Bem aventurado-Mateus-Conversa 01

Amar os inimigos

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame os seus amigos e odeie os seus inimigos.’ Mas eu lhes digo: amem os seus inimigos e orem pelos que perseguem vocês, para que vocês se tornem filhos do Pai de vocês, que está no céu. Porque ele faz com que o sol brilhe sobre os bons e sobre os maus e dá chuvas tanto para os que fazem o bem como para os que fazem o mal. Se vocês amam somente aqueles que os amam, por que esperam que Deus lhes dê alguma recompensa? Até os cobradores de impostos amam as pessoas que os amam! Se vocês falam somente com os seus amigos, o que é que estão fazendo demais? Até os pagãos fazem isso! Portanto, sejam perfeitos, assim como é perfeito o Pai de vocês, que está no céu.” (Mt. 5, 43 a 48)

Quem é o seu inimigo? Aquele a qual você aplica alguma culpa. Por isso, o que está sendo dito nesse trecho do acordo é que não existem culpados. Mais: mesmo que sua mente aplique culpa a alguém, ame essa pessoa também.

É muito fácil separar o mundo entre culpados e não culpados e amar apenas os inocentes e não os culpados. Aquele que vive a verdadeira felicidade, é quem, mesmo a mente atribua culpa e gere acusações, ama esse também.

Vou contar uma história. Um pastor novo foi fazer uma palestra sobre o amor. Ele, ainda livre dos vícios da profissão, começa justamente dizendo o seguinte: ‘como posso chegar aqui no púlpito e falar de amor dizendo que alguém não ama? Como posso chegar no púlpito e falar de amor e dizer que aquele é culpado de ter feito alguma coisa?’ Pena que todos não mantém essa inocência depois de anos de pastorado, não?

Quem ama não culpa ninguém, não vê culpa em ninguém. A felicidade existe, justamente quando o ser consegue botar no mesmo saco do amor o culpado e o não culpado.

É isto que está sendo dito nesse trecho de o Novo Testamento. Para que alcançar a bem aventurança, não importa se o outro é culpado ou não: ame-o.

Repare que no texto Cristo não disse que você tem que transformar o inimigo em amigo. É preciso acabar com a culpa dele que foi gerada pela mente, mas isso não quer dizer que precisa tratar de forma igual o que considera culpado e não culpado. Você pode não gostar do que o outro é ou faz e nem precisa ser ou fazer igual, mas precisa respeitar o direito que ele tem de ser ou fazer ou quiser. Isso é amar.

É isto que está sendo colocado aqui e esse talvez seja um dos mais belos ensinamentos de o Novo Testamento, pois não fala em desculpar nada.

Vocês acham que amar é desculpar alguém. Não é isso. Não tem como um ser humanizado desculpar ninguém, porque o desculpar é um ato mental. Sendo assim, quando há uma desculpa mental, não há amor nenhum.

Amar é tratar os diferentes de uma forma igual. Amar é tratar aqueles que recebem a pecha de culpados ou inocentes de uma forma única. É isto que está nesse pedaço. Essa é a parte importante do texto.

O que está escrito é: o acordo de Deus com você presume que trate os culpados sem desculpar, mas de uma forma igual a que trata o inocente. Para isso é preciso trabalhar em si uma coisa: a justiça, o ter sede e fome da vontade de Deus, da justiça de Deus.

Querendo apenas a justiça do homem, jamais vai conseguir tratar o diferente de uma forma igual.

Participante: se a gente alcançar a compreensão de mérito...

Mérito não entra nessa história. Não importa se o outro está certo ou errado no seu julgamento, na sua mente. É preciso trata-lo da mesma forma.

Participante: mas, nesse caso, a gente já não vê culpado, porque as pessoas merecem e praticam aquilo que é da vontade de Deus de acordo com o carma delas, então...

Você não vê culpados, mas ainda vê justiça ou injustiça, o que não deveria acontecer. Ainda dizem assim ‘vocês não deveriam estar fazendo isso...’

Participante: sim, isto acontece.

Isso é mérito e demérito. Mantendo essas noções, não vão conseguir se libertar do tratar diferente o culpado. É esse o problema.

Vocês ainda querem desculpar os outros e o trabalho não é esse. O mérito e demérito é gerado pela sua mente e crendo nele, não vai conseguir amar o culpado. Por isso, terá que trabalhar acima do mérito e do demérito, lidar com os dois lados da mesma forma.

