sem insegurança com o futuro e o medo de perder. O que causa tanto sofrimento e atraso?

Sei que nós já conversamos sobre relações amorosas, mas como disse naquela época, quanto mais detalhado for o assunto para estudo, mais fácil se consegue argumentos para poder ficar em paz. Neste momento uma pessoa me faz uma pergunta sobre relação amorosa específica: a que contenha apego.

Será, então sobre o apego nas relações amorosas. Este tema é importante, porque o que vamos dizer hoje vale para o apego por qualquer coisa neste mundo.

A primeira coisa que temos que entender quando se fala de um tema desses é o próprio termo. Há mais de dezesseis anos falamos de apego. Vocês já me ouviram falar centenas de vezes sobre isso e lutam pelo desapego, mas se eu perguntar o que é apego, não sabem. Confundem apego com gostar, com querer, com amar.

Apego não tem anda a ver com isso. Trata-se de uma característica diferente. Trata-se de um gostar, mas de um gostar, amar e querer especial. Quando se ama com apego se dá uma característica diferente ao amor, ao gostar.

Que característica é essa? O apego dá ao apego a característica de dependência. Quem ama de forma apegada, quem tem apego a quem ama, tem uma dependência daquela pessoa que se ama, da coisa com o qual se convive.

O amor dependente é aquele onde existe uma incapacidade de se viver sem aquilo que se é apegado. Essa é a característica do apego: ele gera uma dependência. Por isso, o tempo inteiro em que falamos sobre apego nos últimos anos, estávamos falando de uma independência. Estávamos falando de se viver independente de pessoas ou objetos.

Será sobre isso, então, que falaremos agora. Iremos abordar as relações amorosas onde além do amor existe uma dependência física ou emocional.

Guerreiros da paz - textos - livro IV

Todos procuram a sua paz

Porque a dependência física ou emocional de alguém ou de alguma coisa é danosa para a sua paz, para a sua felicidade? Sim, eu posso dizer que é porque todos os mestres ensinaram que devemos nos libertar da posse, que temos que nos desapegar. Então, porque ela é danosa?

Porque todo ser humano é individualista, egoísta, por natureza. Todo ser humano pensa a partir de um eu visando com que esse eu ganhe alguma vantagem. Isso não muda, não importa a pessoa. Todos vivem dessa forma.

Ora, isso quer dizer que a pessoa que você ama, a coisa que quer, prioriza a si mesmo e não a você. Ela não vive para você, mas para ela mesma.

Quando você se torna dependente da outra pessoa, física ou emocionalmente, espera que ela viva para você. A marca do apego é exatamente essa. Quem é apegado a alguém ou a alguma coisa espera que aquele a quem é apegado viva para ele.

Então, veja, o apego é uma armadilha. Isso porque vive dependente dos outros, vive querendo, precisando que os outros vivam para você, mas cada um vive para si mesmo.

‘Ah, Joaquim, o que você está falando não é verdade. Meu irmão, meu marido, meu pai e minha mãe vivem para mim, fazem tudo por mim, abnegam deles para me satisfazer’. Digamos que eles façam isso. Porque fazem? Porque querem, porque gostam, porque acham certo. Ou seja, eles continuam vivendo para eles mesmos. Se não gostassem, não faziam. Por isso quando fazem para você, estão fazendo para eles mesmos

Portanto, não caiam na ilusão de que o outro vive para você de uma forma apaixonada, sem esperar nada. Ele espera sim: que você aceite o que ele faz. Quando não aceita, quando reclama, ele mostra o quanto se sacrifica por você.

Portanto, o apego é uma armadilha que tira a paz porque é preciso que o outro lhe de paz para que tenha. Como o outro não está preocupado em lhe dar paz, mas em tê-la, apegar-se a alguém ou a alguma coisa é porta aberta para o fim da felicidade.

Este é o primeiro detalhe. Vamos adiante.

Guerreiros da paz - textos - livro IV

A saída é amar a si mesmo

Disse que todo ser humano é individualista, egoísta, por natureza. Ele pensa a partir do eu para que esse eu ganhe. Depois, disse que a sua mente cria para uma relação amorosa com apego, ou seja, cria uma armadilha para você sofrer. Não tem nada errado aí? Acho que sim.

Não acha estranho, você, a sua mente, diz que quer ser feliz, que quer ter paz mas ao mesmo tempo cria uma armadilha que levará ao sofrimento. Olha que coisa louca: você, sua mente, diz que quer ser feliz, mas ao mesmo tempo cria situações para que possa sofrer.

Esse um detalhe que você precisa estar consciente para poder não aceitar o apego. Pode até aceitar que ame alguém, mas não pode se tornar depende disso, senão certamente vai perder a sua felicidade. Portanto, libertar-se do apego nas relações amorosas não é não deixar de amar alguém.

Aliás, quando falei de relações amorosas não disse para deixar de amar alguém. Isso não é preciso. O que estou dizendo é que não pode deixar esta este amor se transformar num apego. Deixando, cairá numa armadilha. É sobre esta questão que quero falar hoje.

Como é que se faz para não se deixar levar pela armadilha do apego? Você só se livra da armadilha do apego amando a si mesmo acima do outro. Você está apegado a alguma pessoa porque a ama acima de si mesmo, porque depende dela para poder ser feliz e estar em paz.

Quando descobre isso, o guerreiro da paz trabalha neste sentido. Quando detecta que está vivendo uma dependência por outra pessoa, ou seja, um apego, trabalha para amar a si. Faz isso porque sabe que na hora que amar a si mesmo, que bastar a si, não vai precisar de ninguém. Neste momento poderá amar a todos sem apegos;

Quem ama com apegos não gosta de si mesmo, não protege a si. Espera sempre que o outro seja o instrumento da sua paz e da sua felicidade.

Eis, aí, então, a resposta. Como amar sem apego? Amando a si mesmo. Só que amar a si mesmo não se trata de dizer que você é o melhor, que está acima dos outros. Não é isso. Você pode ser a pior criatura do mundo em qualquer aspecto, mas quando se ama, é o melhor pior.

‘Isso é um jogo de palavras’, Sim, é um jogo de palavras, mas fazer isso é amar a si mesmo. Quem ama a si mesmo considerando-se, por exemplo, um chato, se considerado melhor chato. Quem ama a sai mesmo e gosta de fazer fofoca, acha que é o melhor fofoqueiro. Ele se ama como é e por isso não se acusa do que faz.

Quem é inseguro ao tomar decisões, mas ama si mesmo, ama a sua insegurança. Se por causa dela precisa ter alguém ao seu lado, esta pessoa não se sente dependente: apenas usa quem está próximo.

 Este é o trabalho que o guerreiro da paz faz com relação a apegos. Ele não luta para acabar com um amor que sente. A sua luta é para não depender de ninguém, para não se apegar a ninguém. Por isso luta para se amar se amar do jeito que é.

Lutar para amar a si mesmo do jeito que é: esse é o único caminho para se viver uma relação amorosa sem apegos. Não importa se essa relação é com pessoas ou coisas. Para se livrar dos apegos e por isso não estar exposto as armadilhas da mente que lhe acabará com a paz e levará ao sofrimento adiante, o único caminho é o amor a si mesmo.

Guerreiros da paz - textos - livro IV

Apego ao sexo

Participante: alguém que se cobra por gostar de sexo deve mudar? O prazer não afasta da perfeição?

O prazer sexual não afasta. O que faz isso é ter o prazer de ter prazer.

O prazer sexual é ato. Ele é fruto da ação de um membro masculino penetrando o corpo de uma mulher. Portanto, como ação que é, ele não interfere no processo de elevação espiritual.

O que interfere é o seu mundo interno. O que interfere é quando acha que o prazer sexual é a coisa mais importante do mundo, que você precisar ter relações, que o seu parceiro(a) tem que estar sempre disposto. Isso lhe afasta, lhe tida a paz.

Se gosta e quer ter, tenha, só não cobre que os outros tenham o mesmo desejo que você

Participante: quando a pessoa gosta de fazer sexo com várias pessoas, independente do seu estado civil?

Qual o problema? Vocês mesmos dizem: lavou está novo ...

Sabe para quem é qual problema uma pessoa fazer sexo com muitos? Para aquele que é carente, que é dependente daquela pessoa, aquele que precisa que aquela pessoa viva só para ele.

Só tem problema nesse sentido quem tem apego a outra pessoa. Eu não vejo problema nenhum em fazer sexo com quantas pessoas você quiser. Sexo é humano e você não vai levar nada daqui. Já com relação ao seu apego, eu tenho a ver, pois ele pode a perda da paz. Tenho essa preocupação, porque quem espera alguma coisa neste mundo, isso terá reflexos na outra vida

Guerreiros da paz - textos - livro IV

Falar de atos

Participante: tenho relações com duas pessoas. Vivo bem com elas, faço bem às duas ao mesmo tempo, mas uma não sabe da outra. Há algo errado nisso? Há algo errado em amar duas pessoas ao mesmo tempo e se relacionar com elas?

Não há nada errado nisso. O que seria não amoroso é a mentira, o adultério.

Adulterar não se trata de ter duas, mas se perguntado, não contar a verdade. Se uma das duas lhe perguntar se há outra, você não deve enrolar e dizer que não. Tendo duas pessoas e elas aceitando a existência uma da outra, não há nada errado.

