Hipocrisia humana
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Hipocrisia humana

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Hipocrisia humana

Comentários de Joaquim de Aruanda a respeito da hipocrisia do ser humano

Hipocrisia humana

Hipocrisia humana

Participante: Hoje vamos falar sobre o ‘conhece a ti mesmo’?

O assunto específico de hoje não será ‘conhece a ti mesmo’, mas este sempre é o assunto de nossa conversa. Isso porque como Buda disse, o maior inimigo que você tem é você mesmo. Isso é assim porque vocês não se conhecem...

Vocês acham que se conhecem, mas isso não é real. Será que alguém aqui nunca foi surpreendido por uma ação, uma reação ou um sentimento que não imaginava que fosse possível ter ou sentir?

Esta é a primeira questão a respeito de se auto-conhecer. A segunda questão é que vocês floreiam o conhecimento que têm sobre si mesmos, para ficar mais bonito, mais agradável ou para ficar mais sábio.

Na conversa que tivemos em Pirenópolis houve uma pessoa que me disse que não gosta de brigar. Esta era compreensão que ela tinha sobre si mesmo, mas eu provei que ela gostava sim, apesar de achar que não. Provei mostrando que brigar não é falar alto, não é se exasperar, mas que quando nós apenas nos contrapomos com o que o outro está dizendo ou fazendo, mesmo que de forma cândida, já estamos brigando, pois brigar é ir contra o que o outro acha. Quem vai contra o outro, seja com que intensidade for já está brigando.

Na verdade, quem não quer brigar doa a razão ao próximo e isso é coisa que tanto ela como todos os seres humanos dificilmente fazem. Querem sempre provar que estão com a razão e por isso acabam brigando constantemente.

Apesar de viverem constantemente brigando, vocês floreiam o conhecimento sobre si mesmo dizendo que não gostam de brigas. Isso não é real. Por causa da característica humana, que quer sempre provar ao outro que está certo, eu lhes digo: vocês adoram brigar. Mais: fazem de tudo para não extinguir a briga enquanto não conseguirem provar que estão certos.

Por causa desta visão deturpada que cada um, o conhecimento sobre si mesmo está sempre presente em qualquer conversa que temos, mesmo que o tema não seja especificamente este. Mas, a partir deste ano ele estará muito mais presente. Isso porque neste ano (2012) vamos falar muito claramente sobre a hipocrisia humana...

Este é o ano que dedicaremos a um trabalho específico: meter o dedo na ferida, pois vamos falar mostrando claramente a hipocrisia humana. Mas, faremos isso sem acusações. Não vamos abordar o tema acusando ou ofendendo ninguém, mas usando o tema hipocrisia dentro da definição que Cristo deu ao termo: aquele que tem um discurso diferente daquilo que diz crer.

Isso é importante porque a hipocrisia natural do ser humano não consegue ser percebida por ele mesmo. Ele participa das ações imaginando que está preso a ideais nobres, mas na verdade a sua intencionalidade real não condiz com isso. Vou dar um exemplo para mostrar o que estou dizendo.

Recentemente uma pessoa me procurou para pedir ajuda. Ela e outras pessoas estão querendo montar uma comunidade física onde pretendem residir juntas vivendo em uma sociedade fundamentada no espiritualismo e no universalismo. A idéia é maravilhosa, mas eu disse a ela que, na verdade, esta idéia estava fundamentada numa hipocrisia, já que estavam pensando fazer algo novo sem abrir mão de coisas velhas.

Quando se constrói algo novo mantendo elementos velhos, isso dá a esta coisa a característica da velha. Na Bíblia tem uma passagem onde Cristo afirma que não se coloca vinho novo em odre velho e não se remenda pano velho com tecido novo. Fazendo isso, o vinho fica rançoso e o tecido esgarça. Portanto, se alguém quer fazer algo novo, precisa usar apenas coisas novas. De nada adianta misturar este algo novo com o velho, pois ele será contaminado por aquele.

Foi fundamentado neste ensinamento de Cristo que disse a ela que a idéia era maravilhosa, mas que estava sendo realizada de uma forma hipócrita. A idéia está sendo desenvolvida de forma hipócrita, pois, apesar dela e seu grupo terem um discurso de viver em liberdade completa e com harmonia plena entre eles, começaram a execução pensando em comprar um terreno e o dividir em lotes individuais onde cada um ergueria sua casa. Ou seja, iam criar dentro da comunidade universalista ‘propriedades privadas’.

Vejam a presença do velho: o cerceamento, o isolamento, o individualismo. Como estas coisas podem estar presentes numa comunidade que afirma se pautar pela liberdade completa e pela harmonia entre eles? Impossível se alcançar isso mantendo os princípios que levam ao isolamento e a defesa do patrimônio individual que caracteriza as comunidades (bairros) humanas.

Neste caso, eles querem fazer uma coisa que seja comum, onde se viva em coletividade, mas começam pensando no eu, no meu. Isso não pode dar certo...

Na verdade, como expliquei à pessoa que me procurou, o fim desta comunidade será transformar-se num bairro de qualquer cidade do planeta. Ao invés de se transformar numa comunidade aberta onde haja um convívio harmônico entre as pessoas, se transformará num bairro onde cada um tem sua casa erguida atrás de muros e com portões que isolam o habitante da comunidade.

A hipocrisia, neste caso, está na seguinte realidade: ‘Eu quero possuir algo novo, algo que seja comunitário, mas não abro mão da minha propriedade individual’. Mas, não para por aí: a hipocrisia está presente em outra questão.

Porque eles não querem abrir mão da posse do terreno individualmente? Porque existe a preocupação com a sucessão depois que eles desencarnarem, porque existe a preocupação com o dia de amanhã quando podem não mais querer viver lá e preocupam-se em recuperar o dinheiro investido. A hipocrisia está presente porque eles querem uma comunidade fundamentada no espiritualismo, uma comunidade que onde um possa ajudar o outro no seu trabalho de despossuir as coisas materiais, mas ainda se preocupam com os aspectos materiais da realização desta idéia.

A idéia tornou-se hipócrita porque ela é contrária ao que cada um dos que participam diz acreditar (que o importante é o despossuir para elevar-se). Quem quer despossuir os elementos materiais com que convive não se preocupa com questões legais ou em recuperar investimentos. Quando se fala que quer algo fundamentado no espiritualismo, mas ainda se preocupa em dividir a propriedade adquirida em conjunto em lotes individuais, mostra que o discurso é um, mas a vivência é outra. Isso é hipocrisia...

Eles não perceberam a presença da hipocrisia até que eu dissesse estas coisas. Não perceberam porque não conseguem conhecer a si mesmo na realidade. Vivem na superficialidade dos pensamentos não vendo que apesar de parecer extremamente arrojada a idéia está contaminada por algo oposto às suas crenças. Isto vale não só para este caso, mas para muitas das vivências que aqueles que afirmam estar buscando a Deus (querem ser espiritualistas) realizam durante a sua existência carnal.

Por isso, vamos dedicar este ano a falar da hipocrisia humana. Tentaremos em nossas conversas abordar os diversos aspectos dela, mas não estaremos fazendo isso para acusar ou criticar ninguém: faremos para trazer à luz da consciência aquilo que precisa ser feito por aqueles que afirmam que querem espiritualizar-se. Quem quer vivenciar o algo a mais que acredita ser – o espírito, o ser universal – precisa agir de forma diferente. Precisa viver este algo de uma forma nova, pois se não fizer isso, acabará contaminando esta disposição com elementos velhos e nada fará.

Nesta mudança, necessária para aquele que quer buscar coisas novas, está embutida uma nova visão sobre todos os elementos deste mundo. Não há como concatenar idéias velhas com novas, sem que a hipocrisia esteja presente. Não estou falando só sobre propriedades. Existem diversos outros aspectos da existência humana que precisam ser repensados por aqueles que pretendem viver uma nova forma de vida. Mas, para poder repensá-los é preciso que a hipocrisia – a diferença entre viver as situações da vida de uma forma espiritualista ou materialistas – esteja bem visível.

Por isso vamos ao longo deste ano abordar temas comuns ao dia a dia do ser humanizado. Vamos falar de família, caridade, religiosidade, profissionalismo, consumismo, etc. Ou seja, vamos tentar mostrar como a vivência que os espiritualistas mantêm dos acontecimentos diários está muito distante daquilo que afirmam estar buscando.

Hipocrisia humana

Podemos deixar de ser hipócritas?

Participante: Podemos deixar de ser hipócritas?

Sim, mas para isso é preciso algumas coisas.

Primeiro: conhecer-se... Segundo: optar por não ser...

Antes de continuar deixe-me dizer algo: não estou falando de atos. Não estou falando em não praticar ações que demonstre uma hipocrisia, ou seja, estejam contrárias àquilo que cada um diz acreditar. A hipocrisia não está na ação, mas sim na intenção com que cada um vivencia os acontecimentos da vida.

Quando você conhecer-se verá a hipocrisia. Sem conhecer-se, ou seja, sem compreender a sua real intenção quando vivencia algum acontecimento é impossível deixar de ser hipócrita. Por exemplo: dar alimento aos necessitados como cumprimento de um preceito religioso ou como caminho para ser bom e assim alcançar a elevação espiritual. No ato de dar não existe hipocrisia, pois ele não tem valor pela ação em si. A hipocrisia está na intencionalidade com a qual ele é vivenciado. É a intenção que diz o que está acontecendo e não a ação.

Quem dá alimento aos necessitados motivado pelo cumprimento de um preceito religioso (como caminhada para ser bom) e assim alcançar a elevação espiritual está vivendo este acontecimento com a finalidade de fazer aquilo que acha certo, que acha necessário para a sua evolução. É aí que está a hipocrisia. Este ser é hipócrita porque diz que pratica a caridade por compaixão, por sofrer pela necessidade que o outro passa, mas na verdade está vivenciando-a apenas pensando em seus próprios motivos.

Dar alimento aos necessitados não tem nenhuma importância: o que vale para Deus é a intenção com que cada um vivencia a ação. Digo isso porque Cristo nos ensinou: Deus julga a intenção de cada um... Conhecendo-se, ou seja, sabendo que apesar de estar vivenciando um ato visto como sublime, na verdade ele está vivendo uma motivação egoísta, o ser humano conhecerá a verdade sobre a sua participação naquele acontecimento e com isso poderá extinguir a hipocrisia.

Como se extingue a hipocrisia? Participando do acontecimento com a consciência da sua real intenção. Quem dá alimento aos necessitados consciente de que está apenas cumprindo um preceito religioso e buscando sua própria elevação ou reconhecimento da sociedade não é hipócrita. A este nada será cobrado, mesmo que ele se utilize de individualismo quando vivencia o ato.

Sendo assim, quem conhece sua real intenção e opta por vivenciá-la durante determinados acontecimentos não importa o que esteja fazendo, não será hipócrita.

Participante: isso é possível de ser feito?

Tudo é possível de acontecer, desde que você não seja hipócrita, ou seja, viva aquilo que discursa e não tenha a menor dúvida do que quer. Não ter dúvida do que se quer é atirar-se na realização de algo com plena consciência de todas as conseqüências que tal decisão pode trazer. Se você atira-se num trabalho sem prever todas as conseqüências que sua intencionalidade pode lhe causar, é melhor nem começar, porque não vai conseguir fazer nada...

Participante: mas, as pessoas conseguem as coisas só até certo ponto e não totalmente...

Eu concordo com você, mas pergunto: até que ponto as pessoas podem chegar? Até o ponto onde estão dispostas a arriscar seu status atual... As pessoas só conseguem alguma coisa quando estão dispostas a arriscar o que já têm. Quem não está disposto a abrir mão de algumas coisas que já têm, não conseguem fazer nada novo.

Portanto, conseguir ou não realizar alguma coisa não é uma questão de se é possível fazer ou não, mas apenas de limites do que se está disposto a abandonar. Quanto mais fundo for o limite de abrir mão do que possui, mais fundo esta pessoa chegará dentro de um novo status.

Participante: será que podemos suportar o novo status?

Quando você fala em suportar aborda a questão do sofrimento, do não se sentir bem com o que está vivenciando. Quem está bem cônscio do que quer para si mesmo e das conseqüências que sua opção pode lhe trazer, não vai sofrer com o que virá.

Voltamos ao ponto que estava falando: o importante é estabelecer o limite que cada um está disposto a alcançar. Quem quer fazer alguma coisa com determinação, mesmo que esta ação lhe traga como retorno algo que não goste, ele irá. Quem tem determinação no que quer avança sempre no caminho que escolheu, mesmo que isso gere situações onde aconteça coisa que ele não quer.

Participante: já ouvimos do senhor mesmo e de muitas outras fontes que precisamos abandonar a hipocrisia. Tomamos consciência da importância de realizar este trabalho e nos propomos a fazê-lo. Acontece que algumas vezes conseguimos realizá-lo, mas em muitos momentos nos esquecemos completamente dele e não o realizamos. Neste momento nos cobramos por não termos realizado o que nos propúnhamos fazer. Até quando isso vai continuar assim?Isso desanima...

Você vai continuar tendo momentos de hipocrisia até o momento da sua morte e muitas vezes até depois. Por que isso é assim? Porque a hipocrisia é uma característica da natureza humana. A natureza humana que você está vivendo neste momento é hipócrita por natureza. Se por acaso você conseguisse extinguir em si toda a hipocrisia não seria mais humana e com isso não estaria mais presa ao ciclo de encarnações para prova e expiação.

Ter momentos de hipocrisia é necessário para quem está vivendo encarnado num mundo de provas e expiações, pois estas criações da mente são exatamente a prova que o ser universal vem fazer durante a encarnação. Quando a mente através do pensamento propõe uma consciência fundamentada em compreensões diferentes das crenças que afirma ter, ela está dando ao espírito a oportunidade de optar (exercer o livre arbítrio) entre comungar com aquela idéia ou manter-se firme no universalismo (o amor a Deus e ao próximo acima de tudo).

Portanto, enquanto você estiver humanizado, seja nesta carne ou fora dela, terá momentos de hipocrisia. Se não os tivesse, não teria provações e com isso não teria condições de realizar o trabalho necessário para a elevação espiritual. Sendo assim, enquanto estiver nesta etapa da sua existência eterna terá que receber pensamentos fundamentados na hipocrisia e receberá pensamentos que acusarão a existência da vivência de uma hipocrisia e a cobrança de não ter realizado o que se propõe fazer.

Este é um dos motivos pelo qual afirmo que sua continuará assim até o fim desta encarnação. Mas, tem mais motivos...

Outro detalhe que mostra que você não pode deixar de ser hipócrita durante a vivência dos acontecimentos da sua vida. Em O Livro dos Espíritos, na questão referente aos objetivos da encarnação há a seguinte informação:

“Visa ainda outro fim a encarnação: o de por o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação. Para executá-la é que, em cada mundo, toma o Espírito um instrumento, de harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus”. (Pergunta 132)

A obra geral é toda a atividade universal que proporciona aos espíritos a oportunidade do trabalho da depuração necessária para a elevação espiritual. Ela se faz através da interação entre seres. Ou seja, para que um ser possa realizar o trabalho de depuração é necessário que outro cause uma determinada situação que lhe dê a opção de escolha entre duas coisas: o bem e o mal...

Falando em termos de mundo de provas e expiações, são as suas atitudes humanas que geram dentro das mentes de outros seres determinadas consciências. Com isso eles têm condições de fazer a sua opção. Ora, se você não agisse da forma como agiu em determinado momento, não teria dado aos seres que interagiram com você a oportunidade de receber determinada consciência e com isso realizar a sua provação. Se fizesse diferente, poderia ter submetido aqueles seres a uma provação que não estava prevista para a encarnação deles. Ou seja, se você não fosse hipócrita naquele momento não estaria fazendo a sua parte na obra geral. É por isso que você não pode deixar de ter momentos hipócritas.

Mas, como disse o objetivo não é deixar de ser hipócrita na ação, mas ter consciência da hipocrisia que praticou, de que viveu hipocritamente em determinado momento e desligar-se da intencionalidade criada pela mente. Fazendo isso você não terá mais nada para ser julgado.

Aliás, no caso da sua pergunta, ser hipócrita é achar que vai conseguir extinguir de uma vez com a hipocrisia. Se você se diz espiritualista deve acreditar nos ensinamentos trazidos pelo Espírito da Verdade. Acreditando neles, não tem como imaginar que possa conseguir extinguir definitivamente a vivência de ações fundamentadas em consciências hipócritas. Primeiro por causa da informação do objetivo da encarnação que falei acima e segundo porque sabe que este é um mundo de provas e não de regeneração, ou seja, de mudança completa.

Além do mais, o que vai pela mente do espírito não se reflete no ser humano, como ensinou Krishna. Você humano, ou seja, a consciência que lhe vem à mente, não é o próprio espírito, mas apenas o instrumento que ele usa para a realização de suas provas. Estando você espírito vivendo um mundo de provas e expiações não pode, portanto, ter uma mente que não crie consciências fundamentadas em compreensões diferentes daquilo que ela diz acreditar.

A idéia que você humano pode conseguir realizar alguma coisa (ser, estar ou fazer algo) é mais uma criação da mente hipócrita do espiritualista. Se você espírito aceita que possui esta capacidade de gerenciar as compreensões e atividades humanas está compactuando com a hipocrisia que a mente cria.

Portanto, enquanto estiver humanizado não conseguirá fazer sempre e nem é importante que o faça. O que importa realmente é como você convive com estas consciências que a mente cria: compactuando com o louro da vitória que ela diz que você conseguiu quando consegue realizar ou com a culpa da derrota quando ela diz que não conseguiu...

Hipocrisia humana

A hipocrisia e a elevação espiritual

Baseado nos ensinamentos dos mestres eu afirmo que a vida humana é uma peça teatral à qual dou o nome de “A divina comédia humana’. Falo assim porque todos os mestres nos ensinaram que durante a vivência humana o ser universal nada mais vive do que provações para a sua elevação espiritual. Ou seja, tudo que acontece não possui os valores que a mente humana aplica aos acontecimentos, mas que são momentos que levam o ser universal a optar entre o bem (o amor universal) ou o mal (o seu egoísmo).

Participante: o senhor está dizendo que tudo na vida humana é uma ilusão?

A questão das coisas desta vida serem ilusórias é algo que vocês ainda não entenderam perfeitamente. Vamos falar sobre isso...

Este mundo não é uma realidade ilusória, mas uma ilusória realidade. Ou seja, é uma realidade que existe ilusoriamente. Compreender isso é importante para que vocês tenham a consciência que este mundo é real. O que é ilusão não é o mundo, mas aquilo que você está tendo consciência naquele momento.

Se vocês tratam este mundo como uma ilusão, acham que nada nele existe. Isso é irreal. Tudo o que aqui existe é real no Universo, mas existe com uma compreensão diferente daquela que vocês têm no momento.

