Atividade mediúnica

Encerramento

Tudo o que acabei de dizer só serve para quem está com o coração transbordando de amor, ou seja, para quem está buscando a Deus. Para quem quer sabedoria, ou seja, está preocupado apenas consigo mesmo, com certeza vai gostar mais da reunião onde haja estudos. Só que ficar participando de reuniões desse tipo de nada adianta.

Lembro que uma vez estive em uma casa muito conceituada onde as pessoas falavam apenas em técnicas espirituais. Perguntei se as pessoas sabiam que eram espíritos. Disseram que sim. Perguntei, então, porque precisavam estudar essas coisas.

Será que um espírito precisa vir a um mundo onde se torna incapaz de conhecer as coisas do seu próprio para aprender? Acho que não. Foi por isso que disse àqueles que sabiam ser espíritos e estavam ali estudando as coisas espirituais: ‘vocês vivem se enganando’.

Essa é a síntese do ensinamento de Paulo. Aquele que não se dedica a amar incondicionalmente apenas se engana.

Enfim, encerrando o capítulo, digo que a orientação que Paulo nos deu aqui serve para que cada médium ou cada pessoa que se diz auxiliar de Deus compreenda que o que precisa ser colocado nos templos não é questão técnica, não é ensinamento, mas o amor. É preciso ajudar as pessoas a amarem, ensinar valores que as leve a amar.

Atividade mediúnica

Os estudos e as provas

Mas o dom de anunciar a mensagem de Deus é uma prova para os cristãos e não para os descrentes. (Capítulo 14 – versículo 23)

O dom de falar em línguas estranhas, ou seja, de ensinar técnicas espirituais, é uma prova para os cristãos, pois quem é verdadeiramente não se preocupa com técnica espiritual.

Cristo não ensinou nada sobre técnica espiritual. Ensinou a amar. Portanto, quem segue o amor, quem segue Cristo, não tem que se preocupar com profundos conhecimentos sobre o mundo espiritual.

Imaginem a igreja reunida e todos falando em línguas estranhas. Se chegarem algumas pessoas simples ou descrentes, será que não vão dizer que vocês estão loucos? (Capítulo 14 – versículo 23)

Vamos pensar sobre o que Paulo disse. Mas, antes, deixe-me dizer uma coisa: não estou falando mal de ninguém. Quem me conhece já sabe que não falo mal, mas apenas constato situações.

Vamos imaginar um centro espírita. O palestrante está lá na frente falando profundamente sobre O Livro dos Espíritos, sobre as coisas do espírito. Aí entra uma pessoa que nunca tenha estudado esse livro e que não sabe nada sobre o assunto. Essa pessoa não se sintonizará com o templo.

Os templos foram feitos para ensinar o amor e não a técnica espiritual. Não há técnica pela própria técnica, não há ciência pela própria ciência: tudo deve ser usado para se ajudar a amar. Aliás, como ensina o Espírito da Verdade, 'a ciência lhes é dado para o avanço em todos campos', inclusive na moral.

Não adianta falar coisas difíceis se quem está ouvindo não tem condições de saber aquilo. O templo deve servir para ensinar o amor e não para que os médiuns, os palestrantes coloquem a sua suprema cultura em ação.

Mas, se todos anunciarem a mensagem de Deus, e entrar ali algum descrente ou alguém que seja simples, ele vai ouvir o que vocês estão dizendo e se convencer do seu próprio pecado. (Capítulo 14 – versículo 24)

Se você falar do amor, se ensiná-lo a quem entra, não importa se essa pessoa tem cultura espiritual: ao ver o amor que ali existe o simples vai senti-lo nas palavras e leva-lo ao coração. Neste caso, o descrente, ao entrar e ver isso, passa ser crente. Agora, se o descrente chega em um lugar onde ensinam mais coisas para ele descrer, não irá crer em mais nada.

Saibam de uma coisa: sem a fé espírita – confiança e entrega aos ensinamentos de Kardec – quem lê O Livro dos Espíritos diz que aquilo tudo é fantasia. Portanto, se alguém está só ensinando técnica e entra um descrente, alguém que não tem a fé espírita, vai dizer: 'aqui só tem maluco, pois acreditam que existe espírito, encarnação, reencarnação. Vou embora.'