Participante: mas porque o senhor nos diz que devemos falar a verdade, isso é um ato programado. Sendo assim, acontecerá se tiver que acontecer.

Deixe me colocar uma coisa. Quando eu estou aqui conversando com vocês preciso falar de atos. Isso porque vocês só entendem a ação. Só que por trás do que se faz, existe algo: uma intencionalidade, um objetivo a ser alcançado.

Estas duas coisas são o que importa para a elevação espiritual. Por isso, mesmo falando de atos, é sobre elas que eu falo.

Quando digo que deve falar de tal jeito a uma pessoa, não estou querendo lhe dizer que deva falar com as palavras que uso, porque não falo de atos. As palavras que coloco se referem a intencionalidade e o objetivo que deve ter naquele momento.

No entanto, como é difícil se falar de coisas subjetivas, preciso me referir a ações para que entenda o funcionamento do mundo interno. Falo, por exemplo, para que não viva a intenção de esconder de outra pessoa que existe outra. O que quero dizer é que internamente você não deve acreditar que não precisa contar e que pode mentir. Agora, como isso vai acontecer, que palavras vai usar, isso está programado.

O que vocês não entendem é que preciso falar de atos. Vocês não compreendem que estou me referindo ao seu mundo interno. Estou falando daquilo que está por trás da ação. Sempre que me refiro a uma ação, estou abordando aquilo que está acontecendo internamente.

Tivemos recentemente um caso muito semelhante ao assunto que você se embasou na sua questão: ter duas pessoas ao mesmo tempo. O trabalho que fiz com esta pessoa não foi dizer que ele não podia ficar com as duas. Quem sou eu para dizer o que ele precisa o deve fazer a vida dele. Ele faz o que quiser. O que tive que fazer foi mostrar o que estava vivendo internamente.

A pessoa me disse que aquela situação para ele estava sendo vivida no amor universal. Imaginava que estava sendo muito elevado e espiritualizado naquele assunto. O que não entendeu é que essa ideia não era real. Na verdade, internamente, a mente, egoísta como é, queria ter as duas ao mesmo tempo. O ter é ato e por isso não podia falar disso, mas tinha que alertá-lo que no seu mundo interno não havia amor universal como ele imaginava.

O que fiz para mostrar isso? Usei atos ... Ele me disse, por exemplo, que havia descoberto que a moça da relação era fruto de um amor de outras vidas e que aos poucos foi se envolvendo até o ponto de imaginar que não podia mais viver sem ela. Foi isso que usei para mostrar a hipocrisia da mente. Disse que se ele amasse realmente desse jeito, já teria abandonado a outra, o que não tinha acontecido.

Atos, me referi a acontecimentos para mostrar o mundo interno. Usando os atos mostrei que a real intenção era ficar com as duas, pois ainda estava com a esposa e falando apenas de estar com a outra por algum tempo.

O ato reflete o que está no mundo interno, o que vai por dentro. Internamente a intenção desta pessoa mesmo querer ter as duas à sua disposição ao mesmo tempo. Mas para poder mostrar isso, tive que me referir às ações.

Esta a minha função. Não falo de atos, mas preciso abordá-los para poder falar do que existe internamente.

Participante: você acabou de falar que não se pode adulterar no caso do rapaz que não deve mentir para duas pessoas que vive. Isso não é ato?

Sim, mas é um ato oriundo do desejo de ganhar. O problema que essa pessoa terá é porque está vivendo com o desejo de querer levar vantagem. Além disso, tem o medo de perder, pois pode adulterar com a intenção de manter os dois relacionamentos, já que se contar, poderá perder ambas.

Estas duas coisas são os problemas, no tocante a manutenção da paz, deste ser humanizado. O problema não está em contar ou deixar de contar, mas sim achar que não tem que fazer isso, que não deve fazer para não perder as duas.

Essa intencionalidade que existe no mundo interno enquanto o ato está acontecendo é que vai contar para a elevação espiritual. Como Cristo ensina: Deus julga a cada um segundo a sua intencionalidade. Ele não faz isso pela ação, mas pela intenção.

Portanto, se não contar, é porque não contou. Tudo bem. Agora, se isso acontecer e for vivido com a intenção de levar alguma vantagem, terá problemas.

Participante: se eu não vibrar nem no prazer nem na dor, mesmo adulterando, está tudo bem?

Sim, se não vibrar no prazer nem na dor, no sentido da manutenção da paz, da elevação espiritual, não há problemas. Agora, é preciso estar muito atento às criações mentais sobre isso, porque ela pode dizer que você não está vivendo esta dualidade e está.

Como se pode saber se está tendo o prazer ou não? Observando o pensamento. Veja o que ele fala sobre o relacionamento ou sobre a possibilidade de contar. Se o que é pensado embute a sensação de se sentir poderoso porque tem duas, há prazer. Se ele mostra alguma reserva com relação a se expor à elas, há prazer. Nestes casos, é preciso não se deixar levar por aquilo que é pensando, não acreditar nas coisas que a mente fala, pois senão a paz não será alcançada.

Portanto, quando eu dou um conselho com relação a atos, estou tentando me fazer entender no tocante ao mundo interno. Preciso fazer isso porque se você não tomar a consciência que deve se libertar da intenção pode se prejudicar.

Não falo para que você saia correndo e conte. Se vai ou não falar, Isso não me interessa. Isso é a vida de cada um e eu não me meto na vida dos outros. O que me interessa é que você, mesmo inconscientemente, não se sinta o todo poderoso porque tem relações com duas mulheres ao mesmo tempo.

Guerreiros da paz - textos - livro IV

O apego e o trabalho da evolução espiritual

Participante compreendo, ainda que só a nível mental, os ensinamentos passados. No entanto sinto a prática deles tão distante. Me parece que eles são utópicos, pelo menos durante essa encarnação. Até desanimo de tentar colocar em prática. Claro que isso me parece também uma característica da mente, que quer ver resultados. Ainda tenho muitos apegos nas relações mais diversas e sinto que não conseguirei resolver isso nessa vida. Poderia comentar alguma coisa a respeito?

Vou lhe responder.

Quando vai sair com uma pessoa, um amigo, um namorado ou uma colega de trabalho, você se arruma, coloca maquiagem, escolhe roupa?

Participante: sim ...

Porque faz isso?

Participante: não sei ...

Para o outro lhe elogiar, para gostar de você e querer estar ao seu lado;

Você não se arruma para si, mas para os outros. Se arruma para causar impressão neles, para continuarem junto a você. É a partir dessa realidade que vou lhe dar a prática do ensinamento.

Na hora que for se arrumar, não faça isso para os outros, mas para você mesmo. Escolha a roupa, a maquiagem que acha, que você mais gosta. Depois que estiver pronta para sair, elogie você mesmo, Assim não dependerá do elogio dos outros. Veja como é simples, como é fácil.

Já reparou que mulher não faz compras sozinha? Porque isso? Porque precisa que o outro aprove o que vai ser comprado. Essa dependência é falta de amor a si mesmo. É você que vai usar roupa e por isso é quem sentir se bem dentro dela. Se isso é verdade, porque precisar que o outro aprove?

O que estou querendo lhe mostrar é que a coisa é muito simples Basta apenas se libertar da dependência, basta apenas parar de esperar que o outro lhe elogie. Para fazer isso não precisa ter um corpo de modelo: mesmo sendo gorda, declare a si mesmo que tem o corpo mais bonito do mundo.

É isso que estou falando. O que estou dizendo é que par acabar com os apegos é preciso amar a si mesmo sem condições. Amar a si de verdade. Amar a si porque é exatamente aquilo e não porque conseguiu ser desta ou daquela forma.

Então, não me venha falar em dificuldades para colocar em prática os ensinamentos, porque isso não existe. Isso acontece apenas para aqueles que realmente não querem vencer o apego. Para aqueles que acham muito bonito o outro lhes elogiar, mesmo sabendo que isso é individualismo.

Saiba de uma coisa: em algum momento a pessoa com quem está junto, vai se afastar. Neste momento só terá a si mesmo.

Não importa se é namorado, marido ou amigo, todos um dia se afastarão de você. Não estou falando apenas de separar-se momentaneamente: estou falando de perder de vista, de não mais ver. Isso já aconteceu na sua e na de todos muitas vezes, com certeza.

Neste momento, terá que viver consigo mesmo. Quando isso acontecer, será que conseguirá deitar a cabeça no travesseiro e dormir em paz? Será que conseguirá conviver apenas condigo mesmo? Se não se amar, se não se bastar, não.

É no momento que não tiver ninguém ao seu lado naquele momento para lhe amar que verá as consequências do apego de hoje. Por isso, desde hoje comece a se libertar dos outros e o caminho para isso é prender a si mesmo.

Medidas precisam ser tomadas para isso. Não adianta simplesmente dizer que é difícil, você terá que fazer se quiser ter paz. Aliás, não é difícil colocar em prática. Essa dificuldade existe apenas para quem pra quem não quer fazer. Para aquele que quer, que antevê a necessidade, isso é fácil.

Para quem antevê a necessidade e por isso acha que é mais importante fazer esse tipo de trabalho do que ficar de mãos postas rezando, ouvindo música de meditação ficar lendo ensinamentos ou procurando frases de efeito para mostrar o quanto sabe, o trabalho para elevação, para a felicidade, para a paz, simples e prático.

É isso que vocês ainda não entenderam: reforma Íntima é prática e não simplesmente conhecimento. Aquele que busca a realização amealhando conhecimentos sofrerá certamente.

