Dos espíritos
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Dos espíritos

Estudo do capítulo homônimo de 'O Livro dos Espíritos'

Dos espíritos

Pergunta 0076

Que definição se pode dar dos Espíritos?

Pode dizer-se que os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Povoam o Universo, fora do mundo material.

Se existe uma coisa que se pode dizer de Kardec, é que é perseverante: essa é a terceira vez que pergunta o que é espírito... E ainda haverá uma quarta ...

A resposta do Espírito da Verdade é sempre a mesma: o espírito é o princípio inteligente do Universo. É o elemento inteligente que povoa o Universo.

Por causa da insistência de Kardec, essa informação fica muito clara: o espírito é um elemento do universo que possui inteligência e povoa todos os lugares.

Dos espíritos

Pergunta 0077

Os Espíritos são seres distintos da Divindade, ou serão simples emanações ou porções desta e, por isto, denominados filhos de Deus?

Meu Deus! São obra de Deus, exatamente qual a máquina o é do homem que a fabrica. A máquina é obra do homem, não é o próprio homem. Sabes que, quando faz alguma coisa bela, útil, o homem lhe chama sua filha, criação sua. Pois bem! O mesmo se dá com relação a Deus: somos Seus filhos, pois que somos obra Sua.

Precisamos compreender bem esse tema, porque existe uma teoria que afirma que o espírito sai de Deus, vem ao universo, vive aqui uma existência até retornar para o Pai. Essa teoria é falsa. O espírito é uma individualidade e Deus, o Ser, é outra.

O que é individualidade é indivisível. Sendo assim, Deus é indivisível. Por isso o espírito não é uma parte de Deus.

Apesar de com isso termos feito o comentário à resposta, existe na questão acima uma outra informação que devemos nos alongar. O espírito aqui foi descrito inicialmente como uma obra de Deus, mas logo depois foi dito que é filho de Deus. Vamos comentar isso.

Se você constrói uma casa, ela não é sua filha. Se constrói uma cadeira, ela não é sua filha. Esses elementos são obras do construtor, mas não podem ser ao mesmo tempo chamados de filhos.

Sendo assim, para receber o tratamento de ‘filho de Deus’ que os mestres dão aos espíritos, eles não podem ser construídos pelo Pai, mas devem ser gerados por Ele. A partir dessa ideia devemos entender que a origem do espírito possui uma figura mais aproximada a da mãe material que gera um filho do que na de um artífice que constrói uma obra. Nós – vamos dizer assim – somos frutos de Deus e não Sua obra ...

É importante salientarmos a questão do ‘gerado’, porque se não podemos pensar que somos obra de Deus. Se assim fosse, seríamos uma matéria, porque a matéria é que é construída. O espírito não é construído, mas gerado.

Portanto, fica aqui outra compreensão importante: o espírito é gerado por Deus. Mas, o que esta informação nos leva a compreender?

Participante: que somos parte de Deus...

Não, não somos parte de Deus. Aliás, comecei esse comentário dizendo que não somos partes Dele. O que pergunto é se você foi gerada por Deus, o que isso lhe leva a compreender?

Existe um ensinamento presente em todos os mestres que afirma que Deus não faz nada imperfeito. Sendo assim, quando entendemos que o espírito é filho de Deus, gerado por Deus, precisamos compreender também que ele, como descendente da Perfeição, também é perfeito.

Repare bem. A mãe humana, que é imperfeita, pode dar a luz a um filho manco ou sem braço, ou seja, imperfeito. Já Deus, que é a Perfeição, não pode. A mesma mãe pode dar a luz a um filho preto e outro branco, um homem e outro mulher, ou seja, pode mudar o fruto da concepção, mas Deus que é Único não.

Deus gera todos os espíritos iguais, porque é Único e os gera perfeitos, porque Ele é a Perfeição. Por causa dessa descendência afirmo que todos os espíritos são perfeitos.

Esta informação é importante e fundamental para aquele que busca promover a sua reforma íntima e aproximar-se de Deus: todos os espíritos são iguais entre si e perfeitos. Por isso Buda nos diz em um sutra que o espírito é luz, mesmo quando poluído.

Sendo assim, posso afirmar que você, seja quem for na vida carnal, é perfeito. Pode estar poluído, pode não se ver como perfeito, mas é.

Essa compreensão sobre si mesmo e sobre os outros é decorrência natural da compreensão de que o espírito é gerado por Deus.

Participante: posso dizer que todos temos o mesmo princípio, o princípio de Deus, o da perfeição?

Não vamos falar desta forma, porque se não vamos querer saber de onde vem esse princípio e o que é ele. Basta entendermos que você é perfeito. Além disso, só precisamos entender também que se você é perfeito, os outros também são.

É, todos os espíritos são filhos de Deus e, por isso, são perfeitos. Mesmo aquele que você chama de errado, de assassino ou de qualquer outro adjetivo. Mesmo aquele que você critica, julga, acusa, é filho de Deus, é perfeito. Você diz que ele não presta, que é isso ou aquilo, mas não é nada do que afirma e sim perfeito.

Participante: a respeito do ensinamento de Buda que o senhor citou, posso dizer que o espírito é como um vidro transparente coberto de fuligem.

Isso. Eu digo que o espírito é como uma lâmpada coberta de barro, mas, as duas comparações querem dizer a mesma coisa.

O importante é compreender que você é luz, mas a sua luminosidade não se propaga porque está sujo. A sua luminosidade existe e brilha, mas não alcança o exterior porque você, o espírito, possui uma camada opaca ao seu redor. Essa camada que não deixa seu refulgir propagar-se são as suas verdades materiais, os seus conceitos.

Participante: essa camada que não deixa a luminosidade do espírito brilhar existe apenas quando estamos encarnados ou também no espírito desencarnado?

 Desencarnado também, dependendo do grau de evolução de cada um.

Aquilo que é chamado de processo de evolução, de reforma íntima, é o processo de limpeza dessa camada. Vou dar um exemplo: aqueles que moram nas cidades espirituais têm essa camada, porque ainda precisam de coisas materiais.

Dos espíritos

Pergunta 0078

Os Espíritos tiveram princípio, ou existem como Deus, de toda a eternidade?

Se não tivessem tido princípio, seriam iguais a Deus, quando, ao invés, são criação. Sua e se acham submetidos à Sua vontade. Deus existe de toda a eternidade, é incontestável. Quanto, porém, ao modo porque nos criou e em que momento o fez, nada sabemos. Podes dizer que não tivemos princípio, se quiseres com isso significar que, sendo eterno, Deus há de ter sempre criado ininterruptamente. Mas, quando e como cada um de nós foi feito, repito-te, nenhum o sabe: aí é que está o mistério.

Tivemos um nascimento, mas se nos preocupamos com ele para começar a contar tempo, ficaremos perdidos, porque nenhum ser sabe quando foi criado. Espírito não comemora aniversário: é bom deixar isso bem claro.

Além desta informação, no entanto, a resposta tem outra que também é importante: devemos saber que Deus é primário no Universo, ou seja, veio antes de tudo. É como está na Bíblia: existia o vazio e Deus disse faça-se a luz e a luz foi feita. Tudo surgiu Dele.

Agora, vejam bem. Se pensarmos direitinho, seria meio louco o Senhor Onipotente do Universo criar tudo isso e depois entregar na mão do espírito, alguém que não reconhece a sua pureza, para fazer o que quiser. Se fizesse isso, teria que assistir o que o ser fizesse. Isso seria meio sem sentido para quem é Onipotente, não acham?

Já estudamos aqui em O Livro dos Espíritos e em outros mestres que Deus é superpotente e que todos estão subordinados a Ele. Essa informação é uma decorrência natural do entendimento que Deus cria tudo. Se Ele cria tudo, é a Causa Primária de todas as coisas, ou seja, é o Criador de toda a existência.

É isso que precisamos compreender: tudo que um espírito é capaz de fazer provém primariamente de Deus. E o Pai não pode entregar o comando ao próprio ser, porque ele não possui condições de gerir universalmente.

Agora, se Deus cria e administra tudo que existe, posso dizer que o Universo está perfeito na forma em que está. Se Deus é a Perfeição e tudo que existe emana Dele, tudo é Perfeito, na forma que existe.

Sendo assim, o que você chama de errado, na verdade é o equilíbrio do Universo. É aquilo que equilibra o Universo.

Outro detalhe desta resposta: Deus jamais para de gerar espíritos. Esses seres precisam evoluir, mas a evolução deles deve ocorrer dentro da perfeição, ou seja, sem alterar o equilíbrio que existe no Universo. Sendo assim, para que alguém possa chegar onde você está, é necessário que saia.

Repare bem. Deus gera espíritos ininterruptamente, eles precisam evoluir, mas só chegarão ao nível que você está quando sair, ou seja, avançar.

É por isso que sempre digo para as pessoas: busque a evolução espiritual não no sentido de ganhar alguma coisa, mas para liberar espaço para outro espírito feito por Deus. Faça a elevação não por você mesmo, mas como serviço ao próximo.

Participante: quanto ao que o senhor falou sobre Deus comandar tudo, nessa mesma resposta existe a informação que os espíritos são criados por Deus e submetidos à Sua vontade.

Isso, os espíritos são submetidos à vontade de Deus. Realmente a palavra está bem clara: submetidos.

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Pergunta 0079

Pois que há dois elementos gerais no Universo: o elemento inteligente e o elemento material, poder-se-á dizer que os Espíritos são formados do elemento inteligente, como os corpos inertes o são do elemento material?

Evidentemente. Os Espíritos são a individualização do princípio inteligente, como os corpos são a individualização do princípio material. A época e o modo por que essa formação se operou é que são desconhecidos.

Quando estudamos a questão da matéria, vimos que tudo que é conhecido no planeta é formado a partir de um átomo universal. Esse átomo Kardec chamou de fluido cósmico universal e nós chamamos de matéria energética força.

Baseado nesse raciocínio, Kardec agora pergunta: se a matéria terrestre é feita de fluido cósmico universal, podemos dizer que o espírito é feito de inteligência? O Espírito da Verdade responde: sim, podemos dizer isso.

Apesar dessa resposta, afirmo que não é propriamente isso. Na verdade o espírito não é feito de inteligência, mas a inteligência é um dos seus atributos. Aliás, essa mesma informação está na pergunta 0024 desse livro.

Agora, tanto uma como outra afirmação pouco tem importância para os encarnados, pois vocês não sabem o que é inteligência. Os seres humanizados não conhecem o que é uma inteligência, por isso pouco se dá uma ou outra resposta.

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Pergunta 0080

A criação dos Espíritos é permanente, ou só se deu na origem dos tempos?