Agora, se as pessoas ali dentro estiverem apenas amando, o descrente vê o amor em ação e se sente bem. Com isso começa a questionar os seus valores, ou melhor, os seus pecados, como foi falado no texto de Paulo.

E ele será julgado pelo que ouvir, os seus pensamentos secretos serão revelados, e ele vai se ajoelhar e adorar a Deus, dizendo: na verdade, Deus está com vocês. (Capítulo 14 – versículo 24 a 25)

'Os seus pensamentos secretos serão revelados'... Precisamos entender isso.

Se uma pessoa é direcionada a um lugar transbordante de amor, Deus direcionará a reunião para que se fale sobre um assunto que ela precisa ouvir, sobre algo que a tem preocupado. Aí, dentro dela surgirá a sensação de ter achado o que estava precisando.

Agora, se numa reunião se está falando da vida do espírito, de coisas cientificas universais, da energia ou do fluido, a pessoa chega e não entende nada. Aí vira as costas e vai embora. Ela pensa: 'o que vou fazer lá de novo? Deixa aquilo para quem é sábio'.

Atividade mediúnica

A cultura e o trabalho mediúnico

Mesmo que a sua oração de agradecimento a Deus seja muito boa, essa pessoa não recebe nenhuma ajuda. Eu agradeço a Deus porque falo em língua estranha muito mais do que vocês. Porém nas reuniões da igreja prefiro dizer cinco palavras que possam ser entendidas, para ensinar também os outros, a dizer milhares de palavras em línguas estranhas. (Capítulo 14 – versículo 17 a 19)

Olha que lição Paulo está nos dando. Ele é um doutor, um mestre para quem foram reveladas muitas coisas. Poderia ensinar toda a técnica espiritual, mas prefere não falar com o povo sobre o ensinamento técnico. Prefere expor o amor em palavras simples ('louvado seja Deus') do que ficar dizendo: 'o espírito tem um perispírito', 'existe reencarnação', etc...

Apesar desse conselho do mestre, hoje em dia se vê tantos nomes imponentes, tanta coisa sendo ensinada, tanta ciência espiritual que as pessoas não compreendem e não guardam sendo transferida. Nós, como seguidores de Paulo, preferimos falar com palavras simples, mas que expressem o amor a tudo e a todos.

E é isso que precisamos começar a ensinar as pessoas: a expressar o seu amor.

Irmãos, não pensem como crianças. Quanto ao mal, sejam crianças, mas no modo de pensar sejam adultos. (Capítulo 14 – versículo 20)

Cristo fala assim: seja pacifico como uma pomba e esperto como uma cobra. É mais ou menos o que Paulo está falando: seja uma criança de índole, mas comece a raciocinar maduramente a vida.

Você não deve raciocinar como criança, ou seja, como um ser que busca sempre só para si. Pensar maduramente, raciocinar maduramente a vida é entender que todo e qualquer ensinamento que receba é para você mesmo aprender e não para julgar os outros.

Na verdade, todo ensinamento que recebe deve lhe ajudar a amar e ensinar aos outros como se ama.

Nas escrituras sagradas está escrito: falarei a este povo, diz o Senhor. Falarei por meio de lábios estrangeiros e de línguas estranhas. Mas assim mesmo o meu povo não me ouvirá. (Capítulo 14 – versículo 21)

Não adianta falar de ciência espiritual porque o povo não ouve. Porque não ouve? Porque o que está sendo dito não faz parte do seu mundo.

Quantas pessoas estão aqui hoje?

Participante: somente duas.

Está vendo só: não adianta falar das coisas espirituais para vocês porque elas não fazem parte do cotidiano de suas vidas.

Quantas vezes já disse que mesmo que não percebam, todos os espaços terrestres estão repletos de espíritos? Mesmo já tendo falado disso, me respondem que aqui só tem duas pessoas. Por que essa resposta? Porque os espíritos que aqui estão não fazem parte da realidade de vocês.