Quando se tem a consciência que as coisas deste mundo não são reais, acaba se perdendo na vivência das coisas. Tudo que existe neste mundo é real, mas é visto de uma forma ilusória. Sem viver assim, vocês acabam tirando da realidade coisas que existem neste mundo e com isso não combatem o principal, a consciência que a mente cria, que é ilusória.

Certa vez eu disse que a cadeira que existe neste mundo é uma ilusória realidade. Uma pessoa por causa da confusão que estamos comentando ao invés de combater as consciências que a mente cria a respeito da cadeira (é bonita, está limpa, traz conforto ou desconforto), ficou preocupado em onde iria colocar sua bunda. Esta preocupação em nada ajuda na elevação espiritual. O que poderia ajudá-lo neste aspecto é entender que se a cadeira não é real, nenhum adjetivo que se coloque nela também será.

A elevação espiritual só se consegue com a consciência da hipocrisia que se vive. Achar uma cadeira bonita ou que é certo ela estar limpa é uma hipocrisia para quem se diz espiritualista, pois como ensinaram os mestres, neste mundo não existe certo e errado, bonito e feio, já que tudo é emanação de Deus. Não compactuar com estes valores que a mente cria é, portanto, deixar de ser hipócrita, ou seja, viver de acordo com aquilo que diz que acredita...

Veja. Neste mundo tudo é ilusão ou obra de maya como ensina Krishna? Sim, é, mas é uma ilusão que vocês vivem como realidade. Querer viver a partir da consciência de que as coisas não existem, é uma hipocrisia...

Querer desmaterializar as coisas do mundo é uma hipocrisia, porque você ainda está ligado aos cinco agregados do ser: a forma, a percepção, a sensação, às formações mentais e a memória. Enquanto estiver sujeito a esta ação de maya, tudo será real para você, mesmo que esta realidade seja ilusória. Portanto, querer se desmaterializar este mundo é um erro para o espiritualista que não quer ser hipócrita.

Para que isso aconteça, o que ele deve fazer é tratar a coisa material não apegado aos valores que as consciências humanas criam. Apesar de muitas vezes ter dito que deve se desmaterializar esta vida, eu ajo assim porque apesar da língua portuguesa conter muitas palavras, elas ainda são poucas para poder me exprimir corretamente. O que digo quando falo em desmaterializar esta vida não é simplesmente afirmar que as coisas este mundo são ilusões, mas em tratá-las de uma forma não apegada aos valores materiais sobre elas que a consciência humana cria. Ou como diz Krishna, transitar entre elas sem apegar-se a elas.

Nesta vida tudo existe, pelo menos para quem está sujeito à ação de maya. O importante não é duvidar disso, mas não deixar levar-se pelas consciências que a mente humana cria a partir daquilo: ter esperança de ganhar algo com aquilo, ter a esperança de construir algo diferente do que está acontecendo, etc.

Tudo existe e será instrumento ou objeto de alguma ação que para você também será real. Duvidar da existência das coisas e da realidade que está acontecendo não interfere em nada na elevação espiritual, mas sim a forma como você vivencia o que está acontecendo. Quando não consegue desapegar-se das consciências que a mente humana cria a respeito das coisas que estão acontecendo não conseguirá a elevação espiritual porque sofrerá nesta vida. Com isso não cumpre o que está descrito em O Livro dos Espíritos:

“Uns aceitam submissos essas provas e chegam mais depressa à meta que lhes foi assinada. Outros só a suportam murmurando e, pela falta que desse modo incorrem, permanecem afastados da perfeição e da prometida felicidade”. (Pergunta 115).

O ser humanizado que não se desapega das consciências que a mente cria, ou seja, que vive os valores que ela cria para as situações, também aceita placidamente o sofrimento que ela cria como conseqüência do que aconteceu. Não há como escapar deste ciclo. Para não se viver este sofrimento, é preciso desapegar-se primeiramente dos valores para a os acontecimentos. Os sofrimentos vividos são arquivados pela mente na memória e viram as frustrações e traumas que mais tarde serão usados por ela para criar novas consciências.

O que é um trauma? É um acontecimento que ocorre e você não está preparado para vivê-lo. Mas, porque não estava pronto, se você sabe que tudo pode acontecer nesta vida? Mais: como pode ser pego de surpresa se sabe que para acontecer algo não é preciso um espaço de tempo longo, já que tudo acontece de um momento para o outro?

Tudo pode acontecer e para que aconteça não existe necessidade de longo espaço de tempo. As coisas acontecem de um momento para outro. Diversas pessoas depois de um dia normal de trabalho estavam numa sala estudando. Tudo parecia normal até que em um segundo o prédio todo desabou e eles morreram.

Nota: Refere-se ao desabamento de três prédios no Rio de Janeiro que aconteceu em janeiro de 2012.

Será que aquelas pessoas ou os seus familiares poderiam estar preparados para aquele acontecimento? Claro que não... Mas, será que eles não sabiam que aquilo podia acontecer? Claro que sim... Então, porque não se prepararam? Porque acreditavam na consciência que a mente humana cria que se entrou num prédio e saiu deles muitas vezes, isso acontecerá sempre.

Da mesma forma que aqueles prédios, o que estamos agora pode ruir neste momento. Você está preparado para viver esta situação? Não... Se isso ocorrer, o que acontecerá com você? Sairá desta vida procurando o culpado pelo desabamento que lhe matou...

Aí está a hipocrisia. Vocês sabem que tudo que está em pé pode cair, que tudo que existe pode acabar, mas não vivem com esta realidade. É a prisão à consciência que lhes faz sofrer se o que é possível de acontecer aconteça e não o próprio acontecimento. Este sofrimento não poderá ser estancado apenas se declarando que as paredes desta casa são ilusórias, mas somente quando se acabar com a hipocrisia, ou seja, a diferença entre o que sabe e o que vivencia.

A elevação espiritual, ou seja, a vivência da felicidade que Deus tem prometido aos seus filhos, não se alcança apenas com crença racional de que as coisas não existem, mas sim com o desapego às consciências que a mente humana cria.

Hipocrisia humana

Faculdade de vida

Falei agora pouco que quando acontecem as coisas que você não estava preparado porque confiou no que a consciência humana lhe disse e não no que sabia, cria-se um trauma. Quem é o criador deste trauma: o acontecimento, a vida, a mente? Não, foi você... Foi você ao aceitar o sofrimento que a mente criou a partir de uma consciência ilusória que ela criou.

Mas, porque apesar de saber que tudo pode acontecer vocês ainda são surpreendidos com determinados acontecimentos? Porque não se preparam para viver...

Eu acredito que no mundo humano deveria haver uma cadeira a nível universitário com o nome de ‘Aprender a viver a vida’. Este curso ensinaria o ser humanizado a viver a vida e com isso muito da hipocrisia que se vive hoje não existiria.

Ela ensinaria, por exemplo, que você não deve confiar no seu amigo, pois qualquer um pode mudar de opinião (lhe trair) a qualquer momento. Isso poria fim a hipocrisia que são as amizades. Elas são hipócritas porque só existem enquanto os outros fazem o que você quer. Quando agem em desacordo do que você pensa a amizade acaba. Isso é ser amigo?

Ela ensinaria que vocês vivem em constante perigo de vida, pois a qualquer segundo pode acontecer algo que acabe com ela. Isso acabaria a hipocrisia da segurança que vocês vivem que lhes faz acreditar que o mal só acontecerá ao outro e não a você.

Ela ensinaria que você não deve imaginar que irá possuir tudo o que tem eternamente, pois alguém pode aparecer e levar estas coisas. Isso acabaria com a hipocrisia de imaginarmos que possuímos os objetos deste mundo, ou seja, que eles nos pertencem.

Ela ensinaria que você não deve confiar naquilo que sente por alguém ou por algo, pois amanhã você pode sentir alguma coisa diferente. Isso acabaria com a hipocrisia do ‘eu amo’. Quem ama alguma coisa jamais sente algo diferente pelo objeto do amor, independente do que ele faça ou se transforme.

O ser humanizado deve aprender a conviver com as múltiplas possibilidades de realidades que podem ocorrer para que não seja pego de surpresa em nenhuma situação e assim deixar a mente gerar um trauma. Para isso precisa desapegar-se das consciências que a mente cria.

Muitos podem dizer que o que estou falando aqui tenha algo a ver com pessimismo. Não é isso. Estou falando de realidade, de possibilidades reais de acontecimentos que ninguém pode afirmar categoricamente que não acontecerão. Tudo pode acontecer a qualquer momento na vida de qualquer ser humano. Apesar de ter esta consciência, a mente humana prefere florear a vida. Fica imaginando que nada de mal lhe acontecerá. Ledo engano...

A mulher casa com um homem imaginando que ele a ama profundamente e que viverão felizes para sempre. Ilusão... Mas, acontecer de aparecer outra mulher que gere a separação é um fato bem provável, não é mesmo? Se ele não for levado em conta durante todo o casamento, quando acontecer pode gerar um trauma que vai servir de instrumento à consciência humana para criar muito sofrimento ao longo da vida deste ser humanizado.

É disso que estou falando: é preciso se preparar para viver. Se você fizer isso não será pego em momento algum de surpresa pela vida. Para isso é preciso desapegar-se do romantismo com o qual a mente cria as consciências durante a vida.

Quem acredita no romantismo que a mente vive é hipócrita, pois sabe que o mundo não tem nada de romântico. Um espiritualista, em especial, não deveria acreditar neste romantismo criado pela mente já que um dos objetivos da encarnação é viver as vicissitudes da vida.

Vicissitudes, diferente do que a maioria pensa, não é só o sofrimento. Se olharmos no dicionário encontramos a seguinte definição para este termo: ‘mudança ou variação das coisas que se sucedem’. A vicissitude que existe na encarnação do ser não é caracterizada pelo sofrimento em si, mas pela eterna variação das situações de vida: casa e separa, tem dinheiro e não tem, acontece o que quer e depois o que não quer. Ou seja, para o espiritualista é inexorável que ele acredite que as situações vão se alternar. Sendo isso verdade, ele deveria ser o primeiro a preparar-se para as mudanças que a vida traz. Por que não faz isso? Porque é hipócrita: apesar de dizer que é espiritualista ainda confia na mente que afirma que nada de mal lhe acontecerá...

A mente cria sempre consciências romantizadas, ou seja, fundamentadas na idéia que tudo sempre vai dar certo, e o ser humanizado que acredita nestas consciências acaba levando bordoadas, ou seja, vivendo o que não quer que aconteça sem estar preparado para isso. O pior é que isso é uma realidade que acontece com todos os seres humanizados e eles não aprendem que ao confiar nas consciências que a mente cria acabam sofrendo.

É isso que a cadeira “Aprender a viver a vida’ de uma faculdade pode ensinar aos seres humanizados: prepará-los para que não sejam pegos de surpresa pelos acontecimentos da vida.

Uma pessoa que sofre quando alguém ganha uma promoção ao invés dela, só sofre porque nunca imaginou que isso poderia acontecer. Se tivesse feito esta cadeira numa faculdade conviveria com esta hipótese e se ela ocorresse não sofreria.

Se tivesse feito este curso, o motorista que dirige seu automóvel pelas ruas e estradas não sofreria se fosse vítima de uma colisão. Ele só sofre porque imagina que o seu bem está protegido e que apenas os outros vão ser vitimados.

A mulher e o homem que se casam se tivessem feito este curso teriam a informação de que apesar de se amarem neste momento isso pode acabar no futuro e a separação será inevitável. Esta pessoa não sofreria neste momento, pois teria consciência de que esta é uma possibilidade real que pode acontecer a qualquer momento.

Os exemplos que estou dando não são factíveis de acontecer? Ou será que estou falando de coisas que nunca aconteceram? Claro que já. Tudo o que disse já aconteceu na vida de alguma pessoa e por isso podem acontecer na sua também. Você está preparado para se isso acontecer ou deixará a mente criar um trauma neste momento?

Quem está vivo tem que estar preparado para qualquer acontecimento que a vida traga. As coisa que citei aqui podem acontecer e acontecem com qualquer um. Por que não aconteceria com você? Por acaso você é o príncipe escolhido, um ser especial ao qual não pode acontecer nada de mal?

Esta é a grande hipocrisia humana: estar presente numa vida e não se preparar para viê-la. Viver sonhando com acontecimentos bons e querer afastar acontecimentos negativos. Estes acontecimentos não são negativos: são realidades diuturnas das existências, elas formam a vida. Se elas não existissem a própria vida não existiria. Portanto, elas não são negativas, mas positivas, pois quando elas acontecem mostram àquele ser humano que ele está vivo, que pertence a esta vida.

Na verdade o negativo não é o acontecimento da vida, mas a reação que cada um tem a determinados acontecimentos. Mas, porque existe esta reação? Porque os seres humanizados vivem na ilusão que nada de mal lhes acontecerá. Porque acreditam no romantismo com o qual a mente vivencia a vida.

Este curso, portanto, é indicado para todos os seres humanos, mas para quem se diz espiritualista e acredita no processo encarnatório mais ainda, pois este sabe que a existência material nada mais é do que uma encarnação, ou seja, um trabalho para a elevação espiritual. Acreditar que tudo dará sempre certo, ou seja, estará dentro das suas expectativas é negar terminantemente o conhecimento do processo de elevação do espírito. É, portanto, uma hipocrisia.

O curso que indiquei deveria ser feito por todos os seres humanos, mas principalmente por aqueles que se dizem espiritualistas. Para estes ele deveria ter uma extensão: ‘A vida a partir das verdades espirituais’. Estes deveriam não só aprender que a vida não segue aquilo que os seres humanos desejam que ela faça, mas que segue aquilo que é prescrito como objetivo da encarnação. Mas, sobre isso já falamos...

Hipocrisia humana

O culpado pelo sofrimento

A vida do ser humano é vivida como se fosse um romance. Ele não vive as possibilidades das realidades que podem acontecer porque incutiram na cabeça dele o sonho de uma vida romanceada desde a mais tenra infância.

A mãe quando dá uma boneca para a filha e a ensina a brincar de casinha não mostra a dureza que é ser dona de casa. Ela apenas mostra o lado bom daquela atividade e não o esforço físico que precisa ser feito para se manter uma casa organizada e uma família estruturada. Com isso cria uma verdade que não é real. A dureza da vida mais tarde será cobrada deste ser humano e ele, ainda apegado à brincadeira de casinha, sofrerá com a realidade.

Já repararam nos livros humanos? Eles acabam sempre com o viveram felizes para sempre. Vocês conhecem alguém que conseguiu ser feliz para sempre? Conhecem alguém que a partir de determinado momento deixou de ter problemas no seu relacionamento? É por viver o sonho que está na mente de que existe o viver feliz para sempre os seres humanos sofrem com a realidade de seus relacionamentos.

Vocês já repararam nas novelas da televisão? Sempre um personagem fala dos problemas que existem em sua vida naquele momento. Por que isso acontece? Porque a vida deles naquele momento virou novela... Antes da existência daquele personagem entrar no ar tudo era bom, depois que sair haverá o feliz para sempre...

Isto é o mesmo que ocorre aos espíritos. Antes da encarnação sua vida era boa e depois que sair dela voltará a ser. Mas, enquanto estiver encarnado, não poderá ser. Enquanto a peça ‘minha vida humana’ daquele espírito estiver no ar haverá sempre o momento bom e o mal. Isto é desta forma porque como já vimos, os objetivos da encarnação ensinam que a expiação consiste-se em viver uma existência marcada pelas vicissitudes.

“Mas, para alcançarem essa perfeição, têm que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal: nisso é que está a expiação”. (O Livro dos Espíritos – pergunta 132).

Se o ser humano não espiritualista (aquele que não acredita haver em si algo mais do que a matéria) deveria aprender a viver a vida preparando-se para as múltiplas possibilidades de acontecimento, o espiritualista mais ainda. Acreditar que existe encarnação, que está vivendo uma e ainda assim compactuar com a existência romanceada que a mente cria, é ir frontalmente de encontro àquilo que diz acreditar. É uma hipocrisia.

Participante: não deveria haver um programa na televisão que mostrasse isso que o senhor está falando?

Sim, deveria haver um programa de televisão que ensinasse a viver, deveria haver uma cadeira nas faculdades que também ensinassem, as mães deveriam ensinar os filhos de forma diferente, os livros deveriam ser escritos dentro da realidade e não de uma forma romanceada... Sim, poderia haver diversos dispositivos que ajudassem o ser humano a viver a sua vida. Mas, antes de encontrarmos culpados, deixe-me dizer algo.

Não estou falando com nenhuma criança. Aqui todos são seres humanos maduros, vividos, que se imaginam capazes de raciocinar, perceber realidades e criar compreensões. Por isso pergunto: você não acha que já está bem grandinho para chegar ás conclusões que expus aqui por si só? Será que a sua observação do que acontece neste mundo não poderia lhe levar a esta conclusão mesmo antes de eu falar alguma coisa?

Vocês são seres humanos que se dizem capazes de compreender coisas, então já deveriam ter chegado a estas conclusões mesmo antes de eu fala sobre este assunto. Sendo assim, não busque culpados... Se alguém algum dia contribuiu para que você vivesse num mundo romanceado, pela sua imaginária capacidade de compreender as coisas você já poderia ter desfeito o que foi feito e não desfez.

Mas, não desfez por quê? Porque não conhece a si mesmo. Não vê que ao invés de enfrentar a vida de uma forma madura prefere viver dormindo apegado ao sonho de que um dia conseguirá ser feliz para sempre. Como não se conhece, não vê que apesar de se dizer um ser humano maduro continua apegado ao sonho de que pode ganhar sempre. Conhecendo-se veria que é uma criança incapaz de compreender a vida, pois se fosse realmente maduro, se tivesse realmente a capacidade de compreender a vida, veria que o apego a este sonho de conseguir sempre o que deseja lhe custa caro.

A vida esporadicamente realiza aquilo que você quer. Esporadicamente... Na maioria das vezes ela acaba acontecendo de forma diferente daquilo que você deseja. Quando isso acontece, você sofre... Ou seja, você sofre muito para esporadicamente ser feliz...

Na verdade, o sofrimento não acontece por causa de determinados acontecimentos. Ele é decorrência de uma contrariedade, ou seja, ele é decorrência do seu desejo não ter sido contemplado pela vida. Não importa o que aconteça, se aquilo satisfizer o que você queria, não haverá sofrimento. Veja bem. Um dos grandes motivos de sofrimento dos seres humanos é a morte de alguém. Mas, será que você sofre com a morte de todos? Não. Se morrer alguém que você não gosta e que por isso não tem o desejo de que ele permaneça vivo, você não sofre. Diz: este já foi tarde...

O sofrimento, portanto, não está no acontecimento, mas é uma forma de reagir a determinados acontecimentos e o ser humano só se expressa dessa forma quando o que acontece não satisfaz seus desejos. Se você não vivesse apegado ao sonho romanceado de que a vida sempre satisfará seus desejos (viver feliz para sempre), ou seja, estivesse preparado para viver as vicissitudes da vida, não teria motivos para se expressar através do sofrimento.