Participante: podemos nos bastar a nós mesmos libertando-se de mãe, pai, irmãos, marido, etc. sem ter a menor ideia do que há por vir? Como abandonar tudo, entregar-se ao nada? Seguindo minimamente os ensinamentos do espiritualismo, todos os meus familiares acham que estou ficando muito doente e que preciso buscar ajuda.

 Você me pergunta como se entregar a isso sem saber o que vai acontecer e eu respondo. Aquele que precisa saber o resultado da entrega para poder fazer não se entregou a nada. Este ficou dependente de uma resposta do destino para poder fazer alguma coisa.

Você já me disse que meus ensinamentos tocaram o seu coração. Se você acha que eles são caminhos que levam a um estar um pouquinho melhor, entregue-se a eles, mesmo sem saber como será o amanhã. Entregue-se para ver o que vai acontecer sem precisar saber o que vai acontecer

 Na Terra tem um ditado: é melhor só do que mal acompanhado. Para aquele que quer se espiritualizar, aquele que quer se materializar é uma má companhia.

Participante: eu não me sinto bem nunca, não me sinto bem com nada. Não ligo pra nada na vida, nem tenho vontade de fazer nada. Isso é sinal de evolução?

Não, dizer que não se sente bem é uma dependência.

Se você não se sente bem, esse estado de espírito tem algum motivo para existir. Os motivos para não se sentir bem é que mostram a sua dependência.

Simplesmente não ligar para nada, não leva ninguém a sentir se mal, a não ser que esteja apegado a alguma coisa. Digo isso porque existe gente que não liga pra nada e não se sente mal. Por isso, quando me diz que não se sente bem por algum motivo, eu pergunto: o que nessa forma de existir não lhe faz sentir-se bem?

Esta é a pergunta que deve se fazer. Você precisa estudar a si mesmo e se libertar daquilo que acha que não está bom, que não lhe deixa ficar bem. Não estou falando de se sentir bem por conseguir algo nem por ter um sentido para a vida, mas de sentir se bem por estar bem consigo mesmo, estando como estiver.

Vou dar um exemplo. Você me diz que não liga para nada. Digamos que alguém lhe diga que isso é errado, que precisa reagir, sair dessa inércia. Tendo convicção de quem é e amando a si mesmo, não ligará para isso. Dessa forma, o que você é não lhe causará efeito. Agora se depende da aprovação dos outros, do que os outros falam e se o fato de alguém lhe chamar atenção por causa do seu não ligar lhe faz sentir se mal, nesse caso a sua dependência é da aprovação das pessoas.

Outros exemplos? Você não faz nada, vive a toa e não quer fazer nada. Esse estado de espírito por si só não deve lhe causar sofrimento quando se ama. Agora se você não liga pra nada e ser desse jeito lhe causa sofrimento, é sinal de que você ainda é dependente de ligar para alguma coisa.

Esta é a forma que nós temos para conhecer nossos apegos: descobrir a causa real do sofrimento. Ela não é o que está acontecendo, mas sim aquilo que nós achamos que deveríamos estar fazendo.

Participante: não é que eu ache tudo bom ou mal. Acho tudo um saco. Não vejo a hora do mundo acabar logo pra eu ir embora.

Achar que as coisas são um saco é ver alguma coisa errada, cansativa, nojenta, chata. Por isso, precisa combater o que acha das coisas da vida. É ele que mostra o seu apego.

Você só vai achar alguma coisa cansativa enquanto estiver apegado a algo que não considera assim. Só achará alguma coisa chata quando souber o que é interessante. Só considerará algo nojento quando souber o que é o não nojento. As coisas que você usa pra poder chegar às conclusões são o seu apego.

Agora quanto a querer ir embora, deixe-me dizer algo. Se quer a evolução espiritual tem que ter tesão pela vida. Não a vida que sonha, mas a que está acontecendo.

Participante: queria viver como se o outro não existisse para me ajudar na minha necessidade. Ser apegado emocionalmente é ser materialista ...

Não se trata de viver como se o outro não existisse, mas sim de viver sem depender do outro para existir.

Quem é apegado a uma pessoa ou alguma coisa precisa que o outro exista para que ele também exista. Precisa do outro ao seu lado para sentir-se vivo. Veja só que coisa interessante. Você recebe de Deus o dom da vida, da felicidade, e entrega este bem precioso na mão de qualquer um.

Portanto não se trata de viver como se o outro não existisse. Ele existe e está ao seu lado. Mesmo assim, você escolherá a roupa para vestir de acordo apenas com a sua vontade e bem estar. Só não terá a necessidade da aprovação dele para saber que está bem vestida.

Você pode conviver com muitos, mas não precisa que ninguém aprove o que vestiu para que se sinta bem. Vista-se para si mesmo. Não faça isso para afrontar os outros, mas porque sabe que depender de alguém não terá vida, felicidade.

Quanto à questão que levanta – se estiver apegada serei mais materialista – eu diria que sim, pois todo apego que vive só existe com relação as coisas materiais: pessoas, objetos e acontecimentos. Não importa qual seja o seu apego, ele existe só por coisas materiais. Por isso podemos dizer que o apegado é materialista.

Participante: a mediunidade pode nos ajudar a trabalhar os apegos mundanos?

A mediunidade não pode lhe ajudar de forma alguma neste trabalho, porque este é trata-se de reforma íntima.

Caos um ser precisasse dela para fazer este o trabalho para o qual nasceram, Deus seria injusto, pois existem seres que nem em espírito acreditam. Isso quer dizer que Deus teria colocado seres para fazer provas neste planeta com a certeza de que eles não iriam passar. Pior: não iriam porque o próprio Deus não os dotou de tudo que precisavam para isso.

Portanto, não, a mediunidade não pode ajudar na reforma íntima. Só o seu trabalho junto a si mesmo pode lhe garantir a paz e a felicidade, ou seja, a elevação espiritual

Participante: tudo que o senhor fala me parece familiar. É como se minha memória estivesse voltando. O meu Coração fica em paz.

É por isso que você está aqui e por isso também que todos estão. Aqui estão aqueles que quando me ouviram o que foi dito soou como familiar. Apesar disso, como já foi dito hoje, é difícil colocar em prática, pois é difícil abrir mão do outro lado

Participante: emoções tipo raiva e ciúme são mais difíceis de trabalhar na reforma Íntima?

São, porque? Porque você acha que tem raiva. Acha que foi atacado, que o outro está fazendo contra você. Quando isso acontece, fica mais difícil, pois não vê uma ação mental acontecendo e imagina que é você que está tendo raiva. Isso é irreal. A raiva é lançada pelo general pelos tenentes do exército inimigo como soldado para atacar a sua paz.

Portanto, se acredita que é você quem tem a raiva e não que está sofrendo um ataque, é muito difícil fazer a elevação.

Participante: o apego nasce da natureza humana a qual estamos condicionados neste momento passageiro. Nossa existência espiritual é eterna. Como é possível viver um relacionamento amoroso sem esse apego?

Sabendo que ele pertence apenas a natureza humana.

Quando você tem a consciência de saber que é espírito, não aceita o apego justamente por saber que ele é da natureza humana. Essa, segundo os ensinamentos, é contrária a de Deus é o inimigo de Deus. Informações de Paulo

O problema é que apesar desse seu discurso, que pode ser considerado bonito, você não vive a partir da verdade de ter uma existência eterna e uma natureza diferente. Ainda acha muito bonito ser humano, adora a sua situação humana, adora as coisas que acontece ao seu redor. Assim não se liberta do apego nunca.

Guerreiros da paz - textos - livro IV

Apegos diversos

Participante: você disse que isso acontece com objetos. Então, seria preciso esperar que um computador lhe agrade em jogos de diversão ou um livro na leitura?

Certamente vocês esperavam que o nosso computador funcionasse ontem para que a palestra acontecesse. Ele não funcionou. Como esperavam isso, sofreram. Sofreram por causa do computador que não funcionou e sofreram por que não ouviram.

Este sofrimento que sentiram é sinal de que estão apegados à internet, a Joaquim, ao dia específico da palestra e ela mesmo. Quem não tem este apego, não sofre. Ele vive o que tem para viver. Se hoje o computador do Joaquim não funcionou, esse vai ler um livro, vai ver televisão, conversar com pessoas, sem sofrimentos, sem lamentar o que aconteceu.

Você me falou sobre precisar de um computador para jogar. Viver isso como realidade é um perigo. Certamente sofrerá se não tiver onde jogar. Agora, esse sofrimento vai valer de alguma coisa? Tenho certeza que não.

Se você tem computador e quer jogar, mas ele está quebrado, pode leva-lo para consertar. Se não tem, pode sair e comprar um. Estas coisas podem lhe fazer feliz, ou seja, jogar, mas sofrer não vai resolver nada.

Agora digamos que queira jogar e não tem dinheiro nem para comprar nem para consertar o computador. O que fazer para não sofrer? A única saída é a sua situação de não poder jogar. Isso pode lhe fazer feliz, mas atacar a si ou a outro por não ter o dinheiro não vai resolver nada.

É por isso que eu digo que só o amar a si dentro do que é pode lhe ajudar a manter a paz.

Participante: existem dois lados que são muito recorrentes dentro de mim: o que é apegado constantemente por determinadas pessoas e outro que não está nem aí. Qual deles sou eu realmente?