Participante: o que percebo que a mente tenta fazer o tempo todo é distorcer a realidade, ou seja, em vez de enfrentar a realidade diferente que é observar que realmente isto acontece, ver injustiça, etc e trabalhar com ela da forma com que se apresenta. Ela mesma tenta distorcer a forma como apresenta para eu tentar uma outra forma de proceder. Só que não é a realidade, a realidade da forma como ela se apresenta. Então, minha pergunta representa isso, uma maneira de minha mente distorcer a minha realidade para tentar fazer essa coisa de desculpar, não enxergando o que ela mesma apresenta que na realidade é assim, a injustiça, ver sim culpado nos outros... Isto é uma forma de a mente trabalhar

A questão do desculpar é muito interessante porque é isso que a razão vai tentar mentalmente.

A mente, por exemplo, pode dizer assim: ‘aquele é um safado, mas é um filho de Deus. Por isso tenho que amá-lo, preciso tratá-lo bem.’ Você acha que isso é amor, mas é desculpa.

Pensar assim é querer tirar a culpa: isso não adianta nada. O que é necessário é pensar assim: ‘ele é um safado, não presta. Não concordo com o que ele fala ou faz, mas não é por isso vou odiá-lo, criticá-lo’. Lembre-se: ‘se alguém tiver alguma coisa contra você, corra e vá fazer as pazes’

O que estou querendo mostrar é que vocês têm feito um trabalho mental tentando retirar a culpa dos outros quando não é esse o trabalho. O que é preciso alcançar é a ideia de que o outro não presta, mas assim mesmo o amo. É viver acima do arrumar motivos para amar, pois os que a mente fica tentando arrumar dentro dos ensinamentos são apenas desculpas

Quando foi falado da mocinha que matou os pais nenhuma ideia sobre ela justifica o que foi feito. Mas, não importa se ela é uma assassina fria, sanguinária, aquele que honra o seu acordo com Deus precisa amá-la, pois está escrito que é necessário amar a todos.

Eu não preciso tirar a culpa dessa menina, porque essa culpa é humana, trata-se apenas de uma visão humana das coisas da vida. Para Deus, não há culpa de nada. Por isso, apesar de manter a condenação humana, não se deve odiá-la, tratá-la de forma diferente do que se trata um mestre, um Dalai Lama ou um amigo.

Bem aventurado-Mateus-Conversa 01

A vingança

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho, dente por dente.’ Mas eu lhes digo: não se vinguem dos que fazem mal a vocês. Se alguém lhe der um tapa na cara, vire o outro lado para ele bater também. Se alguém processar você para tomar a sua túnica, deixe que leve também a capa. Se um dos soldados estrangeiros forçá-lo a carregar uma carga um quilômetro, carregue-a dois quilômetros. Se alguém lhe pedir alguma coisa, dê; e, se alguém lhe pedir emprestado, empreste. (Mt. 5, 38 a 42)

Aqui fala de desapego. Cristo ensina: ao invés de se vingar, dê mais do que pedem. Falta de apego: não se apegue a coisas materiais.

Participante: e fazendo isto cai de novo naquele ponto de contraste, não é? Porque o que se espera é que pelo menos você não se vingue, mas não faça mais. Se fizer o dobro...

Já acende o farol para os outros. Como já disse, não espere que sua vida vai ficar mais fácil.

Bem aventurado-Mateus-Conversa 01

Os juramentos

“Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não quebre a sua promessa, mas cumpra o que você jurou ao Senhor que ia fazer.’ Mas eu lhes digo: não jurem de jeito nenhum. Não jurem pelo céu, pois é o trono de Deus; nem pela terra, pois é o estrado onde ele descansa os seus pés; nem por Jerusalém, pois é a cidade do grande Rei. Não jurem nem mesmo pela sua cabeça, pois vocês não podem fazer com que um só fio dos seus cabelos fique branco ou preto. Que o “sim” de vocês seja sim, e o “não”, não, pois qualquer coisa a mais que disserem vem do Maligno. (Mt. 5, 33 a 37)

O que é jurar por alguma coisa? Quando é que você jura?

Participante: jurar é dar certeza absoluta?

Ter certeza absoluta. Se não tiver certeza absoluta de alguma coisa, não vai jurar. Portanto, o esse texto do acordo fala: não tenha certeza absoluta de nada; nem das coisas do céu, nem das coisas da Terra, nem das coisas da religião.

O céu é a cabeça de Deus; a Terra é onde Ele põe os pés. Ou seja, tudo é de Deus.