Isso tudo o que disse aqui é apenas conclusão da observação da vida de qualquer ser humano. Não possui nada de profundo ou filosófico: basta observar a vida humana de uma maneira imparcial que se chega a esta conclusão. Você se diz capaz de observar as coisas e raciociná-las: porque não chegou a esta conclusão há mais tempo?

Portanto, não culpe ninguém pelo que você vive, mas a você mesmo que não dedica tempo para observar e pensar a vida. Aliás, culpar outras pessoas por aquilo que nos acontece é uma grande hipocrisia.

Primeiro porque o sofrimento não está pelo que os outros fazem, mas sim como uma forma de se expressar do ser humano que foi contrariado. Segundo porque ninguém é culpado por você viver desse jeito. O único culpado é você que mesmo dizendo-se capaz de entender o Universo não busca compreender você mesmo e a vida que vive.

Hipocrisia humana

Ajudar o outro

Participante: a partir do que o senhor disse sobre romantizar a vida, chego à conclusão de que querer ajudar o outro a viver feliz é uma hipocrisia.

Querer ajudar o outro não é uma hipocrisia. A hipocrisia está em achar que pode ajudar o outro...

Digo isso porque ninguém quer ajudar o outro. Se quisesse mesmo faria o que? Faria o que ele quer que aconteça, o que ele acha bom para ele. É assim que vocês ajudam? Não. Querem ajudá-lo seguindo o que você quer, o que acha bom para você mesmo. Aí está a hipocrisia...

A hipocrisia acontece sempre quando o discurso ou ação não está coerente com aquilo que você acredita. Ora, se você acredita que tudo o que deseja deve acontecer, porque não faz o mesmo pelo outro? Porque não faz acontecer ou diz o que o outro quer ao invés de tentar impor a ele o que é bom pra você?

Vivendo apegado a esta hipocrisia, você não pode ajudar ninguém. Ajuda apenas a si mesmo, pois quando a outra pessoa aceita a sua opinião considera-se um vencedor: alguém que sabe o que é bom, o que é certo.

Participante: então, não podemos fazer nada pelos outros. Se nós somos o nosso grande inimigo, só podemos ajudar a nós mesmos...

 Pode ajudar os outros mostrando que eles são os seus grandes inimigos...

Quando você entende a forma romanceada com o qual os seres humanos vivem suas vidas, você chega à conclusão que não pode ajudar os outros dentro da forma romântica que a mente acha que é o certo (fazer carinho, passar a mão na cabeça, elogiar). Isso você sabe que não pode fazer porque é uma atitude hipócrita, já que sabe também que no momento que ele pisar no seu dedão acabou todo o seu romantismo por ele.

Apesar disso dá para ajudá-lo. Como fazer? Acordando-o... Dizendo para ele: ‘Pare de sonhar com uma vida mais feliz; pare de esperar que a vida vá satisfazer sempre seus desejos’...

Os seres humanos não vivem a vida, mas sim um sonho. É por isso que algumas doutrinas utilizam o termo acordar ou despertar para aqueles que conseguem elevar-se, ou seja, conseguem viver a felicidade que Deus tem prometido aos seus filhos...

Os seres humanos vivem um sonho. A vida que eles vivem é uma fantasia já que eles fantasiam tudo sobre ela. Mas, porque vivem assim?

Antes de responder deixe-me lembrar algo que já falei no início desta conversa: eu não estou atacando ninguém... Estou sendo positivo e firme justamente para acordá-los. Eu estou falando desse jeito para mexer nas bases com que vocês vivem a vida. Se eu ficar apenas floreando com palavras bonitas ou sem expor a ferida completamente nada estarei fazendo como ajuda. Se eu aqui usasse apenas palavras bonitas ou não apontasse o sonho que vocês vivem, embarcariam ainda mais no sonho e com isso não acordariam. Como já disse diversas vezes, quando uma pessoa está histérica é preciso lhe dar uma bofetada para tirá-la daquela situação. Vocês vivem histericamente apegados ao sonho do ser feliz para sempre, do nada de mal vai me acontecer...

Para ajudá-los é que digo: vocês não vivem vida, mas sim uma fantasia hipócrita que a mente monta. O marido vive na fantasia que a mulher gosta dele e vice-versa; o amigo vive a fantasia que o outro sempre será fiel àquela amizade.

Os pais vivem a fantasia que o filho quando crescer vai valorizar tudo que ele fez. Por isso entregam-se ao trabalho com a finalidade de poder dar o melhor para o seu filho. Quando este cresce ouve apenas a seguinte frase: você foi um pai ausente...

Vivem a fantasia que sempre sairão de suas casas e chegarão onde querem ir. Alguém já saiu de algum lugar sem ter a certeza que irá a determinado lugar? Quantas vezes alguém sai de um lugar querendo chegar a outro determinado e acaba parando onde nem imaginava que iria... Todos saem de casa imaginando aonde irão e o que farão quando lá chegar... Isso é um sonho porque podem não chegar a lugar algum ou podem chegar num lugar e não fazerem nada do que esperavam.

Quando falo isso, as pessoas acreditam que devem, então, mudar seus pensamentos. Isso é impossível. Os pensamentos surgem na sua mente do ser humano sem qualquer controle. Portanto, deixar de tê-los é impossível. Aliás, tê-los, não é nenhum problema: o problema é acreditar no que ele diz...

Quando a mente diz que o ser humano vai a algum lugar, ele concorda com aquela formação mental e passa, então, a viver a expectativa (desejo) da chegada. Será que todos a quem a mente diz que vão sair e ir a algum lugar chega lá? Claro que não... Muitos mal conseguem tirar o carro da garagem e dali não saem? Por não conviverem com esta possibilidade, o ser humano acha que nada poderá atrapalhar a sua caminhada até o ponto fixado para chegar. Se algo acontece, vem, então, o sofrimento.

É isso que vocês podem fazer pelos outros: acordá-los do sonho de que tudo o que a mente programa acontecerá como ela programou...

Hipocrisia humana

A vida que não se vive

Participante: o que vai acontecer quando acabar esta fantasia?

A vida...

Participante: mas, ela vai ser insossa...

Não, ela não será insossa. Você ainda acha isso agora porque ainda está apegado ao sonho, porque ainda está preso a desejos, posses e paixões. A pessoa que foi a minha casa falar sobre a comunidade que já citei saiu de lá com as pernas tremendo, porque eu acabei com o sonho que ela estava vivendo, mas hoje depois de tudo o que disse acho que ela compreende melhor tudo o que falei.

Quando você desperta, a primeira reação é um choque, pois muita coisa que hoje é importante para você passa a não ter sentido. Aparentemente sua vida ficará vazia se tirar todas as expectativas de acontecimentos bons com as quais convive a tantos anos. Mas, depois que o choque passa você descobre a vida. O insosso que vê agora será preenchido com a própria vida, que vocês não conseguem visualizar ou viver porque só vivem o sonho e não ela.

Diariamente saem de suas casas e vão para o trabalho ou escola. Fazem todo dia o mesmo percurso. Algum dia vocês conseguiram perceber uma árvore que existe no seu percurso? Algum dia vocês conseguiram perceber uma mulher (um homem) bonito que passa na calçada diariamente neste mesmo horário? Apesar de dizerem que querem ajudar os outros, já conseguiram perceber neste transcurso alguém que estava precisando de ajuda? Quantas coisas perderam porque não estavam vivendo a vida, mas sim presos ao sonho de chegar...

Vocês deixam de viver as realizações da vida porque estão presos as realizações que o sonho estipula (neste caso chegar onde está indo). Alguém aqui já parou para festejar que conseguiu sair de casa e chegar ileso até o trabalho ou escola? Quantos saem de sua casa toda manhã e não chegam aos seus destinos ilesos? Portanto, deveriam festejar a sua chegada, mas não o fazem. Por quê? Porque estão presos às realizações que o sonho estipula e não festejam as realizações que a vida dá...

Será isso que substituirá o sonho: aquilo que a vida oferece. Com isso acabará a hipocrisia, pois vocês lutam para permanecer na vida, mas não a vivem. Isso é uma hipocrisia.

Para reforçar o que estou dizendo, vou contar uma história. Um dia uma pessoa chegou para Maomé e disse a ele que tinha gostado tanto do que ele falou que viria diariamente escutá-lo. O mestre, então, lhe disse:

- Não faça isso! Todo dia o sol nasce e lhe aquece para que você possa continuar vivo e você nem vê isso acontecer...

  Vocês não têm tempo para sentir o sol porque estão presos nos sonhos de vida que a mente cria. Vocês se dizem amantes da natureza, mas não têm tempo de vivenciá-la porque estão presos ao sonho de ser, estar e fazer alguma coisa. Só quando vocês se desligarem do sonho conseguirão ouvir o passarinho cantar diariamente no seu trajeto para o trabalho. Se não se desligarem do sonho, o passarinho cantará o dia inteiro e vocês nem o ouvirão.

Hipocrisia humana

O sonho e a prova do espírito

Participante: a vida humana é criada por Deus como prova para o espírito, não é mesmo...

Sim, para o espiritualista a compreensão perfeita sobre a vida humana é que ela é uma dramatização criada por Deus para que o ser universal vivencie os gêneros de provas que ele mesmo escolheu.

Participante: só que quando Ele cria a vida não coloca valores específicos para cada coisa. É isso que devo compreender?

Concordo com você: a vida não possui valores por si só. Ou seja, quando Deus cria a vida Ele não dá valores a ela. Só que Ele não cria somente a vida: também cria os valores que lhe vêm à mente a cada momento.

Na verdade, quando falamos que a vida humana é o campo de provações do espírito, temos que levar em conta o que você afirmou: que a vida não possui valores que determinem se as coisas são certas ou erradas, boas ou más. Estes valores é que dão o tempero da vida, ou seja, que dão sentido ás coisas que estão acontecendo. Sendo assim, posso afirmar que não são os acontecimentos em si que criam o campo de provações do espírito, mas sim estes valores que Ele também dá através das formações mentais.

A prova do espírito é o valor com o qual os ser humanizado vivencia cada acontecimento. A prova do espírito não é o acontecimento da vida, mas a sua mente, porque é ela que determina o valor da vida. É por isso também, que se explica a diferença de valores com os quais os diversos seres humanizados (provas de diversos espíritos) vivenciam o mesmo acontecimento. Como cada espírito pede gêneros de provas diferentes, os valores com os quais vivem o mesmo acontecimento são diversos.

Participante: então um espiritualista acreditar que a vida não tem sentido é ser hipócrita.

Mesmo o não espiritualista que afirma que a vida não tem sentido está sendo hipócrita, porque quem acredita que ela não tem sentido já deu um a ela: o sentido de não ter sentido...

Não estou falando que a vida não tenha sentido: ela sempre terá um, mesmo que seja o não ter. Aquele que vivenciar o que falamos aqui continuará a ter um sentido na vida. Só que este não será mais apegado aos sonhos que a mente cria. Não estará mais apegado ao ser, estar ou fazer alguma coisa...

Não esqueçam nunca disso: ser, estar e fazer. Toda consciência sonhadora e hipócrita que a mente cria é construída com base nestes três elementos. Tudo que o ser humano tem consciência é construído no ser, estar e fazer e tudo que é construído com este tripé e não a partir do vivenciar o que está feito é sonho.

Sabem o que é tudo? É todas as coisas... Qualquer palavra, qualquer som, qualquer figura ou qualquer idéia é fundamentada em ser alguma coisa, fazer algo ou estar em algum lugar ou de uma determinada forma.

Ora, se todas as consciências que a mente forma são fundamentadas neste tripé e se as consciências que ela cria formam o campo de provações dos espíritos, posso, então, dizer que a provação do espírito baseia-se nelas.

A compreensão que o espiritualista precisa ter é que o sonho que a mente humana vive é a prova que o espírito vem fazer nesta encarnação. Como responder a ela? Com o bem, ou seja, entregando-se à vida com fé em Deus, ou com o mal, sonhando o sonho.

Hipocrisia humana

O conhecimento do mundo

Participante: a mente funciona a partir da própria mente? Porque ela cria este sonho?

Antes de lhe responder, deixe-me dizer uma coisa...

Para a prisão ao sonho, existe outro grande fator que contribui: o conhecimento que o ser humano imagina que tem das coisas deste mundo. Todo ser humano imagina que é capaz de conhecer e reconhecer todos os elementos que o envolve, mas será que este conhecimento é real? Vamos averiguar isso...

Para poder fazer isso pergunto: vocês são capazes de me falar tudo que está nesta sala? Vocês imaginam que sim, mas torno a perguntar: vocês estão vendo as gotículas de água que estão ar aqui dentro? Sim, junto ao ar que existe aqui há água, a chamada umidade relativa do ar. Será que vocês estão vendo este elemento? Não...

Participante: nós não a enxergamos...

Por que não as enxergam? Porque a vista humana tem uma faixa de alcance.

O ser humano não ouve o apito que o cachorro ouve porque o seu ouvido tem uma faixa de alcance. Não percebe determinados raios energéticos (raio x, ultra violeta, etc.) que estão no ar porque os seus olhos não são capazes de perceber estas energias. Isso é importante se compreender para despertá-lo.

Dentro do romantismo que a mente vive a vida há o sonho de conhecer e reconhecer todas as coisas deste mundo. Conhecer tudo, saber como é tudo, reconhecer o que está acontecendo, ser o sábio é só sonho... Na verdade, o ser humano é incapaz de conhecer ou reconhecer a maior parte dos elementos que estão presentes nos momentos de sua vida.

Vocês se preocupam com o conhecimento sobre as coisas universais. Querem descobrir estrelas, dizer como o Universo surgiu e o que acontecerá daqui há milhões de anos, mas não conseguem identificar coisas mínimas que podem interferir decisivamente na existência de vocês. Sonham com o conhecimento sobre as coisas mais distantes, mas não conseguem identificar elementos que estão ao seu lado. Aqui neste ar onde pedi para vocês acharem água pode haver micróbios que vão lhes matar.

Isso não pode acontecer? Não é assim que vocês se contaminam? Não é através da exposição há um micróbio ou vírus que está no ar que vocês pegam as doenças que muitas vezes são fatais? Pois bem, este micróbio pode estar aqui neste momento. Aqui neste ar que circunda vocês neste momento pode haver um micróbio que os contamine e que pode levá-los inclusive à morte. Os seres humanos não conseguem ingerir nisso, que dirá com os planetas ou o futuro da terra.

Quanta hipocrisia! Os seres humanos se imaginam capazes de conhecer o Universo, mas não são capazes de conhecer o que está ao lado deles. Imaginam-se capazes de ingerir no mundo macro que está distante dele e que pouco afeta a sua existência individual, mas não é capaz de ingerir nas coisas micros que podem afetar decisivamente na sua existência.

Para o espiritualista moderno esta realidade é ainda mais gritante. Ele, como todo e qualquer ser humano, não consegue realizar esta mesma ingerência, mas ainda se acha capaz de ingerir nas coisas espirituais. Acha-se capaz de realizar ações num mundo que não percebe, que não conhece e que segundo o Espírito da Verdade, é incapaz de conhecer ou reconhecer. Para eles, indico um trecho de O Livro dos Espíritos:

“O homem orgulhoso nada admite acima de si. Por isso é que ele se denomina a si mesmo de espírito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater!” (Pergunta 9)

Para poder sair do seu sonho o ser humano precisa assumir a sua perenidade. O ser humano é o ser mais fraco do Universo. Ele pode acabar num instante e por motivos mínimos. Não é preciso toneladas de entulhos para acabar com ele: uma pequena pedra que caia sobre a sua cabeça pode por fim àquela existência. Onde está a fortaleza do ser humano; onde está o poder de controlar todas as coisas; para que serve toda a sua cultura?

Só quando o ser humano assumir a sua perenidade, a sua pequenez e o seu desconhecimento das coisas ele poderá começar a desligar-se do sonho de ser sábio, de saber, de conhecer...

 Estou falando muito aqui sobre mente e seu funcionamento e vocês estão querendo conhecer além do que estão falando. Estão preocupados em conhecer que parte da mente cria determinada coisa, porque cria, para que cria, etc. Mas, antes de saber estas coisas vocês precisariam saber o que é mente e nenhum ser humanizado a conhece realmente. Nem o psicólogo ou psiquiatra que estuda a mente – não estou falando de cérebro, porque esses vocês acham que conhecem apesar dos cientistas que o estuda há dezenas de anos serem surpreendidos muitas vezes com o seu funcionamento diferente – sabe o que é a mente ou como ela funciona realmente. Como, então, você quer saber como e porque ela funciona sem ter se dedicado um dia a estudar isso?

 Você não é capaz de saber tudo, mas tem coisas que pode compreender. Você, como ser humano que é, não é capaz de conhecer o que é a mente ou de saber por que ela age desta forma, mas é capaz de entender o que estou chamando de sonho. É capaz de compreender o que apegar-se ao que a mente cria traz para a sua existência. Então, aja neste sentido da maneira que age hoje para viver o próprio sonho...

Ao invés de se preocupar com o conhecimento sobre a mente, reconheça sua incapacidade para tanto e dedique-se a fazer o que lhe é possível realizar. O que lhe é possível realizar? Lutar para fugir do sonho e viver a realidade, a vida. Dedique-se a isso sem ter o sonho de que conseguirá sempre. Quando conseguir, consiga; quando não conseguir, não consiga. Aceite isso naturalmente e não se cobre por não ter conseguido.

Quem está fazendo este processo, como ele está se desenvolvendo não são coisas que devem lhe preocupar. Para você o importante deve ser o resultado e não os meios que se utiliza para consegui-lo.

Há algum tempo fiz um trabalho chamado ‘Em busca da felicidade’. Tudo o que ali foi dito se transformou num grande manual para ser feliz, se transformou em algo que se posto em prática pode garantir aquilo que diz desejar alcançar: a felicidade. Apesar disso, a maioria das pessoas não conseguiu fazer uso daquelas informações. Por quê? Porque durante as conversas eu falei em três elementos: o observador, o observado e a observação. Como estes elementos não conseguiram ser distinguidos facilmente no dia a dia, a maioria dos seres humanizados ficaram concentrados apenas em distingui-los e nada fizeram do que eu disse... Se apenas compreendessem que existe um observador que observa algo que é observado sem querer nomear estes elementos individualmente teriam tempo para por em prática os ensinamentos. Como se apegaram a idéia de conhecer, nada fizeram...

Temos recentemente feito um trabalho forte sobre a eterna busca de verdades e conhecimentos que os seres humanos vivem. Por que estamos fazendo isso? Porque enquanto o ser humano não compreender que ele, por causa da sua incapacidade de conhecer todos os elementos que o rodeia, não pode chegar ao conhecimento pleno, nada fará. Ficará estancado procurando conhecer tudo e nada realizará.