Não adianta dizer que tem um índio sentado ali, um hindu sentado aqui, um boiadeiro acolá, um bêbado no outro canto e que mais adiante tem uma vítima de atropelamento. De nada adianta falar disso, pois esses seres não fazem parte do mundo de vocês.

Por isso digo sempre: vocês não conseguem entender o que estou falando.

Portanto, o dom de falar em línguas estranhas é uma prova para os descrentes e não para os cristãos. (Capítulo 14 – versículo 22)

Outro grande ensinamento de Paulo: os milagres, a ciência espiritual, a técnica mediúnica são assuntos de interesse apenas daqueles que não acreditam em Deus. São interesses daqueles que querem compreender Deus e não ama-Lo.

É preciso que nós, como cristãos que dizemos ser, comecemos a compreender que esses estudos não servem para nada. Se não colocarmos o amor em pratica, de nada adianta todos os dons que tivermos, de nada adianta ouvirmos ensinamentos sobre o espírito ou sobre o Universo. Só quando colocarmos o amor em prática vamos realmente realizar alguma coisa e poder ajudar o próximo.

Atividade mediúnica

O conhecimento espritual não adianta de nada

...a não ser que haja alguém que possa explicar o que está sendo dito, para que toda igreja possa ser ajudada espiritualmente. Por isso, irmãos, quando eu os visitar, que proveito terão se lhes falar em línguas estranhas? Claro que nenhum, a não ser que leve a vocês alguma revelação de Deus, ou algum conhecimento, ou ainda alguma mensagem inspirada, ou ensinamento.

Por exemplo, além da voz humana, há instrumentos musicais, como a flauta e a harpa. Como poderá alguém saber o que está sendo tocado, se as notas musicais não forem bem claras? Se o homem que toca a corneta não der um som bem claro, quem se preparará para a batalha? Assim, também, como é que os outros vão entender o que vocês estão dizendo se a mensagem por meio de línguas estranhas não é clara? As suas palavras vão sumir no ar! No mundo há muitas línguas diferentes, mas cada uma tem o seu sentido. (Capítulo 14 – versículo 05 a 10)

Existem milhares de ensinamentos sobre o mundo espiritual, mas o ser humano não consegue compreendê-los. Não consegue saber a verdade, o que quer dizer na realidade o que está sendo ensinado ou como é realmente o mundo espiritual. Isso porque a Realidade foge à imaginação humana, ao conhecimento humano. Sendo assim, de que adianta ficar ensinando as pessoas?

Isso é que precisamos compreender: é preciso amar a nós mesmos e a todos. É isso que pode resolver a questão da elevação espiritual.

Porém, se eu não entendo a língua que alguém está falando, então quem fala é estrangeiro para mim, e eu sou estrangeiro para ele. (Capítulo 14 – versículo 11)

Não há irmandade quando alguém é sábio e o outro não sabe nada. A irmandade só se forma com amor; sem amor não se forma irmandade.

Então, já que vocês querem tanto ter os dons do Espírito, procurem acima de tudo ter os dons que fazem a igreja crescer espiritualmente. (Capítulo 14 – versículo 12)

Qual o dom que faz uma igreja crescer espiritualmente? O de ensinar o amor.

Sendo assim, já que você quer ser ajudante de Deus, quer fazer alguma coisa pelo próximo através do trabalho mediúnico, ensine-o a amar. Só isso.

Você só pode ajudar o outro a amar. Não adianta se encher de conhecimentos e passá-los, pois as pessoas, assim como você, só terá a ilusão de saber.

Mas, como se ensina o próximo a amar a tudo e a todos? Mostrando que Deus é o Senhor Supremo, que tudo é Ele, é Emanação Dele e que tudo que é Emanação Dele é amor em ação. Todo o resto de nada adianta.

Portanto, quem fala em línguas estranhas deve orar para ter o dom de explicar o que elas querem dizer. Porque, se eu orar em língua estranha, o meu espírito de fato ora, mas a minha inteligência não toma parte nisso. (Capítulo 14 – versículo 13 a 14)

Se você fala diferente, se tem mais cultura, mais informação do que os outros, reze para também ter o amor.