Só Deus sabe. Você tem notícias, informações, mas não tem nenhuma verdade absoluta. Por isso não dê certeza de nada. Diga a penas, sim ou não.

Diga apenas, ‘a terra é redonda’ ao invés falar: ‘a Terra é redonda e você está falando que é plana. Você é burro, não sabe nada’.

Isto é jurar: ter certeza absoluta, se contrapor ao outro com a sua verdade. Aquele que quer alcançar a verdadeira felicidade, não sabe nada. Ele simplesmente diz: ‘sim, para mim é” ou ‘não, para mim não é’. Se o outro fala diferente, ele responde: ‘não posso afirmar que eu ou você está errado, porque não tenho certeza de nada’. Isso é não jura por nada.

Participante: faz assim porque sabe que não pode ter a verdade absoluta de nada.

Não.

Porque não deve se jurar? Porque a afirmação de que tem certeza gera uma tentação forte. Para quem garante que tem a verdade, que sabe, a busca pela notoriedade é inexorável. Essa busca vai causar o ter que brigar com o outro.

As verdades, sejam elas quais forem, são instrumentos conseguir a fama. Jurando, o ser será impelido a provar que está certo. Com isso vai querer provar que tem a razão, mesmo que esta prova seja uma ilusão.

Bem aventurado-Mateus-Conversa 01

O divórcio

“Foi dito também: ‘Quem mandar a sua esposa embora, deverá dar a ela um documento de divórcio.’ Mas eu lhes digo: todo homem que mandar a sua esposa embora, a não ser cm caso de adultério, será culpado de fazer com que ela se torne adúltera, se ela casar de novo. E o homem que casar com ela também cometerá adultério.” (Mt. 5, 31 e 32)

O que é dar um papel de divórcio à mulher? É dar um documento de rompimento, separação. Você não pode se separar da sua mulher. (Mulher aí como companheira de encarnação).

Participante: neste caso aqui mulher é interpretado como esposa? .

Nesse caso é mulher, mas só esposa. Pode ser companheiro ou companheira, pois podem ser dois homens, um que vive junto com o outro.

Está se falando na relação de dois seres humanos, casados ou não. Você não pode romper com aquele que tem um relacionamento estável. Pode se afastar de corpo, mas não pode romper.

‘Ah! Não tenho nada a ver com ela. Já me separei ...’ Continua tendo. É seu companheiro ou companheira de encarnação. A existência de vocês está atrelada. Buda: interdependência.

Pode estar a milhares de quilômetros um do outro, mas aquele companheiro ou companheira de encarnação, mesmo ausente fisicamente, faz parte do seu teatro de vida. Por isso o que ela(e) faz ou não faz continua gerando atos sobre você. Por isso não pode estar separado dela jamais. Aliás, nem vai conseguir.

O casamento nesse texto é usado como parábola, pois trata-se de qualquer união. Você não pode separar duas pessoas que se uniram numa vida. São seres que vêm em encarnações que interdependem e essa interdependência continua, mesmo não estando juntos fisicamente.

Participante: o que seria esse continuar?

Vocês são amigos. Um dia brigam e aí ele não quer mais saber de você. Porque? Só porque brigou, não é mais amigo?

Ele precisa aceitar que você existe. Aceitar que o que ele faz interfere na sua vida e o que você faz interfere na vida dele. Saber que existe essa correlação de fato.

Aquela ideia que vocês têm (‘agora não é mais minha mulher, que se dane’) é irreal. Ela(e) continuará sempre um elemento, um espírito irmão, dentro da sua encarnação e como tal você tem que agir ajudando-a(o) também

Participante: mas parece que tem uma exceção no texto: “a não ser em caso de adultério...”

Neste caso é usado ao pé da letra para criar uma norma para época. Esquece esse pedaço. Como disse são parábolas usadas para cada tempo.

Bem aventurado-Mateus-Conversa 01

O adultério

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não cometa adultério’. Mas eu lhes digo: quem olhar para uma mulher e desejar possuí-la já cometeu adultério no seu coração.” (Mt. 5, 27 e 28)

O que quer dizer isso? O que é adulterar? É faltar com a verdade. A figura da mulher aí representa a tentação. Esse trecho não fala do adultério sexual apenas.

Adulterar é faltar com a verdade, falsificar. Sendo assim, o texto acima pode ser entendido como ‘aquele que olhar para a tentação e faltar com a verdade, adulterou.’