É permanente. Quer dizer: Deus jamais deixou de criar.

Da resposta do Espírito da Verdade a essa questão se descobre, então, que sempre estão nascendo espíritos e, por conseguinte, sempre existem outros evoluindo. No entanto, quero tirar outro ensinamento dessa resposta para nos aprofundarmos nas coisas espirituais.

Se a evolução do espírito é uma constante na eternidade universal, posso dizer que o que hoje está acontecendo no planeta, a mudança do sentido de encarnação, não é uma novidade para o Universo. O que vocês estão vivendo hoje já aconteceu muitas vezes em outros lugares. Pode não ter sido dentro da mesma forma que irá acontecer aqui, mas o processo de transição certamente já aconteceu antes. Mais: durante este processo em outros lugares nunca houve problemas.

Sendo assim, precisamos afastar a ideia que o atual processo de transição do planeta pode trazer problemas para os espíritos ou que pode acabar com o Universo. Isso é besteira.

A alteração do sentido de encarnação de Provas e Expiações para Regeneração já aconteceu em diversos mundos e ainda irá acontecer muitas vezes em outros. Isso porque Deus sempre está gerando espíritos e por causa disso sempre haverá espíritos evoluindo no Universo a todo o momento.

Na verdade, esse processo pode ser encarado como difícil por vocês que ainda não passaram por ele, mas é um processo normal para o Universo.

O processo atual de evolução da encarnação na Terra é igual ao crescimento do ser humano. O ser nasce bebê e cresce naturalmente passando pelas etapas da vida. Para quem já está velho esse processo é fácil, pois já o fez. No entanto, para quem o está vivendo naquele momento é penoso, difícil.

Assim também na vida espiritual. Para os espíritos que já vivenciaram e se lembram do que viveram durante essa etapa de sua existência eterna, esse processo é considerado fácil. Mas, para quem está vivenciando-o no momento, o considera difícil.

Na verdade, ele não é fácil ou difícil: tudo depende de como se vivencia o seu processo. Você pode passar naturalmente pelas etapas ou pode se prender a determinadas fases – como, por exemplo, um adulto que parece uma criança e se prende aquela etapa infantil da vida por gostar dela. Nesse caso tudo parecerá mais difícil.

Para não se apavorar frente a consciência de ter que fazer a transformação na sua existência eterna, é preciso que o espírito compreenda que vivenciar isso não é um bicho de seta cabeças. É preciso ter a consciência de que, apesar do ego criar a ideia da dificuldade, para a coletividade espiritual o que vocês estão passando é um processo normal, natural, de um crescimento de espíritos.

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Pergunta 0081

Os Espíritos se formam espontaneamente, ou procedem uns dos outros?

Deus os cria, como a todas as outras criaturas, pela Sua vontade. Mas, repito ainda uma vez, a origem deles é mistério.

Já disse: se tem uma coisa que podemos falar de Kardec é que ele é persistente. A questão do nascimento dos espíritos já tinha sido respondida, mas ele volta a perguntar.

Já falamos sobre isso, mas, aproveitando, deixe-me fazer uma pergunta: se é Deus quem cria todos os espíritos, como é que as mães acreditam que fazem filhos?

‘É meu filho. Olha só, eu carreguei na minha barriga nove meses, eu fiz esse ser’. Este tipo de pensamento não pode fazer parte da consciência de quem se diz espírita, não é mesmo?

As mulheres e os homens espíritas não podem assumir a maternidade ou a paternidade porque segundo a informação do transmissor da doutrina dos espíritos nenhum espírito faz outro. Todo ser é gerado por Deus. Para o trabalho do despossuir que todos os mestres ensinaram como caminho para se conseguir a elevação, isso precisa ficar muito claro.

Talvez por isso tenha sido comandado por Deus que a mesma pergunta fosse feita diversas vezes. Mas, apesar disso, as mães ainda continuam achando que elas dão a luz.

Dos espíritos

Pergunta 0082

Será certo dizer-se que os Espíritos são imateriais?

Como se pode definir uma coisa, quando faltam termos de comparação e com uma linguagem deficiente? Pode um cego de nascença definir a luz? Imaterial não é bem o termo; incorpóreo seria mais exato, pois deves compreender que, sendo uma criação, o Espírito há de ser alguma coisa. É a matéria quintessênciada, mas sem analogia para vós outros e tão etérea que escapa inteiramente ao alcance dos vossos sentidos.

É melhor declarar que nada sabe do que querer conhecer o espírito pela forma ou saber do que ele é composto.

O máximo que você, humano, vai saber é que o espírito é o princípio inteligente do Universo e pode se confundir com a inteligência que habita o corpo. Mas, mesmo se apegar a isso é besteira, porque você, humano, não sabe o que é inteligência nem como ela funciona.

Primeiro o ser humanizado deve se concentrar em saber o que é inteligência, como ela funciona, para só depois querer fazer ideia do que é o espírito. Saber se ele tem ou não matéria, se tem braço, umbigo, etc.

É isso que está sendo dito pelo Espírito da Verdade. Mas, mesmo assim, vocês continuam querendo saber como é o espírito.

Participante: Kardec faz um comentário a essa resposta ...

Comentário de Kardec

Dizemos que os Espíritos são imateriais, porque, pela sua essência, diferem de tudo o que conhecemos sob o nome de matéria. Um povo de cegos careceria de termos para exprimir a luz e seus efeitos. O cego de nascença se julga capaz de todas as percepções pelo ouvido, pelo olfato, pelo paladar e pelo tato. Não compreende as ideias que só lhe poderiam ser dadas pelo sentido que lhes falta. Nós outros somos verdadeiros cegos com relação à essência dos seres sobre humanos. Não os podemos definir senão por meio de comparações sempre imperfeitas ou por um esforço da imaginação.

‘Não os podemos definir senão por meio de comparações sempre imperfeitas ou por um esforço da imaginação’. Sim, se você quiser compreender o espírito pela razão humana alcançará apenas uma verdade transviada, falseada, individualizada. Isto é a prática do que já estudamos anteriormente: a razão é transviada.

Dos espíritos

Pergunta 0083

Os Espíritos têm fim? Compreende-se que seja eterno o princípio donde eles emanam, mas o que perguntamos é se suas individualidades têm um termo e se, em dado tempo, mais ou menos longo, o elemento de que são formados não se dissemina e volta à massa donde saiu, como sucede com os corpos materiais. É difícil de conceber-se que uma coisa que teve começo possa não ter fim.

Há muitas coisas que não compreendeis, porque tendes limitada a inteligência. Isso, porém, não é razão para que as repilais. O filho não compreende tudo o que a seu pai é compreensível, nem o ignorante tudo o que o sábio apreende. Dizemos que a existência dos Espíritos não tem fim. É tudo o que podemos, por agora, dizer.

A resposta do Espírito da Verdade está muito bem explicada, mas gostaria de fazer um comentário a partir dela.

O espírito é uma individualidade que jamais acaba, é eterna. Sendo assim, o ensinamento panteísta que diz que o ser volta a Deus fazendo parte Dele, ou seja, perdendo a sua individualidade, é irreal.

O espírito quando retornar à sua consciência universal continuará sendo uma individualidade. A única coisa é que o individualismo. É isso que perde e não a individualidade.

Individualismo é a busca da satisfação individual; a individualidade é você. A individualidade, você, jamais se acabará. O espírito se universalizará, ou seja, passará a não pensar em si como um, mas viverá em Unidade com o Todo, ou seja, passará a ver-se como uma peça do universo. Isso, no entanto, não lhe faz perder a sua individualidade.

Ele não perde a sua individualidade, mas o seu individualismo. Ao perdê-lo não se vê mais como um, mas sim como uma peça perfeitamente integrada ao Universo.

Participante: como peça de um quebra-cabeça?

Sim, como peça de um quebra-cabeça.

O Universo é um quebra-cabeça e cada espírito e matéria são partes, peças, dele. Se você observar individualmente essa parte, verá que ela é um desenho. Ou seja, tem em si um desenho. Quando o ser perde o individualismo a sua imagem se junta às demais peças e formam uma figura. A junção das peças para formar a figura é importante para a comunidade espiritual, mas a imagem individual separada das demais não tem valia alguma.

A imagem individual só representa alguma coisa quando perfeitamente integrada no seu lugar no quebra cabeça, no Universo. Quando isto acontece, a figura individual passa a ter um valor universal, passa a ter um sentido.

Participante: isso acontece quando o espírito passou por todas as etapas de evolução?

Não, todas não.

Entenda uma coisa: chegar ao ponto de ser perfeito, jamais você chegará. Afirmo isso porque a perfeição é Deus e só Ele o é.

O processo de evolução é o processo de perda do individualismo, obtendo em seu lugar a consciência universalista. Quem está nesse processo perde individualismo e ganha consciência universalista. Quanto mais vai se aprofundando no processo, mais universalista vai ficando, mas jamais alcançará a perfeição.

Esse processo você, espírito, viverá durante toda a sua existência espiritual, sem jamais chegar à perfeição, pois sempre Deus estará mais à frente.

Dos espíritos

Pergunta 0084

Os Espíritos constituem um mundo à parte, fora daquele que vemos?

Sim, o mundo dos Espíritos, ou das inteligências incorpóreas.

Vamos conversar um pouco a respeito desse tema, pois é importante.

Kardec criou um nome para o espírito encarnado: alma. Criou, também, um para o espírito fora da carne: espírito. Apesar disso, iremos estudar um questionamento de Kardec ao Espírito da Verdade querendo saber o que é a alma. O mentor espiritual responde: é o espírito encarnado. Em outro trecho, Kardec perguntará: o que é a alma antes de encarnar? Receberá como resposta: espírito. Depois o Codificador ainda perguntará: o que será a alma depois de desencarnar? Terá como resposta: espírito.

Ora, se é assim, ou seja, se a alma antes de encarnar era um espírito e depois do desencarne também o é, podemos dizer que o ser universal não deixa de ser espírito em momento algum. Ele é sempre, mesmo que Kardec o designe com um nome diferente.

Como para o Codificador do espiritismo havia distinção entre espíritos e almas, ele, nessa questão, criou na sua imaginação um mundo extra, além da percepção humana, onde existem espíritos fora da carne. Essa é a motivação para esta pergunta... Mas, para nós que designamos como espírito o encarnado ou não, esse mundo extra-sensorial deixa de ter razão de existir.

Será, então, que a resposta do Espírito da Verdade está errada? Não, ela foi necessária para um tempo.