 Aquele que você disser que é, aquele que aceitar como sendo você.

Na verdade, você é os dois. Quando aceita a dependência, a necessidade e o apego a outro como parte sua, torna-se um apegado. Quando não aceita, não é essa pessoa, mas outra.

É você que escolhe quem quer ser. Ninguém pode fazer essa escolha por você. A decisão está no seu íntimo e só você pode escolher.

Agora, para poder escolher melhor aquilo que quer ser, é preciso que saiba o que cada um desses eus lhe traz. Não aceitando o apegado, terá paz e felicidade; aceitando-o, viverá dependente. Quando esta última condição existir, vai sofrer e perder a paz.

Agora que sabe o resultado da escolha, fique à vontade para decidir quem é você.

Participante: você diz para amarmos a nós mesmos, mas mãe, namorado e amigo são figuras muito forte dentro de nós. Ainda achamos que estar apegado a estas figuras é importante. Pode falar sobre isso?

Estas figuras são fortes porque você ainda acha que é humano.

Nesta conversa falamos recentemente sobre a natureza humana. Você acredita em espírito, em reencarnação? Acho que sim. Por isso, mês responda é que acredita em mãe, amigo ou namorado? As duas crianças são antagônicas ...

Se acredita em reencarnação, sabe que os mesmos espíritos podem viver papéis diferentes a cada vida. Sendo assim, a sua mãe de hoje pode ter sido sua esposa em outra vida, o seu amigo, um inimigo. Só este conhecimento deveria lhe mostrar que não deve dar tanto valor a estas figuras. Mesmo assim, continua dando. Porque?

 O problema não é que o apelo pelo apego por seres que estão vivendo esses papéis seja forte dentro de você, mas sim que o seu lado espiritual é fraco. Digo isso porque quem acredita encarnação mas ainda acredita na força das relações familiares Tem o seu lado espiritual mais fraco que o humano. Trata-se de uma criança espiritual. Falo assim porque trata-se de alguém não coloca em prática aquilo que ele mesmo diz que acredita.

 Volto, então, a dizer o que acabei de falar: o problema não é o ensinamento, mas quem vai utiliza-lo. O problema é saber até que ponto você está disposto a abrir mão da sua natureza humana, até onde está disposto a enfrentar o mundo para vencê-lo e com isso conseguir sua paz, sua felicidade e sua elevação espiritual.

Essas são perguntas que deixo pra todos que se dizem espiritualistas. Não adianta sonhar em colocar em prática o que eu ou qualquer mentor ensina, ou mesmos o que os mestres ensinaram, se você não responder a si mesmo estas questões.

Participante: numa relação conjugal onde cada um dos cônjuges possui uma visão diferente da vida, por exemplo um espiritualista e outros ético materialista, como manter a paz? Como conviver em paz numa relação entre pessoas tão antagônicas que não conseguem se separar?

Precisamos antes de qualquer coisa o apego nesta situação para poder aprender a conviver com ele. Neste caso, continuar vivendo mesmo estando mal mostra que um depende do outro. Mostra que mesmo sofrendo, um ainda imagina que depende do outro. Eis o seu apego.

Agora, como viver bem quando os dois são antagônicos? Deve-se colocar em prática um ensinamento que chamamos de a razão

Me diga uma coisa: se você é espiritualista, para que precisa ficar discutindo espiritualidade com quem não acredita nela? Só para mostrar que é melhor, que sabe mais? Para que precisa ficar impingindo aos outros a sua verdade?

O problema não está na convivência de um espiritualista com um cético, mas sim em um querer ganhar do outro. Está na ideia de quem deve doutrinar o outro para que pense igual a ele.

Na verdade, o seu casamento apresenta problemas porque você não está disposto a ter paz. O que quer é dominar, conquistar o outro, fazendo-o aceitar sua verdade.

O que você falou e está vivendo é uma grande prova de que a vida está escrita. Ninguém consegue se separar do cônjuge na hora que quer, por mais motivos que tenha para isso. Só se separa na hora que tiver que separar. Por isso, separação não pode resolver seu problema. Além do mais, não adianta separar, porque por conta desse apego a dependência continua e por isso ainda irão discutir sobre algum assunto, mesmo não morando mais juntos.

Vou repetir porque acho que ainda não entendeu seu apego: você precisa desta mulher que pensa diferente de você porque está apegado em ter que vencer alguém, tem que ganhar de alguém, tem que dominar uma pessoa para mudar na verdade. Seu apego não é ela, mas sim ao que imagina que sabe e à necessidade de ensinar os outros.

Me desculpe pela resposta, mas não passo mão na de ninguém. Não estou aqui para florear, nem para falar coisas bonitas. O que o que eu preciso fazer é mostrar o carnegão da infecção que vocês têm

Participante: essa questão de querer ser independente não passa de uma postura de orgulho?

Sim pode ser feito com orgulho. Eu diria melhor, com soberba.

Ter orgulho é a coisa mais importante do mundo. O orgulho é aquilo que lhe empurra para cima. Ele existe quando você diz para si mesmo: ‘eu fiz e posso fazer mais’. A soberba existe quando se diz: ‘eu fiz e por isso sou melhor do que você que não fez’.

Por causa disso. O que estamos falando é para fazer com orgulho. Agora, se faz com soberba, faz para ganhar do outro não fez nada. Se tivesse falado em soberba, aí eu lhe daria razão.

Fazer com qualquer coisa no sentido da elevação espiritual com soberba não adianta nada, não leva a lugar nenhum. É preciso fazer não para ser melhor do que os outros mas, para estar melhor, para viver melhor.

 Participante: como amar a nós mesmos sem nos tornarmos egoístas?

Amar a si mesmo é amar aquilo que é, o que vive e o que tem. Isso jamais lhe fará egoísta. O que pode fazer é esperar que o que tem, é e faz lhe traga algum lucro individual.

Cito como exemplo o caso que conversamos, onde me foi perguntado como abandonar tudo sem saber o que vai acontecer. Por trás desta pergunta há um egoísmo. Quem me fez esta pergunta ainda possui a necessidade de saber o que vai acontecer para julgar, verificar e analisar se conseguirá algo melhor para si do que se não fizer.

O que digo é que devem amar a si e ao que tem e é com um amor incondicional, um amor sem esperar nada em troca. Vou lhe dizer uma coisa: o grande problema é que as pessoas ouvem o que eu falo e querem colocar em prática os ensinamentos esperando ganhar alguma coisa. Por isso não conseguem nada

Participante: mas são tantos condicionamentos ... Desde a infância fazemos tudo para agradar os outros, para que eles nos ame ...

É claro que é assim. Até agora vocês foram guiados pela humanidade. Não se lamente por isso, apenas comece a combater agora.

Eu sei que você vai dizer que são muitos condicionamentos, mas combata um de cada vez. Vá destruindo cada condicionamento por vez. Se quiser atacar todos de hoje para amanhã, virar santo, não fará nada e assim não terá paz.

Participante: você falou que devemos colocar a maquiagem que goste, a roupa que ache melhor, mas isso não são atos. Como fica isso se não somos nós que decidimos as ações? Essas frases sempre me confundem ...

Botar a roupa é ato, mas só que há outra coisa envolvida neste momento, a intencionalidade que é emoção, sentimento.

Quando falo sobre o que disse, não estou me referindo a colocar uma determinada roupa ou se irá sair pelado no meio da rua. Estou falando que já que todos se vestem exteriormente, internamente você precisa estar satisfeito com o que está vestindo. Estou falando que internamente deve se aprovar e não precisar de alguém para fazer isso.

Colocar a roupa é ato. Agora, colocar a roupa para alguém o elogie ou para que você se sinta bem, isso é mundo interno.

Participante: poderia exemplificar o ensinamento ‘não transigir da sua verdade’ ensinado alguns anos atrás? Numa relação amorosa, como viver em harmonia com os outros e com os ensinamentos sem se apegar?

O que é não transigir da sua verdade? É não ir contra ela. Só que quando digo isso, não estou falando que você precisa expô-la aos outros. O que estou dizendo é que, internamente, de você com você, não deve ir contra aquilo que acredita. Digo que não deve transigir da sua verdade consigo mesmo.

Quando você quer ensinar ao outro o que é o certo, acabou de ter transigido a ela. Digo isso porque a sua verdade diz que é preciso amar e respeitar a todos.

Não transigir da sua verdade não é transformar-se numa rocha, no defensor ferrenho da sua verdade e por isso querer impô-la a todo mundo. Isso não é não transigir a verdade, mas usá-la como arma para um golpe com a finalidade de deter o poder. É querer dominar o próximo.

Não é isso que é não transigir da sua verdade. Além do mais, você que é espiritualista, ao agir dessa formar, está transigindo dela. Isso a sua verdade diz que não existe certo ou errado. Porque, então, quer dizer a outros que ele está errado e você está certo? Neste momento acabou de transigir dela

 Quanto a viver em paz com ensinamento e com uma pessoa que é diferente, o caminho para fazer isso é não transigir da sua verdade dentro da forma que nós acabamos de falar. É dar ao outro o direito de ser estar fazer e achar o que quiser. Para isso, a primeira providência é não se achar o mais sábio do mundo, aquele que precisa e deve ensinar tudo a todo mundo.

Quem não transige da sua verdade a tem para si. A considera importante, não abre mão de pratica-la, deixa ela dirigir a sua vida, mas isso com ele mesmo e não com os outros. Com relação ao outro, aquele que não transige da sua verdade lhe dá o direito de querer e acreditar no que quiser.

