Aldo Pereira

Escravidão "reestilizada"

Por Aldo Pereira há 2 meses

Analisando por esse aspecto, podemos afirmar que a Lei Áurea acabou com a coação e o constrangimento a outrem para que obedeça aos desejos do seu senhor? Será que essa lei deu realmente a liberdade aos seres humanos? Basta analisarmos o dia a dia da vida de qualquer ser humano para compreendermos que isso não ocorreu. Ainda hoje os senhores de escravo estão por aí. Não mais contraventores ou negreiros que praticam uma atividade ilícita, mas professores da lei que se baseiam nos critérios dualistas (certo e errado, bonito e feio, moral ou amoral, bom ou “mal) ditados pela sociedade para escravizar os outros seres aos seus desejos. Transforma-se em senhor de escravo todo aquele que quer comandar a vida de outro, por meio da coação e do constrangimento. Todos aqueles que apontam os erros dos outros, todos aqueles que querem consertar os outros, todos aqueles que querem ditar normas de procedimento padronizadas.

Age desta forma para buscar o lucro individual: o prazer. Está sempre preocupado que suas leis e seus padrões individuais sejam satisfeitos pelo próximo como se somente ele conhecesse a verdade das coisas. Da mesma forma que os senhores de ontem, utiliza a força bruta para coagir o próximo para que trabalhem em seu benefício. Não mais a chibata de couro, mas a de carne. Ao invés do chicote impiedoso, hoje utiliza a língua para coagir e constranger seus escravos. Não mais o tronco, mas os gritos e críticas que humilham o próximo. Agora, passado mais de um século que a Lei Áurea foi promulgada, é preciso que a liberdade chegue ao país. Não a falsa liberdade, aquela concedida apenas no papel por uma lei, mas a verdadeira liberdade.

Está na hora dos senhores de escravo (os professores da lei, aqueles que se julgam detentores da verdade) promulguem a alforria de seus escravos. Para isso é fundamental a doação da razão.

Espiritualismo ecumênico universal