Para podermos entender as coisas como aconteceram, precisamos enquadrá-la dentro de um contexto histórico. Até Kardec o ser humanizado achava que quando morresse iria dormir em algum lugar aguardando a volta de Cristo a Terra, quando, então, ressuscitaria, ou seja, voltaria a viver na mesma carne. Essa era a crença da igreja católica e evangélica, que era o que havia no mundo de Kardec como religiosidade.

Sabendo-se disso, podemos, então, entender que a resposta do Espírito da Verdade tem como objetivo mostrar que existe vida depois da vida. Mostrar que existe um mundo onde os espíritos trabalham e vivem como se estivessem na carne. Esse é o objetivo dessa resposta.

Mas, como no Universo tudo é sempre dinâmico, ou seja, impermanente, hoje, depois de atingido o objetivo da pergunta (conhecer o mundo espiritual ativo), não precisamos mais acreditar no mundo espiritual separado do humano. Mas, para se atingir essa consciência é fundamental entender as três perguntas de O Livro dos Espíritos que falei antes: a alma é o espírito encarnado; antes de nascer era espírito e depois da morte volta a ser espírito.

Frente a tudo que comentei, posso, então dizer que o objetivo da existência dessa resposta é combater a ideia que os seres universais depois do desencarne vão dormir até o dia do juízo final.

Participante: se Deus não para de criar espírito e se ele nunca morre ou acaba, então o universo nunca terá um fim, nunca acabará?

O universo é eterno. Isso já ficou claro desde o primeiro capítulo deste livro, quando se falou que ele é infinito... Mas, ele não é infinito apenas em espaço, mas também em tempo.

O Universo jamais vai acabar, quer seja em espaço ou tempo. Assim como ele é infinito em espaço, ou seja, não tem nada antes ou depois, acima ou abaixo, nele não existe tempo que possa se extinguir.

Para vocês é difícil compreender estas noções, mas apenas compreendam que só existe o Universo que durará para sempre.

Participante: Santo Agostinho, no início de suas meditações, pensa da seguinte maneira: se Deus é do tamanho do Universo, o que há fora do universo? Ele chega à conclusão que Deus deve ser maior que o Universo a aí ele mesmo compreende que Deus se derrama fora do Universo. É muito interessante.

É interessante, mas é coisa pra maluco.

Tentar entender alguns conceitos universais como eternidade ou o próprio Universo é coisa para maluco, pois vocês não têm elementos para tanto. Tenho tentado fazer com que vocês entendam o raciocínio – que é algo palpável já que veem, ouvem, ou seja, reconhecem elementos que pertencem a ele – e não conseguem. Que dirá entender o Universo sobre o qual vocês nada conhecem.

É perda de tempo querer entender isso.

Dos espíritos

Pergunta 0085

Qual dos dois, o mundo espírita ou o mundo corpóreo, é o principal, na ordem das coisas?

O mundo espírita, que preexiste e sobrevive a tudo.

Na resposta anterior acabamos com a divisão dos mundos ao afirmar que não existe um mundo espírita e um corpóreo. Existe um único mundo que é vivido fora e dentro da carne.

A partir dessa informação, vocês que vivem o mundo material como real, poderiam dizer: ‘mas, então, existe um único mundo que é o material?’ Eu responderia: Não, isso aqui não existe. O que existe é o mundo espírita vivido em densidades diferentes. Só isso. Esse único mundo que existe é o espírita, já que o Espírito da Verdade nos ensina que ele é muito mais importante que o material, pois existia antes e continuará existindo depois da vida carnal.

Conhecendo, então, a Realidade, ou seja, que só existe um único mundo, que é o espiritual, não seria óbvio que deveríamos nos prender às verdades desse mundo ao invés de ficar aprisionado as verdades da matéria? Não seria óbvio que deveríamos estar buscando, como ensinou Cristo, amealhar bens no céu ao invés de fazê-lo na Terra?

Essa deve ser um pensamento do ser humanizado: se o mundo espírita é mais importante para a existência eterna do ser universal, porque que vou perder tempo, energia, pensamento, me preocupando com o mundo material? Esse, acredito eu, é um raciocínio lógico para quem lê essa resposta do Espírito da Verdade.

Quando você entender o que aqui está ensinado, quando entender que essa vida é apenas uma etapa de uma existência infinita, a sua preocupação, o objetivo da sua vida muda. Começa a raciocinar a partir de valores espirituais e não mais de valores materiais. Isso porque passa a saber que essa vida vai acabar enquanto que a sua existência espiritual é eterna.

Para quem compreende o que quero dizer, pergunto: não é preferível viver esse curto tempo (50, 60, 70, 80 ou 90 anos) ocupado com o lado de lá, ocupado em garantir a sua eternidade feliz, do que querer a felicidade desse mundo?

Participante: desde o início do livro, estudamos que o Universo se compõe em três elementos: o ser, a matéria e Deus. Nesse caso, a matéria também é importante para que o ser possa estar fazendo sua evolução. Acredito que não deva se dizer que a matéria não existe: ela existe. O que não podemos é colocá-la à frente da nossa evolução. Seria isso?

Como diz o Espírito da Verdade: o problema é a falta de palavras. Não há como lhe fazer entender direito a Realidade por falta de palavras que designem as coisas.

O que posso lhe garantir é que a matéria não existe. Pelo menos a matéria que você diz que existe.

Participante: podemos dizer, por falta de elementos que melhor falem da outra matéria, que ela não existe na forma que percebemos?

A matéria que vocês percebem não existe na sua forma e essência. Por exemplo: vocês percebem uma cadeira.

Participante: ela é fluido universal, como nós estudamos...

Isso.

A cadeira não existe quanto à forma e quanto à sua essência, já que ela não é feita de madeira e o fluído cósmico universal que a compõe não possui forma.

Não quero com isso dizer que a matéria que conhecem não é importante. Ela é. Mas, prendendo-se à matéria como cadeira, não vai aprender a conviver com o fluido universal. Aprenderá a conviver com uma cadeira. E quando não mais houver cadeira, mas apenas fluído cósmico sem forma, como vai ser? Onde irá sentar-se?

É isso que eu estou querendo dizer. O que quero mostrar é que você não deve se prender à ideia de uma cadeira, mas buscar conviver com esse objeto como sendo o próprio elemento matéria do Universo: o fluido universal. Isso porque, se a vida espiritual existe antes e depois da material, quando estiver livre da matéria não haverá mais cadeiras e aí poderá sentar no fluído universal.

Participante: podemos grosseiramente dizer que o fluido universal é matéria? Ele produz a matéria terrestre?

Não, não podemos dizer isso. O fluido universal é a matéria; é o átomo universal. Sendo assim, ele é a matéria, não a constitui.

Veja, prendendo-se à ideia da cadeira ser real, precisará de uma para se sentar. Na hora que entende que esse elemento é apenas fluido universal, pode se sentar no ar, porque esse elemento também é fluido universal.

Nesse momento não mais precisará de uma cadeira: se sentará em qualquer lugar. Vamos dizer assim: vai volatizar, vai sentar no ar. Conseguirá, como aliás alguns gurus conseguem, realizar isso, pois saberá que tudo é fluído universal. Por isso não precisa mais de formas específicas de matérias para fazer alguma coisa. Mas, enquanto ficar preso à figura cadeira, ou seja, ao mundo material, não aprenderá a sentar no ar.

Participante: tendo em vista que viemos para carne com uma determinada programação, para que onde haja fluido universal enxerguemos cadeira, mesa, sofá. Como desfazer essa programação, se já viemos com ela pronta?

Grande pergunta. Para respondê-la, questiono: para que você veio com essa programação?

Participante: Para me desprogramar.

Aí está a sua resposta: desprogramando-se.

Participante: existe uma fórmula para isso?

Sim, existe uma fórmula: interagir com o mundo espiritual, ao invés de interagir com o mundo material.

Lembra do ensinamento sobre as duas memórias? Na hora que você aprende a interagir com o mundo espiritual abandona a prisão a verdades materiais. As suas verdades se quebram.

NOTA: Em ensinamento anterior, o amigo espiritual afirmou que a consciência do espírito possui duas memórias: uma formada por verdades materiais e outra por espirituais. Disse ainda que estas consciências podem ser comparadas a duas tábuas superpostas cheias de furos, sendo que a material antecedia a espiritual. Ensinou, ainda, que quando o espírito se liberta da material o furo nesta memória se vaza e ele, então, pode acessar as verdades que estão na memória espiritual.

Então veja: por mais que estude ensinamentos sobre os elementos universais, jamais verá o fluido universal. Mas, quando se volta para Deus, Ele pode lhe ensinar a perceber o fluido universal através de outras percepções que não as carnais.

Participante: ou seja, vai me desprogramar.

Exato.

Participante: o fluido universal é toda a matéria do universo?

O fluido universal é o elemento constitutivo de todas as matérias do universo, é o átomo universal. Tudo que existe no Universo, com exceção do espírito e de Deus, é fluido universal. Isso por definição do Espírito da Verdade.

Se é assim, o próprio planeta Terra é fluido universal, mas o espaço vazio em volta dele também é.

Participante: que, aliás, não é vazio: apenas aparenta ser.

Isso. Ele é composto de fluido universal...

Participante: o fluido Universal se combina de diversas maneiras, para que enxerguemos as coisas do jeito que são. Exemplo: cadeira, mesa, chão e etc.?

Perfeito. É isso mesmo.

Cada átomo ou célula material é uma combinação de fluido universal com ele mesmo. O átomo da madeira é uma determinada combinação, o da folha ou das células do seu corpo são outras combinações.

Mas, isso é irrelevante, porque nunca vamos entender como um elemento se combina com ele mesmo e se transforma em diversas coisas. O importante é ficar claro que precisamos nos voltar para o lado espiritual, pois esse lado é a nossa realidade.

Precisa ainda ficar bem claro que esse lado transcende a materialidade e que por isso nunca o conheceremos por meio de sabedoria material, mas só quando nos voltarmos para Deus recebemos Dele esse conhecimento.

Dos espíritos

Pergunta 0086

O mundo corporal poderia deixar de existir, ou nunca ter existido, sem que isso alterasse a essência do mundo espírita?

Decerto. Eles são independentes; contudo, é incessante a correlação entre ambos, porquanto um sobre o outro incessantemente reagem.

O mundo corporal poderia deixar de existir ou nunca ter existido: não faria diferença para o Universo. Ele é importante não no sentido de compor o Universo, mas sim por ser um campo de prova para os espíritos.

Já definimos em ensinamentos anteriores que o Universo é o espaço criado por Deus para a elevação do espírito. Sendo assim, toda a matéria conhecida e todos os planetas são um campo de provas para o espírito, uma sala de aula para os espíritos.