Todo ser humano é limitado e por isso tudo o que ele possui como verdade, como certo, como conhecido é relativo, ou seja, é limitado pela sua capacidade de conhecer. Sendo assim, ninguém possui realmente o conhecimento pleno nem a verdade absoluta das coisas. Tudo é só uma questão de ponto de vista, de opinião, de achar. Tudo o que um ser humano sabe é limitado pela sua capacidade de perceber todos os elementos envolvidos naquela realidade. Enquanto ele não assumir esta incapacidade e imaginar-se capaz de ter o conhecimento pleno, estará iludido pelo sonho de ser, estar e fazer que a mente cria.

Por causa desta incapacidade, neste planeta não existe verdade absoluta: tudo é relativo, ou seja, é limitado pela capacidade de percepção do ser humano. Tudo só é verdadeiro e real para aquele que acredita que é; para quem não acredita, não é...

Reconhecer a sua limitação e a sua incapacidade de alcançar a verdade e a realidade plena é o caminho para sair do sonho. Se o ser humano não caminha neste caminho, não sai do sonho e aí vive o sonho de sonhar que sabe. Se viver um sonho já custa caro ao ser humano como estamos vendo, imagine sonhar dentro de um sonho? Para vocês compreenderem o preço de viver assim, um texto antigo nosso:

Os seres humanos afirmam que sonhar com determinados acontecimentos ou posses materiais não custa nem um centavo e por isso se entregam a devaneios. No entanto, o ‘preço pago’ por estes sonhos é altíssimo.

Quem mata o tempo não é um assassino, mas um suicida.

O ser que se deixa levar pelo enlevo de um sonho foge da realidade em que vive. Perde seu tempo projetando outra vida e deixa de viver a vida que tem. Vive em um futuro de ilusão e abandona o presente concreto.

Para ser feliz é necessário ser feliz.

Quem projeta determinadas condições para ser feliz não consegue alcançar a felicidade e a ausência das condições projetadas se caracteriza em sofrimento. O ser que sonha determina as circunstâncias para a sua felicidade e não consegue ser feliz com a vida que possui.

Cada segundo é uma dádiva de Deus para que o ser seja feliz.

Cada segundo de um ser encarnado é projetado minuciosamente pelo Pai para que ele alcance a felicidade universal. Todos os detalhes de cada momento são avaliados pelo Ser Supremo para que possam proporcionar ao ser em evolução a chance de alcançar a elevação espiritual.

Portanto, meus amigos, não percam tempo sonhando com situações que Deus não projetou e aproveitem cada momento que Ele, com a Inteligência Perfeita, desenhou como o ideal para que vocês sejam felizes.

Quem sonha não vive o agora e por isso deixa passar a situação idealizada por Deus para ser feliz. Quem imagina criar situações não consegue ser feliz com as que têm.

Vivendo cada segundo com a certeza que ele foi desenhado pelo Pai e que por isto é tudo o que precisa para ser feliz, você alcançará a felicidade eterna.

O resultado do sonho é o sofrimento com a realidade.

O preço de se viver o sonho de ser, estar ou fazer é o sofrimento. Isso porque o ser humano que está vivendo o sonho só consegue momentaneamente ser o que quer ser, fazer o quer fazer e estar onde e do jeito que quer estar. Como você quer ser feliz e estar em paz se sabe que quem se apega aos sonhos de ser, estar e fazer só consegue a felicidade e a paz momentânea? Como querem ser feliz se ainda apegam-se ao conto da carochinha que afirma que existe um feliz para sempre que é vendido pela mente a vocês? Todos aqui, mesmo os mais novos, já viveram o suficiente para saber que o feliz para sempre não existe. Por que, então, persistem em acreditar que isso pode acontecer?

Todos que aqui estão já possuem experiência suficiente para saber que não adianta florear a vida. Apesar disso, ainda querem viver a flor da rosa imaginando que ela não terá espinhos algum. A vida tem rosas, mas também tem espinhos. Vocês até aceitam esta verdade, dizem que tem este conhecimento, mas na verdade nunca alcançam a flor realmente. Isso porque quando a vida lhes dá a flor vocês ainda querem mais e não se conformam com o que alcançaram.

Se a vida lhes dá um carro vocês já começam a querer outro mais novo, bonito ou potente. Se a vida lhes dá um elogio, querem sempre ser mais reconhecido e que todos os reconheçam e não apenas aquela pessoa. Se a vida lhes dá uma casa, querem outra mais ampla. Ou seja, não se contentam nunca com o que a vida dá e sempre exigem mais. Vivem assim, porque acreditam no sonho do ser feliz completo. Por isso não conseguem viver a felicidade que a vida dá.

Saber destas coisas faz parte do deixar de ser hipócrita. Viver desse jeito é hipocrisia porque, apesar de dizer que querem ser felizes, não conseguem se satisfazer com o que recebem e estão sempre exigindo mais. Enquanto esta exigência, que faz parte do sonhar que existe a felicidade para sempre e completa, não for concretizada renegam a felicidade que têm.

Ora, como já disse, vocês são seres humanos com experiência de vida e por isso sabem que isso é impossível. Sabem que nenhum ser humano jamais foi feliz absoluta e eternamente. Porque, então, não acordam deste sonho e vivem a plenitude da felicidade que têm?

Como não acordam, acreditam que a vida tem que ser vida desta forma, ou seja, que ela tem que conter sofrimento. Isso é irreal... Quantas pessoas vocês tem notícias – poucas, é bem verdade – que não precisam que a vida esteja florida para estar bem consigo mesmo e com o mundo que a cerca?

Existem pessoas que conseguem viver deste jeito. Por que você não consegue? Porque prefere continuar floreando a vida preso ao sonho de existe um Xangrilá a ser alcançado... E só vivem presos a este sonho porque se acham capazes de conhecer e dar valores a todas as coisas que lhes cercam.

Isso é importante para todos os seres humanos, mas é mais importante para aqueles que se dizem espiritualistas, para aqueles que acreditam que terão uma existência ativa depois da morte. Isso é assim porque a consciência do tempo perdido dormindo apegado ao sonho da felicidade absoluta será percebida pelo espírito quando ele sair da carne.

Existe um ensinamento do Espírito da Verdade que aborda este assunto e que pode nos dar alguma luz sobre o tema. Ele está na resposta da pergunta 14 de O Livro dos Espíritos.

“Deus é um ser distinto, ou será, como opinam alguns a resultante de todas as forças e de todas as inteligências do Universo reunidas?”

... “Deus existe; disso não podeis duvidar e é o essencial. Crede-me, não vades além. Não vos percais num labirinto donde não lograríeis sair. Isso não vos tornará melhores, antes um pouco mais orgulhosos, pois que acreditaríeis saber, quando na realidade nada saberíeis.

Se observarmos este texto à luz do que estamos comentando neste momento (o sonho de conhecer o que não é conhecido) veremos que Kardec como ser humano que era estava preso ao sonho de que o conhecimento leva à felicidade plena. Em resposta o Espírito da Verdade diz: o essencial é acreditar na coisa e não compreendê-la.

A busca pela compreensão, como vimos na nossa conversa, só mantém o ser humanizado preso ao seu sonho de conhecer para controlar e assim poder viver a felicidade em tempo integral. Isso, para o Espírito da Verdade, é perda de tempo. O espiritualista que concentra a sua energia em conhecer o mundo espiritual acredita que sabe, quando na verdade nada sabe. Isso só o torna vaidoso. Mais: não lhe deixa fazer o trabalho que precisa executar durante a encarnação para aproximar-se de Deus: a reforma íntima.

É esta consciência que o ser universal adquire quando se liberta desta encarnação. Ou seja, ele conscientiza-se de que perdeu a oportunidade que lhe foi concedida por Deus sonhando em alcançar uma felicidade plena que não existe no mundo humano. Para eles as últimas palavras do Espírito da Verdade neste mesmo trecho:

“Deixai, conseguintemente, de lado todos esses sistemas; tendes bastantes coisas que vos tocam mais de perto, a começar por vós mesmos. Estudai as vossas imperfeições, a fim de vos libertardes delas, o que será mais útil do que pretenderdes penetrar no que é impenetrável”.

Hipocrisia humana

Despertar

Participante: frente ao que o senhor acabou de falar, posso dizer que somos hipócritas por ter vindo aqui buscar conhecimento?

Depende. Se você veio aqui buscando realizar o seu sonho, você é hipócrita, pois como os mais antigos já devem ter notado, eu não ajo nunca no sentido de realizar os sonhos de ninguém. Eu jamais falo o que vocês querem ouvir, mas sim aquilo que você precisa ouvir, mesmo que não queira ouvir aquilo.

Portanto, se veio aqui buscando uma vida melhor, veio na hipocrisia. Saindo daqui acreditando que o que ouviu pode lhe ajudar a viver melhor, sairá hipócrita; saindo sabendo que este trabalho não conduz a felicidade que você espera, mas sim a algo diferente, não sairá... Como irá sair depende do que espera que aconteça na sua vida depois de hoje.

De tudo o que falei até hoje, alguns entenderam alguma coisa e outros nada. Os que não entenderam agiram assim porque esperaram que o que falei fosse lhes levar a viver o feliz para sempre. Já os que compreenderam viveram isso porque sabem que tudo o que falo é apenas no sentido de lhes despertar e não de lhes levar a ter uma vida vivida com a felicidade plena. Apesar disso, mesmo os que compreenderam não conseguiram acordar. Por quê? Porque sonharam que poderiam colocar em prática o que falei.

O ser humano que se imagina capaz de executar o seu acordar ainda está sonhando com realizações. Ele sonha que apenas porque conseguiu entender o que foi dito poderá despertar a si mesmo. Engana-se quem vive assim, porque a vida (a consciência que cada um tem a cada momento) é criada pela mente e esta vive apenas o sonho de ser, estar e fazer alguma coisa. No entanto, só a vida é alguma coisa...

Em todo este tempo que converso com vocês a cada conversa disse que precisam fazer muitas coisas, mas no final sempre digo que apesar de recomendar que determinadas coisas sejam feitas, jamais vocês conseguirão fazer. Ninguém faz nada porque só a vida é alguma coisa... Portanto, saia daqui sabendo que você apenas pode viver o que é e não sonhar que pode fazer qualquer coisa, inclusive se despertar.

Sei que muitas pessoas dizem que eu não poderia fazer isso, que eu não poderia desfazer as esperanças de vocês que podem realizar alguma coisa, mas eu não posso agir desta forma. Vocês estão dormindo sonhando a possibilidade de ser, estar e fazer qualquer coisa nesta vida, mesmo que seja despertar, e preciso acordá-los. Vocês estão histéricos frente a realidade e eu preciso lhes dar um tapa no rosto para retirá-los desta histeria. Sobrou para eu ser o instrumento do seu despertar. O que posso fazer além de sacudi-los fortemente?

Participante: mas, a transformação não é a base da evolução?

Sim...

Participante: você falando isso não está nos desestimulando a fazer um projeto para a transformação?

Você está partindo de uma premissa que é uma falácia, ou seja, de uma verdade que é enganadora. Qualquer conclusão montada sobre esta premissa o levará a enganar-se e não à verdade.

O ser humano acha que sempre que ele quiser fazer alguma coisa precisa antes planejar o que vai fazer e executar uma ação para que a coisa aconteça. Desculpe, isso não é real neste mundo: existem diversas pessoas que conseguem realizar coisas nesta vida sem planejamento algum. Portanto, não parta deste ponto porque não chegará a nenhuma conclusão real, pois todas as suas conclusões estarão contaminadas por esta verdade enganadora.

A observação da prática da vida nos leva a entender que não é preciso planejar para se chegar a algum lugar. O que esta observação nos diz? Que para se chegar a algum lugar, é preciso chegar... Você só considerará que chegou a alguma lugar quando chegar. Portanto, para se chegar a única coisa que é preciso é chegar. O problema é que vocês querem planejar como chegar, ou seja, querem dominar o fazer, quando a coisa apenas acontece quando tem que acontecer.

O que acontece a quem planeja como chegar? Cria caminhos e situações que acontecerão durante a caminhada. O que acontece quando ele começa a caminhar o caminho? As coisas acontecem completamente diferente daquilo que foi planejado. O que acontece com você então? Sofre porque acha que não vai chegar já que o caminho está diferente do que planejou. Mas, isso não é real: pode ser que você chegue ao ponto objetivado, mesmo que a caminhada seja feita por caminhos diferentes do que planejou. Ou seja, sofrimento desnecessário...

Mas, tem mais sofrimento envolvido nesta história além do que acabei de falar. Os seres humanos sofrem com o caminho que a vida cria para realizar alguma coisa, mas sofrem mesmo se a caminhada for realizada conforme o planejado. Isso porque como ele acredita que é dele a capacidade de fazer, sofre a expectativa de chegar. Sofre com a ansiedade de chegar mais rápido.

Todo este sofrimento é desnecessário. O ser humano só o sofre porque está preso ao sonho de realizar e ao sonho de que para que alguma coisa aconteça é preciso que ele planeje o caminho a ser percorrido. Quando lhe desperto para a realidade, ou seja, lhe informo que não é preciso planejar para alcançar, não estou lhe desestimulando, mas apenas lhe livrando da angústia, da ansiedade e da preocupação com que viverá esta caminhada ou do sentimento de derrota se ocorrer a possibilidade de não chegar a lugar nenhum.

Eu não estou lhe impossibilitando de vivenciar o despertar – até porque agora pouco disse que isso pode acontecer – mas apenas libertando-o da angústia e preocupação da caminhada e do dissabor de um possível não despertar, apesar de todo planejamento e ação para que isso aconteça.

Hipocrisia humana

O sonho de amar

Participante: se, como o senhor diz, vivemos apenas presos num sonho de ser, estar e fazer o que caracteriza o nosso egoísmo, como podemos amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo?

Saiba de uma coisa: achar que ama alguém ou alguma coisa é o maior sonho que o ser humano vivencia. Por isso digo que é a maior hipocrisia que o ser humano vivencia. Vamos falar sobre isso...

Vamos supor que você ame a pessoa que está ao seu lado. Diga-me, porque você o ama?

Participante: porque ele participa das mesmas crenças que eu...

Está certo, este é um dos motivos pelos quais os seres humanos acreditam que amam outros. Mas, lhe pergunto: se há esta condição para amar, quando ela não mais existir você não o amará? Você ama o que, então: a ele ou a condição existente entre vocês?

Neste simples exemplo já lhe mostrei duas características do amor. A primeira é que ele é racional e não sentimental. Você só diz que ama se racionalmente encontrar motivos para isso. Isso não se restringe apenas a amores sem vínculos sanguíneos, mais a qualquer amor. Por que você ama sua mãe? Não é apenas porque ela é sua mãe, pois tem muitos que não gostam da mãe. A ama porque além de ser sua mãe ela satisfaz as suas exigências para ser amada: é sua amiga, companheira, atende suas necessidades, busca realizar seus sonhos, etc.

A segunda característica do amor humano que denota a hipocrisia é a temporalidade. Quem ama, amará sempre. Não importa o que esteja acontecendo, o ser humano continuará a nutrir aquele sentimento por aquela pessoa ou aquela coisa. Mas, não é isso que existe no amor de vocês. Ele só é sentido enquanto houver a condição estipulada para tanto. Na verdade, as duas características se interagem: o amor é temporal porque ele depende de condições para existir.

Portanto, o achar que está amando é um sonho. Se a mulher amasse realmente o marido, pouco importava se convivessem debaixo do mesmo teto ou não, ela o amaria. É isso que acontece? Não, se o marido vai embora, acabou o amor. Isso é amor ou posse? A mente diz que é amor, mas a razão que resulta da análise da vida sem romantismo nos diz que é posse, não é mesmo?

A mulher sonhando que ama e que é amada vive o sonho do ‘felizes para sempre’. Por não estar desperta não vê que o amor que o marido diz que tem nada mais é do uma satisfação por encontrar nela concordância com aquilo que ele quer. Por isso, se a mulher deixar de suprir estas expectativas, se as expectativas do marido mudarem ou se aparecer alguém que as supra melhor o amor acaba.

 A consciência que a mente cria de que o ser humano está amando alguma coisa é criada apenas para mantê-lo preso ao sonho, porque é ela que sustenta a possibilidade do ser feliz plenamente. Para a mulher cria o sonho de que ela e o marido se amam; para aqueles cuja mente diz que não querem dividir sua privacidade com ninguém, dá o sonho de amar sua independência. Não importa o que a mente diga que você está amando, o que ela quer é encontrar subsídios para que você viva o que ela diz, ou seja, sonhe e não alcance a realidade. Desta forma, enquanto você está iludido com o sonho, está sujeito ao sofrimento. Preso ao sonho vai passar a vida inteira procurando a felicidade plena e não vai achá-la. Para o espiritualista isso devia ficar bem claro...

Se, como já vimos, são as consciências que a mente cria que geram as provações que o espírito pede para passar, ela precisa criar tanto a felicidade relativa (prazer), aquela que é sentida quando existe similitude entre a consciência e o acontecimento da vida, assim como o sofrimento. Sem esta dupla criação não existiria a vicissitude que, como também já vimos, é algo que deve ser vivenciado pelo espírito encarnado.

Participante: então, o amor entre seres humanos não existe...

Existe sim: para aqueles que por estarem dormindo acreditam que a posse é amor. Mas, esta crença não transforma esta razão em um amor real, mas sim algo ilusório, um sonho sonhado.

Participante: o amor real existe?

Não posso dizer que ele exista para vocês sem correr o risco de confundir a razão que lhes vem a mente sobre este tema com aquilo que imaginam estar sentindo. Se eu lhe responder que este amor existe, a sua mente juntará à minha informação o conceito sobre amar que ela já tem: a temporalidade e as condições para existirem. Isso destruiria qualquer compreensão sobre este tema. Portanto, vou lhe responder agora que ele não existe.

Sei que os espiritualistas vão me falar no amor universal, no amor que os espíritos nutrem entre si. Dirão que ele é real. Sim, existe algo que os espíritos nutrem entre si, mas não chamem isso de amor, pois se assim fizerem estarão prendendo-se às consciências das mentes sobre este tema. Assim, permanecerão presos ao sonho de estar amando...

Apesar de nesta conversa estarmos falando aparentemente contra a vivência do amor humano, deixe-me dizer uma coisa: o amor humano não é ruim nem causa mal a ninguém. Ele só prejudica ou causa mal aos que estão dormindo, ou seja, iludidos com a idéia de estarem amando ou de serem amados. Quem estiver acordado, ou seja, consciente de que está tendo uma posse ou está sendo possuído por alguém, não viverá o menor problema. Quem tem a consciência da realidade não vive o sonho do feliz para sempre e por isso não se choca quando o sofrimento acontece.

O amor humano pertence à vida e como já conversamos aqui ela não possui valores. Ela não tem bom nem mal, certo ou errado: ela é o que é. Só se a mente der um valor aos acontecimentos da vida é que eles passarão a ter um.

Sendo assim, não tenham a consciência que o amor humano é ruim: creia apenas que ele é apenas um nome que a mente usa para outra vivência.