Para compreender o adultério, vamos usar outro exemplo que não seja mulher. Uma pessoa diz assim: “eu não estou nem aí para coisas materiais’. Só que logo depois também diz: ‘que carro bonito, porque eu não troco o meu por aquele?’ Pronto, já adulterou. Cometer o adultério é faltar com a verdade e não simplesmente trair alguém.

Só que existe um detalhe na questão do cometer adultério: não precisa praticar ato algum; só aceitar o querer já é adultério. Não é o ato; é o mundo interno. Adulterar é aceitar aquilo que é contrário ao que você acredita. Quem, por exemplo se diz cristão, seguidor de Cristo, mas ainda reza pedindo ganhos nessa vida, comete o adultério.

Você assina um acordo com Deus onde está escrito que deve amealhar bens no céu e não na Terra. Diz que acredita nos termos desse acordo e que vai buscar praticar o que está escrito nele. Depois cede à tentação de querer as coisas materiais. Isso é adultério.

Não é não ter, é não aceitar. Ela vem e você diz que não é isso que quero para mim, não é isto que quero para minha vida. A tentação precisa vir para que você se livre.

“Portanto, se o seu olho direito faz com que você peque, arranque-o e jogue-o fora. Pois é melhor perder uma parte do seu corpo do que o corpo inteiro ser atirado no inferno.” (Mt. 5, 29)

O que quer dizer isso? O que é o seu olho? Instrumento de percepção, de perceber.

Se o seu instrumento de perceber, que não é só o olho, mas também a razão, lhe faz desejar, é preferível que retire aquela percepção e com isso viva a felicidade. Preferindo manter a percepção, ou seja, acreditando na razão gerada pela mente, você vai viver o mundo de prazer e dor.

‘Ah! Que frio!’. Isso é uma percepção. Se cede à tentação de morrer de frio, perdeu a paz. Perdendo-a também perdeu a felicidade. ‘Está frio? Está. O que eu posso fazer? Colocar um casaco’. Se o casaco não aquecer, sinta frio e não sofra por isso.

“Se a sua mão direita faz com que você peque, corte-a e jogue-a fora. Pois é melhor perder uma parte do seu corpo do que o corpo inteiro ir para o inferno.” (Mt 5, 30)

É a mesma coisa do item anterior. Refere-se às percepções.

Bem aventurado-Mateus-Conversa 01

O ódio

“Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não mate. Quem matar será julgado’. Mas eu lhes digo que qualquer um que ficar com raiva do seu irmão será julgado. Quem disser ao seu irmão: ‘Você não vale nada’ será julgado pelo tribunal. E quem chamar o seu irmão de idiota estará em perigo de ir para o fogo do inferno. Portanto, se você estiver oferecendo no altar a sua oferta a Deus e lembrar que o seu irmão tem alguma queixa contra você, deixe a sua oferta ali, na frente do altar, e vá logo fazer as pazes com o seu irmão. Depois volte e ofereça a sua oferta a Deus.” (Mt. 5, 21 a 24)

Isto quer dizer que não existem os sete pecados capitais. Qualquer ato emocional que não seja amor, mas contrariedade, é passível da mesma pena.

A menina, que foi citada, que matou os pais ou você dizer para sua esposa que ela está errada em algum pequeno aspecto, tem para Deus tem a mesma força e intensidade. É isto que está sendo ensinado nessa parte do acordo: qualquer atitude que seja contrária ao outro tem o mesmo peso para Deus, não importa qual seja.

Mais. Está sendo dito aí que se alguém tem alguma coisa contra você, esqueça tudo. Largue toda sua adoração e vá correndo fazer as pazes. Fazer as pazes é ir até o outro e pedir desculpas, doar a razão a ele.

Existem dois pontos importantes nessa parte do acordo. Primeiro: não diga que qualquer coisa é banal e que por isso não afeta a Deus. Ele não se preocupa só com os assassinatos ou coisa de maior vulta; também se preocupa com a mínima coisa onde não exista a vivência do amor, mesmo que o ato seja corriqueiro. Para Deus, isso tem o mesmo valor de matar alguém. Segundo: não importa o que esteja fazendo, mesmo que seja louvando a Deus, se alguém tem alguma coisa contra você, pare tudo o que está fazendo e vá lá e doe a razão ao outro.