Peça ajuda a Deus para ter o amor, pois se não o tiver, de nada adianta nada toda a sua cultura. Vai ficar falando e ninguém vai entendê-lo, pois as pessoas não entendem o que você está dizendo.

Que farei então? Vou orar com o meu espírito, mas também orarei com a minha inteligência; vou cantar com o meu espírito, mas também cantarei com a minha inteligência. (Capítulo 14 – versículo 15)

É a questão do pensamento que estamos falando há muito tempo: você precisa tomar conta do seu pensamento, já que não conhece seus sentimentos.

Se você dá graças a Deus somente em espírito, como pode uma pessoa simples, que toma parte na reunião, dizer amém à sua oração de agradecimento? (Capítulo 14 – versículo 16)

Se você não consegue externar em palavras o amor, ninguém vai entender o que está dizendo. Portanto, é preciso que ame a Deus, mas é preciso também que o seu raciocínio, o seu pensamento, esteja sintonizado no amor. E preciso que ele transmita o amor aos outros, para que as pessoas possam compreender o que diz

Sendo assim, é preciso que ame sentimentalmente, mas também é preciso que ame mentalmente os outros. Ou seja, que não tenha pensamentos que digam: 'amo todo mundo mas aquele ali não presta... Está vendo só? Olha a roupa que ele está vestindo'...

 É isso que Paulo está ensinando.

Atividade mediúnica

O que deve ser ensinado

É o amor, portanto, o que vocês devem querer. Procurem também ter dons espirituais, especialmente o de anunciar a mensagem de Deus. (Capítulo 14 – versículo 01)

Paulo já falou que poderia ter todos os dons que o Espírito Santo dá, mas se não tivesse amor, seria como se fosse o soar de um gongo. Agora diz que além do amor é preciso que lute para ter os dons para anunciar as mensagens de Deus.

O que será que quer dizer com isso? Que não adianta só amar as pessoas. Além disso é preciso ajudá-las a alcançar a elevação espiritual.

Mas, como se ajuda alguém a alcançar a elevação espiritual? Passando a mensagem de Deus. Qual é essa mensagem? A única coisa importante nessa vida é amar a tudo e a todos. É isso que Paulo está nos dizendo.

O apóstolo afirma que não adianta só amar os outros, é preciso ajudá-los a encontrar o amor também. É por isso que lá atrás Paulo nos falou que devemos ser escravos dos outros, ou seja, que devemos viver para servir ao próximo. Só vivendo assim os ajudamos a encontrar o amor.

O dom espiritual de anunciar a mensagem de Deus citado aqui não é escrever mensagens, de dar passes ou fazer qualquer outra atividade mediúnica: é ajudar o próximo a encontrar o amor.

Quem fala em línguas estranhas fala a Deus e não as pessoas, pois ninguém o entende. Diz verdades secretas pelo poder do Espírito Santo. Porém quem anuncia a mensagem de Deus fala as pessoas, ajudando-as, dando-lhes coragem e conforto. (Capítulo 14 – versículo 02 a 03)

Quem fala só sobre a ciência do espírito não diz nada. Por quê? Porque para as pessoas comuns tais assuntos são incompreensíveis. Além disso, esses assuntos não pode ajudar ninguém a alcançar a elevação espiritual. Só o que pode ajudar alguém nesse sentido é a pratica do amor.

Paulo está nos dizendo que não adianta em um trabalho mediúnico ficar discutindo teorias sobre o mundo espiritual. O que precisa ser feito é auxiliar o próximo a amar. Ensinar a amar as coisas, a amar tudo que existe.

No estudo do Bhagavad Gita disse assim: não há problema em gostar de uma planta, de um pôr do sol ou achar belas as coisas materiais; o problema é achar a beleza nas coisas e não na ação de Deus que fez as coisas.

Participante: então, posso achar bonito o passarinho e a planta desde que entenda que aquilo não nasceu sozinho, mas que é ação de Deus?

Desde que entenda que não é o passarinho que é belo. A ação de Deus que cria o pássaro é que é a beleza.