 Participante: e o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo que Cristo nos ensinou? Que amor é esse que devemos ter?

O amor humano...

Cristo não veio para ensinar o que existe no outro mundo, mas para mostrar um caminho para se aproximar de Deus, ou seja, alcançar a felicidade. Esta frase, portanto, é apenas um caminho para libertá-lo do sofrimento que faz parte do sonho da vida e não um sentimento para ser vivido.

Para você amar a Deus acima de todas as coisas e a todos é preciso acabar com as condições que a mente cria para ele existir. Para cumprir o mandamento precisa amar o tempo inteiro. Se fizer isso acabará com as características humanas do amar. Acabando com elas, você então, pode acordar, ou seja, ver que não existe uma relação amorosa entre você e seu marido, mas sim a posse. Acordado, poderá libertar-se do sofrer ou do prazer quando a mente criar estas sensações.

Repare no que eu disse: não será o amor que lhe levará a aproximar-se de Deus. Vivendo o amor sem as características humanas você não se aproximará de Deus, mas apenas acordará. Será o despertar que lhe levará para perto do Pai e não o amar. Aproximando-se dele aí, então, poderá sentir o amor verdadeiro.

Sendo assim, o amor que Cristo orienta para ter é o humano. Este amor ao invés de ser o comum, o amor a determinadas pessoas, deve ser dirigida a todos e acima de todas as coisas, ou seja, acima das suas expectativas para amar. Como tudo isso só pode ser conseguido por razão, não posso dizer que é o espiritual.

Cristo não veio para lhe cobrar a vivência de coisas do outro mundo. Ele não podia fazer isso porque compreendia que todo ser humano é incapaz dessa vivência. O que ele – e todo mestre faz por estar acordado – fez foi lhe passar novos conceitos humanos usando outros conceitos que você já tem (neste caso o amar) direcionando-os de tal forma que a compreensão dos ensinamentos lhes desperte.

Hipocrisia humana

Um único lugar

Participante: Quando quebrarmos as características do amar que o senhor falou, vamos, então, alcançar nos universalizarmos?

O ser humanizado que desperta, ou seja, que tem a consciência da realidade ao invés de viver o sonho hipócrita do ser feliz para sempre criado pela mente humana jamais poderá se tornar universal, pois ele já é do Universo...

Quando você fala do jeito que falou parece que chegou a uma conclusão óbvia, mas repare em algo. Estamos dizendo que a base do sonho está presa ao tripé ser, estar e fazer alguma coisa. Quando você fala em tornar-se, não está se referindo a fazer alguma coisa? Ou seja, está dizendo que o ser humano não é universal e pode passar a ser. Como? Fazendo alguma coisa: universalizando-se. Isso não está preso ao sonho do fazer alguma coisa?

Sabe, o egoísmo, o querer individualista, apesar de aparentemente oposto ao universalismo (o querer coletivo) é tão universal quanto a postura que aparentemente é o seu oposto. Sabe por quê? Porque os dois estão no Universo, coexistem no mesmo ambiente e da existência dos dois surge o todo. As duas posturas são expressões presentes no Universo e juntas formam o todo universal. Se assim não fosse, onde estaria o egoísmo?

Uma vez me pediram para dar uma definição para universalismo. Eu disse que não poderia fazer isso, pois se o fizesse estaria acabando com a característica universal do universalismo. Isso porque definindo o universalismo de tal ou tal forma estaria afastando tudo o que estivesse fora da definição do Universo e não há outro lugar para existir qualquer coisa.

Tudo está dentro do todo. Tudo já existe dentro do todo. São como círculos egocêntricos formados pela pedra que atinge um lago. Sendo assim, nada se muda para outra coisa. Sonhar em realizar esta mudança ainda é prender-se ao sonho de ser, estar e fazer alguma coisa para conseguir uma felicidade.

Tudo existe dentro do Universo, mas existe de uma forma real ou ilusória. A forma como as coisas existem não importa, pois isso não a leva para outro lugar.

Apenas para completar o assunto deixe-me dizer-lhe algo. Tudo o que a mente humana é capaz de perceber ou reconhecer, como já dissemos, é ilusório. Este conhecimento é universal, mas existe no Universo dentro de uma forma ilusória.

A partir daí você me perguntaria: o que, então é real? Eu respondo: tudo o que você não consegue perceber ou reconhecer...

Hipocrisia humana

Sonhando com Deus

Participante: por causa do que o senhor falou agora é que se diz que tentar definir Deus é negá-Lo?

Sim, tentar definir Deus é negá-Lo, pois, como disse, quando você define alguma coisa exclui algo daquilo que é definido. Se Deus é tudo o que pode não ser Ele, não fazer parte Dele? Sendo assim, cada vez que você cria uma definição para Deus está criando um ser diferente de quem Ele é. Isso o mantém preso ao sonho de conhecer Deus...

O grande problema do mundo humano é acreditar em um único Deus. Não há um único Deus... Ele está em tudo e por isso é tudo...

Este problema surgiu pela não compreensão do termo bíblico que fala da unicidade de Deus. A mente humana, para poder gerar algo super poderoso, criou a idéia de que esta informação quer dizer que só existe um único Deus. Como este algo super poderoso que ela criou também foi gerado como tendo os mesmos anseios que os humanos, ele se transformou num instrumento para garantir o feliz para sempre. Com isso os prende cada vez mais a este sonho...

Quanto engano, não é mesmo? Acho que vocês já deveriam ter acordado para o fato que não adianta apenas acreditar no deus criado pela mente e dedicar-se a ele para conseguir ser feliz para sempre. Quantos não seguem piamente a este deus e mesmo assim não conseguem viver felizes para sempre?

Se Deus é tudo, tudo é Deus. O cachorro, o papel deste livro, a tinta que o escreveu, você, os olhos que estão lendo, a planta, o ar, o sol e a lua são Deus. Ele não é só o que lhe traz o prazer, mas também quem não lhe traz. Ele não é apenas o criador da situação que você gosta, mas também da que você não gosta. Na verdade, Ele é mais do que o criador: é todos os instrumentos desta situação e é a própria situação...

Tudo é Deus e Deus é tudo. Portanto, existem múltiplos deuses. Para sair do sonho e viver a realidade é preciso se vivenciar isso. Enquanto você estiver preso à idéia de que existe apenas um único deus, estará confiante de que existe um ser super poderoso que zela pelo seu feliz para sempre. Mas, como sonhadores que são, preferem acreditar que conhecem Deus...

Hipocrisia humana

O sonho de conhecer

Sabe, vocês são como Ícaro: possuem asas de cera de mel, mas querem alçar vôo até o sol. Reconheçam a fragilidade das asas que possuem (a limitação do poder conhecer) e voem apenas até onde podem. Não queiram voar (compreender) além do que a limitação de vocês permite. Só assim poderão chegar á realidade.

Tem uma passagem no evangelho de Tomé onde Cristo diz assim: reconhece o que é visível para você e tudo lhe será revelado. Vocês não reconhecem o que é visível para vocês e querem alçar vôos em direção ao que não podem compreender. Por isso vivem verdades e realidades para coisas que não conseguem perceber. Não reparam que elas são ilusões que só tem a intenção de mantê-los presos ao sonho hipócrita do ser feliz para sempre, do ganhar sempre.

O grande problema de acreditar nas verdades ilusórias é que isso confere a elas o poder de realidade. Acreditando nelas como reais, o ser humano vivencia o sonho de conhecer. Com isso sai distribuindo valores a todas as coisas que existem e a tudo que acontece. Mas, se estas verdades são ilusões, será que o que se acredita estar acontecendo é real?

Você consegue me dizer agora o que a pessoa que está ao seu lado está pensando neste momento? Claro que não... Afinal, ninguém consegue ver o interior do outro, não é mesmo? Mas, na sua mente existe a idéia de que sabe por que determinada pessoa fez alguma coisa...

 O ser humano sabe que determinada pessoa agiu propositalmente para lhe magoar, sabe que agiu assim porque ela quis lhe ferir. Ou seja, acha-se capaz de reconhecer a intencionalidade que está no íntimo de cada um ao participar dos acontecimentos. Ou seja, a mente cria uma realidade para os outros que não é real e você acredita nisso. Isso é estar dormindo, isso é ser hipócrita.

Pior. Mesmo que alguém, inclusive o próprio agente da ação, venha lhe dizer que não foi esta a intenção, o ser humano não abre mão da sua opinião... Ou seja, acha-se mais capaz de conhecer o interior do outro do que ele próprio.

Participante: isso é um mecanismo para satisfazer-se?

Não é um mecanismo de satisfazer-se, mas um mecanismo da mente para poder aprisioná-lo ao sonho. Você se prende ao sonho para satisfazer-se, mas não é você que usa este mecanismo e sim a mente.

O conhecimento traz poder. Quem conhece as coisas imagina-se capaz de ter o poder de controlar as coisas do mundo. A mente utiliza-se da ilusão de conhecer para mantê-lo preso ao sonho de conseguir administrar a vida para que você seja feliz para sempre. Será que você não vê que assim só se submete às conclusões que a própria mente cria e que elas não são sempre felizes?

Ninguém é capaz de lhe magoar. Se uma pessoa falar a mesma frase na frente de dez pessoas, pode ser que seis sintam-se magoadas e outras quatro não. Isso quer dizer que não foi quem proferiu a frase que criou a mágoa, mas que cada um dos que a ouviu é que escolheu esta forma de reagir ao que foi ouvido.

Se isso é assim, quem criou a mágoa? Você mesmo... Criou a mágoa por quê? Porque acreditou na intencionalidade de magoar que a mente conferiu ao que o outro disse... Por que sonhou conhecer a realidade íntima do outro neste momento...

 Repare bem. A mente lhe ilude dizendo que é importante conhecer, pois assim terá o poder de gerir os acontecimentos do mundo e conseguir o feliz para sempre. No entanto, ela usa esta mesma convicção para lhe causar o sofrimento... Quanta hipocrisia, não?

O sonho de conhecer as coisas deste mundo, de saber determinar o que está se passando a cada momento, não é uma realidade, mas apenas uma imaginação... Os seres humanos acusam as pessoas que dão asas a imaginação, que vivem no mundo da lua, como infantis, sonhadores, mas não vêem que todos vivem no mundo da imaginação, num mundo imaginado pela mente e não num mundo real.

Imaginam que porque saíram vão chegar ao local pretendido; imaginam que porque se propuseram a fazer vão conseguir; imaginam que porque tem dinheiro vão poder comprar o que querem; imaginam que porque tomaram o remédio vão se curar... Imaginam que conhecem o outro e por isso são capazes de conhecer as intenções deles; imaginam que porque trabalharam de uma forma terão determinado resultado; imaginam que sabem o que aconteceu no planeta e no Universo há milhares de anos atrás...

Todo ser humano só vive um mundo imaginário. Aliás, é este mundo imaginário que é o sonho que a mente cria para o ser humano viver. Eles não conseguem viver o mundo real porque estão presos ao mundo imaginário que a mente cria e diz que é real. Por que isso acontece? Porque os seres humanos não se desprendem deste mundo imaginário? Porque só nele podem ser quem quiserem; porque nele o outro será quem eles querem que seja; porque só nele eles podem fazer o que quiserem... Ou seja, o ser humano vive preso ao sonho porque é egoísta por natureza...

A prisão do ser humano ao mundo imaginário que a mente cria acontece porque ele quer sempre ganhar, quer ter sempre o prazer, porque busca para si o reconhecimento e o elogio sempre. Como no mundo real muitas vezes ele perde, tem desprazer, não é reconhecido e nem elogiado apega-se ao mundo ilusório criado pela mente através de um falso conhecimento. Por causa dês prisão, o ser humano não vê que no que foi dito por aquela pessoa há um recado da vida para o despertar...

Os seres humanos deveriam entender que sofrem não por causa dos acontecimentos do mundo, mas porque acreditam no ilusório conhecimento sobre as coisas que a mente cria. Sofrem porque são hipócritas ao se considerarem sempre certos e que nada precisam mudar em si mesmo. Como não compreendem esta realidade a vida muitas vezes manda recados para mostrar a eles o que precisam mudar para não sofrerem.

Quando alguém o chama de feio, por exemplo, um ser humano, ao invés de acreditar na intencionalidade de magoar que a mente atribui a quem falou, deveria entender que a vida está lhe mandando um recado: você quer ser chamado de bonito. Isso é desta forma porque quem se magoa ao ser chamado de feio é porque quer ser chamado de bonito...

Será que este ser humano não entende que beleza é uma questão individual? Será que ele não entende que existem padrões individuais de beleza? Se isso é verdade, ninguém poderá ser considerado como bonito ou feio, pois esta qualidade depende da opinião de cada um. Isso é real e vocês sabem disso, mas como ainda estão apegados ao sonho do feliz para sempre não a coloca em prática. Ainda sonham que todos vão lhe considerar bonito...

Quando a vida faz alguém lhe chamar de feio ela não está querendo lhe criticar ou magoar, mas apenas lhe alertando que esperar que todos o achem bonito um dia vai lhe fazer sofrer, já que a unanimidade é coisa que não pertence a este mundo. É isso que o ser humano não vê porque está preso ao sonho do feliz para sempre que ele sabe que não existe. Por isso, essa prisão ao sonho é uma hipocrisia.

Isto é verdade para todos os seres humanos, mas deveria ser verdade maior ainda para os espiritualistas já que o Espírito da Verdade dá o seguinte conselho na pergunta 919 de O Livro dos Espíritos:

“Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e resistir à atração do mal?”

“Um sábio da antiguidade vo-lo disse: conhece-te a ti mesmo”.

Somente quando o ser encarnado conhecer a si mesmo, ou seja, conhecer como ele vivencia os acontecimentos do mundo poderá afastar-se do mal e assim atingir a elevação espiritual. Como fazer isso? Santo Agostinho respondeu no caput a desta mesma pergunta:

“Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma”

... “O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual. Mas, direis, como há de alguém julgar-se a si mesmo? Não está aí a ilusão do amor próprio para atenuar as faltas e torná-las desculpáveis?”

Tal ensinamento nos leva a entender que o primeiro grande detalhe para aquele que pretende aproximar-se de Deus é conhecer a si mesmo, se auto reconhecer. Mas, depois, vem Santo Agostinho é afirma que esse auto reconhecimento é quase impossível. Isto porque a prisão ao sonho do ser feliz para sempre lhe faz julgar-se de um modo diferente do que julga os outros. Esta prisão lhe faz viver o ilusório conhecimento sobre as coisas da vida que a mente cria como real. Sendo assim, posso afirmar que o auto reconhecimento (você saber quem é você mesmo) que o Espírito da Verdade diz que é fundamental para a elevação espiritual é um trabalho que deve ser realizado indo-se além daquilo que você acredita que está acontecendo. Fazendo isso, há o despertar.

Para que este trabalho possa ser realizado é preciso, então, que o ser humanizado vá além daquilo que acha, sabe, conhece ou imagina como certo e errado em si mesmo. Isso porque estas crenças também são falsas compreensões que a mente cria para manter o ser humano que está dormindo no sonho. É para acordá-lo que a vida faz com que outras pessoas lhe mostrem quem você é de verdade... E como este trabalho é o aspecto importante para a elevação espiritual como disse o Espírito da Verdade, o ser humano espiritualista deveria aproveitar a oportunidade de ter sido chamado de feio e se reconhecer.

Reconhecer que ele não é o ser puro que imagina ser. Reconhecer que ele, por estar encarnado num mundo de provas e expiações está vivendo a prova do egoísmo. Reconhecer que por querer ser chamado de bonito está dando asas a este egoísmo. Fazendo este reconhecimento pode, então, se mudar de verdade. Mas, ao invés de vivenciar isso naquele momento, o ser humano espiritualista prefere agir como todo ser humano: agarra-se ao sonho de conseguir ser feliz para sempre, ou seja, de que deve ser chamado de bonito por todos. Com isso não aproveita a oportunidade da encarnação.

O ser humano, tanto o espiritualista como o materialista, se apegam ao sonho, como já disse, por causa da sua natureza egoísta. Isso é assim porque somente no sonho criado pela mente eles poderão ser o que querem, fazer o que querem e estarem no lugar e da forma que querem e com isso satisfarão o seu egoísmo. Na realidade isso é impossível...

Na vida real ninguém pode ser o que quer: tem que ser o que ela determine que seja. Na vida real ninguém pode estar no lugar ou do jeito que quiser, mas tem que estar do jeito e no lugar que ela determinar. Porque nela não consegue fazer o que quer, mas faz o que a vida determina que aconteça. Como ganhar assim? Como ter prazer, alcançar a notoriedade e ser elogiado assim?

É por isso que a mente humana criou o sonho de conhecer as coisas da vida. Ele é um lugar onde o ser humano egoísta por natureza imagina poder controlar todas as situações e comandar todos os acontecimentos. Só que ele não vê que quando a mente faz isso lhe confere o status de Deus, que é quem é, quem faz e quem está.

O sonho criado para a mente, portanto, foi feito para aqueles que não sendo Deus querem sê-lo. Para aqueles que se imaginam capazes de controlar tudo e com isso atingirem a onipotência, onipresença e onisciência. É, portanto, um mundo onde se sentem bem aqueles que são egoístas, prepotentes e hipócritas, mas que não admitem que estas qualificações estão presentes em si mesmo. As confere apenas aos outros... Vivem assim, porque estão iludidos com o sonho de conhecer a si e aos outros.

Apesar de isso estar cristalino na nossa exposição, o ser humano não consegue enxergar em si estas qualificações porque está sonhando que a tudo conhece. Disse no início deste assunto uma frase de Cristo trazida pelo evangelho de Tomé: reconhece o que é visível para ti e o resto lhe será revelado. Somente quando o ser humano abrir mão do ilusório poder de conhecer e reconhecer que é capaz de determinar a realidade do momento poderá ver em si a presença do egoísmo, da prepotência e da hipocrisia. Com isso poderá se mudar.

Se isso é importante para os não espiritualistas, imagine para esses que dizem saber que estão encarnados para promover a reforma íntima.

Hipocrisia humana

O conhecimento do passado e do futuro

Participante: a mente só vive no passado ou futuro, não é mesmo? Ela dificilmente está ligada no presente...

Desculpe, mas a mente não pode estar nem no passado nem no futuro, já que só existe o agora. O passado já passou, ou seja, não mais existe; o futuro ainda não chegou, ou seja, ainda não existe. A mente, não pode estar onde não existe. Por isso ela só está no presente.

Na verdade, ela no presente, cria algo que diz que é passado. Ela cria algo agora que diz que aconteceu no passado. Isso não quer dizer que exatamente aquilo aconteceu no passado, mas trata-se apenas de uma criação do presente.

Quando o ser humano acredita que está lembrando-se de algo do passado, na verdade está recebendo uma informação de agora e não a lembrança de uma realidade que aconteceu. Isso é fácil de constatar. Pergunte a alguém que participou de alguma lembrança sua se realmente aconteceu o que você se lembra. Se fizer isso verá que ela não possui as mesmas lembranças que você. Ela discordará do que aconteceu e do porque aconteceu aquilo.