Deixe me falar uma coisa sobre o que conversamos recentemente em outro lugar. Vocês já me ouviram falar sobre livre arbítrio. Isso quer dizer liberdade de opção, liberdade de optar, de querer fazer. Vocês acreditam que tem o livre arbítrio, não têm, mas acreditam que têm. A partir disso, repare o que você está fazendo com a pessoa com quem convive e que pensa diferente: está caçando o livre arbítrio dela. Está querendo dominá-la e fazer com que não tenha liberdade de crença.

Olha que coisa: você defende o seu livre arbítrio, atacando o do outro. Falo isso porque não dá a ele o direito de ter a mesma coisa que quer pra si. Por isso, se você é espiritualista, se acredita nos nossos ensinamentos, querer impor aos outros o que acredita é transigir da sua verdade.

Esta questão vocês precisam analisar se querem para ser espiritualista e se querem viver universalmente: precisam deixar o outro querer o que ele quer.

Participante: em que momento o amar a si mesmo transforma-se num apego?

Ele torna se um apego quando você depende de si mesmo para estar em paz.

Quando depende, por exemplo, de uma determinada roupa para se sentir bem, quando precisa que o outro compartilhe as suas ideias para você viver bem com ele. Esse é o apego a si mesmo.

Uma vez perguntei a uma pessoa se já tinha me ouvido falar que tudo está certo, que tudo é bonito, que tudo pode ser. A pessoa me respondeu que sim. Aí perguntei: se é assim, porque hoje ficou escolhendo roupas durante uma hora para poder vir aqui? Poderia ter vindo com qualquer uma.

Quem tem apego quer escolher o melhor para si. Quem não tem, veste uma roupa qualquer e ama a si mesmo com aquela roupa. Quem tem quer escolher uma determinada roupa para se amar mais

Participante: e quando não conseguimos evitar o sentimento? Tem momentos que parece que não dá para se distanciar da situação. Na raiva, por exemplo, para haver desapego devemos deixar ela vir e sentir? Desapegar-se é não precisar da raiva?

O problema é que vocês precisam sentir raiva para se sentirem vivos.

Vocês precisam e dependem de pessoas que fazem coisas erradas. Porque? Porque querem mostrar que sabem mais, que conhecem a razão, que sabem o certo. Por isso precisam da raiva.

O desapego é o não precisar dela e não deixar de tê-la. Ter a raiva sempre terão, pois ela é gerada pela mente não por você. Por isso, quando ela vier, lhe dou um conselho: fique quieto e deixa ela ir embora. Na hora em que ela está presente, você não conseguirá fazer nada

Participantes: como posso auxiliar a alguém que está apegado?

Auxiliar a quem está apegado? Desapegue-se antes dos seus.

Em atos, em ações, se for necessária sua interferência para que o outro seja ajudado, isso acontecerá, pode ter certeza. No entanto, quando está se programando em como ajudar, está se apegando a isso.

Me desculpe, mas você não consegue fazer por si mesmo, quer fazer pelos outros? Não consegue se desapegar dos seus apegos, será que consegue ajudar quem está apegado?

Participante: não temos livre arbítrio. Sempre desconfiei que a evolução espiritual estava programada. A libertação do apego pela matéria e elevação do espírito são caminhos obrigatórios ...

Sim, não existe livre arbítrio. Sim, você não tem o livre arbítrio de fazer.

Só que você tem um livre arbítrio. Como explica o Espírito da Verdade, depois que o ser pede o seu gênero de provas, forma-se uma espécie de destino, que será Inexoravelmente vivido. Contudo, o mentor do espiritismo continua: falo isso com relação as coisas materiais, pois com relação às coisas morais, você é livre para optar entre o bem e o mal.

Portanto, você não pode mudar a sua vida, não pode praticar atos; para isso realmente não tem livre arbítrio. Agora, você tem a liberdade de opção de escolher como vivenciar emocionalmente aquilo que aparece na sua frente Pode escolher se vai viver achando tudo um saco ou convive com as coisas mesmo sem gostar mantendo-se em paz

Participante: como lidar com o tédio?

Tendo objetivos. Só sofre de tédio quem não tem objetivos.

Mas, isso é outro tema, podemos conversar algum outro dia.

Participante: já que falamos de vestimentas, quero abordar outro assunto. Existe lugares que temos que usar roupas adequadas. Por exemplo, gosto da cor preta, mas no terreiro tenho que usar branco.

Se você pensa desse jeito, lhe convido para ir a um terreiro onde nós atuamos. Lá, cada médium usa a roupa que quer. As meninas, inclusive, usam shorts curtos, o que em qualquer lugar seria considerado como um pecado. Só que dentro de nossa visão do mundo, não há problema algum.

 Voltando ao seu caso, quer lhe dizer uma coisa: você vai de branco por obrigação. Se essa obrigação lhe faz sofrer, qual seria a solução? Deixar de ir ao terreiro acho que não é solução, porque você gosta de lá. Ir com a roupa que quer também acho que não, porque se colocar uma roupa da cor preta e for, estará enfrentando quem lá está e que tem o hábito de usar roupa branca.

A solução, portanto, é usar a roupa branca, mesmo que não goste dela, mas fazer isso por respeito ao lugar e as pessoas que lá estão. Usar esta cor por amor aos outros, por respeito ao lugar e as pessoas que acreditam que lá não se pode usar roupa dessa cor.

Mesmo gostando do preto, vá de branco. Não para impor-se, para enfrentar os conceitos do terreiro, para ganhar, para exibir a sua liberdade das coisas deste mundo, mas para manter a sua paz a sua tranquilidade.

Sim, manter a sua paz, porque se for com a roupa preta, vai perder a paz. Viverá o prazer, que não tem nada a ver com paz. Saiba de uma coisa: quem quer enfrentar os outros, que ser melhor que eles, quer ser mais livre que os outros, perde a paz. Este só pode conquistar o prazer ou a dor.

Participante: de onde vêm nossos apegos?

Do general e dos tenentes, do seu individualismo, do seu desejo de possuir, da paixão, de desejo, das quatro âncoras, da sua vontade de vencer e do seu medo de perder. É dessas coisas que que surgem o apego. Elas existem porque a natureza humana a qual se ligou as possui, justamente para vencê-las.

Participante: tenho apego admiração por um artista e acho que o que ele faz é bom artisticamente.

Não tenha, pois vai sofrer um dia.

No futuro ele pode fazer alguma coisa que você não vai gostar. Também pode acontecer de fazer algo que alguém que não tenha apego por ele não goste. Sempre que uma contrariedade acontecer, por causa do seu apego, sofrerá.

Participante: tem sido um padrão nesta vida me relacionar com pessoas que vivem longe ou que acabam indo viver em outras cidades. Nesses relacionamentos à distância tenho tido uma oportunidade para desenvolver o amor a mim mesmo. Vivo isso sabendo que a vida vai acontecer como pedi antes de encarnar e que preciso aproveitar esta oportunidade. Mesmo assim a mente me sugere que preciso ter uma pessoa por perto e sofro por ter esse apego. Como argumentar com a mente nesse caso?

Deixando as pessoas ir embora em paz. Ninguém é insubstituível. Diga para si mesmo: foi muito bom enquanto durou. Esses dois argumentos são armas para vencer o que está na sua mente.

Apesar de lhe propor um caminho, volto a repetir o que já falei nessas conversas: não posso ensinar o caminho. É preciso que o descubra pessoalmente

O que faço é mostrar o que mente, faz mas quem vai arrumar os argumentos para vencê-la é você mesmo. Só lhe alerto que qualquer argumento deve ser no sentido de não depender de ninguém nem de nada.

Participante: pode falar sobre o apego as informações que vêm do plano espiritual, como por exemplo quando um espírito diz que você tem compromisso com uma casa, mesmo quando não concorda com o que acontece lá dentro, principalmente quando tem afinidade com os ensinamentos que o senhor traz?

O apego que vocês têm as coisas espirituais é o que mais lhe faz sofrer.

Está achando estranho? Isso é verdade. Acontece desse jeito porque tudo o que vem de um espírito é tratado pela mente humana como revestido por uma santidade, por uma espiritualização que não existe. Por causa dessa aura criada pela razão, as informações são tratadas de forma submissa e como elas às vezes ou falham ou não expõe o que você quer, existe o sofrimento.

 Além do mais, nem todos acreditam na existência da espiritualidade que se comunica com os humanos. Por isso, quando você gosta dessas coisas está exposto ao perigo, pois existem pessoas que não gostam. No momento em que tiver contato com elas sofrerá, pois vai tentar provar que é real, que existe.

Portanto, caminhe para não ter apego a nada, nem mesmo às informações espirituais. Você não deve depender de nenhum ensinamento, pois senão terá dependência deles.

Participante: tenho vontade de trabalhar em determinadas profissões. Estou trabalhando para isso. Posso continuar a seguir essa vontade sem me apegar a ela, sem depender de conseguir?

Não se apegue ao resultado da sua busca.

Você tem o desejo de trabalhar em determinadas coisas, está caminhando para isso? Ótimo, se faça isso, porque é vida, é a sua vida que está acontecendo. Agora, não espere porque está realizando este trabalho, acontecerá o que quer.