Por isso afirmo: o planeta Terra não existe no Universo a não ser para ser vir de campo de provas para os espíritos. Na hora que não houver mais a necessidade dele para esse fim, Deus pode acabar com ele.

Saibam de uma coisa: tudo no Universo precisa ter uma finalidade para existir. A finalidade dos planetas é essa e quando eles não são mais necessários neste sentido, Deus acaba com eles.

É por isso que o Espírito da Verdade diz nesta resposta que um age sobre o outro, ou seja, que o mundo espiritual interage com o material. Há sempre uma ação de baixo para cima (do material para o espiritual) e de cima para baixo (do espiritual para o material).

Mas, nada disso precisava haver. Esta correlação não é fundamental para a existência do Universo, a não ser para a provação do espírito. Se Deus criasse outra forma de colocar a prova os ensinamentos, o mundo material não teria razões para existir.

Dos espíritos

Pergunta 0087

Ocupam os Espíritos uma região determinada e circunscrita no espaço?

Estão por toda parte. Povoam infinitamente os espaços infinitos. Tendes muitos deles de contínuo a vosso lado, observando-vos e sobre vós atuando, sem o perceberdes, pois que os Espíritos são uma das potências da Natureza e os instrumentos de que Deus se serve para execução de Seus desígnios providenciais. Nem todos, porém, vão a toda parte, por isso que há regiões interditas aos menos adiantados.

Vamos por parte, porque esta resposta tem muita informação.

Primeira: não existem espaços físicos delimitados no Universo. Ou seja, o mundo espiritual não é um espaço físico específico. O umbral, o paraíso ou a cidade espiritual não são um espaço físico delimitados. Os espíritos estão por todas as partes, porque só existe um espaço físico: o próprio Universo.

Sendo assim, afirmo que o espaço físico que vocês ocupam agora não é a Terra, mas sim o próprio Universo. Isso precisa ficar bem claro para que compreendam que quando morrer não irão para lugar nenhum. Ficarão no mesmo lugar que estão, pois não há outro lugar para se ir.

Na verdade, os espaços que vocês encontram nos livros da literatura espírita são programações mentais para perceber as coisas de uma determinada forma. Os que agora estão encarnados aqui, têm a ilusão de estarem no espaço Terra do Universo, mas na verdade não estão. Apenas estão vivenciando uma programação chamada humana que lhes faz perceber as coisas do jeito que percebem.

Essa é a primeira informação desta resposta: o Universo não se divide em espaços. Ele é um só espaço onde espíritos vivem verdades diferentes, realidades diferentes. Uns vivem no céu outros no inferno; uns vivem nas cidades espirituais, outros no umbral e outros ainda soltos.

Isso é fundamental entendermos, porque sem essa compreensão ficamos chorando porque a mãe morreu e foi para longe. Mas, ela continua ao seu lado, no mesmo espaço físico que você. Não conseguimos vê-la nem entrar em contato com ela justamente por achamos que estamos separados dela.

Existe uma segunda informação nessa resposta. Vamos vê-la.

Aí está ela: ‘tendes muitos deles de contínuo a vosso lado, observando-vos e sobre vós atuando, sem o perceberdes’. Ou seja, os espíritos fora da carne atuam sobre vocês.

Isso é fundamental começarmos a ter consciência. Sabe quando você acha que está tendo uma ideia brilhante e maravilhosa? Não está tendo ideia alguma. Na Verdade é um espírito que está lhe dizendo o que pensar.

O que imagina que está pensando, que está raciocinando, lhe é dado por um espírito fora da carne. Como não percebe essa ação espiritual, acredita que você, por vontade própria, é que chegou a tal raciocínio. Mas, não foi ...

Sendo assim, se existe uma ação contínua entre o espírito fora da carne e o espírito na carne, onde o primeiro guia o segundo, não existe independência do ser encarnado. Você não vive essa vida material isolado do mundo espiritual. A vida carnal é completamente guiada pelos espíritos fora da carne.

Participante: seguindo o livro da vida de cada um, não?

Sim, seguindo o livro da vida de cada um...

Mas, há mais informações nesta resposta.

Vamos vê-la: ‘observando-vos e sobre vós atuando, sem o perceberdes, pois que os Espíritos são uma das potências da Natureza e os instrumentos de que Deus se serve para execução de Seus desígnios providenciais’..

De acordo com o que está aí escrito, o espírito age sobre você, mas assim o faz como instrumento de Deus. Nenhum espírito pode agir sobre o encarnado sem ser instrumento de Deus, ou seja, sem seguir o Seu desígnio.

Isso tem que ficar também bem claro, para pararmos de dizer que há um obsessor que nos faz agir de tal forma porque ele quer. Não, isso não acontece. Se existe um espírito lhe obsedando, seja de que forma for, foi Deus que o colocou junto de você e o fez guiá-lo de tal forma.

Mas, por que Ele faria isso? Porque você tem a mesma vibração que esse espírito desencarnado. Deus colocou aqueles dois espíritos (o encarnado e o desencarnado) na relação chamada de obsessiva e os faz relacionar-se de tal forma para que apreendam o amor universal e alterem suas vibrações, mudem seus sentimentos.

Aprendam: nenhum obsessor vai em busca de um espírito encarnado livremente, fazendo o que quer. Se isso fosse possível, o espírito seria uma potência do Universo mais forte que Deus. O espírito é uma potência, mas é uma potência controlada por Deus.

Participante: acho que essa nossa crença se fundamenta nas leituras espíritas, pois elas nos dão a impressão de que o espírito tem capacidade para voltar para se vingar.

Jamais...

Por livre e espontânea vontade, jamais um espírito pode vingar-se de outro. Isto porque está escrito: o espírito é uma potência, mas é uma potência subordinada a Deus.

Sendo assim, se o ser quer voltar para se vingar e consegue, é porque o obsedado merecia a vingança e Deus a fez acontecer. É como Cristo ensinou: o escândalo é necessário.

Portanto, se você for alvo de uma obsessão, tenha a certeza que o primeiro que tem que mudar é você e não o desencarnado. Quando mudar o seu padrão vibratório acaba com qualquer obsessão.

Participante: então o espírito de baixa vibração só se aproxima do encarnado da mesma vibração?

Perfeito. Um espírito de baixa vibração não vai poder se aproximar se você estiver elevado.

Até porque, como acabamos de ver, o Universo é formado por afinidades. As coisas e os espíritos se aglomeram por afinidade. Aliás, como também acontece na Terra. Se você gosta de samba, vai se aproximar de sambistas e não de dançadores de valsa.

É preciso ter bem clara essa consciência: o espírito de baixa vibração não vai chegar perto de um de alta, porque esse não tem nada que ele quer. Vai ficar sondando onde há um de baixa vibração, aí gruda nele.

Na verdade imagina estar fazendo isso por livre vontade. No entanto, está sendo conduzido por Deus para dar a cada um de acordo com suas obras, ou seja, dar a justa reação a uma ação.

Compete ao encarnado se libertar daquela vibração alterando o seu padrão vibratório. Quando isso acontecer, se o desencarnado ainda merecer viver obsessões, Deus o desligará daquele e o levará a outro, onde novo processo obsessivo será vivenciado.

Se isso é verdade, posso dizer que o trabalho de desobsessão, não liberta ninguém. Pode no máximo orientar o espírito fora da carne e salvá-lo. Se aquele que está na carne não se mudar, vai atrair outros espíritos. É como Cristo ensinou: você expulsa o demônio, ele sai e não tem onde ficar, então volta e traz mais sete junto com ele.

Participante: o que aprendi sobre isso é que pelo merecimento a pessoa é levada a uma casa espírita ou não e por merecimento esse obsessor é afastado por algum tempo para que a pessoa possa estar revendo os seus sentimentos. É assim mesmo que funciona?

Esse é um lado da moeda, mas existe outro. Para explicá-lo, vou ter que dizer uma coisa que vocês não vão gostar de ouvir: muitos espíritos encarnados são levados para o trabalho de desobsessão numa casa espírita porque o obsessor já tem o merecimento de sair daquela relação, de ser ajudado, e não por causa do encarnado.

Sim, é o obsessor que merece e não o encarnado. Mas, o ser humanizado sempre imagina que ele é um anjo que foi levado ao centro espírita porque estava sendo vítima. Por isso não vê que o merecimento era do outro, não vê que o socorro só aconteceu porque o desencarnado não merecia mais ficar preso nele.

Participante: voltando a questão de dimensões... E as outras dimensões: quarta, quinta, etc.?

A questão das dimensões é uma coisa muito difícil de falarmos. Isso porque é uma coisa não mensurável. Ou seja, vocês não conseguem ver o que é uma dimensão.

Se trabalha a ideia dimensão como espaço físico independente desse espaço físico, não, não existem dimensões. Na verdade, cada dimensão é caracterizada pela densidade da matéria que existe nela e não pelo espaço físico.

Vou dar um exemplo: aí onde você está existem sete dimensões. Aí, onde você percebe um único espaço físico pertencente a uma única dimensão, existem sete. Você as percebe? Como quer saber alguma coisa sobre elas? O que posso dizer é que elas se fundem e você só percebe o nível que está vendo, a dimensão que habita.

Na verdade, existem no planeta sete dimensões, mas elas não podem ser determinadas por uma questão de espaço físico. Isso porque uma dimensão está sobre a outra. Sobre não no sentido de acima, mas junto.

Justamente por falta dessa percepção existem muitas controvérsias a respeito delas. Por exemplo: dizem que a cidade espiritual está sobre a material. Isso não é real: ela está junto, no mesmo espaço físico e não sobre.

Participante: seria como uma coisa tridimensional?

Como disse, é muito difícil falar de dimensões com vocês. Sua pergunta é um exemplo disso. Vocês ainda estão presos a três dimensões, como se isso fosse algo absoluto. Só que no Universo existem planetas que tem quarenta e duas dimensões.

Não, não mensure por isso. Não, não tente entender dessa forma. Fazendo isso vão faltar elementos para vocês. Saibam apenas que todos estão no mesmo ambiente.

Deixe-me dizer uma coisa. Existe uma lei material que diz assim: dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço. Isso é falso. No mesmo espaço existem diversos corpos.

Essa lei para poder englobar a Realidade universal deveria dizer o seguinte: dois corpos com mesma densidade não podem ocupar o mesmo lugar no espaço. Sim, isso é verídico. Diversos corpos em densidade diferentes ocupam o mesmo lugar no espaço.

Você só vai compreender a questão das dimensões espirituais quando entender que existem espíritos agora sentados no seu colo. Sim, posso dizer que estão no seu colo porque estão no mesmo lugar da sua matéria, junto com a sua matéria. É isso que precisa ficar compreendido.