Quantas vezes vocês já disseram a uma pessoa que ela agiu de determinado modo ou falou determinada coisa em um momento passado que ela nega terminantemente ter feito ou falado? Se a sua lembrança fosse uma realidade e não apenas um sonho criado pela mente todos deveriam se lembrar exatamente do que aconteceu não é mesmo?

Mas, apesar desta prática da vida você continua acreditando que as lembranças que a mente cria agora são reais. Quando o outro discorda desta ilusória realidade que com sua crença no sonho se transformou em verdade para você, ainda por cima o acusa de estar sendo mentiroso ou de não assumir o que fez ou falou. Ou seja, ainda acredita no sonho do conhecimento da realidade do outro... Com isso, não vive o amor a todos que Cristo ensinou.

A mente nunca está também no futuro porque ele não existe para ela estar. Quando ela faz projeções para o amanhã está vivendo o hoje e não tendo visões do futuro. Como estas visões nada têm a ver com a vida que acontecerá no amanhã, elas não são projeções, mas meras imaginações. Como você vive preso ao sonho como se realidade fosse, acredita que aquilo irá acontecer e quando a vida não coincide com o sonho sofre.

Portanto, na verdade não existe o passado que a mente cria: trata-se apenas de um presente que cria histórias sobre o passado. Não existe o futuro, mas apenas imaginações criadas no presente que podem não estar de acordo com o que a vida irá viver. Mesmo reconhecendo a lógica do que estou falando vocês não se desligam do passado e do futuro criados ilusoriamente pela mente. Por quê? Porque estão dormindo...

Estar dormindo é acreditar que existe o feliz para sempre, é achar que pode ser o que quer ser, estar onde e como quiser e fazer o que deseja. Para esses as criações da mente sobre passado e futuro são importantes, pois os acontecimentos deste tempo são criados para satisfazer essa intenção. Acorde para a vida, ou seja, acorde para a realidade da vida que é formada pela necessária vicissitude e não mais acreditará no que a sua mente lhe diz que aconteceu ou acontecerá.

Hipocrisia humana

O sonho e o egoísmo

Repare que estou falando muito da mente e das características do sonho que ela cria e dizendo que ela age dessa forma para satisfazer o egoísmo do ser humano. Com isso, muitos aqui estão acreditando que estou dizendo que a mente é egoísta, mas isso é irreal.

O sonho criado pela mente explora o egoísmo que está no ser humano, que é sua característica primordial. A mente e nem o próprio sonho são egoístas: eles apenas servem como instrumento para a expressão do egoísmo que está no próprio ser humano.

Esta afirmação pode parecer nova, mas para os espiritualistas não deveria ser. Isso porque na pergunta 915 de O Livro dos Espíritos o Espírito da Verdade afirma:

“É exato que no egoísmo tendes o vosso maior mal, porém ele se prende à inferioridade dos Espíritos encarnados na Terra e não à humanidade mesma”.

Aquele que imagina que o sonho é egoísta ou hipócrita jamais desperta, pois ao invés de combater em si mesmo acreditará na culpa da mente e irá querer mudá-la. Como isso é impossível, jamais conseguirá despertar.

A mente faz parte da via e por isso é vida. Como já vimos, a vida não tem valores. Sendo assim, a mente não pode ser certa ou errada, boa ou má, egoísta ou universalista. Ela não possui nenhum valor: ela apenas propõe valores... Quando ela faz isso está dando ao ser encarnado a oportunidade de optar entre aceitar aqueles valores ou libertar-se deles.

Quando ela propõe o egoísmo não está sendo egoísta. Agora, o ser humano ao aceitá-lo, está sendo egoísta.

Para o espiritualista, aquele que acredita haver em si algo além da matéria e que viver esta vida é uma oportunidade deste algo mais promover um trabalho no sentido da elevação espiritual, posso dizer que a mente e o sonho que ela cria é o instrumento para a realização deste trabalho. Quando ela no sonho gera realidades ilusórias fundamentadas no egoísmo ela torna-se o dia que tenta o ser humanizado para que ele tenha a oportunidade de fazer uma livre opção entre o bem (Deus) e o mal (o egoísmo que fundamenta o sonho).

Portanto, quando ela cria uma realidade ilusória afirmando que é o presente, o passado ou o futuro, tanto a mente quanto aquilo que ela cria nada tem de egoísta: o egoísmo a base para a escolha deste. Se ele se deixa levar pelo egoísmo, opta em acreditar no sonho; se não, opta pela realidade.

Hipocrisia humana

A intuição e o sonho

Participante: e sobre a intuição. Ela existe?

Sim... A intuição existe para quem acredita que exista intuição.

O que é uma intuição? O que são as pessoas que estão ao seu redor? O que é o seu corpo? Afinal, o que é tudo que lhe cerca? Vamos falar sobre isso...

Neste mundo a ciência ensinou que o olho é bombardeado por energias elétricas. Estas passam por ele e depois são conduzidas até o cérebro. Só aí vai nascer a figura, a forma. Até aqui tudo o que lhe rodeia era energia, quando esta chegou ao seu cérebro é que nasceu a forma.

A partir daqui lhe pergunto: o que são estas pessoas ao seu redor? Energia elétrica. Estas energias foram captadas pelo seu olho e no cérebro se formaram as figuras dessas pessoas. Este processo é o mesmo para qualquer percepção que você acredite ter: audição, olfato, paladar e sensibilidade do corpo. Qualquer coisa que você diga está percebendo é uma criação do cérebro a partir de ondas eletromagnéticas que foram captadas pelos órgãos sensoriais.

Apenas um detalhe. Se aplicarmos este mesmo pensamento ao cérebro, veremos que ele também nada mais é do que energia elétrica. Portanto, ele não pode criar a figura. Por isso, vamos apenas fazer uma ressalva no ensinamento científico do mundo de vocês. Quem faz a figura não é o cérebro, mas a mente. É a mente, o elemento não conhecido pela ciência humana como já vimos, que transforma a energia em forma e não o cérebro. Isso a ciência não sabe porque ainda não conhece perfeitamente o funcionamento das coisas.

Agora pergunto: o que é o ato de pegar uma onda eletromagnética e transformar em uma determinada palavra ou forma?

Participante: é a vida.

Não, a vida é a própria onda eletromagnética. A este processo damos o nome de consciência. Conscientizar-se de alguma coisa é o ato realizado pela mente de transformar o impulso eletromagnético externo em figura e som. Depois de criada, a consciência, então, é informada ao ser humano como pensamento, formação mental.

Portanto, toda consciência que você tem, ou seja, toda idéia de realidade que você vive é formada pela sua mente e tudo que é criado pela mente como já vimos ao longo desta conversa, é uma qualificação para a vida. Tudo que o ser humano se conscientiza não existe externamente a ele, mas sim uma criação da mente. Externamente existe a vida, a onda eletromagnética, que não tem forma nem sons e por isso não gera palavras.

Ora, se tudo que é criado pela mente é uma qualificação para a vida, lhe pergunto: você sabe o que foi dito na intuição que recebeu? Então, é uma qualificação que mente está criando para a vida.

Toda intuição é uma percepção que a mente cria. Digo isso porque ela usa formas e sons para criar uma idéia, ou seja, uma consciência. Portanto, é uma criação da mente. E se toda criação da mente é uma qualificação dada à vida e não ela própria, quem acreditar que esta é real vai vivê-la como tal, quem não acreditar, não vai. Por isso afirmo que a intuição existe para quem acreditar que ela existe.

No entanto, prender-se ao que é criado pela mente é sair da vida e viver a própria qualificação como se vida fosse. É manter-se apegado ao sonho.

Apesar de explicar tudo isso, eu não estou lhe dizendo que não há intuição. Vamos tentar entender isso... Já que estou falando a espiritualistas, vamos usar O Livro dos Espíritos para explicar, pois é ali que se encontram as informações científicas espirituais disponíveis no planeta.

O que é uma energia eletromagnética?

“O que chamais de fluído elétrico, fluído magnético, são modificações do fluido universal, que não é, propriamente falando, senão matéria mais perfeita, mais sutil e que se pode considerar independente”. (Pergunta 27 a)

Como o espírito convive com a matéria universal?

“A matéria é o laço que prende o espírito; é o instrumento de que este se serve e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce a sua ação”. (pergunta 22 a)

Quem lhes dá o pensamento?

“459. Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos? Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto que, de ordinário, são eles que vos dirigem”.

A vida é o fluído universal. Este fluído é o elemento que o espírito se serve, ou seja, utiliza. Utiliza como? De múltiplas formas. Uma delas é enviá-lo ao espírito encarnado através da mente humana, que também é fluído universal. Este é o processo real que acontece no Universo, o processo vida que vocês humanos não conseguem entender porque estão presos às consciências que a mente cria. Este processo deveria ser de aceitação pelos espiritualistas já que foi trazido pelo Espírito da Verdade, um grupo de seres universais enviados por Deus.

Aplicando tudo o que falamos ao tema que estamos conversando, podemos dizer que a realidade do acontecimento receber uma intuição é a recepção por parte do espírito encarnado de fluídos universais enviados por um fora da carne. Quando esta recepção deixa de ser apenas fluído universal e torna-se figura, som e idéia nasce, então, um sonho, uma provação para o espírito.

Este envio do espírito fora da carne contém alguma informação para você espírito? Sim, tem, já que nada no Universo acontece à toa. Tudo tem uma finalidade. Agora, a mensagem (formas, sons e idéias) que você diz que recebeu trata-se apenas de uma decodificação do fluído universal para criar o sonho e não a própria realidade.

A ação de saber o que está contido na mensagem do espírito fora da carne é apenas criação da mente, pois ela não está no mundo universal, mas apenas naquela individualidade.

Participante: podemos ter consciência de alguma coisa além das criações da mente?

Impossível. Fora do que a mente torna consciente o ser humano não tem condições de perceber nada.

Diga-me, você tem consciência da quantidade de espíritos que está ao seu lado agora? Não, porque o seu olho é incapaz de percebê-los e com isso a mente não consegue criar a figura deles. Só quando a mente é capaz de criar a existência de alguma coisa é que você acha que percebe (vê, ouve, sente o cheiro e o sabor e tem sensações).

Participante: mas, às vezes numa decisão importante essa decodificação pela mente não é certa?

Defenda-se mente humana! Lute para preservar alguma coisa do que você cria!

Mente, eu disse tudo, ou seja, todas as coisas. Todas as coisas que a mente cria são apenas interpretações individuais da realidade que tem por finalidade gerar um sonho que servirá de provação ao espírito e não uma realidade. Aliás, quem está criando esta excepcionalidade à qual você está se agarrando é a mente.

Ela está fazendo isso para que você ainda continue preso ao sonho de que é dirigido por um espírito do bem que vai lhe levar a fazer alguma coisa que terá como resultado o feliz para sempre. Achando isso vai buscar seguir o que imagina ter recebido como orientação. Fazendo e não dando certo, transformar o suposto espírito do bem em obsessor, em espírito maligno que só quis lhe trazer o mal. Todos estes valores servindo apenas para manter aceso em você o sonho do feliz para sempre e não como acontecimentos reais.

Hipocrisia humana

O sonho da proteção

Quando falamos agora pouco em intuição, encerramos a conversa falando em espíritos que protegem a vocês. A estes seres, vulgarmente se dá o nome de anjo da guarda. Pode ser mentor, entidade, tanto faz. O nome não importa, mas sim o fato de você imaginar que tenha um protetor.

Para que você quer um elemento além da matéria para lhe proteger? Qual proteção você espera? O que sonha que ele faz? O anjo da guarda, mentor ou entidade que a mente afirma existir é um ser super poderoso que tem por finalidade limpar o caminho do ser humano para que ele viva o feliz para sempre. Ou seja, é um instrumento para lhe manter preso ao sonho...

No entanto, apenas a simples observação da vida seria necessária para destruir esta lenda. Quantas pessoas passam intermináveis horas rezando aos seus santos e anjo da guarda pedindo determinados acontecimentos e não conseguem? Quantas pessoas buscam ajuda em centros de umbanda para vencer determinadas demandas e não conseguem? Quantos fiéis a determinadas religiões são pegos de surpresa pelo destino sem aparentemente merecerem aquela situação? Ter um anjo da guarda protetor, portanto, não livra ninguém de nenhum acontecimento desagradável.

Pelo que disse, então, não deve haver um anjo da guarda, não é mesmo? Não, o anjo da guarda existe. Só que ele guarda o espírito e não o ser humano. Ele está a serviço do ser universal e não do sonho humano. Sendo assim, ele está á disposição do que é melhor para o espírito e não para o ser humano.

Imaginemos que nos registros das provações pedidas por um ser universal antes da encarnação o melhor para ele neste momento seja vivenciar a consciência de que está sendo roubado. O anjo da guarda neste momento não irá providenciar a proteção a este ser humano, ou seja, não irá livrá-lo do assalto, mas procurará outro espírito para quem o melhor naquele momento é ter a consciência de que está assaltando e o colocará para viver um sonho conjunto com aquele que o melhor é ser assaltado. Este anjo, então, envia fluído universal às duas mentes e cada cria os sonhos de cada um: a consciência de estar assaltando e a consciência de estar sendo assaltado.

Este ser universal, a quem chamamos de amigo da encarnação, não está à disposição do sonho humano, mas sim do espírito. Ele age no sentido de proporcionar ao ser universal encarnado todas as condições de ter a oportunidade da elevação espiritual. Ele não protege o sonho, mas sim a caminhada do espírito para perto de Deus.

Como disse, pela simples observação da vida o ser já devia entender que não existem espíritos protetores da existência humana. Esta compreensão, portanto, deveria ser de todos os seres humanos. Mas, além do ser humano materialista acreditar nisso, os próprios espiritualistas acreditam.

Os espiritualistas, aqueles que acreditam haver em si algo mais do que a matéria e que a vida humana que estão vivendo é apenas a representação de uma oportunidade de elevação espiritual, acreditam em seres super poderosos que podem protegê-los de tudo aquilo que eles não querem que aconteçam. Quanta hipocrisia.

Hipocrisia humana

O sonho da fé

O ser humano se considera filho de Deus, mas será que é mesmo? Vamos entender isso...

“Então o Deus Eterno pôs o homem no jardim do Éden para cuidar dele e nele fazer plantações. E o Eterno deu ao homem a seguinte ordem: você pode comer de qualquer árvore do jardim, menos da árvore que dá o conhecimento do bem e do mal. Não coma a fruta dessa árvore; pois no dia em que você a comer, certamente morrerá”. (Bíblia Sagrada – Gênesis – capítulo 3 – versículo 15 a 17).

O resto da história é conhecida: a cobra tentou Eva e tanto ela quanto Adão comeram o fruto proibido. Comeram, como diz o livro Gênesis, porque acharam interessante ter o poder de julgar o bem e o mal das coisas. Com isso foram expulsos do paraíso e começaram a viver num mundo onde se nasce e morre.

Esta é a história do livro, mas ela não é importante. O importante não é a história, mas a decodificação dela para aqueles que acreditam no espírito ativo e no processo de reencarnação.

Claro que toda esta história é só parábola. Não existe ser humano no paraíso, ou seja, no mundo espiritual superior. Ali existem espíritos. A estes Deus disse: não queiram possuir o conhecimento, conhecer e reconhecer as coisas, pois se isso fizerem imaginarão que possuem o conhecimento de separar o que é bem do que é mal (dar valores aos acontecimentos da vida). Mas, eles praticaram o ato proibido e com isso receberam a pena de viver num mundo onde se nasce e morre.

Não é isso que acontece com um espírito em processo de elevação no mundo de provas e expiações? Eles não vivem num mundo onde se nasce e morrer (encarna e desencarna) e imaginam que conhecem e reconhecem as coisas e que por isso são capazes de dar valores aos acontecimentos? Se isso é verdade, o ser humano, portanto, é o castigo que Deus dá aos espíritos que persistem em viver o sonho e não acordam para a realidade: só Deus é capaz de conhecer e separar o bem do mal.

Será que Deus protegerá a pena que dá ou o seu próprio filho, o espírito? O espírito é o filho de Deus e não você, o ser humano. Você é a pena, mas não o castigo. Você é uma oportunidade de elevação, ou seja, um ato amoroso de um Pai para um filho que insiste em não progredir na sua existência e não uma penalidade, um castigo de alguém maldoso.

Sendo tudo isso verdade, será que Ele está preocupado com o bem estar do ser humano? Se Ele precisar que o ser humano passe fome a vida inteira para que o seu filho tenha a provação necessária para a sua evolução, Deus fará isso. Ele não terá nenhuma preocupação com a fome do ser humano, pois o importante é que o seu filho tenha a oportunidade de progredir no Universo.

Os seres humanos imaginam que Deus está à disposição do seu sonho de ser feliz para sempre. Usam toda a sua fé (confiança e entrega) neste sentido, mas isso não é fé em Deus. Isso porque esta fé não está baseada numa relação amorosa com o Pai, mas sim falseada pela idéia que Ele vai proteger os sonhos humanos. A fé real, aquela que aproxima o ser de Deus, é fundamentada numa entrega com confiança irrestrita no Pai e não fundamentada em satisfação de desejos individuais.

Uma mulher que só agradece a Deus quando Ele salva seu marido da morte em um acidente não tem fé em Deus. Digo isso porque se o Pai não tivesse agido assim, esta mulher choraria, se desesperaria e até bradaria contra o Senhor: Deus, porque deixou isso acontecer? Isso é entrega com confiança?

A fé, portanto, que os seres humanos possuem faz parte do sonho. Ela é um instrumento para lhe manter preso à idéia de que existe alguém super poderoso que está preocupado com o seu feliz para sempre e está a seu serviço para alcançá-lo. Libertar-se desta fé só será possível se você se libertar da idéia de que é filho de Deus.

Hipocrisia humana

Dormindo

Participante: porque quando eu venho aqui concordo com o senhor em tudo que diz e quando estou em casa sozinha começo a discordar destas coisas. Porque isso acontece?

Porque quando você vem aqui está atada a uma lógica, quando está em casa, liga-se a outra.

Quando vem aqui está preparada para vivenciar a minha lógica. Qual é ela? A lógica espiritualista, ou seja, a lógica de compreender as coisas desta vida vistas de cima (mundo espiritual) para baixo (mundo material). Esta lógica não está presente no seu dia a dia porque lá você compreende as coisas deste mundo atada a uma lógica horizontal, terra a terra. Você compreende as coisas pelo valor que o mundo dá a elas.

Mas, isso não seria problema, se você tivesse assumido consigo mesmo o trabalho de se libertar. O grande problema é que vocês ainda vivenciam o trabalho do despertar na forma de um sonho.