Esta esperança é o apego, é a dependência. Depender de alguma coisa é imaginar que por trabalhar com alguma finalidade, vá atingir o seu objetivo.

Por isso, faça o que fizer, mas controle a sua mente que certamente criará dependência de resultados.

Participante: não gosto do meu trabalho, mas vou sem me lastimar, porque preciso dele para sobreviver.

Esse argumento pode lhe ajudar mas há outro que pode também ajudar: observar as coisas que se compra, se conquista, com o dinheiro que vem do trabalho.

Para quem quer se libertar do sofrimento de ir a um emprego que não gosta é muito importante ter a consciência de que aquele dinheiro que põe a comida na sua mesa. Que é com ele que você vai passear, comprar roupa, viver momentos bons.

Você não gosta de quem lhe paga, não gosta de onde trabalha, mas são sai de lá, não pede demissão. Dizem que não podem fazer isso porque senão não teriam dinheiro para comprar o que querem, para subsistir. Portanto, o fruto do trabalho é algo importante, é um argumento importante no combate da perda da paz por se fazer o que não se gosta.

Guerreiros da paz - textos - livro IV

O condicionamento do amor

Participante: como abrir nosso coração para o amor incondicional a todos os seres e não apenas aos familiares e amigos? Este é, para mim, o maior dos desafios do ser humano.

O tema agora proposto não tem nada a ver com paz, mas é muito importante para quem a busca.

Como ter um amor incondicional? Não tendo o amor condicionado. A resposta é simples. Como posso amar a todos? Não amando ninguém especificamente. Não amando a nada de uma forma específica.

Ninguém consegue um amor universal enquanto ainda tem um condicionado. Um amor a alguém, porque, como e quando.

Sendo assim, o trabalho que precisa ser feito não se consiste em alcançar a incondicionalidade, mas não viver o amor condicional, retirar as condicionalidades ao amar. Aí que surge o problema. O ser humano apegado à realização quer gerar um amor incondicional, querem gerar um amor que seja universal, mas isso é impossível, pois enquanto houver condicionalidade no seu amor, ele será sempre condicional.

Amor é amor. O problema não é gerar um sentimento, mas como usá-lo. Eu diria que vocês já amam, mas não sabem amar. Isso porque o fazem de um modo condicionado. Se retirarem isso do amor, ele existirá de uma forma incondicionada.

Esta é a resposta à sua pergunta, mas tem mais coisas que quero complementar.

Guerreiros da paz - textos - livro IV

Ame amar

Como na prática amar incondicionalmente? Vou lhes explicar, mas isso não faz parte do mundo de vocês, não é para vocês. Amando o amar.

Só ama incondicionalmente quem ama amar. Quem ama o amor e não alguma coisa.

Veja a vida de Cristo. Ele não amou ninguém especificamente, nem a mãe nem os irmãos – quem são minha mãe e meus irmãos – ele amou o amar. Quem ama amar, ama a todos.

Este seria o trabalho que poderia dizer para fazer para amarem universalmente. Trata-se de aprender a amar o próprio amor. Isso porque na hora que ama o próprio amor, não importa para quem, como, porque ou quando ele exista.

Só que vocês, por estarem humanizados, não possuem esta capacidade. Isso porque estão presos à natureza humana e ela não quer amar. O que quer é usar o amor para ganhar alguma coisa.

O que vocês chamam de amor, o condicional, o humano, é aquilo que é usado pela individualidade, pela posse, pela paixão e pelo desejo além das quatro âncoras com a finalidade de ganhar, de ter alguma retribuição por amar. Tanto é assim que quando alguém faz algo contra vocês, deixam de amá-lo.

Portanto, o amor condicional é um instrumento do egoísmo e por isso precisa ser renegado. Quem não o renega está sendo egoísta. Só que como disse, a natureza humana nunca fará isso, por isso precisa trabalhar em si mesmo a questão de não amar ninguém especificamente.

‘Isso é difícil’, vocês me diriam e eu respondo: é. É duro para quem ainda quer ganhar, para quem tem paixão, desejo e apego.

Não estou dizendo que é fácil. Quando fizerem algo contra vocês ainda continuarão a sentir dor e acabarão com o amor. Isso continuará desse jeito porque quem ama o amar é tratado como bobo, como Cristo foi. É um idiota que não leva vantagem alguma e deixa placidamente os outros pisarem. É por causa disso que não conseguirão.

Eis, então a grande verdade: amar universalmente é amar o amor, e não a esse, aquele e a outro.

Só que vocês não sabem o que é o amor nem como amar, como ficou provado com o que acabei de falar, o seu trabalho para ter paz neste momento é começar a destruir a condicionalidade do amor gerado pela mente. Se não fizer isso, perderá a paz.

Que alguém me mostre um amor condicionado que trouxe paz inteira. Nem o de mãe para filho nem vice versa. Quantas vezes mães e filhos brigam e sofrem cada um para o seu lado. Porque isso? Porque vivem um amor condicionado, aquele que ainda espera que a mãe ou o filho faça determinadas coisas para que ele exista.

Guerreiros da paz - textos - livro IV

Conversando sobre o amar

Participante: quando não amamos a nada especificamente, não acabamos entrando num nada, num vazio ao invés de amarmos incondicionalmente?

Pelas perguntas que você tem me feito, posso dizer que está muito preocupada com o que acontecerá depois que realizar algum trabalho. Eu não posso lhe dizer o que acontecerá, pois a impressão sobre alguma coisa é sempre uma sensação individual. Por isso, vá, tente.

Deixe-me dizer algo. Se você está em busca de algo diferente na sua vida, e por isso veio parar aqui, é sinal de que as coisas não estão boas. Se você estivesse bem consigo mesmo, não estaria procurando nada novo. Por isso, lhe digo: tente. Pior do que está não vai ficar, mas pode ser que melhore. Espere ver o que vai acontecer.

Mas, tem mais uma coisa que quero lhe falar. Preste atenção e a cada assunto que conversamos a sua mente está lhe colocando argumentos para que nem tente. Esses argumentos estão dentro de um tema que ainda conversaremos aqui: previsão de futuro.

Repare que na sua pergunta há uma previsão de futuro. Quando diz que ficará no vazio com o fim do amor condicional, está fazendo uma previsão do que acontecerá caso coloque em prática. Mas, nem você nem ninguém sabe o que acontecerá amanhã. Por isso não deixe a mente plantar sementes ligadas a coisas futuras.

Viva o hoje, o agora. Viva o não condicionar o amor hoje e espere para ver em que dará isso.

Participante: o amor condicionado está ligado aos apegos?

Sempre. O amor condicionado sempre está ligado àquilo que se está apegado.

Participante: dessa forma, amar incondicionalmente pode significar dentro da visão humana o desapego completo, o amar o amar?

Não necessariamente o desapego completo, porque você ainda se apegará a ter que amar.

Quem ama o amor, ama a ele, mesmo que não esteja amando. Quando é preciso amar para poder amar, está vivendo uma condicionalidade.

O problema é que vocês não me ouvem apenas, mas querem entender, quererem um criar um sistema para colocar em prática o que falo. Querem saber o que é, como é, o que pode ser. Por isso se perdem, porque a mente humana não tem capacidade para entender essas coisas.

Ela faz este jogo como, por exemplo, a afirmação de que amar incondicionalmente então é o desapego completo, para que você se apegue a uma forma de amar. Aquele que não está desperto, que não está consciente da existência sua e da mente e do funcionamento desta, acaba caindo.

Neste momento começa a ter um apego: o de ter que amar.

Participante: parece que amar universalmente é só deixar de fazer as coisas humanas, deixar de amar humanamente, mas esse amar também tem a ver com um sentir algo, mesmo que não conheçamos esse algo?

Amar não é sentimento. Vocês tratam o amor como algo a mais, mas não se trata de nada diferente de qualquer outra coisa deste mundo. Amar não é aquele calor que dá no peito, não é estar se sentindo bem, estar em paz. Amar não é nada disso, mas apenas amar.

A partir desta afirmação, você me perguntaria: o que é amar? Eu diria que só tem condições de saber o que afirmei, mais nada. Isso porque amar está além do mundo humano.

Aqui, enquanto guiados por uma razão humana e viverem consciências criadas por ela, não terão consciência que amaram. Se tiverem, podem ter a certeza que esse amor é condicionado, já que tudo que é gerado pela mente é condicional.

‘Ah, Joaquim, do jeito que você fala fica difícil’. Sim, fica impossível, mas não pelo que eu falo, mas sim por conta de vocês. O problema é que ainda insistem em amar, em ter um sentimento, mas não foi isso que falei que deveriam fazer. O que disse é que deveriam se libertar das condições do amor gerado pela razão. Isso vocês entendem. Sabem o que é condicionalidade, imaginam que sabem quem é a mente e podem ver a condicionalidade presente. Portanto, se pararem por aqui, não ficará difícil.

Por isso, pare de querer saber o que é amar e como fazê-lo. Trabalhe suas condicionalidades.

Lembra-se quando me disse que as coisas humanas são um saco? Isso, além de apego a algumas coisas, é o fruto de um amor material, pois para achar alguma coisa um saco, é sinal de que ama condicionalmente outras. Quando me diz que a prática do ensinamento lhe levará a um vazio, acabou de colocar uma condicionalidade no seu amar.