Isso é o que podem compreender por hoje, porque, na verdade, as dimensões são caracterizadas pelo avanço moral, ou seja, pela programação mental do espírito, pois é ela que gera uma densidade de matéria. Mas, isso fica para outro dia...

Participante: acho que isso que o senhor acabou de falar vem de encontro ao final da resposta dessa pergunta que estamos vendo: ‘nem todos (os espíritos), porém, vão a toda parte, por isso que há regiões interditas aos menos adiantados’.

Para falar sobre isso, deixe-me comentar algo que aconteceu ontem...

Fui informado que uma pessoa entrou nesse nosso espaço virtual e escreveu um monte de besteiras. Por isso me propuseram: vamos colocar uma senha e repassar para as pessoas que querem realmente estudar. Eu respondi: não se podem fechar portas, pois o templo de Deus está em todos os lugares.

No Universo não existe lugar interditado, ou seja, lugares onde um ser não pode ir. Se assim fosse, poderíamos dizer que Deus seria injusto, pois alguém que quer evoluir é proibido de frequentar lugares que poderia lhe ajudar.

Mas, apesar disso, existem lugares que os espíritos não frequentam. Porquê?

Na verdade, esses lugares não estão interditados a um determinado grupo de espíritos. São os próprios seres quem interditam o lugar para si. São eles que não querem ir a determinado lugar, pois não se sentem bem ali.

Além disso, os espíritos também não podem ir a todos os lugares porque existe muitos que eles nem conhecem, não sabem da sua existência. Na verdade cada um conhece apenas os lugares do seu próprio nível.

Participante: é isso que eu ia dizer. É a questão da programação e do merecimento que faz com que a gente se sinta bem em algum lugar e que não consiga entrar em outro.

Perfeito.

Na literatura espírita existe a figura do socorrista que desce ao umbral para salvar alguns espíritos do martírio. Pergunto: por que eles não salvam a todos, mas apenas alguns? Porque existem espíritos que se socorridos, ou seja, levados para as cidades espirituais, não vão querer permanecer lá. Eles querem aquilo que estão vivendo. Sendo assim, não adianta ir lá embaixo e trazer esse espírito para cá, pois voltará para lá. Ele não gosta daqui, ele não quer ficar aqui.

Mas, isso não deveria ser difícil para vocês entenderem. Vou dar um exemplo para ficar bem claro. Pergunto: se você é vegetariano, gostaria de ir a uma churrascaria?

Participante: não...

É por isso que os espíritos também não vão a qualquer lugar.

O espírito não vai porque não quer, porque não gosta, porque não se adapta a esse lugar. Porque lá não tem o que quer.

É por isso que no Universo e em qualquer situação, para poder se dizer universalista, não podemos colocar placa de proibido. É cada um que coloca a placa de proibido para si mesmo.

Além disso, precisamos ainda nos lembrar do que Cristo ensinou: eu não vim pra os sãos, mas para os doentes. É preciso entender que as pessoas que agem como vocês me descreveram que o invasor do nosso espaço agiu, precisam muito mais do nosso amor do que as pessoas sãs. São esses que devemos amar primordialmente e não os sãos.

Deixe-me falar de uma parábola de Cristo que até hoje não foi compreendida em toda a sua profundidade. É a parábola do “Bom Samaritano”.

Os professores da lei perguntaram a Cristo: o senhor disse que temos que amar o próximo, mas quem é o meu próximo? Para responder a essa questão, o mestre nazareno conta a parábola do bom samaritano. Para quem não a conhece, vou resumi-la.

Havia um judeu que foi assaltado e ficou muito machucado, caído no chão. Algumas pessoas passaram e não prestaram socorro, mas veio um samaritano e cuidou dele. Até aí, nada demais. Se pensarmos no termo samaritano como hoje entendido, a pessoa que faz o bem, não encontraremos nenhuma excepcionalidade nessa ação. Se aplicarmos simplesmente a compreensão de hoje à parábola, entenderemos que Cristo diz que o próximo é aquele que precisa de nossa ajuda.

Mas, para entender profundamente a mensagem, temos que voltar a época de Cristo e entender que samaritano é um ser humano que nasceu na Samaria, uma região da época de Jesus. Todos que nasciam na Samaria eram samaritanos, independente de fazerem o bem ou não.

Com esse entendimento a parábola começa a ter outro sentido. Junte a isso outra realidade do tempo de Cristo: os samaritanos e os judeus eram inimigos. Viviam em disputas ferrenhas, principalmente no aspecto religioso.

Agora podemos entender que quando Cristo narra essa parábola onde um inimigo ajuda o outro para designar o próximo, a quem devemos amar, está dizendo que aquele que deve ser amado prioritariamente é o inimigo...

O seu inimigo, aquele que você não gosta, aquele que não quer chegar perto, aquele de quem foge, esse é o seu próximo, aquele que deve ser amado acima de todas as coisas. É isso que se compreende da mensagem do mestre quando a analisamos dentro do seu contexto original.

A partir disso, tenho que lhe dizer que quando acontecer fatos deste tipo – e não vai parar de acontecer por aqui, até porque Deus os coloca justamente para nós podermos ajudá-los – o que devemos fazer não é trancar a porta ou brigar com ele, mas sim amar o invasor.

Outro dia me perguntaram sobre uma boa forma de acabar com a inveja. Eu disse: amar o invejoso, amar a inveja e amar o resultado da inveja. Portanto, amem aqueles que fazem isso, amem o que ele está fazendo e amem a todo mundo.

Dos espíritos

Pergunta 0088

Os Espíritos têm forma determinada, limitada e constante?

Para vós, não; para nós, sim. O Espírito é, se quiserdes, uma chama, um clarão, ou uma centelha etérea.

O Espírito da Verdade afirma que o espírito não tem forma. A partir desta afirmação pergunto: alguém já viu espírito? Tem muitas pessoas que afirmam que sim, mas que espírito é esse que elas veem, se o ser universal não tem forma? Como pode se ver alguém com dois braços, duas pernas, cabelo, boca e olhos se o espírito não tem forma?

Na verdade quando acontecem estas percepções, o que está sendo visto não é o espírito, mas o perispírito. Espírito é luz, luminosidade que não pode ser percebido através de formas.

É isso que precisamos entender, pois quando tivermos esta consciência, certas passagens bíblicas ficarão claras. Por exemplo: ninguém acende uma lamparina para esconder dentro do armário. A partir da consciência sobre o que é o espírito, o que essa citação quer dizer? Que ninguém faz um ser brilhar para se escondê-lo. Ele é colocado no ponto mais alto e serve de guia para os outros. É isso o que esta passagem quer dizer.

Além do mais, compreendendo o que essa resposta afirma, devemos parar de dizer que se viu um espírito. Não, nenhum ser humanizado vê um perispírito, mas sim o perispírito que envolve o ser.

O perispírito é o corpo espiritual. Foi ele que foi percebido por quem diz que vê espíritos, mais nada. O espírito realmente, nenhum ser humanizado vê.

O que este ser pode fazer é sentir a luminosidade do espírito, mas esta ainda não é ele, assim como a luz da lâmpada não é a lâmpada. A luminosidade não é o espírito, mas o seu brilho, uma emanação dele.

Dos espíritos

Pergunta 0088a

Essa chama ou centelha tem cor?

Tem uma coloração que, para vós, vai do colorido escuro e opaco a uma cor brilhante, qual a do rubi, conforme o Espírito é mais ou menos puro.

Se o espírito é luz e se toda luminosidade se refulgia, se propaga, podemos dizer que mesmo preso a matérias, independente da sua densidade (corpo físico ou perispírito) o espírito brilha. Essas emanações possuem cores, que vão desde as mais escuras até as mais claras. Vamos tentar entender isso.

Na verdade, o brilho do espírito não é o próprio, mas o que chamamos de energias que o ser emana. Essas energias são os sentimentos que o espírito está sentindo naquele momento.

Sendo assim, se está brilhando uma cor branca, podemos compreender que está sentindo o amor universal, vivendo o expoente máximo do universalismo. Agora, se brilha com cores escuras, quanto mais perto da cor preta ele está, posso reconhecer que naquele momento está mais individualizado. Quanto mais escuro o brilho do espírito, mais individualista ele é.

A escala de cores do refulgir, na verdade, não é uma escala de cores do espírito, mas sim do sentimento que está sentindo naquele momento. Sendo assim, o mesmo ser que agora está sendo percebido com uma emanação rosa, pode ficar azul, verde ou vermelho.

O mesmo espírito que você vê com uma cor clara em um dia, no outro pode estar com um refulgir bem escuro. Para isso basta ele mudar a sua base sentimental ou mudar o sentimento que está sentindo.

A partir desse conhecimento, quero fazer uma pergunta: o que é aura? Ou seja, o que é aquilo que a humanidade diz perceber como um brilho multicolor que emana do corpo físico? É o refulgir do espírito que se emana através do corpo.

Então, quando um ser humano vê a aura de uma pessoa, na verdade está vendo a cor emanada pelo espírito. Através dela pode ter uma noção do que aquele ser está sentindo naquele momento.

Para fazer uma comparação, diria que a aura é a transpiração do espírito. Assim como vocês transpiram o que chamam de suor, o espírito transpira sentimentos.

COMENTÁRIO DE KARDEC:

Representam-se de ordinário os gênios com uma chama ou estrela na fronte. É uma alegoria, que lembra a natureza essencial dos Espíritos. Colocam-na no alto da cabeça, porque aí está a sede da inteligência.

Dos espíritos

Pergunta 0089

Os Espíritos gastam algum tempo para percorrer o espaço?

Sim, mas fazem-no com a rapidez do pensamento.

Se você é um espírito e se o ser universal é uma inteligência, posso afirmar que você se locomove através do raciocínio, do pensamento. Essa é a Verdade: a locomoção do espírito não se dá com os pés, mas sim através da sua mente, do seu pensamento.

Participante: Mas, para isso é preciso ter uma certa evolução.

Não, sempre.

Dos espíritos

Pergunta 0089a

O pensamento não é a própria alma que se transporta?

Quando o pensamento está em alguma parte, a alma também aí está, pois que é alma quem pensa. O pensamento é um atributo.

Já tínhamos visto que alma é o espírito, não?

Participante: sim. Já tínhamos visto, também, que o pensamento é um dos atributos dele.

Então, vamos entender agora essa resposta de O Espírito da Verdade. Aliás, precisava dela para juntar o que já havíamos conversado antes.

Você anda, se mexe, mas o espírito se locomove através do pensamento. Sendo assim, ele está onde está o seu pensamento. Não importa onde o corpo esteja, o espírito está onde o seu pensamento está.