“Se alguém fizer uma acusação contra você e levá-lo ao tribunal, entre em acordo com essa pessoa enquanto ainda é tempo, antes de chegarem lá. Porque, depois de chegarem ao tribunal, você será entregue ao juiz, o juiz o entregará ao carcereiro, e você será jogado na cadeia. Eu afirmo a você que isto é verdade: você não sairá dali enquanto não pagar a multa toda. Não importa o que seja. Se alguém tem alguma coisa contra você, não importa se você tem razão, não importa se você está certo, não importa se você é o bonito da história, saia correndo e vá pedir desculpas. Porque na hora que alguém reclamar de você no tribunal, para Deus gerou seu carma e acabou. Você vai ter que pagar até o último centímetro.” (Mt. 5, 25 e 26)

Participante: o que a outra pessoa pensa, é a visão dela contra a minha pessoa. Ela é que tem algo contra mim. Por isso, necessariamente não preciso ir lá e pedir desculpas. Estando em paz com esta situação, estando bem comigo mesmo... Se eu tenho alguma coisa contra aquela pessoa, concordo: tenho que ir lá e pedir desculpas. Agora, se ela tem alguma coisa contra mim e eu estou em paz comigo mesmo, não preciso ir lá (com atos) e pedir desculpas.

Até porque os atos não é você quem vai fazer. Como sempre, estou falando de mundo interno. Internamente você tem que ir lá, até a pessoa, e pedir desculpas. Internamente...

O problema é que na hora que alguém lhe ofende, internamente você continua a discussão. Mais: no íntimo faz acusações. Por isso, internamente precisa ir lá e pedir desculpas.

Participante: e mesmo se houve de fato uma discussão, porém eu não me sinto preparado e por achar que não serei bem recebido em ir lá e pedir desculpas. Se eu fizer internamente isso e não continuar internamente esta discussão, achando mal desta pessoa, vale?

Vale. É internamente.

Bem aventurado-Mateus-Conversa 01

A lei de Moisés

“Não pensem que eu vim para acabar com a Lei de Moisés ou com os ensinamentos dos Profetas. Não vim para acabar com eles, mas para dar o seu sentido completo. Eu afirmo a vocês que isto é verdade: enquanto o céu e a terra durarem, nada será tirado da Lei - nem a menor letra, nem qualquer acento. E assim será até o fim de todas as coisas. Portanto, qualquer um que desobedecer ao menor mandamento e ensinar os outros a fazerem o mesmo será considerado o menor no Reino do Céu. Por outro lado, quem obedecer à Lei e ensinar os outros a fazerem o mesmo será considerado grande no Reino do Céu. Pois eu afirmo a vocês que só entrarão no Reino do Céu se forem mais fiéis em fazer a vontade de Deus do que os mestres da Lei e os fariseus.” (Mt., 5,17 a 20)

Primeiro detalhe desse texto: ‘eu não vim para quebrar a lei.’ Que quer dizer isso? Que a lei de Moisés continua em vigor.

As leis do mundo dizem sempre: ‘essa lei altera os dispositivos em contrário’. A lei de Cristo não faz isso. Não altera nada do que está no Velho Testamento. Tudo continua valendo.

Só que o mestre afirma que vai dar um novo sentido ao que já existia. Qual é o sentido da lei que o Cristo trouxe? O amor.

A lei de Moisés diz ‘não mate’ dentro de um sentido coercitivo: não pratique a ação de matar. Através de Cristo essa lei, que continua valendo, passa a ser entendida da seguinte forma: ame para não matar. Esse é o novo sentido dado por Cristo: quem ama não mata.

Continuando no texto ... Apesar de amar, se ensinar aos outros que pode matar você será o menor no céu.

O amor não justifica a ação. Você falou a pouco em um dos pontos polêmicos dos ensinamentos de Joaquim: como lidar com o assassino.

Sim, sempre disse que o assassino é um instrumento de Deus. Ninguém me ouviu dizer que matar é uma coisa certa, que deve ou pode se matar. Eu nunca disse isso.

Participante: mas, no caso da menina que matou os pais, você disse que foi o carma dela e que ela fez a coisa certa...

Ela não fez a coisa certa, mas não merece a raiva de vocês por ter feito o que fez. Isso é o que sempre disse.

Não posso dizer que alguém tem autorização para matar. No entanto, se alguém matou, tenho que dizer que ele não possui a culpa pelo ato, pois Deus é a Causa Primária de todas as coisas. Sempre foi isso que disse ...

Continuando o texto ... Cristo diz que só entrarão no reino dos Céus aqueles que forem fiéis em fazer a vontade de Deus. ‘Eu vim com a função de matar, tenho que ser fiel à vontade de Deus, então tenho que matar, mesmo sem a vontade de fazer isso’.