Por isso, lhe digo, e sei que pode compreender: destrua essas coisas. Para isso diga para si mesmo: ‘aquilo é chato, mas é o que eu tenho. Não tenho o que queria, então vivo o que aparece’. ‘Estou ouvindo um caminho e ele toca meu coração. Por isso vou tentar praticá-lo, mesmo não sabendo onde vai dar. Aliás, no que vai dar não me importa, porque o importante é o caminhar e não o chegar’.

Isso são coisas que você compreender quando digo e possui condições de fazer. Só que ao invés de realizar o que precisa, fica se aprendendo a detalhes que é incapaz de compreender e que mesmo que compreendesse, não levaria a lugar algum. Falo isso da sua mente e não de você.

Aí está o problema. A mente trabalha de tal forma que os mantenha presos ao individualismo, à posse, a paixão, aos desejos. Por isso gera necessidades. Uma delas é a de entender o que é ouvido, a esmiuçar as coisas que são incompreensíveis para ela.

Saibam que esse é o trabalho da mente e que não conseguirão se libertar dele a tal ponto de não ter o fruto dele. Por isso, precisam trabalhar a liberdade do que é criado e não mudar a produção dela.

Participante: se o senhor já parte do pressuposto que não conseguiremos, porque nos fala disso? Porque aborda este tema?

Para que tentem. Este é um mundo de provar que quer e não de realizar.

Este é um mundo para começar a lutar contra as suas condicionalidades. É um mundo que existe para que prove que quer lutar, mesmo sabendo que não conseguirá se libertar de tudo.

Portanto, volto a dizer, não conseguirão chegar ao amar, mas provará que quer chegar a isso. Fazendo isso, está apto para ir para outro grua, que chamam de mundo de regeneração, e lá executarem o amar incondicional.

Agora não é momento disso. Para vocês que estão encarnados esse é o mundo de provas e expiação e por isso a regeneração não é cobrada.

Participante: viver o presente, no presente, pelo presente. Seria isso o mais próximo que poderíamos chegar do amor universal.

Isso não tem anda a ver com amor universal. Você pode viver tudo isso amando condicionalmente.

Viver o presente, no presente por ele mesmo é ter um campo para trabalhar contra as condicionalidades, mas não é o trabalho necessário. Esse é o de libertar-se da condicionalidade do amor no presente. Se ela diz que ama determinada pessoa porque é boa, bonita, lhe faz bem, liberte-se disso.

Não do amor a ela, mas da condicionalidade do seu amar. Se o vive, terá momentos onde essa pessoa não será aquilo que se condicionou que ela é. Neste momento, perde a paz.

Participante: qual outra personalidade encarnada amou sem apego?

Muitas. Mas, o que é que cite? Nomes extremamente conhecidos? É mais difícil deles amarem dessa forma.

No entanto, sabe aquelas pessoas que moram na favela e tudo está bom, que não reclamam da vida que têm? Sabe aquelas pessoas que passam fome nas suas casas e assim mesmo se alguém deixar um recém-nascido na porta ele cria ao invés de levar para a vara da Infância? Esses amam incondicionalmente.

O detalhe é que são figuras anônimas que vocês não querem seguir. Preferem elogiar e seguir Gandhi, Madre Teresa, Chico Xavier, etc. Aliás era estes nomes que você esperava que eu respondesse, não?

Porque esperava que desse estas respostas? Porque querem seguir eles? Porque isso é um símbolo de status perante a sociedade. Eu diria que adorar a Madre Tereza e Chico transmite para os outros a condição de ser uma pessoa muito boa. Olhe a busca da fama, do reconhecimento, do elogio com as quais a sua mente está trabalhando.

Como cristo diz: se você abraça o seu amigo, mas não cumprimenta o seu inimigo, não faz nada demais, pois até um ateu faz isso. É muito simples amar estas pessoas: isso até quem está totalmente preso ao egoísmo humano faz. Quero ver é você amar um bandido que mata e estupra. Aí sim você estaria fazendo alguma coisa.

Amando a ele, pode ser que consiga chegar ao amor universal. Agora, enquanto amar somente seguindo as condições que acredita, duvido que que chegue ao amor universal. Aliás, sem isso acho que nunca nem entenderá o que é amor.

Participante: a maior barreira para provarmos que queremos amar sem condições, é a distinção que fazemos das pessoas do nosso núcleo familiar das que não são?

 A maior barreira que tem para não amar universalmente é o apego, a dependência de alguma pessoa. Cada condicionalidade que existe no seu amor está ligada a um apego.

Ama a sua mãe, porque ela é sua mãe. Se aquela pessoa não ocupasse esse papel na sua vida, não a amaria. Essa condicionalidade no seu amor é fruto da dependência que tem da figura materna.

Ama sua mulher, porque é sua mulher, porque deita com você na cama, faz a comida, trabalha para lhe ajudar a sustentar. Se ela não fosse sua esposa ou se não fizesse algumas dessas coisas, mesmo sendo sua mulher, você não a amaria. Essa condicionalidade lhe faz se apegar àquela mulher e chama este apego de amor.

Então, o que faz você não conseguir amar universalmente não é o fato de pertencerem ou não a este núcleo. Amar universalmente é amar acima do que espera, do que gosta ou da sua dependência de quem se ama.

Participante: espíritos encarnados possuem condições de chegarem perto do amor universal?

Não. Espíritos encarnados hoje no planeta Terra tem condições de provar que não querem condicionar o amor. Como? Vencendo algumas condicionalidades. Só isso.

Falo isso do mundo de provas e expiações. Em outros mundos é outra coisa.

Participante: será que posso dizer que o amor incondicional é igual a ser feliz de forma incondicional?

Claro, quem ama incondicionalmente tem a felicidade incondicional. Porque? Porque não tem dependência de nada, não tem condições de ser feliz.

Só sofre aquele que está apegado, que tem necessidades, que precisa de alguma coisa para ser feliz.

Participante: quando fiz a pergunta a respeito de personalidades que vivem o amor sem apegos, queria saber se fora Cristo outro tinha conseguido e não para encontrar um ídolo para seguir.

Mas, eu lhe respondi: há muitos que conseguiram. Agora, não posso lhe dizer quem foi. Foi a Maria, o José, que são pessoas que você não faz a mínima ideia quem seja.

Então sim, tem gente que consegue, mesmo sem sabe que conseguiu. Outros acham que conseguiram e alguns nem tem ideia do que estamos falando.

Participante: a mente usa a intenção de acabar com as condições para amar como uma nova condição para se chegar ao amor universal. Como escapar dessa armadilha?

Não dependendo de amar para ter paz, de amar para se sentir bem, para ser feliz. Ou seja, escapando da condicionalidade que ela gerou.

Participante: se outros conseguiram amar universalmente, eu posso conseguir.

Com relação a isso, tenho certeza absoluta que você e todos podem. Não amar totalmente, mas conseguir vencer diversos condicionamentos.

Sabe porque tenho essa certeza? Porque estão encarnados. Se não tivesse condição de obter essa vitória, Deus não deixaria vocês encarnarem, viver isso. A encarnação passa pelo crivo de Deus e aquilo que Ele sabe que o espírito não tem a menor condição de fazer, retira.

Portanto, se estão encarnados, se estão tendo a oportunidade de ouvir aqui ou em qualquer ugar sobre esse trabalho, é sinal que possuem condições de fazer.

Agora, o que vai determinar se fará ou não? O apego que a mente criar e você aceitar.

Participante: sem amor condicional terminam os casais?

Não. Os casais continuam existindo só que vivendo dentro da universalidade do amor: sem condicionalidade. Um cônjuge não amará o outro por alguma motivo, mas apenas amará.

Guerreiros da paz - textos - livro IV

Temas gerais

Participante: animais têm apego?

E como ... Não o animal, mas a natureza animal. O animal humano e não o espiritual.

Participante: veja se estou certo. Me parece que a mente humana não entende que tudo que acontece em atos está programado porque precisamos e merecemos. Tenho a impressão que todos pensam que o que acontece na vida são casualidades fortuitas.

Sim, a grande maioria acha que quem comanda esse mundo é o acaso, a sorte e o azar.

Mas, porque a mente humana pensa assim? Porque é a sua prova. Se ela entendesse tudo, você não teria provas, não teria a condicionalidade do amor para poder lutar contra isso.

Então, sim, ela jamais acabará com os condicionamentos, mas você pode se libertar da condição que é criada por ela.

Participante: se esse apego fosse tão grande, quando a pessoa amada morresse pularia na cova com ela.

Não chega a esse ponto. Mas, já viu mãe que perde filho? Para ela a vida acabou. Já viu marido e mulher que viveram muito tempo junto e o cônjuge morre? Para quem ficou a vida acabou.

Então, esse apego não leva ao ponto de se enterrar junto, mas acaba com a vida. Acaba com sua alegria, felicidade e paz. É como se ela tivesse morrido.

Então, sim, não pula junto, mas morrer junto.

Participante: o animal cachorro sofre com o apego?

Sim, na sua cabeça. O sofrimento do animal é dado pela mente humana. Ele não sofre.

Porque isso? Porque são espíritos que não estão em prova moral. Quem não está nessa prova não tem nem prazer nem dor. Agora, você diz que o seu animal sofre porque você não está ao seu lado.

Na verdade, está usando ele com apego e diz que o ama muito.

Participante: minha vida se tornou outra depois que lhe conheci. Vivia em profunda crise de insegurança. Hoje tenho mais paz na minha alma. Obrigado irmão por me ajudar me aproximar de Deus. Espero um dia conversar com você pessoalmente.