Porque isso é importante? Achando um determinado passarinho bonito certamente haverá outro que achará feio. Na hora que compreender que a beleza é a ação de Deus m criar o elemento material, todas as coisas, mesmo as que considere bonitas ou feias, serão belas.

É isso que Paulo está ensinando: o importante é o dom de levar a mensagem de Deus, ou seja, de ensinar as pessoas a amar a tudo.

Quem fala em línguas estranhas ajuda somente a si mesmo, mas quem anuncia a mensagem de Deus ajuda a igreja toda. (Capítulo 14 – versículo 04)

O palestrante que dá aula, que revela as coisas do mundo espiritual, na verdade está apenas cumprindo a sua missão, mas não quer dizer que está ajudando aos outros. Está ajudando só a ele e a mais ninguém.

Agora, aquele que ama e ensina o próximo a amar, está sempre ajudando a todos.

Eu gostaria que vocês todos falassem em línguas estranhas, mas gostaria ainda mais que tivessem o dom de anunciar a mensagem de Deus. (Capítulo 14 – versículo 05)

Gostaria que todos soubessem os segredos do Universo, mas mais importante que conhecerem esses segredos, é aprenderem a amar a tudo e a todos.

Não adianta descobrir todo segredo do Universo (como é feita uma energia, onde ela vai, como se multiplica): o que importa realmente é saber a amar.

Porque quem anuncia a mensagem de Deus tem mais valor do que quem fala em línguas estranhas, (Capítulo 14 – versículo 05)

Porque ensinar a amar tem muito mais valor do que qualquer trabalho mediúnico.

Atividade mediúnica

Tudo passará, só o amor permanecerá

“O amor é eterno. Há mensagens espirituais, mas elas duração pouco”. (Coríntios I, cap. 13, 08)

Olha que coisa interessante: o amor é eterno.

Há mensagens espirituais, mas elas durarão pouco. Ou seja, há ensinamentos espirituais, mas durarão pouco. Isso porque, como estamos, a releitura dos ensinamentos com aprofundamento no significado do texto levará a descobrir verdades contidas nas mensagens que ainda não tinham vindo a luz.

As mensagens mudarão, mas, o amor será sempre eterno.

A forma de agir com amor é como Paulo descreveu antes: com paciência, sem ciúme, com fé. Esse modo de ser do amor é eterno, ou seja, ninguém ensinará diferente.

Sendo assim, se você quer ir para o caminho de Deus, esqueça todos os ensinamentos religiosos, pois eles são temporários, mas firme-se no amor, pois assim jamais sairá da realidade.

Existem dons de falar línguas estranhas, mas acabarão logo. Há conhecimento, mas terminará também. Pois os nossos dons de conhecimento e nossas mensagens espirituais existem somente em parte. Mas, quando vier o que é perfeito, então o que existe em parte desaparecerá. (Coríntios I, cap. 13, 08 a 10)

O que é perfeito?

Participante: o amor, Deus

Isso, o amor em ação, Deus.

Pois bem, quando isso chegar, tudo o que existe acabará.

Quando eu era criança, a minha maneira de falar, de sentir e de pensar era de criança. Agora que já sou adulto não tenho mais essas maneiras de criança. (Coríntios I, cap. 13, 11)

Pois é. Aproveito a fala de Paulo e pergunto: vocês são adultos espiritualmente falando?

Reforma intima é o processo de amadurecimento espiritual.

O que agora vemos é como uma imagem confusa num espelho, mas depois veremos face a face. (Coríntios I, cap. 13, 12)

O que você vê é a forma. Ela é vista com uma imagem que não é muito nítida, ou seja, é algo que apesar de não compreender assim, não é muito clara.

Agora conheço somente em parte, mas depois conhecerei completamente, assim como sou conhecido por Deus.

Agora, pois, permanece a fé, a esperança e o amor. Porém o maior desses é o amor. (Coríntios I, cap. 13, 12 a 13)

Quando alcançar a evolução espiritual vai compreender melhor o que estou querendo dizer hoje. Mas, por enquanto, que permaneça a esperança de conseguir a elevação, a fé, a confiança e a entrega a Deus e o amor pelo próximo.