O que está sendo dito nesse texto é que não é a ação que vai ser julgada, mas a forma de viver a ação. O ser que cumpre o acordo não pode justificar o ato de matar, se ele tem a intenção de matar. Agora, se ele matar, mesmo sem intencionalidade, tem que ser fiel à vontade de Deus: ‘matei, e daí?’ Aquele que não recebe a bem aventurança é quem se liga ao pensamento que afirma: ‘matei porque não presta, porque não serve, etc.’.

Só que essa libertação da intencionalidade é de foro íntimo. Por isso, aquele que está vendo ou tomando conhecimento da ação, e que não sabe da intenção, deve se eximir de julgar.

Portanto, para cumprir esse item do acordo, aquele que mata, precisa não aceitar a intencionalidade criada pela mente para o praticado para ser fiel ao acordo. Aquele que toma conhecimento do ocorrido deve também eximir-se de julgar quem serviu como agente para a obra geral.

A ação de matar não é condenada. O que é condenado é aquele que ensina que a lei pode ou deve ser quebrada: ‘você pode matar’. Eu nunca disse que se pode matar. O que pergunto é que se a morte aconteceu, como você vai lidar com quem matou?

A transformação do sentido da lei trazida por Cristo é que muda toda a história. Já cansei de usar o exemplo do garoto que estava no cinema e disse que uma voz falou na mente mandando metralhar todos que ali estavam. Esse não tinha nenhuma intencionalidade de matar ninguém. Então, não matou ninguém mas cumpriu a vontade de Deus fielmente.

Participante: as palavras vêm carregadas de valores. Por exemplo quando falamos a palavra matar incluímos intencionalidades nela ...

Acham que precisa haver uma vontade para agir.

Participante: … porém se a enxergamos o ato com um ato simplesmente ...

Um ato como um ato, não. Um ato como?

Participante: uma vontade de Deus

Isso. Lembre-se que é preciso ser fiel à vontade de Deus.

Participante: e pelo fato de você amar não justifica que quebre as leis. Não justifica que induzir o outro a quebrar a lei. Não é porque você ama ...

Não. Se você amou nunca quebrou a lei.

O induzir a quebrar é dizer que você pode matar. Eu nunca disse que pode. Ninguém que segue por este caminho diz que pode, mas se acontecer, foi a vontade de Deus.

Aquela pessoa foi fiel à vontade de Deus. Vamos ter que ver como está por dentro para saber se feriu a lei de Deus. Como você não pode saber como ela está por dentro, então restrinja-se no seu julgamento.

Bem aventurado-Mateus-Conversa 01

Sal para humanidade

“Vocês são o sal para a humanidade; mas, se o sal perde o gosto, deixa de ser sal e não serve para mais nada. É jogado fora e pisado pelas pessoas que passam”. (Mt 5, 13)

Você é o sal para a humanidade. O que é o sal? O tempero. Então, você é o tempero da vida dos outros. O que quer dizer isso? Que dá sabor para a vida do outro. Gritando com alguém dá um sabor; abraçando-o, dá outro. Essa é a primeira conclusão do texto. Vamos em frente ...

Quando o sal do outro perderá o sabor e por isso será jogado fora?

Participante: quando eu não aceitar o que ele falou ...

Não. O sabor não está em você, mas nele, o sal. Ele é o sal. É ele que de um modo ou de outro vai temperar a sua vida. Vamos pensar sobre isso ...

Quando é que o outro tempera a sua vida com um sabor bom? Quando faz o que você quer, quando é bonzinho? Não. O sabor do sal que é posto na sua vida é sempre bom quando o outro age com amor. Mesmo que dê um tapa na sua cara, se estiver com amor, temperou sua vida com um sabor bom. Por isso, aquele que busca a felicidade tem que estar consciente de estar agindo sempre com amor interno.

Mas, quando alguém age com amor interno? Quando não cede à sua intencionalidade. O sal que não dá o tempero certo, e que por isso é jogado fora, é toda aquela ação que vem acompanhada de uma intencionalidade individualista. Não serve porque é fruto do egoísmo. Mesmo que o ato seja considerado bom (dar carinho, atenção, etc.) se acompanhado com intencionalidade (querer fazer), é um tempero sem gosto.

É o que vai por dentro e não o ato que conta para a bem-aventurança de quem faz e de quem recebe a ação. Se não receber com amor, não terá temperado sua vida com um sabor bom.

