Aldo Pereira

O que é preciso para ser feliz?

Por Aldo Pereira há 1 semana

Fui judeu e professor da lei (sacerdote) da tribo dos fariseus durante a passagem de Jesus pela carne. Conheci-o pessoalmente. Vi seus atos, ouvi suas palavras e vi as multidões que se arrastavam atrás dele. Ao invés de seguir a população na busca dos novos ensinamentos, mantive-me atento às minhas convicções que muito diferiam das do Mestre. Enquanto ele ensinava a amar, eu atemorizava os meus irmãos para que aprendessem a seguir as leis. Escutava suas palavras, compreendia a lógica de seus ensinamentos, mas não poderia aceita-las porque imaginava que desta forma estaria traindo todos os meus conhecimentos. Mantive-me firme no que era tradição para o meu povo e só muito tempo depois, de volta à pátria espiritual é que pude compreender que o revolucionário Jesus é que estava com a razão. Não há outro caminho para a elevação que não seja amando a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, ainda que isto fira todas as tradições que alguém possui.

Ao me preparar para uma nova encarnação, ainda na Judéia governada por Roma, comecei a escrever meu livro da vida baseado nos ensinamentos do Cristo. Fui preparando cada situação de minha futura vida levando em consideração tudo aquilo que Cristo ensinou através do irmão Jesus. Quando cheguei ao final da construção dos eventos da próxima vida descobri algo interessante: havia escrito a encarnação que Jesus teve. A mesma essência das situações, apesar de não possuírem as mesmas formas.

Pedi para ser humilhado, desacreditado, afrontado. Para viver basicamente dos recursos da natureza, para não possuir bens e nem família. Então nasci na pobreza absoluta, mesmo para aqueles tempos de pouco avanço material. Vi todas as leis serem quebradas: roubei, fui roubado, matei, fui morto e adulterei e sofri o adultério. Apesar de todas estas situações de sofrimento, não sofria. Encarava tudo com muita naturalidade e recebia qualquer coisa que me acontecesse com uma alegria que não podia compreender, pois, na carne, não me lembrava das marcas profundas que o amor de Cristo tinha feito em mim. Levando em conta os ensinamentos que possuíam os meus irmãos encarnados de então, eu era um pária, um mau elemento. Nem circuncidado havia sido, pois aqueles que me criaram não se dispuseram a me aceitar como filho. Nem mesmo estes fatos abalavam a minha felicidade.

Vivia solto no universo. Não tinha campo, não tinha pousada, muitas vezes nem o que comer, mas o simples fato de estar vivo abastecia minha alma de uma alegria profunda. Quando desencarnei descobri que todos os prognósticos feitos pelos religiosos estavam errados: eu estava liberto do ciclo de encanações. Fui recebido em glória por irmãos que me saudavam, quando eu esperava, na verdade, ser atirado ao mar subterrâneo para ali ficar em tormento. Todos estes irmãos diziam em coro que eu estava salvo, pois tinha vivido como o cordeiro. Aos poucos minha memória espiritual foi voltando e me lembrei que tinha programado uma encarnação onde passasse pela essência das situações da vida de Jesus. Graças ao amor do Cristo, havia conseguido. Eu havia sido um Jesus na última encarnação, ou seja, tinha conseguido passar pelas minhas situações de sofrimento sem sofrer. Relatei minha vida para que possa servir de guia para aqueles que procuram a sua elevação. De nada adianta, neste momento que os reais ensinamentos de Cristo voltam ao planeta, prenderem-se às tradições que vivem, pois estas não são reais. Somente o amor é a realidade universal.

Jacó.

Espiritualismo ecumênico universal