A mente humana quando bombardeada com coisas não hipócritas cria o sonho de que você quer despertar. Quando isso acontece, você começa a viver o sonho de querer despertar, mas essa decisão não foi tomada profundamente. Eu diria que se trata apenas uma empolgação de momento. É exatamente esta crença empolgada que acaba não lhe deixando fazer nada.

Deixe-me explicar uma coisa na relação entre você e a mente. Como disse anteriormente, a mente não é hipócrita: ela propõe a hipocrisia. A mente é um propositor de realidades e não uma realidade. Ela propõe algumas coisas e você pode aceitar ou não.

O que acontece é que quando ela propõe qualquer coisa e você aceita, torna-se não vigilante com as outras proposições que ela faz. Ou seja, começa a viver a mente e não o que ela diz. O que é viver a mente? É achar que você está pensando, é achar que você está sabendo, é achar que você está fazendo. Nada disso é realidade sua, mas você a vive como tal porque considera que você é a mente.

Como você está vivendo a mente, não importa o que ela propuser você vai achar que foi você que decidiu, que fez, que realizou. Veja, é a mente que está vivendo e não você, é a mente que está decidindo e não você. É preciso separar sempre você da mente, o que você faz e o que a mente faz.

Você não é a mente e nem faz o que ela diz que você está fazendo. Quando me diz que acredita no que eu disse aqui, isso é irreal: quem acreditou foi a mente e não você. Quando me diz que sai daqui com vontade de fazer o que falei, mas esta decisão está apenas caracterizada por um processo mental, quem afirmou isso foi a mente e não você. É por isso que quando chega a casa e a mente que não quer morrer muda a lógica das suas proposituras, você acha que você mudou.

Você não é a mente, mas se transforma nela quando aceita o que ela diz, seja esta afirmação positiva ou negativa. Isso não importa.

Se a mente lhe diz que você está com frio, saiba que você não está. Se a mente lhe diz que você tem sede, não aceite: é ela que está, não você. Se a mente lhe diz que quer fazer o que ouviu aqui, não aceite: ela está usando isso apenas para que você a viva como se fosse a verdade.

Na realidade o que a mente quer por causa do seu papel na encarnação do ser universal é que você deixe de ser você e trone-se ela. A mente cria o sonho, mas precisa que você continue dormindo, ou seja, acreditando que ela é você. Quando está dormindo não vive a sua personalidade espiritual, mas sim unicamente a humanidade que ela cria.

Quando aceita a mente como sendo você, ela brinca com você. Faz-lhe acreditar que quer quando é ela que quer, lhe faz sentir frio, quando é ela que sente, lhe faz sentir dor, quando é ela que está sentindo.

 Aquele que está dormindo é o não vigilante. É aquele que acha que a mente é ele, que é ele que está pensando, achando, querendo, acreditando... Isto se aplica a todas as consciências que você vivencia e não apenas a algumas coisas. Por isso Cristo disse que devemos orar e vigiar sempre.

Não creia que a mente brinca apenas com valores humanos. Ela o faz também com a busca da elevação espiritual, do despertar. Quando você tem a consciência de que quer acordar, não acredite nisso, pois esta consciência foi criada pela mente para lhe manter dormindo. Para lhe manter sonhando com um despertar.

Portanto, duvide de tudo o que tiver consciência. Ou melhor, diga para si mesmo: isso não é seu, mas apenas uma criação da mente. Não importa se o que ela diga está ligado a um desejo humano ou a uma vontade de elevação espiritual.

Duvide de tudo, porque só assim você pode despertar. Cada vez que você não duvida de uma consciência que lhe vem e imagina que foi você quem decidiu pela razão, adormece e com isso sonhar é inevitável.

Hipocrisia humana

O sonho de acordar

Participante: já acompanho o senhor há algum tempo e sempre que ouço suas conversas encontro diversas fórmulas para conseguir realizar o trabalho do despertar. Quando tenho acesso a estas fórmulas parece tudo tão simples e lógico, mas depois vem o dia a dia com suas emoções e razões que acabam soterrando a intenção de viver dentro das fórmulas que o senhor dá. Não consigo entender bem o porquê dessas coisas, mas o resultado é que hoje me sinto vivendo mais tranqüilo do que vivia antes.

Você falou numa coisa muito interessante: depois vem O dia a dia com suas emoções e razões. Por causa delas você acaba vivendo as realidades criadas pela mente como se fossem suas. Por que isso acontece?

Porque a cada vez que a mente cria uma proposição de acontecimento para você há uma força que se junta a esta proposição que lhe dá o valor de realidade. Você entende que tudo na sua vida é um sonho, mas a idéia de que é casado com aquela mulher é algo tão palpável que não consegue ver que é apenas um sonho. Por causa desta sensação de realidade que é colocada na criação da mente você não consegue separar o sonho da realidade.

Tudo que a mente cria é apenas um sonho que recebe uma força que lhe dá a convicção que seja realidade. Tudo... Se você acredita que compreendeu tudo o que disse aqui, esta compreensão não foi sua, mas sim da mente. A crença de que foi você que entendeu e não a mente é que lhe faz prender-se ao sonho de que realizará o que foi dito.

Portanto, você não compreendeu, a mente criou uma compreensão, e não vai ser você que vai por em prática ou não, será a mente. A você cabe duvidar de tudo isso para poder fazer alguma coisa.

Mas, apesar disso, você ainda me diz: o resultado é que hoje me sinto vivendo mais tranqüilo do que viva antes. Quem está vivendo mais tranqüilo: você ou a mente? Veja, você tem uma razão que lhe diz que está vivendo mais tranqüilo, mas não está. A tranqüilidade que está vivendo não é sua, mas uma criação da mente e, portanto, é o sonho de estar.

Quando acredita que está vivendo mais tranqüilo imagina que está despertando, mas não está vendo que é apenas um despertar para outro sonho. Você está sonhando o sonho de despertar.

Para que esta realidade ilusória possa ser criada o que a mente lhe diz? Que tudo isso aconteceu porque você se expôs às nossas conversas. Como está sonhando que está conseguindo acordar, você aceita que isso é real, que precisa ouvir aquilo que falamos para que possa despertar. Pronto, você já está ligado ao sonho de ter que ouvir nossas conversas e pronto para vivenciar apenas o círculo do prazer e da dor. Por acreditar em todo este sonho como um despertar, quando a mente criar a ilusória realidade que está me ouvindo vai viver o prazer que ela criará; quando viver a de não conseguir estar presente em uma de nossas conversas, vai viver o desprazer de não ter podido ir. Preso ainda ao sonho de que é você que compreende e que realiza o despertar, aceitará placidamente o louro de ter conseguido fazer e com isso estará pronto para a depressão do não conseguir que a mente criará para poder mantê-lo preso ao ciclo do prazer e da dor.

Nada do que lhe é consciente pela razão é feito por você: tudo é só obra da mente. É ela que cria o que é ouvido, é ela que cria a conclusão, é ela que fará ou não. Toda realidade que lhe chega a mente através da razão não tem nada a ver com a sua realidade, mas sim acontecimentos gerados pela mente que falam de uma participação sua neles e que por causa da força de realidade que é impingido a este sonho você acredita que fez.

Eu já falei diversas vezes ao longo de nossas conversas: vocês acreditam que eu imagino que vão fazer o que digo? Não tenho a menor expectativa disso. Mesmo assim, se alguma coisa acontecer e vocês tomarem consciência que fizeram, tenho a plena consciência de que não foram vocês que fizeram. Foi a mente que realizou aquilo e disse que foi você que realizou. Como está não vigilante, ou seja, aceita que está despertando, continua sonhando sempre, ou seja, achando que você e a mente são a mesma pessoa.

Todas as conclusões racionais que a mente cria são ilusões. Não importa se as suas criações premiam o certo ou o bom. Mesmo que a ilusória realidade que ela crie seja aparentemente um despertar, na verdade ainda é um sonho no qual está embutida a idéia de ter feito, ter sido ou ter estado da forma e no lugar que ela mesma lhe diz que é o certo. Ou seja, ela não se prende realmente aos valores, mas brinca com eles para sempre lhe manter sonhando.

Portanto, não importa o que a mente diga: não acredite que ela é você. Quando ela diz que existe um Joaquim e que você o conhece, não acredite nisso. Não acredite que o ensinamento foi ouvido por você, não acredite que você mudou a sua vida. Aliás, não acredite nem que você exista, pois aquele que você acredita que é trata-se de uma criação ilusória da mente que recebe a força de existir só porque ela cria a imagem no espelho.

Nota: apesar de nesta conversa o amigo espiritual não ter nomeado esta força que dá o poder de realidade ao sonho, posteriormente ele a nomeou como sendo ‘o inescrutável poder de maya.

Hipocrisia humana

O sonho de ser eu

Quando a mente disser ‘eu’, não acredite que este eu é você. Duvide do eu que a mente diz que você é.

Quem é você? Você é o motorista ou o pedestre? O aluno ou o professor? Você é aquele que é na hora que está se alimentando ou aquele que é na hora que está comprando o alimento? Você é aquele que conversa com o seu filho ou aquele que conversa com o empregado?

Repare nas definições que a mente dá de você, ou seja, de quem ela diz que você é. Na hora que está conversando com os seus empregados sua mente diz que você é uma pessoa responsável e que deve portar-se com superioridade para poder manter as coisas dentro do eixo no trabalho. Já no momento que está conversando com seu filho a mente lhe diz que você é carinhoso, amigo e que deve portar-se de uma maneira igual com quem está conversando.

Na verdade a cada momento da ‘Divina comédia humana’, o sonho, a mente lhe diz que você é uma pessoa diferente. Para cada momento ela cria valores que passam a lhe compor, e por isso eles são você, e você imagina que é aquilo.

Você não é nada disso. Toda compreensão racional que tenha sobre si mesmo não é você, mas apenas uma propositura da mente que lhe chega junto com uma força que lhe diz que aquilo é realidade. Esta razão que a mente cria é danosa para você, mas existe outra mais danosa ainda: achar que existe um eu.

Se você é aquilo que lhe compõe e se a cada momento da sua existência a mente lhe cria com elementos diferentes, quem é você? Repare: dependo do papel que está exercendo na ‘Divina comédia humana’, você é um. Quem é você afinal?

Recentemente tenho afirmado que a busca por verdades, por razões verdadeiras, não lhe leva a lugar algum: apenas lhe mantém preso ao sonho de achar que sabe, que detém a verdade. Quando disse isso uma vez alguém me perguntou: e como fica o ensinamento que diz que deve se conhecer a verdade para que ela nos salve? Eu disse: a única verdade que pode lhes salvar é saber que não existe verdade a ser sabida e que tudo que se considerar como verdade, na realidade é uma criação da mente de cada ser à qual é atribuído o valor de verdadeira.

Isto vale para tudo que a mente criar, inclusive a compreensão de quem é você. Você não é quem a mente diz que é: este é apenas um elemento do sonho que ela cria. Imaginar-se sendo quem a mente diz que é, é aceitar o personagem do sonho como sendo você. Como acordar se você não é quem está dormindo, mas o personagem do sonho?

Aplicando tudo isso, posso dizer que o conhecimento de quem é você para poder despertar teria que ser o seguinte: eu não sei quem sou. Isso porque chegar a alguma conclusão racional sobre quem é você é criar um personagem dentro do sonho. Isso deveria ser realidade para todos os seres humanos, mas deveria ser mais ainda para os que se dizem espiritualistas.

Aquele que acredita haver em si algo mais do que a matéria sabe que esta vida é apenas uma encarnação e não uma existência dele. Sabe, como diz o Espírito da Verdade na pergunta 132 de O Livro dos Espíritos, que você é um ser universal que está vestindo uma roupa de acordo com o mundo em que está encarnado. Esta roupa não é o corpo, mas a mente.

Estar encarnado não é estar ligado a uma massa humana, mas estar vivendo uma mente que possua as características necessárias para criar os elementos da provação do ser. No caso do mundo de provas e expiações, como já vimos, trata-se de viver uma mente que gere vicissitudes, ou seja, o prazer e o desprazer. Isso ela faz gerando compreensões e não situações.

Já falamos aqui: não é o que está acontecendo que lhe dá prazer ou dor, mas a compreensão que se tem do que acontece. Esta compreensão é criação da mente e, portanto, não do acontecimento. É por isso que a encarnação não se consiste em ligar-se a uma massa carnal, mas a uma personalidade humana.

Para gerar este prazer e desprazer ela precisa de personagens: você e os outros seres humanos com quem convive. Precisa mais: precisa dar características a estes personagens para que haja algo a ser satisfeito ou ferido. Como as situações mudam, é preciso que as características destes personagens também se modifiquem. Isso muda você e os outros com quem convive e por isso lhes torna múltiplos vocês.

Dependendo da situação, a mente pode conferir a você e aos demais seres humanos com quem convive determinadas características que justifique o ferimento ou prazer que ela irá criar. Isso muda você e os outros a cada momento. Ou seja, ela atribui a compreensão sobre quem você e os outros são de acordo com o sabor da onda, de acordo com a vicissitude que servirá de provação ao ser universal.

Sendo tudo isso realidade, volto a perguntar: quem é você?

Participante: no início de nossa conversa o senhor falou que devemos nos conhecer. Se formos um a cada momento, não viveremos uma hipocrisia sabendo que somos nós?

O conhece a ti mesmo é interessante. Isso porque ele não envolve um saber quem é você. Conhecer a si mesmo é identificar quem você está naquele momento por conta do fato de estar sonhando, ou seja, estar preso à realidade criada pela mente, e não saber exatamente quem é você. É saber quem a mente está lhe dizendo que é e não ser aquilo.

Não importa o que a mente diga sobre quem é você como fruto da sua busca de conhecer-se. Não acredite nisso, já que qualquer resposta a essa busca será mais um personagem criado dentro do sonho e não a sua realidade. Na verdade o conhece a ti mesmo deve lhe levar apenas a identificação do personagem que a mente está criando dentro do sonho. Identificando este personagem, você pode saber que ele não é você. Como? Dizendo para si mesmo que você não é aquilo. Mas, para isso é preciso fazer o trabalho do conhece a ti mesmo sem querer chegar a resposta alguma.

Saiba de uma coisa: o trabalho do conhece a ti mesmo como instrumento do despertar não pode ser realizado no atacado, ou seja, chegar a uma conclusão global sobre você mesmo. Ele precisa ser feito no varejo: a cada momento.

Já que em cada acontecimento que a mente cria ela lhe confere uma personalidade, um eu, é preciso que constantemente você esteja se questionando quem está imaginando ser para poder libertar-se da idéia de ser aquele personagem. A cada momento é preciso tentar identificar quem a mente diz que você está porque assim poderá identificar qual o personagem criado pela mente ela está afirmando ser você. Conhecer quem a mente está afirmando que você é não para se conhecer, mas para identificar o personagem e aí poder desvincular-se do sonho.

Este é o verdadeiro conhece a ti mesmo. Ele existe quando você reconhece que não se conhece, mesmo que a mente diz que você é determinado personagem no sonho. Quando busca a cada momento reconhecer quem se é sem identificar-se a quem a mente está dizendo que é, você pode deixar de vivenciar a hipocrisia que está sendo criada naquele momento. Só assim conseguirá sair realmente do sonho.

A hipocrisia que a mente cria tem múltiplas facetas. Como já disse, ela não se prende apenas ao errado, mas também ao certo que mente cria. Fazendo o trabalho do conhece a ti mesmo no varejo conseguirá ver a hipocrisia que está gritante, mas também conseguirá se libertar da hipocrisia de deixar de ser hipócrita quando a mente criar a idéia de que deixou de ser.

Tudo que lhe vem a razão é criado pela mente, mesmo a consciência de ter despertado. Sendo assim, quando há em você uma consciência de ter acordado, ainda estará dormindo. Este eu desperto que imagina ser é apenas uma criação da mente e não um estado seu.

Hipocrisia humana

Para que acordar, se nós estamos despertos?

Participante: este acordar que o senhor falou é em prol do espírito, ou seja, da elevação do espírito.

Antes de continuar sua pergunta, deixe-me lhe dizer algo. O espírito em prol do que trabalha nesta existência é você.

Você é o espírito e não quem pensa ser. Quem pensa ser é apenas um personagem criado pela mente durante o sonho. Você é o espírito, mas não consegue ter consciência disso porque está sonhando que é o personagem humano que está vivenciando.

Sendo assim, este trabalho não é feito em prol de outra pessoa, mas de si mesmo. Você não está trabalhando em prol da elevação do espírito, mas da sua.

Participante: acontece que como já nos foi passado, o espírito em essência é puro, ou seja, desperto? Para que, então, toda esta engrenagem de dormir é desnecessária?

Posso lhe dar uma idéia sobre isso, mas tenho certeza de que ela não lhe satisfará.

Todo espírito nasce puro e ignorante, como diz o Espírito da Verdade. Este ignorante é no sentido de ignorar, de não conhecer. Ignorar o que? O que um bebê ou uma criança ignora?

Participante: o mundo, a vida...

Qual é o mundo de uma criança? A sua família: pai, mãe, irmãos e agregados. Aquele núcleo é o Universo para a criança. Para ela não existem países ou cidades. O seu mundo resume-se naqueles com quem ela convive diariamente.

Assim como a criança que ignora todo o mundo que a cerca, o espírito ignora o Universo. Ele ignora a sua posição e como este Universo se relaciona. Ele precisa aprender isso.

Participante: mas, então todo espírito nasce com defeito de fabricação... Se ele precisa aprender alguma coisa e não o faz perfeitamente mesmo já tendo dentro de si a luz, ele está com defeito. .

A visão de ser defeituoso que você está falando, dentro da lógica humana está perfeita, mas, dentro da universal não. Deixe-me falar sobre isso...

Vocês acreditam que o espírito foi criado por Deus. Quando se diz isso estamos falando de uma obra física. Criar algo é manipular elementos para dar existência a alguma coisa. Você cria um carro, uma televisão, etc. Os elementos que surgem de uma manipulação humana são criados pelos homens.

O espírito não é criado por Deus, mas sim gerado por Ele. Não tenho como lhe explicar este processo nem muito menos estou falando em termos panteístas (o espírito sai de dentro de Deus): estou apenas lhe dizendo que a geração do espírito não tem nada a ver com manipulação.

Se o espírito fosse criado por Deus, ele poderia ser perfeito, mas seria um robô. Se o espírito fosse criado por Deus ele seria um objeto que apenas responderia a comandos de acordo com a sua programação. Mas, isso não é real.

Como o espírito é gerado por Deus, ele não é um pau mandado, mas um elemento que possui, por herança genética, digamos assim, uma liberdade de agir. Como filho de Deus que ele é, possui a liberdade de agir de acordo com as suas crenças.

Isso vocês chamam de livre arbítrio. Ter a livre opção, aliás, é algo que causa também grande confusão no mundo humano. Ter a liberdade de opção não tem nada a ver com colocar a mão aqui ou ali, dar um passo neste ou naquele sentido, pois o espírito não possui nem mão para colocá-la em algum lugar nem pé para andar. Não tem nada a ver em dar um soco no rosto do outro, porque o espírito não tem mão nem cara para bater ou apanhar.