Para compreender isso, vamos todos agora pensar no Japão. Vamos imaginar qualquer imagem do Japão que se tenha gravada na memória. Pensaram? Todos fomos para o Japão agora. Nós os espíritos fomos lá, estivemos lá, mesmo que as matérias ficassem aqui.

Os seres humanizados não acreditam que podem se locomover assim. Dizem que isso é apenas imaginação, que é coisa da sua cabeça e estão certos: isso é coisa da sua cabeça. Só o que vocês chamam de sua cabeça é o espírito, é você.

O espírito está onde o seu pensamento estiver, ou seja, onde sua cabeça estiver. Lá estará você, o espírito, mesmo que o corpo esteja em outro lugar.

Ter essa informação é uma cultura, mas qual a aplicação prática dela? Saber que se você não estiver presente em um lugar de corpo e alma, ou seja, de corpo e pensamento, não estará lá.

É isso que precisamos entender, pois na hora que entendermos isso e nos virarmos para Deus e buscarmos prioritariamente as coisas espirituais, vamos viajar pelo pensamento e será possível trazer à consciência aquilo que vimos onde fomos.

Hoje, como não acreditam que são apenas a inteligência, mas creem que são o corpo, não conseguem trazer à consciência aquilo que o corpo não presencia. Se o olho não vê, não é verdade; se a mão não pegar, não é realidade. Mas veja: você é o espírito. É o ser que tem que ver, que tem que pegar e não o corpo.

Na hora que o ensinamento do Espírito da Verdade for a sua realidade, ou seja, tiver consciência de que você é a inteligência e que pode se locomover pelo pensamento independente do corpo, consegue, vamos dizer assim, andar no Universo.

Na Realidade, no mundo Real, é assim que o espírito se locomove fora da carne. É através do seu pensamento que se locomove no Universo. Ele está eternamente parado indo, através do pensamento, para todas as partes.

Participante: o espírito pode ser chamado de consciência?

Não, o espírito é a inteligência como um todo. A consciência são apenas as verdades que compõem a inteligência.

Vou dar um exemplo: você é um espírito, uma inteligência. Acontece que hoje se acha um ser humano. Por isso dizemos que você, o espírito, tem uma consciência de ser humano, ou seja, possui verdades humanas.

Você acha que é o corpo, acha que é mãe, que é filho, mas não é nada disso. Todas essas coisas são consciências que o espírito, a inteligência, está tendo. Essas verdades fazem parte da inteligência, do espírito, mas não é ele.

Se você, o espírito, fosse a consciência, não poderia haver reforma íntima, pois isso acarretaria em ter que se mudar, mas isso é impossível. Por isso digo sempre que deve libertar-se da consciência, ou seja, ser uma inteligência livre das consciências que possui hoje.

Esse processo é fundamental, pois o que chamamos de reencarnação é exatamente a troca de consciências que um espírito vivencia. Ou seja, você precisa se libertar de uma consciência para poder assumir nova.

Participante: então, a vibração é criada pelo pensamento e só depende dele para termos boas vibrações?

Não, a vibração é criada pelo sentimento.

O sentimento é energia; o pensamento não é. Sobre o pensamento, vamos estudar depois. Por enquanto podemos falar apenas alguma coisa para dirimir essa sua dúvida.

A vibração, a faixa vibracional do espírito é determinada por aquilo que está sentindo e não pelo que está pensando. Isso, para vocês humanizados, é difícil de compreender, pois têm uma visão errada sobre o ciclo da vida. Acham que pensam determinada coisa e por isso sentem tal sentimento. Não é assim: primeiro o espírito sente e depois tem a consciência através de um pensamento que expressa o que sentiu.

A não compreensão sobre esse assunto vem do fato de que a escolha sentimental é inconsciente, ou seja, vocês não têm consciência dela ocorrer. Por isso imaginam que primeiro pensam para só depois sentir. Na verdade, inconscientemente escolhem um sentimento para reagir a determinado acontecimento e aí conscientemente têm um pensamento.

Respondendo-lhe, então, digo que o padrão vibracional é determinado pelo sentimento e por causa desse padrão, você tem determinado pensamento.

Dos espíritos

Encerramento de palestra

O que devemos levar hoje dessa conversa como importante é saber que o espírito é a inteligência que povoa o Universo. A partir do momento em que entendermos isso, teremos que compreender que viver não é um processo físico, mas mental.

A vida não pode ser entendida pelas circunstâncias físicas. Ela precisa ser compreendida como uma circunstância mental, ou seja, precisamos entender que o mundo é aquilo que pensamos que é. Na Verdade, ele não é aquilo nada do que possamos compreender, mas, ao pensar nele de uma determinada forma, o ser cria o mundo para ele.

Deixe-me dar um exemplo: um problema qualquer que você esteja vivendo. O problema, na verdade, é simplesmente um acontecimento do Universo que você vê como problema, ou seja, entende que aquele acontecimento é problemático. Só que o mesmo acontecimento pode ser visto como uma solução por outras pessoas. Ou seja, para uns ele é um problema, isso porque o ser trabalha mentalmente com essa ideia, mas para outros que vivenciam o mesmo acontecimento, o que pode estar ocorrendo é uma solução. Para isso é preciso apenas que vivam mentalmente essa compreensão...

 Precisamos entender isso para pararmos de nos preocupar em vivenciar a vida através de atitudes físicas. Se não colocarmos na prática a consciência de que tudo é determinado pela mente e não um acontecimento Real, nunca viveremos a vida entendendo que ela é simplesmente o resultado de atitudes mentais.

Tem um ditado popular que afirma: ‘quem ama o feio, bonito lhe parece’. Se você não transformar algo em bonito, ou seja, se não ver como bonito, certamente aquilo será feio. Mas, nada é feio nem bonito: é você, mentalmente que cria a beleza ou a feiura das coisas.

Você criar o feio ou o bonito para as coisas: é isso que precisamos entender para poder compreender o processo de reforma íntima.

A reforma íntima não pode ser feita com atos físicos, pois é um processo espiritual. Como é espiritual, aplicando-se o que vimos hoje (que o espírito é a inteligência), tenho que dizer que a reforma íntima, é um processo mental.

Ela não pode ser alcançada com atos físicos porque é um processo de mudança interior, ou seja, de mudança da forma de ver o mundo, de viver a vida. A maioria não consegue alcançar a reforma, porque se preocupa com os atos, com a visão externa do mundo, quando a sua preocupação deveria estar voltada para a visão interna, para aquilo que está sendo criado na sua mente sobre o que Deus está fazendo (as movimentações físicas).

É isso que precisamos compreender para realizar a reforma íntima. Enquanto não nos voltarmos para Deus e para nós mesmos (para o espírito que somos) e ficarmos preocupados com matérias, não vamos conseguir nada. Essa é uma coisa que venho falando há cinco anos e não estou sozinho. A maioria dos que ouve e fala de Deus de uma maneira universal, fala disso.

Eles falam de revisão mental. Falam de rever a forma de ver o mundo. Na hora que os seres humanizados compreenderem isso, vão conseguir realmente promover a reforma íntima.

Para colocar em prática essa compreensão, deixe-me falar de mais um detalhe. Tudo está feito: você só está vivendo o que já está feito.

Não se preocupe com resultados. Não se preocupe com o que vai acontecer amanhã. Cristo diz muito claro: porque que você se preocupa com o que vai acontecer amanhã, se Deus dá a vida aos bichos e as plantas? Se Deus dá o destino de cada um, porque que você vai se preocupar com o amanhã?

Não façam isso; vivam o dia de hoje. Tenham a certeza de que a sua vida já está definida desde o nascimento e que preocupar-se com o amanhã é a maior prova de falta de fé.

Dos espíritos

Pergunta 0090

O Espírito que se transporta de um lugar a outro tem consciência da distância que percorre e dos espaços que atravessa, ou é subitamente transportado ao lugar aonde quer ir?

Dá-se uma e outra coisa. O Espírito pode perfeitamente, se o quiser, inteirar-se da distância que percorre, mas também essa distância pode desaparecer completamente, dependendo isso da sua vontade, bem como da sua natureza mais ou menos depurada.

Já havíamos visto que o espírito se movimenta pelo pensamento. Ou seja, onde estiver seu pensamento, o espírito está. Agora Kardec pergunta sobre a questão tempo e espaço na locomoção. Ele quer saber se existe um espaço a ser percorrido e se existe tempo para isso.

O Espírito da Verdade diz: olha, isso depende do adiantamento do espírito ou da vontade dele. O que quer dizer isso? Que você pode viajar na velocidade do pensamento – que a humanidade não faz a mínima noção de qual seja – ou lentamente.

Essa resposta nos leva a uma grande conclusão: não existe tempo nem espaço. Se o ser pode viajar numa rapidez quase instantânea é porque não existe velocidade e nem tempo.

Isso é fundamental entendermos, pois aí deixamos de acreditar que existe tempo longo ou curto. Isso não existe. O que existe realmente é o tempo que você acha longo e o que acredita ser curto. Aliás, o tempo não poderia mesmo ser medido já que ele nem existe.

Da mesma forma, não existem espaços grandes ou pequenos. Existem aqueles que você chama de grande e outros que considera pequenos. Além do mais, da mesma forma que o tempo, os espaços nem existem para que possam ser pequenos ou grandes.

Sobre esse assunto ainda falaremos mais detalhadamente, mas por enquanto fica a informação de que o caminhar do espírito pode ser numa micro fração de tempo, mesmo sabendo que não há tempo.

Dos espíritos

Pergunta 0091

A matéria opõe obstáculo ao Espírito?

Nenhum; eles passam através de tudo. O ar, a terra, as águas e até mesmo o fogo lhes são igualmente acessíveis.

Nada pode barrar o espírito, nada pode segurá-lo. Ele passa através de todas as matérias. Aliás, para explicar isso, a ciência humana já possui conhecimentos suficientes. A física diz que as coisas materiais possuem espaços vazios entre os átomos. O espírito passa por ali.

Mas, tem uma informação muito importante aqui. Se o espírito pode passar por qualquer elemento material, posso dizer que ele pode atravessar o fogo. Isso nos lembra o que Krishna ensinou: o fogo não pode queimar o espírito.

Essa informação é importante porque ficamos presos à ideia de que o fogo vai nos queimar, mas ele não nos queima. A mente cria a sensação de queimado quando existe a percepção de que o corpo está sendo queimado, mas com o espírito nada está acontecendo. Só que vemos apenas a queimadura porque o mundo Real, o Universo, está muito além do que percebemos através dos sentidos do corpo.

Resumindo, então, o espírito não pode ser queimado ou ferido, pois ele atravessa as matérias. O que acontece como perceptível são criações mentais que dizem que sofremos tais queimaduras ou feridas...