Por favor, não me agradeça. Não posso fazer nada por você. Se não aceitar o que digo, não posso fazer nada por você. Portanto, se o ensinamento que trago lhe ajudou, agradeça a si mesmo por tê-lo aceito e colocado em prática.

Segundo detalhe. Não me agradeça por ter contato comigo. Falo isso porque se não fosse o seu carma, o seu planejamento de vida e o seu merecimento, nunca poderia lhe trazer para cá. Portanto, agradeça novamente a si mesmo por ter merecido estar aqui, já que diz que estas conversas lhe fazem bem.

Participante: se não podemos saber o que é essa tal de felicidade, dá para perceber que o se libertar do apego às pessoas nessa vida traz uma grande liberdade no curto prazo. Não importa o que aconteça, não sofrer já é alguma coisa.

Diga ais mesmo: não sei se isso é real.

Repare que ainda continua projetando o futuro, querendo saber o que acontecerá. Neste momento, condicionou. Você não sabe se dará muita felicidade.

Pare de condicionar o futuro. Isso é apenas a sua mente criando para lhe fazer sofrer lá na frente. Digo isso porque quem fará o trabalho é ela e no futuro pode colocar uma situação onde você não consegue realizar nada e lhe dá sofrimento. Aí o que agora é esperança vira decepção.

Por isso, novamente lhe digo: pare de querer saber onde vai dar qualquer coisa. Pare de querer fazer previsão de futuro. Você não tem bola de cristal nem baralho de cigana para isso.

Participante: tem como nós, espíritos encarnados, sabermos se estamos tendo os sentimentos corretos, vencendo nossas provas?

Não. Porque você precisa trabalhar vinte e quatro horas por dia. Porque qualquer situação da sua vida é prova. Sendo assim, se a mente disse que agora fez certo, isso não é verdade, mas uma nova prova.

Você só vive com consciências criadas pela mente. Pessoalmente, não sabe nada, não vê nada e nem certeza de alguma coisa. Tudo é somente uma criação mental.

Participante: ontem, quando tivemos problemas para nos comunicar, cheguei a pensar que se atacaram a sua palestra, imagina a mim.

Não se preocupe com esta questão. Os ataques só acontecem se Deus permitir e se isso acontecer, é porque quem é atacado precisa dele. Se não precisar, nunca será.

Participante: ouvi de um espírito que o ensinou que o plano de encarnação tem diversas possibilidades. Então, quando escolhemos entre o bem e o mal com relação aos acontecimentos, nosso psiquismo como tudo mais vai mudando para que possamos viver as provas de uma forma diferente, mais leve. Talvez seja o que Cristo diz quando fala que o fardo é leve.

Isso é uma condicionalidade. Veja como a sua mente está propondo uma questão ainda querendo ganhar: o fardo mais leve. Por isso, esqueça.

Sim, a encarnação, o livro da vida é montado como se fosse um tronco de árvore de onde saem diversos caminhos, galhos. Eles se encontram em outros pontos. Só tem um detalhe: essas mudanças de caminho não alteram os atos, mas as emoções que a mente gera para os momentos da vida. Lembre-se que vocês não estão em provações físicas, mas morais. Sendo assim, a prova não é o ato em si, mas a emoção criada mentalmente.

Sendo assim, digamos que esteja trilhando um caminho onde haverá fisicamente um assalto. Não importa qual seja as emoções vividas antes, esse assalto irá ocorrer. Agora, você pode viver esse acontecimento como se fosse algo horrível, péssimo, pode viver com resignação por ter sido assaltado ou pode louvar a Deus neste momento.

É essa mudança que pode acontecer se tiver vencido outras provas. Ela é decorrência de vivências anteriores. Mas, deixar de ser assaltado, jamais deixará de ser. Isso porque o seu assalto não está ligado só a você. Está ligado ao assaltante, a família dele, a polícia, para quem tiver notícia dele.

Todas as encarnações que precisam daquele assalto têm que ser realizadas. Por isso, o assalto não pode deixar de ser cometido.

Participante: penso que o que nos travou onde foi apenas parte física. Se começar a pensar que foram forças ocultas do além, fica muito místico, exotérico. Penso que essa forma de ver as coisas atrapalha em muito a busca da felicidade. O que tem a dizer sobre isso?

Que você não pensa nada. Quem está pensando estas coisas são sua mente. Acreditando nisso, gerará uma dependência que o fará à frente.

Veja, o que estou ensinando não é para pensar isso ou aquilo sobre as coisas, não é para ter uma visão humana ou espiritual delas, mas sim para se libertar de qualquer coisa que lhe venha à consciência. Como não sabe se foi espírito ou se foi parte material que gerou o problema, não se deixe levar por esta razão.

Aliás, não importa quem foi. O importante é saber que não houve a conversa programada. Porque, para que, como, quando e onde, isso são coisa que deve se afastar.

Participante: apesar da complexidade do assunto e dos inúmeros estudos que existem, parece que a reforma é mais simples do que se apresenta à primeira vista. Quem estuda parece que escolheu um caminho mais difícil de provação.

Perfeita sua colocação. Porque isso é assim? Porque quem estuda quer saber alguma coisa.

Me digam uma coisa? Quem de vocês que me ouve e lê, não procura outros mentores e outras fontes para ouvir ou ler? Quem de vocês não procura outro trabalho para realizar na busca da elevação espiritual? Quem esqueceu o mundo e se concentra apenas num ensinamento, que não é de Joaquim, mas seu, pois você acreditou nele? Ninguém.

Porque isso acontece? Porque a mente de vocês não quer fazer trabalho algum. Ela não tem esse anseio. Ela quer saber, conhecer. Não para realizar alguma coisa, mas para dizer que está fazendo alguma coisa.

Por isso, a vida de vocês é a seguinte: me ouvem hoje, amanhã recebem informações de outro mentor, à noite se expõe a ensinamentos de outra corrente. Estão sempre em busca do que? Do saber e não de fazer alguma coisa. Quem está em busca de fazer alguma coisa não procura o que ser feito: apenas faz o que lhe é apresentado.

É isso que acaba transformando em dificuldade o trabalho da reforma íntima: ninguém pega o ensinamento de um guru, seja ele qual for, e coloca em prática. Todos querem apenas adquirir conhecimentos, saber.

Não estou brigando, exigindo exclusividade ou dizendo que abandonem outras vertentes. O que estou querendo é lhes mostrar que não fazem porque não querem fazer. Quando ouço alguém dizer que é muito difícil fazer o que proponho, diria que fico estarrecido, pois como você disse, é muito fácil, simples. Só que o que falo não tem cultura envolvida, não demonstra a sua capacidade de saber das coisas que ninguém mais sabe. Aí a mente corre para outros cantos onde haja mais sapiência e presa a essa busca, não faz nada. Para justificar que não faz, diz que é difícil.

Portanto, o que você colocou é perfeito. A reforma íntima é simples e se resume numa frase de Cristo: vencer o mundo, a natureza humana, libertar-se dela. Ponto final. Será que isso é tão difícil?

Você poderia dizer que sim, pois não sabe o que é natureza humana. Eu lhe digo: é tudo. Tudo que você pensa, mesmo que o pensamento aparentemente seja sublime, é gerado pela natureza humana. É difícil entender isso? Diria que não, que é simples.

Outro detalhe que os leva a não fazer. ‘Ouvi Joaquim, o que ele falou calou no meu coração, decidi fazer, mas vou esperar a próxima palestra, ler o livro de outro autor, para saber se está certo o que estou pensando’. Indo por este caminho, não fará nada. Se quiser fazer alguma coisa, faça agora.

Só mais um detalhe: eu não pretendo construir um séquito me adorando. Não estou falando isso para me idolatrarem. Estou falando para que não transijam da sua própria verdade. Se ela não está nos nossos ensinamentos, onde vem por mera curiosidade, mas sim em outro lugar, vá para lá, pare de buscar outras coisas e faça o que lá é dito. O que não veem é que enquanto saem na busca desesperada aqui ou acolá, está transigindo da sua própria verdade, daquilo que acredita.

Quando acabarmos aqui a maioria de vocês dirá que foi muito bom, que aprendeu muita coisa interessante. Digo isso porque até agradecimentos houve. Mas e amanhã, o que fará. E quando sair daqui, o que fará?

Não estou falando do meu ensinamento, mas daquilo que você acredita.

Participante: porque a reforma é simples e não conseguimos. Aliás, se ela é simples, porque não conseguimos? Ora, vencer o mundo: faço com o pé nas costas e lixando a unha ...

Pois é, me diga como pode imaginar que não consegue vencer o mundo se é capaz de fazer coisa mais difícil do que isso que é lixar a unha?

Participante: simples para o senhor ...

Na verdade é mais fácil do que lixar unha realmente... Para fazer isso você teve até que construir uma unha, pois ela não existe. Mais, para tê-la, teve que construir um corpo todo. Para que ele existisse teve que criar coisas para servi-lo. Olha como é complicado lixar unha, veja quanta coisa é necessária fazer para lixar uma unha.

Veja, você ainda acredita em tudo que a sua mente diz que existe. Ainda crê que no final encontrará um vazio. Realmente fica difícil se fazer alguma coisa.

O que não veem é que só querem se libertar daquilo que não gostam de estar presos. Do que não querem, nem tentam se libertar. Aí realmente fica difícil.