Esta é a confusão que vocês seres humanos fazem com relação ao livre arbítrio. Esta característica existe, mas ela é do espírito e não do ser humano. Ele tem a liberdade de opção, mas esta liberdade não se expressa através do mundo dos sonhos, pois quem cria a história do sonho é a mente e não ele. O sonho não pode agir livremente porque ele é submetido ao anseio do espírito, ou seja, acontece depois que o ser universal já fez a sua opção.

“258. Quando na erraticidade, antes de começar nova existência corporal, tem o Espírito consciência e previsão do que lhe sucederá no curso da vida terrena? Ele próprio escolhe o gênero de provas por que há de passar e nisso consiste o seu livre arbítrio”. (O Livro dos Espíritos)

O espírito tem o livre arbítrio, mas este não está em praticar atos físicos, mas sim em viver para esta luz que você disse que há dentro dele ou não. Acontece que este ser é como uma criança que vocês conhecem aqui na Terra.

Os infantes vivem num núcleo familiar onde recebem carinho, amor e respeito. São educados e orientados com amor. Nesta educação, os pais sempre buscam ensinar aquilo que é melhor para o futuro daquela criança, mas nem sempre é assim que elas vêm a educação que recebem. Como jovens rebeldes que acreditam saber o que é melhor para si mesmo, a criança se antagoniza com os ensinamentos dos pais. Isso, no entanto, não acaba com a pureza que está dentro da criança.

Da mesma forma, o espírito se rebela contra as orientações de seu Pai. É o exemplo de Adão e Eva que já falamos aqui. Elas se acham capazes de perceber tudo o que lhes cerca e julgar o que é melhor para si mesmo. Isso, no entanto, não acaba com a sua pureza, a luz que você disse existir dentro de cada espírito.

O que acontece é que quando o ser universal age contrário àquilo que o Pai lhe orienta, este brilho é ofuscado. Ele continua existindo dentro do espírito, mas não mais resplandece. É como quando a criança humana se rebela contra os pais: a sua ingenuidade não aparece.

Este é o caminhar do espírito. Durante a sua existência ele vai recebendo missões do Pai que se seguidas lhe levarão a um futuro melhor. Acatar os ensinamentos do Pai é viver para luz que está dentro de si, pois quando é esta a opção do espírito, ele integra-se à comunidade espiritual, à sua família. Mais uma vez volto à comparação com a criança humana. As missões do Pai são como as determinações que o pai humano dá. Ele diz ao seu filho que precisa estudar, que precisa portar-se com educação frente aos outros, etc. Todas estas diretrizes têm como finalidade levar o filho a ter um futuro melhor e integrar-se perfeitamente ao mundo dos humanos. Apesar da notória valia destes conselhos do pai humano, a criança se rebela contra aquilo e acha melhor jogar bola ou brincar de boneca do que estudar. Quando age assim, a sua pureza humana não aparece. Ela está lá, mas não transparece.

O espírito, assim como a criança humana, é orientado por seu Pai para que aprenda a portar-se de forma a ser um ser mais responsável e integrado à sua comunidade no futuro. Acontece que como tem o livre arbítrio, não segue estes conselhos e se rebela contra o Pai. Torna-se o anjo caído citado na Bíblia. Por causa disso começa o processo encarnatório.

Eu diria, continuando com a comparação com as crianças humanas, que o processo encarnatório é como se fosse o castigo que o pai humano dá às crianças. São acontecimentos que tem por finalidade fazer o filho repensar no que fez e gerar uma oportunidade para realizar o que não fez. O filho humano que fica de castigo vai para o quarto estudar, já que na hora que era para fazer isso não fez. Deixa de fazer o que quer, mas tem que fazer o que é preciso para garantir sua perfeita integração futura à sociedade humana. Transfira esta visão para o mundo espiritual e você terá conhecido, então, a lógica e a necessidade do processo reencarnatório.

O espírito perfeitamente integrado à sua sociedade espiritual é aquele que premia o coletivo ao individual. Se o processo encarnatório visa ajudar o ser universal a alcançar esta integração, é preciso, então, que ele torne-se universalista. Como tornar-se? Negando o individualismo.

O espírito que premia (opta) pelo individualismo, o eu, o ganhar individualmente, não está perfeitamente integrado à sua sociedade. É como a criança rebelde que apesar de orientada para estudar prefere brincar. Ela precisa ser ‘castigada’ – saiba que mesmo usando esta palavra não estou falando em penalizar – para ter uma oportunidade para aprender aquilo que não aprendeu. Este castigo, no caso dos espíritos em mundo de provas e expiações, é a vivência de uma encarnação.

O espírito que está encarnado em um mundo de provas e expiações vive uma personalidade humana criada pela mente. Esta mente, ligada à força que já conversamos, dá à realidade ilusória que ela cria a força de realidade, ou seja, dá ao individualismo a força de certo, de bom ou até muitas vezes de divino. Instigado por este sonho, o espírito que já foi orientado por seu pai como deveria se portar nestes momentos pode, então, optar por seguir esta orientação ou deixar-se levar pelo afã do momento.

Isso é o dormir. O espírito que vive o personagem como realidade é como a criança que, apesar de orientada por seus pais, se expõe a situações onde terá a oportunidade de optar em seguir os conselhos paternos ou optar por aquilo que lhe foi ensinado. É o caso da criança que orientado pelos pais da necessidade de estudar, vive momentos onde não há a presença deles e com isso tem que fazer a opção: aproveitar aquele tempo para fazer o que lhe foi recomendado ou submeter-se ao seu afã de satisfazer as suas vontades.

Quando esta criança opta por si mesmo e consegue realiza aquilo que quer no momento em que está longe dos olhares paternos, passa a acreditar que pode sempre fazer o que quer. Da mesma forma, o espírito quando longe de seu Pai (está encarnado) opta por manter-se dormindo, por dar asas ao seu individualismo, gera para si a convicção de que é certo, bom ou até mesmo divino ser individualista. Esta opção é como uma sujeira que empana a luz que você falou existir dentro de cada ser.

Para lhe fazer uma figura mais fácil de compreensão, pense numa lâmpada comum. Todo espírito é como uma lâmpada que possui um brilho interno que refulge. Só que aquele que encarnado se apega ao eu vai criando camada de sujeiras por fora dele. Esta sujeira são os conceitos – o certo e errado, o bom e o mal, o limpo e sujo – que estão na mente e que o espírito acredita que são verdades.

A sujeira não está no interior e por isso não empana a própria luz do espírito. Apesar disso, ela não permite o refulgir. Ela cria uma barreira que não deixa a luz interna do espírito brilhar. Todo espírito, portanto, possui uma luz interior, mas a de alguns não brilha, porque ele está encoberto por camadas de sujeiras.

Como disse estas sujeiras são os conceitos individualistas que a mente cria. São as proposições de ser, estar e fazer que a mente gera através das formações mentais. Aquele que vive a encarnação dormindo, ou seja, acreditando ser o humano que a mente diz que ele é, acredita nestes conceitos e por causa desta crença a sua própria luz, o que ele é na realidade, não aparece. Na hora que desperta, ou seja, compreende que há uma realidade que não tem nada a ver com aquilo que a mente diz que é real, se limpa destes conceitos e aí, então, a sua luz, que sempre continuou existindo, pode, então, refulgir.

Apesar de ter falado tanto, saiba que tudo isso que lhe disse neste momento é apenas uma figura, uma comparação. Não estou falando em realidades, porque muito do que aqui disse não é da forma que você compreendeu. Na verdade estou fazendo figuras para explicar o inexplicável. De tudo o que disse, saiba apenas uma coisa: você é uma coisa e está outra, porque está dormindo, ou seja, acreditando que o que mente cria é realidade.

Agora, antes que você me pergunte, lhe digo: não queira saber por que foi este o processo que Deus criou para orientar seus filhos. Se você quiser saber por que ele escolheu este processo e não outro ou quando ocorreu o primeiro erro para que depois tivesse que haver novas provas, infelizmente não posso lhe ajudar. Nós que vivemos libertos da consciência humana não sabemos de tudo, mas sabemos que Deus é a Inteligência Suprema e que por isso o que Ele faz é o Perfeito.

Saiba de uma coisa: quando o espírito está afastado da proposição de ser, estar ou fazer alguma coisa, não toma satisfações de Deus, mas vive o que Ele faz. O espírito cônscio de seu lugar na família universal não pergunta como, onde, porque, para que. Aquele que precisa dessas compreensões está buscando conhecimento para poder ter o poder de ser, estar e fazer alguma coisa.

Este está dormindo, pois só Deus é, está e faz alguma coisa no Universo.

Hipocrisia humana

Os ensinamentos dos mestres e o EEU

Participante: Como podemos acreditar no que o senhor diz? Sua visão sobre as coisas deste mundo é completamente diferente daquela que temos como também é daquela que nos é trazida por outros espíritos.

Tudo que tratei aqui como realidade não é idéia minha, mas sim dos mestres. Repare que a cada assunto que comentamos citei ensinamentos que estão disponíveis nos livros sagrados, ou seja, naquilo que deveria servir como guia para os espiritualistas. O que fiz não foi criar novidades, mas apenas aplicar profundamente a visão destes ensinamentos na vida humana.

O problema não está no que eu falo, mas sim naquilo que você acredita. Se observar bem, para tudo que eu disse você conhece uma interpretação diferente. Esta interpretação é fundamentada no mesmo ensinamento que eu uso. Por que, então esta diferença de interpretações? Porque a humanidade cria dos ensinamentos realidades hipócritas, realidades que possam sustentar o sonho do feliz para sempre. Estas realidades são ilusórias porque não estão dentro do ensinamento dos mestres e são hipócritas porque os seres humanos que acreditam nela se dizem seguidores destes mestres.

Tudo o que você conhece como interpretação dos ensinamentos sagrados são criações de mentes humanas e por isso estão viciadas com o propósito de construir a idéia de que este é um mundo de satisfações e não de provações. Aliás, se você observar bem, verá que existem diversos ensinamentos dos ensinamentos dos mestres que são esquecidos pela mente. São ensinamentos onde não há como criar este direcionamento para eles.

Você por acaso ouve uma mente humana cristã falando da necessidade de despossuir apesar do ensinamento de Cristo que afirma que se deve dar tudo de seu aos pobres e segui-lo? Dificilmente. Por quê? Porque todos, mesmos os cristãos, estão mais preocupados em possuir para poder gozar a felicidade. Cristo também nos ensina que não se deve servir dois senhores ao mesmo tempo. Você ouve constantemente este ensinamento? Não. Por quê? Porque não há como se adequar o serviço a Deus e o sonho de ser feliz.

Nas ‘Bem Aventuranças’ da Bíblia você encontrará o seguinte trecho:

“Felizes são vocês quando os insultam, perseguem e dizem todo tipo de calúnia contra vocês por serem meus seguidores”. (Bíblia Sagrada – Evangelho de Mateus – Capítulo 5 – versículo 11)

Repare: não há como se casar este ensinamento com o sonho da felicidade para sempre. Isso porque Cristo ensina claramente: vocês serão felizes quando... Nesta frase há claramente a informação de que é necessário que o ser humano seja insultado, perseguido e caluniado para poder alcançar a bem aventurança. Como isso não se coaduna com o sonho de felicidade nesta vida (ser reconhecido e elogiado), as mentes ditas religiosas preferem omitir este ensinamento.

Aliás, isso fica bem claro que se continuarmos a ler o mesmo texto:

“Fiquem alegres e contentes, porque está guardada uma grande recompensa no céu”.

As mentes humanas religiosas não falam deste ensinamento porque priorizam o sonho de receber esta recompensa agora. Para o ser humano que não acredita haver algo em si além da matéria e que este algo vive um processo de provação para poder aproximar-se de Deus é até válido não se comentar isso, mas para quem acredita será? Quem é espiritualista deveria viver sua vida com o foco do receber a recompensa pelo seu trabalho na encarnação depois dela e não agora. Como não vive com esta idéia, prefere esconder o ensinamento, já que não há como adaptá-lo para justificar a busca do seu sonho.

Por isso, como Cristo fez, eu os chamo de hipócritas:

“Ai de vocês, professores da lei e fariseus, hipócritas! Pois são como túmulos caiados de branco, que por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de osso de mortos e de podridão. Por fora vocês parecem boas pessoas, mas por dentro estão cheios de mentiras e pecados”. (Bíblia Sagrada – Evangelho de Mateus – Capítulo 23 – Versículos 27 e 28).

Só um detalhe. Também assim como Cristo não falo deles com condenação, mas apenas como constatação. Eu não os acuso que são hipócritas, mas apenas mostro a hipocrisia que existe nas suas idéias.

As mentes humanas religiosas, portanto, fazem questão de esquecer alguns detalhes dos livros sagrados quando transmitem os ensinamentos a vocês e para aqueles que elas citam os usam criando uma interpretação de que há um mundo espiritual preocupado em servir à matéria, ou seja, em criar ações que possam resultar numa vida humana confortável sentimentalmente, materialmente e moralmente falando. Isso eu não faço...

Não faço isso porque sou mais evoluído ou porque seja melhor do que qualquer um de vocês. Não ajo assim porque este não é o meu trabalho, não é minha missão. Aquilo que fui incumbido de fazer é servir de instrumento para combater a hipocrisia da humanidade, principalmente no tocante à prática dos ensinamentos dos mestres.

Não faço, portanto, porque seja melhor do que alguém, mas porque não é esta minha missão. E se reconheço que cada um age dentro de sua missão e não dentro do seu querer ou capacidade, também não posso acusar outros seres universais que servem à criação das interpretações dos ensinamentos dos mestres que prendem os seres humanos ao sonho. Somos todos empregados do Senhor e cada um de nós contribui para a obra geral seguindo aquilo que Ele ordena que seja feito.

Quando digo estas coisas, também não estou querendo ser humilde, por ter conhecimento mais profundo ou algo parecido; trata-se apenas da prática dos ensinamentos dos mestres. Os dois trabalhos (o de criar os instrumentos do sonho e do despertar) são necessários, pois, como já vimos, a vida humana é uma encarnação onde o ser universal tem a oportunidade de optar entre duas coisas. Esta opção dá-se no mundo interior de cada um, ou seja, no íntimo de cada um.

A elevação espiritual, portanto, trata-se de uma opção entre duas possibilidades que o ser possua em seu íntimo. Como poderia haver uma opção se no íntimo só houvesse uma possibilidade?

Ao trabalho de optar por aquilo que seja mais condizente com a realidade e assim aproximar-se de Deus a mente humana deu o nome de ‘reforma íntima’. Promover a reforma íntima é alterar em seu íntimo aquilo que lá está. O que os espiritualistas reformam se só seguem o que todo ser humano segue? O que eles reformam se continuam como os seres humanos materialistas aprisionados à idéia de que a vida foi feita para que ele conseguisse aqui a recompensa do seu trabalho? O que eles reformam, se como todo ser humano materialista os espiritualistas não reconhecem a necessidade da presença da vicissitude em suas existências corpóreas?

É como Cristo ensinou:

“Se vocês amam somente aqueles que os amam, por que esperam alguma recompensa de Deus? Até os cobradores de impostos amam aquele que os amam! Se vocês falam somente com os seus amigos, o que é que fazem de mais? Até os pagãos fazem isso! Portanto, sejam perfeitos em amor, assim como o perfeito Pai de vocês, que está no céu”. (Bíblia Sagrada – Evangelho de Mateus – Capítulo 5 – Versículos 46 a 48).

A missão do grupo espiritual ao qual estou ligado, portanto, é proporcionar uma oportunidade do ser encarnado ter em seu íntimo um elemento para optar diferente daquele que já possui. Não se trata de verdades ou coisas certas, mas apenas mais um elemento que pode ou não ser escolhido. Aliás, nada do que você ouviu aqui é verdade. Se, como já disse, tudo o que você ouve é uma criação da mente, por este método não posso lhe transmitir verdades.

Tudo o que você ouviu aqui e durante todo o tempo em que conversamos não são verdades, mas mais uma alternativa de vivência da vida que sua mente criou. De qualquer forma, pouco importa se elas são verdades ou não, porque o que interessa não é no que você acredita, mas na forma como vivencia cada consciência que tem. Se você acreditar que eu lhe disse a verdade e viver isso dentro da expectativa de conseguir um feliz para sempre, tudo o que falei se transformará em instrumento do seu sonho. Por isso disse anteriormente a quem me perguntou se vocês eram hipócritas por estarem vindo aqui ouvir essas coisas: você só será hipócrita se sair daqui pensando que o que ouviu poderá ser vir para a sua felicidade plena.

Desde nosso primeiro contato com os seres humanos deixamos bem clara uma coisa:

“... levamos ao conhecimento de todos que não estamos aqui como uma nova religião. Estamos aqui como humildes servidores apenas para procurar auxiliar na fusão de todas as religiões do planeta sob uma única aspiração : AMAR A DEUS ACIMA DE TODAS AS COISAS”. (Primeiro Manifesto do EEU).

Não somos donos da verdade, mas apenas instrumentos de informações que podem lhe levar a optar pelo não viver o sonho que a mente cria. Como fazer isso sem mostrar as hipocrisias com as quais vocês convivem diuturnamente? Prendendo-me aos mesmos valores que você já tem, ou seja, corroborando o que outros ensinam o que pode ser reformado? Nada...

A minha responsabilidade, então é mostrar àqueles que se dizem espiritualistas a hipocrisia que vivem, ou seja, a diferença entre as compreensões que a mente cria e os ensinamentos que dizem acreditar. Agora quanto a acreditar no que eu digo ou praticar o que falei, de quem é a responsabilidade? Sua...

Respondendo-lhe, então, como você pode acreditar no que digo? Acreditando... Se não acreditar? Não acreditou... Não se esqueça: o espírito tem sempre o livre arbítrio, a livre opção de acreditar numa em outra coisa.

Por reconhecer esta liberdade de opção é que meu trabalho gera uma segunda característica. Você pode ouvir tudo o que foi dito e nada fazer no sentido de despertar. Se isso acontecer imagina que eu vou chamar a sua atenção? Imagina que Deus vai lhe castigar? Claro que não...

O livre arbítrio, ou seja, a liberdade na hora de optar entre sonhar ou estar acordado é um dom divino, é algo dado pelo Pai a todos os seus filhos. Seria Ele hipócrita se desse a cada ser o direito de optar e depois exigisse que você optasse sempre por um dos lados. Sendo assim, o Pai não dirige a sua escolha. Iria eu dirigir ou cobrar determinada escolha se nem o Pai faz isso?

Sabe o que estamos fazendo verdadeiramente? Abrindo o palco. Estamos descortinando mais elementos que existem no palco da ‘Divina comédia humana’ que vocês não vêem porque a mente não dá uma interpretação espiritualista aos acontecimentos da vida, mas prefere viver no sonho hipócrita.