Se não consegue entender para que, porque ou como se vive a vida que falo, tenha esperança, fé e amor que um dia compreenderá tudo isso perfeitamente.

Atividade mediúnica

Desânimo

“O amor não se alegra quando alguém faz uma coisa errada, mas se alegra quando alguém faz o que é certo. O amor nunca desanima, porém suporta tudo com fé, esperança e paciência”. (Coríntios, cap. 13, 06 a 07)

Quantas vezes reparamos no médium um sorriso irônico quando a pessoa necessitada volta com o mesmo problema sem ter feito o que ele orientou anteriormente. Se alegra com a desgraça daqueles que não seguem a sua orientação. Isso o faz sentir-se superior aos outros.

Quantas vezes vemos médiuns lamentarem que uma pessoa nunca mais voltou ao centro para buscar ajuda. Isso comumente acontece quando ela conseguiu resolver seus problemas. Tal fato deveria alegrar o médium, mas não é isso que acontece muitas vezes. Por quê? Porque ele não está agindo com amor.

Na verdade, não está querendo realmente ajudar o próximo, mas sim amealhar seguidores. Para esse médium seria muito bom que a pessoa tivesse sofrimentos constantemente para estar sempre buscando ajuda. Assim, ele teria um séquito grande e com isso viveria a fama, que é realmente o que lhe impulsiona na vivência da sua atividade mediúnica.

Quantas vezes vemos médiuns desanimados no atendimento a determinadas pessoas. Isso acontece geralmente com quem vai diversas vezes ao centro buscar ajuda para o mesmo problema e não consegue resolvê-lo. O desânimo desse médium é a prova que não quer ajudar aquela pessoa, mas realizar algo que possa mostrar a potência mediúnica que imagina possuir.

O trabalhador de uma casa espírita não desanima nunca. Nunca desiste da ajuda a uma pessoa. Busca sempre incutir a fé naquele consulente.

Ter fé é entregar-se com confiança a alguma coisa. Esse é o mote do trabalho do médium que age com amor. Por isso, sempre busca incutir naquela pessoa que a confiança e a entrega a Deus resolve qualquer problema.

Por mais que a pessoa não consiga por conta do seu desespero com o problema que vive, pacientemente o trabalhador que vive sua atividade mediúnica com amor lhe incita a esta entrega lhe dando a esperança que o sofrimento que ela agora vive pode ser minimizado.

Estas são mais algumas características daquele que aproveita a sua atividade mediúnica como caminho para a elevação espiritual.

Atividade mediúnica

Egoísmo, irritação, mágoa e grosseria

“Não é grosseiro nem egoísta. Não se irrita e não fica magoado”. (Coríntios I, cap. 13, 05)

Quem ama trata os outros amorosamente e não grosseiramente.

Quantas vezes vemos em centros espíritas médiuns tratando as pessoas que lá vão de forma desrespeitosa. Perdem a paciência quando aquele que está sofrendo não compreende o que está dizendo. Atacam aqueles que não aceitam suas orientações. Desqualificam os que não acreditam no que ele está dizendo.

Esses são médiuns que não participam do trabalho mediúnico com amor universal. Fazem apenas para satisfazer a sua sede de soberba e vaidade.

Aquele que executa sua participação nos trabalhos de uma casa espírita com amor não se irrita com nada que quem o procura faz. Isso porque uma das características do amor universal é a compaixão.

Diferente do que acredita os seres humanizados, ter compaixão não é sofrer com o sofrimento dos outros, mas sim ter a consciência do quanto o outro está sofrendo.

Nos momentos de dor é comum os seres humanizados estarem parcialmente bloqueados. O problema que agora vivem bloqueia a sua capacidade de sofrimento. É por conta dessa consciência que aquele que executa o seu trabalho mediúnico com amor jamais perde a paz, por mais que tenha que repetir a orientação.

Ter consciência do sofrimento do outro e saber que o problema domina o pensamento de quem procura ajuda é uma característica daqueles que participam da sua jornada mediúnica com amor.

Quem ama jamais se magoa.