Isso é importante para não acreditarmos em espíritos com a perna quebrada, queimados ou feridos de qualquer forma.

Dos espíritos

Pergunta 0092

Têm os Espíritos o dom da ubiquidade? Por outras palavras: um Espírito pode dividir-se, ou existir em muitos pontos ao mesmo tempo?

Não pode haver divisão de um mesmo Espírito; mas, cada um é um centro que irradia para diversos lados. Isso é que faz parecer estar um Espírito em muitos lugares ao mesmo tempo. Vês o Sol? É um somente. No entanto, irradia em todos os sentidos e leva muito longe os seus raios. Contudo, não se divide.

O espírito é indivisível, ou seja, não pode se dividir.

Essa é uma informação básica, mas, como já estudamos, o espírito é luz e a luz se irradia. Sendo assim, posso dizer que o espírito se irradia por diversos lugares, sem com isso se dividir. Portanto, apesar de se irradiar para diversos lugares, o ser universal está num só lugar.

Poderia dizer assim: o espírito fica num lugar só e dali se irradia por todo o Universo indo, assim, ao lugar que quer estar. Sei que para vocês essa é uma coisa incompreensível. Apesar disso, deve ficar claro que o espírito tem a propriedade de se irradiar, ou seja, de ir a outros lugares, sem sair do mesmo lugar.

Dos espíritos

Pergunta 0092a

Todos os Espíritos irradiam com igual força?

Longe disso. Essa força depende do grau de pureza de cada um.

Quanto mais puro, ou seja, quanto mais perto de Deus mais o espírito está de posse das suas faculdades espirituais. Por isso se pode se irradiar com mais força.

Agora, um detalhe importante: tudo isso que estamos falando de espíritos é genérico, ou seja, todos os seres possuem essas propriedades, mas a maioria não sabe utilizá-las. Não é que não as têm, não sabem utilizá-las.

Não sabem por que estão de costas para Deus, estão afastados do Pai. Tendo a capacidade de usar as propriedades que comentamos, fariam em benefício de seu individualismo e não do universalismo. É por isso que Deus só dá a compreensão, só ensina os seres usarem certos atributos quando já estão mais elevados, mais universalizados.

Vou dar um exemplo: se vocês apreendessem a sair da carne com o pensamento – como conversamos que é possível – e ter consciência do que está acontecendo onde forem, ia ter muito homem indo ver a vizinha trocar de roupa, alguns usariam esse poder para saber o que está acontecendo em outro lugar e assim levar alguma vantagem.

É por isso que Deus não deixa o espírito não desenvolvido, não universalista, estar de posse do conhecimento para utilizar a todas as suas aptidões. Só quando aprender a colocá-las à disposição e a serviço da espiritualidade como um todo, é que o Pai começará a fazê-los utilizar essas aptidões.

Sendo assim, afirmo que tudo que estamos estudando – e que ainda vamos estudar – nesse capítulo sobre o espírito, é genérico e será alcançado passo a passo com a evolução espiritual.

Dos espíritos

Pergunta 0093

O Espírito, propriamente dito nenhuma cobertura tem, ou, como pretendem alguns, está sempre envolto numa substância qualquer?

Envolve-o uma substância, vaporosa para os teus olhos, mas ainda bastante grosseira para nós; assaz vaporosa, entretanto, para poder elevar-se na atmosfera e transportar-se aonde queira.

Vocês, como espíritos que são, acham que estão dentro do que?

Participante: corpo.

Vocês chamam o que estão vestindo atualmente de corpo, mas isso não deve nos levar a compreender que é um corpo do espírito. Não é. O corpo do espírito é o perispírito, que também está dentro do que vocês chamam de corpo humano.

O corpo humano, na verdade, é uma roupa que o espírito coloca por cima do seu corpo. Cada encarnação pode ser comparada a um trocar de roupa pelo espírito.

Essa é a primeira informação que está na resposta do Espírito da Verdade: o espírito tem um corpo que se chama perispírito. Mas, ele diz mais: o perispírito é fluídico dentro da concepção humana. Ou seja, para aqueles que vivem no mundo material o perispírito é fluídico, mas para o espírito ainda é demasiadamente denso.

Sendo assim, quando se fala que o perispírito é o corpo fluídico, o corpo não denso do espírito, tal concepção é balela. Digo isso porque a fluidez do perispírito existe apenas para o ser humano e não para o espírito liberto da humanidade. Para este, aquele corpo ainda é denso, muito denso.

Isso é o que o Espírito da Verdade falou nesse momento sobre o perispírito. No entanto, há outro detalhe sobre o corpo do espírito que eu gostaria de falar: o perispírito é a exata cópia do corpo humano. Tudo que existe no corpo humano existe o perispírito.

Na verdade para cada célula do corpo existe, vamos dizer assim, uma célula do perispírito. Isso é real porque o perispírito recobre todo o corpo. Sendo assim, precisa repetir tudo que existe nele.

Se o seu corpo tem um coração, o perispírito que você, o espírito, veste, tem um coração. Isso acontece porque o perispírito recobre não só externamente o corpo físico, mas também internamente. No interior do perispírito existem os mesmos elementos e características que o corpo tem internamente...

Mas, a partir dessas informações, ou seja, sabendo que o perispírito é denso para o espírito e que é igualzinho ao corpo físico, faço uma pergunta: se você sair da carne hoje, voltar à consciência espiritual agora, e olhar para si mesmo, qual a diferença entre o corpo e o perispírito? Eu mesmo respondo: nenhuma.

Não há, para o ser que sai da carne humanizado, diferença entre o perispírito e o corpo. Esse ser verá o perispírito como algo denso que possui tudo que o seu corpo tinha. Por isso não saberá que não é o corpo físico. É por esse motivo que se diz que o espírito que sai humanizado da carne nem sabe que morreu.

Ele não terá consciência de ter se desligado do corpo, pois olhará para si mesmo e se verá dentro de algo igualzinho ao corpo carnal, quer seja em detalhes como na questão da densidade. Isso acontecerá assim porque como vimos, o perispírito é denso para o espírito.

Então veja, se você não alcançar a consciência espiritual nessa existência, quando sair da carne, nem vai saber que morreu: vai pensar que continua vivo. Aliás, a maioria que sai da carne, pensa que continua vivo.

Participante: com relação ao corpo, ou seja, a vestimenta que o espírito coloca sobre o corpo, ele a plasma inconscientemente?

Por enquanto vamos ficar com a sua afirmação na pergunta: o espírito plasma inconscientemente o seu corpo. No entanto, saiba que não é só isso: existem outras verdades que ainda não podemos conversar.

Aproveitando a sua deixa, afirmo: não é só o corpo que o espírito plasma. Para entendermos isso, pergunto: o que é essa roupa que você está vestindo de acordo com o que estudamos até agora?

Participante: fluido universal.

Certo: a sua roupa é um fluído universal que você pasmou como blusa. É um fluído universal que você, espírito, plasmou como blusa.

Do mesmo jeito que plasma fluido universal como blusa na carne, plasma a mesma coisa fora dela carne. Por isso, diria mais sobre o tema que estamos conversando: a sua roupa é um estado mental. Afirmo isso porque a sua roupa é o que você vê no fluído universal.

Participante: falando nisso, uma pergunta que é mais curiosidade. O espírito quando desencarna está vestido com uma determinada roupa. Quando desperta do outro lado se vê com a mesma roupa?

Quando o espírito despertar do outro lado se verá com a roupa que escolher. O espírito se verá com a roupa que escolher plasmar para si.

Participante: mas, o senhor falou que muitos não têm a consciência de que desencarnaram... Como podem escolher?

Inconscientemente ele plasma. Ele continua plasmando roupa inconscientemente.

Digo isso, e não vejo motivo para espanto, porque você hoje, ou seja, encarnado, também plasma suas roupas inconscientemente. Ou será que tem consciência de estar plasmando o fluído universal em roupa? Não tem, mas está.

Participante: o espírito plasma um guarda-roupa também?

Mais do que isso: ele plasma a casa toda.

Aliás, desculpem, mas eu errei. Ele não vai plasmar uma casa: vai continuar na mesma casa plasmada que tem hoje. Vai ficar vendo o mesmo guarda-roupa; vai continuar plasmando a mesma roupa no guarda-roupa; vai continuar plasmando a ideia de trocá-la todo dia; e irá plasmar a ideia de ir trabalhar todo dia.

Veja: ele não tem consciência que morreu; continua imaginando que está vivo. Por isso continuará plasmando as ações como se ainda estivesse na carne, já que não tem consciência de ter desencarnado.

Ficou claro isso? É importante entenderem isso, para darem valor à questão da reforma íntima, ou seja, do virar-se para Deus. Sem isso, ao saírem da carne, permanecerão como fantasmas assombrando o lugar que deixaram.

Dos espíritos

Pergunta 0094

De onde tira o Espírito o seu invólucro semi material?

Do fluido universal de cada globo, razão por que não é idêntico em todos os mundos. Passando de um mundo a outro, o Espírito muda de envoltório, como mudais de roupa.

Vamos compreender esta afirmação do Espírito da Verdade claramente.

A concepção sobre perispírito como hoje conhecida entre vocês só vale para o planeta Terra. Ela não vale para o Universo inteiro. Hoje, se você, espírito, sair da Terra e for morar na lua, terá que plasmar um perispírito diferente do que tem agora.

Sendo assim, o que disse anteriormente – que o perispírito é o corpo do espírito – não é Real. O perispírito, ou pelo menos a ideia que vocês têm do corpo perispiritual, é o corpo dos espíritos que habitam o planeta Terra. Isso quer dizer que apenas o perispírito dos seres que habitam esse planeta possui dois braços, duas pernas e determinados órgãos internos. O de espíritos que habitam outros planetas é diferente disso.

Na verdade, o perispírito é um saco informe que prende o espírito. Ele se molda de acordo com as formas existentes nos diversos planetas. Mais nada que isso.

Portanto, se o corpo físico é apenas uma ideia que o espírito está tendo, o perispírito também o é, já que ele não é o que o espírito percebe, mas sim plasma que tem a sua forma gerada de acordo com a necessidade do planeta onde o espírito encarnará. Para poder se ter alguma ideia do que é o perispírito na Realidade, diria que ele é um saquinho que encobre o espírito e que se molda de acordo com a necessidade do ser.

Isso, na prática, nos leva a conclusão de que o perispírito, dentro do Universo, não tem braço, não tem perna, não tem cabeça. Só há essas coisas para quem está na Terra, ou seja, para quem está preso à vida humana, ao ciclo de encarnação no planeta Terra.