O ser, para a sua bem-aventurança tem que superar a própria intenção em cada ação. Toda ação que for feita cedendo às intenções é jogada fora. Para ele, não para você. Para você como receptor é outra coisa, mas ele como ação, aquele ato, apesar de ser a vontade de Deus, não serviu para como instrumento da sua felicidade.

Isto é temperar a vida dos outros. Você tem forme e sede da vontade de Deus, do que acontecer, mas tem que agregar ao que está acontecendo o amor. E para amar tem que superar a sua própria intencionalidade. ‘Dei porque dei, era isto que tinha acontecer’. Acabou.

Participante: mas Joaquim, aí esse ser está temperando a vida dele.

Sim, isto é para ele. É o acordo dele com Deus.

Para contribuir com a obra geral o ser precisa praticar atos, mas também temperar a vida dos outros. Dar um tapa por exemplo, mas ao fazer isso usar o amor como tempero.

O problema para sua compreensão é que você está só observando os outros e não é isso. Esse é um trabalho individual, é o acordo de cada um com Deus. Por isso, dentro do acordo com Deus, o ser é obrigado a dar um tempero saboroso à vida. Isso se faz vivendo sem intencionalidade, só com amor.

É esse amor interno que será julgado na hora de receber a bem-aventurança e não o tapa na cara. Isso porque esse é o acordo do ser com Deus, o seu acordo com Deus. Esse acordo diz: você é usado para agir sobre o outro, temperar a vida dele, mas ao agir, o seu sal tem que ter sabor bom e isso só se consegue vivendo com amor

Participante: é bem difícil enxergar alguns atos desprovidos de intencionalidade. Se dou um tapa na cara de alguém, prevejo que existe uma intencionalidade ali. Então, o tapa é só o fruto da árvore que é a agressão.

Não. Você não faz nada; tudo é Deus que faz.

Sendo assim, ao mesmo tempo que Ele está dando o ato, está dando a intenção. Portanto, irá estar presente. O seu trabalho será se libertar dela.

É isso. Você não vai virar um santo, na mente. Lá continuarão existindo emoções que vocês chamam de negativas e intencionalidades individualistas. Só que você não mais compactuará com essas coisas.

Você vai virar um santo internamente. A mente vai dizer: ‘ele mereceu’. Internamente você dirá: ‘não sei’.

Participante: mas, as intenções também são atos?

Sim, e você precisa se libertar delas. Sempre disse: primeiro precisam vir as coisas humanas para que você possa libertar-se delas. Quando falamos de tristeza, disse que a tristeza precisa vir para que você possa se libertar. É a mesma coisa.

 Participante: mesmo que ela venha justificada?

Sim. Aí precisa quebrar as justificativas. Aliás, ela sempre virá justificada. É a razão.

“Vocês são a luz para o mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. Ninguém acende uma lamparina para colocá-la debaixo de um cesto. Pelo contrário, ela é colocada no lugar próprio para que ilumine todos os que estão na casa. Assim também a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no céu”. (Mt., 5, 14 a 16)

‘Ninguém guarda uma lamparina dentro do armário’. O que seria guardar uma lamparina dentro do armário? Porque se guardam coisas dentro do armário?

Para proteger. Você guardaria uma lamparina dentro do armário para protegê-la. Guardar no armário é gerar uma proteção.

Aqueles que fazem ou aceitam o acordo, que botam o amor em prática, que lutam para ter a felicidade, são a luz do mundo. Servem para clarear os outros, para mostrar o caminho. Por isso, as pessoas deveriam imaginar que seriam seres protegidos, não é verdade? Mas, não ...

Pode ter certeza que ninguém vai protegê-lo por ser uma luz do mundo. Pelo contrário, vai ser exposto a todos para que com a sua imposição possa mostrar o caminho a eles.

Se você acha que ao assinar o acordo com Deus e buscar essa forma de caminhar na vida não vai acontecer nada de ruim, que ninguém vai lhe caluniar, dizer que está errado, que todos vão beijar seus pés, esqueça. É o contrário: será exposto a mais calúnias e negatividades para que continue se mantendo firme no caminho e com isso ilumine o caminho dos outros.

Isto é uma coisa que já dizemos há muitos anos. Aquele que acha que porque busca a elevação espiritual vai ter sua vida facilitada está engano.

Esqueça; não é isso. A vida vai conter tudo que tiver que conter, seguindo ou não o acordo feito com Deus. Aliás, pode conter até mais coisas se isto ajudar os outros

Participante: mais coisa, como? O que seriam mais coisas?

Situações onde possa ajudar os outros.