A mágoa é uma prova da soberba do ser humanizado. Só se magoa aquele que se considera melhor, mais capaz, certo. Esses se magoam porque acham que a descrença ou não compreensão deles é uma afronta à sua cultura.

O médium que se sente magoado porque um consulente não seguiu suas orientações ou porque foi consultar com outro trabalhador não exerce sua atividade mediúnica com amor e por isso não está aproveitando esta oportunidade para aproximar-se de Deus.

Atividade mediúnica

Ciúme, soberba e vaidade

“O amor não é ciumento, nem orgulhoso, nem vaidoso”. (Coríntios I, cap. 13, 04)

Quem ama verdadeiramente não quer para si, por isso não é ciumento. Só tem ciúme quem quer possuir alguma coisa ou pessoa.

No seu trabalho espiritual tem ciúme quando uma pessoa procura outro médium para se tratar? No seu trabalho espiritual sente uma pontada de ciúme quando o dirigente da casa chama outro médium para um trabalho específico? Então, você não executa o seu trabalho mediúnico com amor e por isso ele não serve como instrumento para a sua elevação espiritual.

O amor não é orgulhoso.

Em outras oportunidades já distinguimos o orgulho da soberba. Essa distinção não é feita por vocês e por isso acham que ter orgulho é algo ruim. Isso não é real.

Ter orgulho do que faz é ter a sensação do dever cumprido. Já a soberba é dizer que o que você faz é melhor do que os outros fazem. O orgulho é uma sensação vivida no íntimo, a soberba é uma sensação declarada de superioridade. Por isso, neste trecho, vamos usar a palavra soberba ao invés de orgulho.

Quem ama não é soberbo.

No seu trabalho espiritual se considera melhor médium que outros? Acha que consegue ajudar mais as pessoas do que outros trabalhadores? Acha que possui mais condições de ajudar o próximo que outros médiuns? Por quê? Sendo Deus quem faz tudo, como você pode ser melhor do que o outro?

Quem julga sua participação nos trabalhos mediúnicos melhor do que a de outros não a executa com amor. Dessa forma, não utiliza essa ferramenta de trabalho para a elevação espiritual positivamente.

Quem tem soberba quer ser maior do que o outro. Quem tem vaidade é aquele que está sempre comentando dos resultados da sua participação nos trabalhos mediúnicos de uma casa. Como esse quer demonstrar a sua superioridade, não está amando, pois quem ama jamais quer ser superior a ninguém. É por isso que a o amor não é vaidoso.

Quem ama não fica contando vantagem, não fica se expondo como um pavão enaltecendo a si mesmo. Aquele que vive contando como resolveu, através da sua mediunidade, os problemas dos outros, é um professor da lei hipócrita, como ensinou Cristo:

“Fazem tudo para serem vistos. Vejam como são grandes os trechos das Escrituras Sagradas que eles copiam e amarram na testa e nos braços! E olhem os pingentes grandes das suas capas! Preferem os melhores lugares nas festas e os lugares de honra nas casas de oração. Gostam de ser cumprimentados com respeito nas praças e de ser chamados de mestre”. (Mateus, 23, 05 a 07)

Aliás, todo médium que executa o seu trabalho mediúnico sem amor torna-se um professor da lei hipócrita. Por isso é importante darmos uma olhada nas características destes descritas por Cristo.

O médium que não trabalha com amor, ou seja, que é ciumento, soberbo e vaidoso é aquele que gosta de colocar culpa nas pessoas que atende. Gosta de acusar e criticar as pessoas. Dessa forma enaltece a si mesmo.

O médium não amoroso é aquele que não aponta saídas, que não ajuda as pessoas a carregarem seus fardos, mas só aponta os erros dos outros. Mostrando-os engrandece a sua cultura sobre o que é errado.

Aquele que participa dos trabalhos mediúnicos com o amor verdadeiro por não ser vaidoso sabe que é Deus que executa tudo e não ele. Por isso, suas orientações sempre são voltadas a buscar a solução de seus problemas em Deus e não na matéria. Ele pode até ajudar materialmente as pessoas necessitadas, mas mais do que isso sempre as incita a desenvolverem a fé para poderem merecer receber.