O perispírito do espírito que sai do ciclo de encarnação no planeta Terra não terá tais elementos, pois não precisará mais de mão ou de pé. Aprenderá a andar com a velocidade do pensamento e por isso, tais acessórios serão coisas desnecessárias.

Participante: os pés e as mãos não são elementos atrasados, mas sim o caminho que Deus dá os espíritos para sua evolução.

São o caminho que Deus lhes deu para caminhar e não para ficar parado apegado à eles. Quando você estiver à frente no caminhar, essas coisas serão atrasadas.

Você não compreendeu o que quero dizer. Não estou afirmando que esses acessórios são atrasados para você, mas sim para quem já tem outros conhecimentos. Se você souber voar, não precisará mais dos pés para andar e com isso considerará tê-los como um atraso. Só que isso é para quem sabe voar e não para você que não sabe.

Dos espíritos

Pergunta 0094a

Assim, quando os Espíritos que habitam mundos superiores vêm ao nosso meio, tomam um perispírito mais grosseiro?

É necessário que se revistam da vossa matéria, já o dissemos.

O Espírito mais elevado aparece em um perispírito que possui braço e perna porque ele precise disso. Apesar de usar cabelo nas suas aparições, ele não precisa disso. Quem precisa que existam essas coisas são aqueles que estão encarnados no planeta Terra.

Se esse ser não adaptasse seu perispírito para algo conhecido de vocês, veriam apenas um brilho dentro de um saco. Tendo essa percepção, ou morreriam de medo ou fugiriam correndo desse ser.

Portanto, é por causa dos seres humanos que os Espíritos superiores moldam e usam um perispírito com a forma conhecida no planeta e não porque precisem de pernas ou braços.

Dos espíritos

Pergunta 0095

O invólucro semi material do Espírito tem formas determinadas e pode ser perceptível?

Tem a forma que o Espírito queira. É assim que este vos aparece algumas vezes, quer em sonho, quer no estado de vigília, e que pode tomar forma visível, mesmo palpável.

A resposta é completa, mas deixe-me complementar um aspecto. Aqui está escrito assim: o perispírito tem a forma que o espírito quer. Mas, não é bem assim: não depende só do seu querer.

É claro que todos os espíritos possuem a capacidade de moldar o seu perispírito, de criar ou retirar dele alguns detalhes, mas é preciso levar em consideração o que já falamos anteriormente: estamos falando em linha geral. Saiba que apesar dessa informação muitas vezes o espírito não pode alterar o seu perispírito.

Não pode, não tem condições de alterar o seu perispírito. Isso porque a sua forma física, seja ela do perispírito ou do corpo físico, faz parte do seu carma, da sua prova.

Na verdade, a maioria dos espíritos não possui condições para alterar o seu perispírito. Eles sabem como muda-los, mas não podem fazer porque Deus não permite. O Pai não dá a eles acesso ao conhecimento para manipular o seu perispírito.

Por isso vemos na literatura espírita carecas que usam perucas no mundo espiritual. Enquanto não aprenderem que aquela careca é um carma, enquanto não aprenderem a viver felizes sem o cabelo, não terão licença, autorização, para gerar cabelo, para plasmar cabelo.

Volto a dizer: tudo que está em O Livro dos Espíritos é linhas gerais. Por isso, posso dizer que o ser possui a capacidade de mudar seu perispírito, mas nem todos têm ainda a autorização para exercer estas prerrogativas. Não têm acesso a esta prerrogativa pelo motivo que já expusemos: o individualismo.

Se o espírito individualista pudesse moldar o seu perispírito, transformando assim a sua aparência, haveria muitos que fariam isso para fugir de algumas coisas ou para levar alguma vantagem.

Participante: e os espíritos que apresentam ferimentos no perispírito?

Vamos conversar sobre isso. Boa pergunta.

As marcas do corpo físico vão para o perispírito? Ferimentos, tatuagens, doação de órgãos, cicatrizes, vão para o perispírito? Vão, se for prova, se for necessário ir.

Vou dar um exemplo: um ser humanizado morre, desencarna, com um tiro. Ao tomar consciência que desencarnou por esse motivo, ele se revolta. Acontecendo isso, muito provavelmente o seu ferimento estará no perispírito e ficará aberto até que acabe com a sua revolta.

Na verdade não há ferimento. O perispírito, assim como o corpo físico, não pode ser ferido. Tudo é fluido universal e o elemento material universal não pode ser ferido.

Por isso afirmo que o ferimento no perispírito, na verdade, é mental, é produzido pela mente do espírito (ego). Mas, o ser universal não vê isso: pensa que o corpo perispiritual é que está ferido. Por isso não sabe que pode, através da mente, eliminar essa visão. Ele só alcançará a consciência de que pode utilizar-se da sua mente para curar ou fechar esse ferimento quando tiver o merecimento para tanto.

Outro exemplo: a doação de órgãos. Se um ser humanizado doar um órgão, esse vai faltar no seu perispírito? Depende.

Se o ser humanizado doar o órgão para ganhar dinheiro, certamente vai; se doá-lo para mostrar o quanto é bonzinho, caridoso, vai: mas, se doar o órgão por amor, esse estará presente no perispírito. O amor cobre toda e qualquer coisa. Portanto, a doação sem intencionalidade nenhuma não provoca problemas no perispírito, mas aquela que é feita com qualquer outro sentimento provoca.

Outro exemplo: o ser humanizado que perde de um membro. Será que a ausência da perna vai para o perispírito? Vai, enquanto o carma for necessário.

Esse espírito será, mesmo depois de desencarnado, manco, com uma perna só. Agora, se durante a vida carnal conseguir superar o seu carma, ou seja, viver feliz apesar de só ter uma perna, quando sair da carne estará com as duas.

Vamos entender direitinho: a função de cada coisa do perispírito e do corpo, fazem parte do carma do ser encarnado, ou seja, conterá aquilo que o espírito vai precisar fazer para realizar o trabalho da sua encarnação. Sendo assim, enquanto houver o carma, tudo existirá; quando o carma acabar, acaba tudo.

É isso que precisamos compreender: tudo pode acontecer. O que vai determinar se acontece ou não, será o carma, o merecimento.

Participante: fale um pouco dos espíritos que vampirizam o perispírito de outro, como os ovoides citados na literatura espírita.

Na verdade, nenhum espírito vampiriza o perispírito do outro. Vamos entender isso direitinho, de uma vez por toda.

O espírito se alimenta de uma coisa chamada fluído cósmico universal, que vocês chamam de sentimento. O espírito come sentimento, assim como vocês comem comida.

Por isso, esses espíritos que são conhecidos como vampiros comem energia, o sentimento que está dentro do perispírito. Seria quase como um sanguessuga. Acho que é por isso que são chamados de vampiros. Eles não comem o corpo, mas sim o sangue do espírito, o sentimento, a energia.

Isso é verdade: realmente existem espíritos que fazem isso. Só que esses seres só procuram aqueles que têm o que eles gostam. Eles não atacam indistintamente qualquer um.

Aliás, até na Terra é assim. Há pessoas que não podem sair de casa que o mosquito, o sanguessuga, ataca na mesma hora, enquanto há outros que entram no meio do mosquiteiro e não recebem uma mordida. Isto acontece porque esses últimos não têm o que o mosquito quer.

Sobre este assunto, portanto, o que precisamos entender é que esses vampiros só vão vampirizar aqueles que tiverem o sangue que ele quer, ou seja, aqueles que tiverem o sentimento que ele quer. Por isso, se você mantiver uma emoção que atraia esses seres, certamente será vampirizado. Agora, se mudar o seu estado de espírito, mesmo que esteja sendo vampirizado, o ser vai embora praguejando: ‘que comida ruim. Eu não quero isso. Vou pegar outro que tenha que gosto.’

Esse é o aspecto principal dessa sua pergunta ao qual devemos dar total atenção: muito mais do que se preocupar em saber como o vampiro age, saber como é essa obsessão, devemos compreender porque ela acontece. Sem isso, não aprendemos a escapar dela e continuamos a temer e odiar os vampiros.

Participante: fale também dos tais trabalhos encomendados nas encruzilhadas.

Deus é causa primária de todas as coisas. Sendo assim, se alguém vai ao centro de macumba pedir um trabalho contra outro, foi Deus quem o mandou ir e pedir. Isso é verdade. Mas, esse acontecimento serve como instrumento carmático tanto para quem faz como para quem recebe.

Deus dá a um a intuição de fazer o trabalho porque ele nutre um determinado sentimento. Esse o faz tornar-se merecedor de viver este determinado papel na vida. Ninguém vai ao centro pedir para fazer um trabalho se não merecer ser o agente desta situação carmática. Esse é um detalhe sobre o tema.

Quanto a eficácia, ou seja, se aquele trabalho vai chegar à pessoa que foi dirigido, isso é outro detalhe. Esse aspecto não sei lhe responder, porque também vai depender do merecimento da outra pessoa recebe-lo ou não. O outro só receberá a carga negativa do trabalho se for merecedor, pois Deus dá a cada um segundo as suas obras.

É por isso que na umbanda os exus dizem: eu pego e vou levar, mas se não puder entregar, volto e devolvo. Isso quer dizer: o exu pegará a carga energética, levará para a pessoa destinada, mas se ao chegar lá a pessoa não merecer recebê-la, a devolverá para quem mandou.

Precisamos entender que um trabalho de umbanda nada mais é do que um despacho de uma carga sentimental. Fazer trabalho espiritual é enviar determinada carga sentimental a outro.

O espírito trabalhador chamado exu absorverá a carga e a levará para entregar ao destinatário. Só que, ao chegar lá se a vibração da pessoa não se encaixar com a que está levando, ele volta devolve sua carga para quem mandou. Faz isso porque ela é dele, foi ele quem a nutriu.

Portanto, são estes os dois aspectos que gostaria de salientar sobre o tema que você perguntou. Primeiro dizer que o trabalho é a emissão de uma carga sentimental (energia) e segundo, que tanto a fonte geradora quanto a receptora precisam estar numa sintonia, porque tudo aquilo é prova.

A macumba não é o charuto, a cachaça, a galinha, a farofa, mas um sentimento. Na verdade, quando você olha atravessado (nutre um sentimento de desconfiança) para alguém, está fazendo uma macumba. Quando tem raiva de uma pessoa, quando está acusando alguém, está fazendo uma macumba. É desse jeito porque a macumba não são as coisas materiais, mas o sentimento que se coloca nas coisas.

Por isso não importa se você está falando, cantando ou oferecendo coisas matérias; sempre que nutre um sentimento por uma pessoa está fazendo uma macumba para ela. O sentimento é quem comanda a ação e não o contrário...