Por exemplo alguém chegar e dizer coisas não agradáveis sobre você. Isso acontecerá para que reaja da seguinte forma: ‘eu sou? Você acha que eu sou? Então, está certo, sou’. Nesse momento quem estiver olhando de fora, vai se espantar: ‘ele não partiu para a briga, o que houve? Porque você não revidou’?

Olha o farol que ilumina o caminho do outro se acendendo ...

Participante: é o trouxa.

É o trouxa humano, mas esperto para Deus. Não reagiu humanamente falando, de uma forma politicamente correta, mas com isso brilhou mais e acendeu a lamparina para os outros.

Estou deixando esse alerta porque alguém pode imaginar que por estar ajudando outra pessoa a vida dele vai prosperar.

Bem aventurado-Mateus-Conversa 01

Não necessidade de defender-se

“Felizes são vocês quando os insultam, perseguem e dizem todo tipo de calúnia contra vocês por serem meus seguidores”. (Mt 5,11)

“Fiquem alegres e felizes, pois uma grande recompensa está guardada no céu para vocês. Porque foi assim mesmo que perseguiram os profetas que viveram antes de vocês”. (Mt 5,12)

Esses trechos são praticamente complemento do último que conversamos. Só tem uma palavra a mais: ‘lhes caluniam’. O que é caluniar? Falar uma coisa que você não considera ser ou ter feito.

Portanto, se alguém disser que você é homossexual, fique feliz; quando disser que explora sua esposa, fique feliz; quando disser que você nunca estudou e por isso não pode falar sobre certas coisas, fique feliz.

Para que seja feliz de verdade, não pode querer que o outro veja como você se vê, que tenha a mesma ideia que tem de si mesmo. Quem quer isso, só vive prazer ou dor. Prazer quando consegue convencer o próximo; dor, quando não consegue

Participante: não ter que provar nada para ninguém.

Nem para você mesmo. Ninguém. Porque?

Vou me lembrar de Santo Agostinho em O Livro dos Espíritos: ‘que adianta pensar sobre você mesmo se a mente lhe engana sobre o que é?’ Você não é o que pensa que é: é a sua mente que lhe diz que é o que pensa que é. Então, quando quer defender-se, está defendendo a mente. Está defendendo a coisa material.

Além disso, não precisa defender-se de ninguém. Porque? Por que Deus sabe quem você é. Não adianta se esconder Dele, pois Ele sabe tudo.

Por isso, não perca sua felicidade se você ou outro lhe caluniar.

Participante: quando a mente calunia fica uma culpa, não é?

A culpa é o fruto de você ter aceitado a calúnia

Bem aventurado-Mateus-Conversa 01

Não rebater as críticas

“Felizes os que sofrem perseguição por fazerem a vontade de Deus, pois o Reino do céu é deles”. (Mt 5,10)

O reino do céu é a felicidade. Só que isso não é recompensa por nada; é consequência de alguma coisa. Considerando a felicidade como uma recompensa ainda estará querendo ganhar alguma coisa e com isso dificilmente a encontrará.

O reino do céu, a felicidade, não é ganho: é recebido. É a reação a uma ação. Por isso, calma.

Porque estou dizendo isso agora? Porque pode ser que você não consiga instantaneamente a felicidade quando for perseguido. Mas, fazendo o trabalho, mais cedo ou mais tarde ela virá.

Vamos, então, ao ensinamento em si. Qual é a perseguição que você sofre por fazer a vontade de Deus?

Para compreender isso precisamos relembrar: o que é a vontade de Deus?

Participante: é o que acontece.

 Isso.

Quando é que você sofre perseguição ao aceitar o que acontece? Quando o outro não aceita o que você falou, o que fez ou o que disse. Quando o outro reage de forma negativa ao que você fez. Nesse momento, ao invés de ficar feliz por sofrer a perseguição, o que você quer? Rebater e provar que está certo.

Levando tudo isso em consideração, posso, então, dizer que a sua felicidade depende de não rebater quem lhe critica. É isso que está escrito aí. É isso que faz parte do acordo.

Só para tirar a prova dos nove: quem não rebate às críticas, o que faz? Vive da palavra de Deus, não O testa, não quer o bem desse mundo. As três tentações.

Participante: e não evita o sofrimento... O pensamento sofredor está lá: você vai sair como idiota nessa história...

Mas, aí você diz para si: ‘eu não testo a Deus, não quero o bem desse mundo, não quero ter reconhecimento por ter feito coisa alguma’.