Esses são alguns exemplos da diferença entre o médium amoroso e o professor da lei, aquele que vive o seu trabalho mediúnico sem o amor universal. Um quer servir ao próximo; o outro quer se servir dele para poder brilhar. É por isso que Paulo está dizendo que o amor não é vaidoso, ciumento ou soberbo.

Atividade mediúnica

Paciência e bondade

“O amor é paciente e bondoso”. (Coríntios I, cap. 13, 04)

Aqui Paulo começa a falar como se vive com amor no trabalho espiritual e nos demais acontecimentos da vida carnal. A primeira característica de quem ama é ser paciente. O que é paciência?

Participante: é aguardar o momento exato das coisas acontecerem.

Qual é o contrário da paciência? Pressa.

O amor é paciente, ou seja, não busca: espera receber. Não busca para si, mas aguarda o momento que chegará a hora da sua felicidade. É isso que Paulo está nos ensinando.

O amor é paciente e não tem pressa. Ele não vive afoito em fazer o que quer.

Quem ama não tem pressa na vida: espera o momento certo da coisa acontecer. Não quer fazer a coisa acontecer.

No seu trabalho espiritual você o espera começar ou fica chamando as pessoas para começar logo? No seu trabalho espiritual espera ele acabar ou fica incitando aos outros que terminem porque já deu a hora e você tem mais o que fazer?

No seu trabalho espiritual sabe esperar as pessoas acabarem de contar seus problemas ou fica querendo que parem de falar logo para responder? No seu trabalho espiritual quer atender rapidamente muitos ou tem paciência com a lerdeza de alguns?

Aquele que ama sabe esperar a hora das coisas acontecerem e não exige que ocorram na hora que quer: essa é uma das características de quem está exercendo sua atividade mediúnica com amor e por isso aproveitando a oportunidade para aproximar-se de Deus. Quem realiza o trabalho com pressa de começar, de acabar ou ainda querendo atender a uns rapidamente para poder ouvir mais pessoas, não age com amor. Por isso não aproveita a oportunidade para aproximar-se de Deus.

Quando um ser humanizado diz para outro o que tem que fazer, está com pressa e quer mudar o outro, não vive com amor. Quem ama espera em paz e tranquilo o que o outro vai fazer.

O amor é bondoso.

O que é ser bondoso com o próximo? Será que é satisfazer as vontades ou suprir as carências dele? Não, a bondade vai muito além.

Ser bondoso é saber respeitar a intimidade do outro.

Sendo médium consciente, quando acaba o trabalho você fica comentando o que a entidade falou para alguma pessoa? Então, não é bondoso.

Ser bondoso é compreender as dificuldades dos outros. Quando está incorporado atendendo uma pessoa fica reparando nos erros de português de quem está atendendo? Então, não é bondoso.

Ser bondoso é respeitar o sofrimento do outro. Quando ouve os problemas de alguém fica julgando-os ou minimizando o sofrimento alheio? Então, não é bondoso.

Quem executa o seu trabalho mediúnico com bondade respeita o próximo. Respeita a dor, as dificuldades e a intimidade dos outros. Esse é o bondoso. Já aqueles que se consideram perfeitos e acham que sua opinião é a verdade do mundo, não são bondosos. Por isso o seu trabalho mediúnico de nada vale para a sua elevação espiritual.

O bondoso, aquele que ama realmente, não faz nenhum comentário sobre ninguém, que dirá criticá-lo.

Quantas vezes já vi depois de trabalhos espirituais os médiuns se sentarem em rodas e comentarem sobre o trabalho do dia. Falam sobre os problemas alheios, muitas vezes citando o nome da pessoa que foi atendida. Riem e debocham de pessoas que sofrem por problemas pequenos minimizando suas dores. Riem e debocham de pessoas que não sabem se expressar direito. Isso é desamor.

A mediunidade não é glória, é oportunidade de trabalho para a elevação. Quando ela não é exercida com amor transforma-se num gerador de carmas que nesta ou em outras vidas terá que ser vivenciado.